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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

RESENHA HQ: Horácio: Mãe


HORÁCIO: MÃE

Roteiro: Fábio Coala
Arte: Fábio Coala
Editora: Panini Comics
Ano: 2018
Pág.: 96

Horácio é um pequeno tiranossauro rex, que ama alfaces, mas nunca conheceu sua mãe. Quando ele descobre que ela, possivelmente, pode estar presa em uma enorme cratera, parte em uma aventura ao lado de dois novos amigos que conhecera, encarando os mais constantes perigos para encontrá-la.
Se eu não quiser entregar muito dessa fantástica história, cheguei ao limite nessa pequena sinopse.
Desde que comecei a ter melhores conhecimentos sobre o universo de personagens da Maurício de Sousa Produções, ouvia falar que o personagem Horácio era o “preferido” de Maurício de Sousa. Não que ele gostasse menos da Turma da Mônica, da Turma de Bidu, da Turma de Penadinho, da Turma da Mata, da Turma do Papa Capim, da Turma do Piteco, da Turma do Chico Bento, mas muito do que ele escreve nas histórias do Horácio – sim, Maurício de Sousa ainda escreve histórias – é bem pessoal, coisas que ele pensa, que ele reflete. Então vê-lo permitindo que outro escreva uma história para o tiranossaurozinho é algo incrível. Também demonstra sua total confiança de que Fábio Coala – conhecido artista brasileiro das tirinhas “Mentirinhas” – faria um ótimo trabalho com seu personagem, e é isso que temos em mãos com essa nova Graphic MSP.
Bem, em um breve resumo, as Graphics MSP são revistas com começo, meio e fim, onde o artista Maurício de Sousa disponibiliza seus personagens para que outros artistas independentes escrevam histórias. Dessa forma, temos o Astronauta, Turma da Mônica, Chico Bento, Piteco, Bidu, Penadinho, Turma da Mata, Louco, Papa-Capim, Mônica, Capitão Feio, Jeremias e, agora, Horácio. As histórias contam com histórias e arte diferentes do que geralmente se veem nos contextos das revistas mensais da Maurício de Sousa Produções, o que dá ainda mais valor ao trabalho desses artistas. Isso tudo se iniciou quando Maurício de Sousa completou 50 anos e foram feitas três edições de comemoração com vários artistas brasileiros, mostrando sua própria visão dos personagens. Hoje, as Graphics MSP estão tendo vida própria, tanto que a história “Turma da Mônica: Laços”, de Vitor e Lu Cafaggi, está sendo adaptada para os cinemas e deve estrear em 2019.
A confiança de Maurício de Sousa em Fabio Coala foi gratificante para quem lê essa história do Horácio, pois Coala faz uma visita ao passado mais remoto do personagem. Um passado que não se conhecia nos quadrinhos. O mais legal é o respeito que Coala demonstra pelo personagem e pelo trabalho de Maurício de Sousa. A forma de caracterizar o personagem, possui um busca na realidade, mas não perde a forma do seu criador. Para uma melhor compreensão da busca de Horácio, também temos sequências de flashback com sua mãe, fazendo com que acompanhemos e compreendemos melhor o que ocorreu.
Maravilhosa, emocionante, cativante, “Horácio: Mãe” é o 19º volume dessa coleção e só traz mais valor a toda ela.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

ECN COMENTA: Alfa: A Primeira Ordem. Chega ao Catarse a continuação.


Desde 2014, Elenildo Lopes vem buscando um fato incrível, unir o maior número de super-heróis brasileiros em uma bela edição.
Sua primeira tentativa ”Álbum DBQ – Heróis Brasileiros: A Ordem” não conseguiu o financiamento necessário pela Catarse. Mas Elenildo não desistiu. Criador do personagem Capitão R.E.D. e Vélox – que também está no Catarse aguardando o apoio para poder ser lançado –, ele relançou o projeto com um novo nome, “Protocolo: A Ordem”.
“Protocolo: A Ordem” une os maiores super-heróis brasileiros para enfrentar um grande mal que assola a nossa nação e somente a união deles poderá fazer a diferença.
Elenildo relançou esse projeto e, depois de repensar alguns procedimentos a tomar no Catarse, trocou o nome para “Protocolo: A Ordem” e, em outubro de 2015, ele se tornou algo real. Tanto que ganhou o Prêmio AbraHQ (2016) e o Prêmio Angelo Agostini (2017).
Foi um grande sucesso, com mais de 200 pessoas apoiando a publicação da revista. Isso motivou Elenildo a um novo projeto, agora intitulado “Alfa – A Primeira Ordem: Parte 1”. Esse novo projeto já nasceu para serem duas partes – ambas escritas por Gian Danton, desenhadas por Marcio Abreu e coloridas por Vinicius Townsend –, principalmente porque iria trazer super-heróis clássicos como Capitão 7, Raio Negro, Capitão Gralha, Homem-Lua e o Flama.
Cada um dos personagens clássicos foram criados entre as décadas de 1950 e 1960 – com exceção do Capitão Gralha que foi criado para as comemorações do aniversário do personagem O Gralha, com uma história fictícia a respeito de sua criação – e, na história, em determinado momento eles se uniram para enfrentar uma ameaça alienígena e terminaram desaparecendo. Na continuação, Capitão R.E.D., Velta, Jou Ventania, Lagarto Negro, Jaguara, entre outros, unem-se novamente para descobrir o que ocorrera no passado, ainda mais quando uma ameaça semelhante a que os grande heróis clássicos enfrentaram reaparece.
Lógico que, como a história é preparada para duas partes, a primeira edição não tem um fim. Dessa forma, Elenildo lançou “Alfa – A PrimeiraOrdem: Parte 2 – O Final” em agosto de 2018. Como na primeira parte, a campanha é flexível, ou seja, não tem a necessidade de atingir o limite das contribuições para receber o incentivo.
Como todos os projetos na Catarse, “Alfa – A Primeira Ordem: Parte 2 – O Final” vem com várias formas para apoiar o projeto que acarretará nos mais diversificados brindes, como prints em A4, revistas do Capitão R.E.D. e/ou Lagarto Negro, chaveiros, marcador de páginas exclusivo, adesivos, arte de um personagem, criação sua, pelo artista Pedro Lucas ou no “Painel dos Sentinelas da ALFA” ou participando da revista, camisas, e muitos outros prêmios. Os valores variam de R$ 40,00 a R$ 450,00 (sendo que os dois últimos são para varejistas).
Vamos lá, participe dessa revolução! Entre para essa luta apoiando os super-heróis brasileiros a enfrentar um grande ameaça.

Você também pode adquirir "Alfa - A Primeira Ordem: Parte 1" pelo site da Kimera Publicações.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ECN COMENTA: Vem aí Chaos!


Felipe Folgosi é um ator conhecido pelos seus trabalhos na televisão, fazendo novelas para a Globo, o SBT e a Record. Mas, além disso, o que poucos sabem, é seu fascínio por quadrinhos.
Em 2014, através do Catarse, ele conseguiu financiar o projeto da revista “Aurora”. Na revista ele conta a história de um pescador que se vê em meio a uma tempestade cósmica que termina lhe concedendo poderes extranormais. O roteiro de “Aurora” era de um projeto de filme que Folgosi tinha em mente, mas que ele preferiu adaptar para os quadrinhos e deu muito certo.
Em 2016, ele conseguiu financiar outro projeto dele maravilhoso, “Comunhão”. Usando algo muito comum na sua vida, que é a religião, Folgosi conta um thriller de suspense com a arte toda no nanquim, sem colorização, em uma homenagem aos clássicos das histórias de quadrinhos de terror.
Com esses dois projetos em mãos, ele vem visitando várias convenções de quadrinhos e, com certeza, as pessoas devem lhe perguntar sobre seu próximo projeto. Então em fevereiro de 2018, no Telecine Play e no Google Play Folgosi, junto com Jun Sakuma, lança “Traço Livre – O Quadrinho Independente no Brasil”.
O documentário, apresentado por Folgosi e com direção de Sakuma, mostra o trabalho que vem sendo desenvolvido pelos artistas independentes no Brasil, que lutam o dia-a-dia para tirar seus projetos da obscuridade. Muito bem feito, com entrevistas e demonstrações da realidade que os quadrinhistas brasileiros passam, “Traço Livre (...)” mostra para o que veio.
No dia 01 de agosto de 2018, Felipe Folgosi lançou um vídeo promocional apresentando o mais novo projeto dele que será lançado no Catarse, Chaos.
Chaos é uma continuação direta da primeira HQ de Folgosi, “Aurora”. Nela conheceremos mais sobre o filho do pescador Rafael, que foi tomado por uma energia cósmica e foi totalmente transformado. Gabriel tem poderes extrasensoriais como telepatia e telecinésia, e a história promete ser tão interessante quanto sua antecessora.
A campanha já começou nas redes sociais, onde Folgosi tem apresentado alguns work in progress de vários artistas como Alzir Alves, Flavio Luiz Nogueira e Luciano Salles. Para participar do financiamento coletivo de “Chaos”, as pessoas terão de entrar no catarse.me/aurora2chaos, escolher a forma de financiar e aguardar mais um trabalho de qualidade desenvolvido pelo ator/roteirista/argumentista Felipe Folgosi.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

ECN COMENTA: A internet e as polêmicas


Nos dias de hoje internet serve para tudo. Se você quer acalmar, assiste a um vídeo divertido, onde você possa rir. Se quiser entrar em contato com um amigo distante, pode entrar em um Instant Messenger ou em uma plataforma de conversa virtual, podendo até mesmo vê-lo e à família dele, em vídeo. Mas também serve para gerar polêmicas, fazer denúncias e até demitir pessoas.
Bem, por que estou entrando nesse assunto em um blog sobre cultura nerd? De uns tempos para cá, o Twitter, Instagram e Facebook, serviram como forma de se descobrir mais coisas sobre determinados artistas, sejam diretores, produtores e atores de filmes e/ou seriados, ou mesmo argumentistas, roteiristas, desenhistas e arte-finalistas de quadrinhos. Vira e mexe surge alguma polêmica que podemos ou não discutir, que podemos ou não concordar, mas que viralizaram facilmente.
Como um exemplo, em outubro de 2017 o produtor de filmes Harvey Weinstein (Amityville: O Despertar), proprietário junto com seu irmão, Bob Weinstein, da Weinstein Company, foi denunciado como sexista e estuprador por várias atrizes de Hollywood. As denúncias iam de assédio a estupro e, simplesmente, levaram a demissão do produtor da própria empresa. Uma das denúncias aconteceu no Instagram, na página da atriz Cara Delevigne (Esquadrão Suicida).
Na postagem da atriz, ela fala como Weinstein a havia abordado após uma reunião, como foi coagida a ir ao quarto do diretor e outras coisas mais. Mas as denúncias não pararam, pois no mesmo mês, o site BuzzFeed News surgiu com a polêmica em torno do ator Kevin Spacey.
Kevin Spacey é extensamente conhecido por todos seus trabalhos no cinema e pelo seu excelente trabalho na série “House of Cards”, onde vive o presidente Francis Underwood. Ele chegou a ganhar dois prêmios da Academia – o Oscar – pelos seus trabalhos em “Os Suspeitos” (Melhor Ator Coadjuvante) e “Beleza Americana” (Melhor Ator) e o Golden Globe de Melhor Ator de série Televisiva por seu trabalho em “House of Cards”. A denúncia ao BuzzFeed News veio por parte do ator Anthony Rapp (Star Trek: Discovery).
De acordo com Rapp, Spacey o havia assediado e – quase – estuprado quando ele tinha 14 anos. Com isso, Spacey foi investigado e vários podres surgiram, levando-o a ser demitido da série que ele protagonizava. Ambas as denúncias geraram muitas polêmicas e surgiram mais escândalos de assédio, como foi o caso do produtor/diretor Brett Ratner (Hércules).
Brett Ratner, diretor e produtor de vários filmes de sucesso – e outros nem tanto –, proprietário da Ratpac Entertainment, foi acusado de assediar sexualmente várias atrizes, como Ellen Page (X-Men 2). Mesmo negando que tenha ocorrido, isso levou a atriz Gal Gadot (Liga da Justiça) e a diretora Patty Jenkins (Monster) ameaçarem se desligar da continuação do sucesso “Mulher-Maravilha”, caso o produtor e sua empresa continuassem ligadas ao filme. Devido ao sucesso do primeiro filme, a Warner Bros. Pictures rescindiu o contrato com Brett Ratner e sua empresa. Mas não é somente na indústria dos cinemas que as denúncias surgiram em 2017, pois a nona arte também teve seus casos como do editor da DC Comics, Eddie Berganza (Lanterna Verde: Cavaleiros Esmeraldas).
Eddie Berganza começou em 1998 na editora de quadrinhos DC Comics, escrevendo e editando histórias para as revistas Supergirl, Teen Titans e Wednesday Comics, além do grande sucesso da editora, a minissérie “Lanterna Verde: A Noite Mais Densa”. Em 2010, o – então – editor-chefe da empresa, Bob Harras, tornou Berganza editor executivo. Quando chega em 2012, Berganza terminou voltando ao cargo de editor, pois havia denúncias de “indiscrições” contra ele, mas essas vieram a público em novembro de 2017, quando o site BuzzFeed News publicou que o editor havia assediado duas funcionárias da DC Comics.
A primeira ocorreu em 2006, quando Berganza encurralou Liz Gehrlein Marsham, beijando à força. Mesmo que esta o tivesse denunciado à editora, como mais nada havia ocorrido, ele recebeu a promoção. Então, no mesmo ano que se tornou Editor Executivo, outras denúncias surgiram como no caso da ex-editora da DC Comics, Janelle Asselin (Novos 52: Batman). Ela dizia que se preocupava com novas estagiárias, pois Berganza assediava a todas. Depois delas duas e mais três funcionárias denuncia-lo ao RH da empresa em 2010, demorou sete anos para que a DC Comics tomasse as providências e demitissem Berganza. E isso somente ocorreu, pois Marsham e Asselin foram entrevistadas pelo site BuzzFeed News.
Quando entramos em 2018, as denúncias dentro da indústria cinematográfica continuaram e, desta vez, foram dirigidas ao ator Morgan Freeman (Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge).
Em maio de 2018, uma jovem assistente revelou que o ator Morgan Freeman havia a assediado durante as filmagens de “Despedida em Grande Estilo”, onde ele vive um aposentado que decide fazer um grande assalto a banco ao lado de dois amigos, vividos pelos atores Michael Caine (Truque de Mestre: O 2º Ato) e Alan Arkin (Argo).
De acordo com a entrevista dada ao CNN News, o ator tentou levantar a saia da jovem e somente parou porque o ator Alan Arkin chamou sua atenção. Com isso, outra denúncia surgiu sobre Freeman durante as filmagens de “Truque de Mestre”, onde ele assediou sexualmente uma mulher que era membro sênior da equipe de produção. Também foi denunciado por ter assediado a assistente dessa mulher.
Dias depois da denúncia de comportamento inapropriado e assédio, o advogado de Morgan Freeman alegou que a CNN teve “... intenção maliciosa, falsidades, truques, falta de controle editorial e má conduta jornalística”, pois a pessoa que iniciara a denúncia, a jornalista Chloe Melas, havia atraído e estimulado as testemunhas a falar contra Morgan Freeman. As consequências das denúncias contra Freeman foram as rescisões de vários contratos que ele já tinha firmado.
Mas nem sempre a internet vem com denúncias de terceiros para que uma pessoa ligada à indústria do entretenimento tenha problemas, às vezes vem do próprio causador, como ocorreu com o diretor James Gunn (Guardiões das Galáxias Vol. 2).
James Gunn ficou conhecido depois de dirigir e roteirizar o filme Super, uma sátira aos filmes de super-heróis que surgiam. Em 2012, Gunn foi convidado pela Marvel Studios para realizar um filme para eles e surgiu “Os Guardiões da Galáxia”. O filme se baseia em um grupo pouco conhecido da Marvel Comics, mas quando este estreou em 2014, foi um sucesso imediato. O sucesso em crítica e público foi tão grande que logo foi anunciada sua continuação.
James Gunn possui redes sociais (Twitter e Instagram), onde ele expõe imagens do desenvolvimento dos filmes e coisas bem pessoais. Algumas muito pessoais mesmo, que chegam a ser bem ofensivas.
Entre os anos de 2009 e 2011, James Gunn se expressou de forma bem ofensiva no seu Twitter. Eram textos com teor de pedofilia, e com um pouco de sadismo. Ele falava sobre garotos lhe tocarem em partes íntimas, sobre ficar excitado na presença de jovens, sobre sexo oral em garotos, entre outras coisas que são extremamente execráveis.
Em 2018, os “tweets” do diretor chegaram à cúpula maior da Disney, detentora dos direitos sobre a Marvel Studios e os personagens que compõem o Universo Cinematográfico Marvel.
Consciente disso, a Disney demitiu o diretor que chegou a se retratar no seu Twitter dizendo que tudo escrito era porque buscava provocar, usando coisas ultrajantes e tentando quebrar o tabu da sociedade. Eram coisas esperando uma reação, movidas por uma raiva pessoal. Disse ainda ter se desculpado publicamente e agora se vê movido por amor ao seu trabalho e pelas pessoas a sua volta.
Numa opinião bem pessoal, existem formas de provocar e gerar polêmica, principalmente na internet, um mundo aberto para todos que estão nela, sem precisar mencionar pedofilia e qualquer coisa que seja ofensivo às pessoas que lhe acompanham e seguem. E mesmo que seja parte do seu passado tortuoso, quando nos expressamos existem pequenas verdades no que escrevemos, pequenos desejos no que expressamos através das palavras. Ele é um roteirista e diretor, deve saber que tudo que se escreve possui parte de quem nós somos e do que desejamos, mesmo que seja expresso através de ficção. Mas isso é algo que escrevo de minha livre vontade, refletindo sobre o que li das postagens dele.
Lógico que a demissão de James Gunn, por parte da Disney, gerou uma turbulência imensa entre os fãs dos filmes. Alguns geraram o hashtag #JamesGunnDidNothingWrong, dizendo que tudo não passou de piadas. Ainda usam o que ocorreu com Robert Downey Jr. (Tony Stark/Homem de Ferro) para que recontratem James Gunn. Até mesmo temos duas petições na internet, uma que pede a recontratação dodiretor/roteirista, enquanto outra requerendo a Disney que não o recontratem.
Mais recentemente, o elenco de “Guardiões da Galáxia” revelou uma carta no Twitter e no Instagram, pedindo a recontratação de James Gunn.
Assinada por Chris Pratt (Senhor das Estrelas), Zoe Saldana (Gamora), Dave Bautista (Drax), Vin Diesel (Groot), Bradley Cooper (Rocket), Karen Gillan (Nebula), Michael Rooker (Yondu), Pom Klementieff (Mantis) e Sean Gunn (Kraglin) - irmão de James Gunn -, a carta vem agradecendo aos fãs que vêm pedindo a reintegração de Gunn e apoiam esse pedido, dizendo que tudo que ele escreveu, no pedido de desculpas, é verdadeiro. Revelam o quanto os anos de trabalho com o diretor foram gratificantes e que creem, de coração, na redenção de Gunn.
Revelam que não estão defendendo as piadas feitas por James Gunn “muitos anos atrás”, mas sim que têm a intenção de “compartilhar (a) experiência tendo passado muitos anos juntos no set fazendo Guardiões da Galáxia 1 e 2”.
Chegam a mencionar sobre as características políticas que o povo estadunidense vem vivendo e que o ocorrido com Gunn vem mostrar os cuidados que todos precisamos ter com o que escrevemos nas nossas redes sociais.
Chega a ser louvável a defesa do elenco com o diretor James Gunn, mas a internet é uma via de mão dupla. Como disse acima, existem outras formas de expressar sua revolta com a humanidade sem a necessidade de ser voltado a assuntos tão conturbados quanto os mencionados em suas postagens. Você pode chocar com coisas fúteis, mas deve sempre se lembrar que na internet as coisas podem se tornar eternas. A partir do momento que as postagens de James Gunn vieram à tona, se tornaram arquivos compartilhados no archive.is, onde as pessoas ainda expressam suas opiniões sobre o conteúdo. Atores e atrizes do Universo Cinematográfico Marvel, devido a repercussão do caso deixaram de seguir as postagens de James Gunn, tanto no Instagram quanto no Twitter.
Para alguns pode não significar nada, mas é o mesmo que se tornar um pária.
Não estou dizendo que isso ocorrerá com Gunn, mas já foi revelado que a Disney não pretende voltar atrás na decisão, pois adotou zero tolerância para atitudes extravagantes e de conteúdo pejorativo de pessoas ligadas aos filmes de qualquer um dos estúdios relacionados ao grupo.
Pode ser que voltem atrás? Talvez, pois não conhecemos o dia de amanhã e os filmes com direção de James Gunn faturaram milhões para os cofres da Disney (“Guardiões da Galáxia” faturou US$ 773.328.629 e “Guardiões da Galáxia Vol. 2” faturou US$ 863.756.051, totalizando US$ 1.637.084.680, mundialmente), mas enquanto isso o diretor entra para a lista daqueles que simplesmente perderam algo por causa das suas atitudes que chegaram ao público pela internet.
A internet é uma fonte de informações que pode ser favorável ou simplesmente te colocar com risco de difamação, prejudicando sua carreira, principalmente quando você é uma figura pública e termina agindo como um famoso sem senso, abusando de sua posição. Seja por acusações de assédio, comportamento abusivo ou mesmo por se expressar com conotações de pedofilia abusiva, você sempre estará sujeito ao julgamento popular. As pessoas não conseguem tolerar mais isso, estão cansadas de pessoas famosas saírem impunes de suas atitudes contra os outros. Então repense quem deseja ser, pois a fama não é mais segurança de nada, principalmente tendo a internet disponível.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

RESENHA HQ: James O’Barr O Corvo – Edição Definitiva (The Crow)

JAMES O’BARR O CORVO – EDIÇÃO DEFINITIVA (The Crow)

Roteiro: James O’Barr
Arte: James O’Barr
Editora: Independente (BR: Darkside Books)
Ano: 1981 (BR: 2018)
Páginas: 272


“Se um anjo eu fosse, me livraria/das asas e halo/para sempre/apenas para ter um instante/com você” (James O’Barr)

Poética, dramática, violenta, emocionante, esses são os adjetivos desta HQ.
A HQ, criada em 1981 por James O’Barr, conta a história do personagem Eric Draven, que volta dos mortos para eliminar uma gangue de criminosos que o executaram, violentaram e assassinaram sua adorável noiva, Shelly Webster.
Partindo dessa tragédia, o corvo, pássaro do mal agouro, ressuscita Eric dos mortos para cumprir sua vingança: eliminar cada um dos envolvidos no crime, um após o outro.
A estrutura narrativa é simples e o enredo oscila entre presente e passado. O que é mais encantador na HQ é como o personagem se comunica na história. Entre poesias  de artistas como Arthur Rimbaud e Rose Fyleman, o quadrinho conduz o leitor a alguns momentos de violência extrema. Seria uma ambiguidade própria do ser humano?
Ainda sobre a linguagem, vale a pena destacar que a metáfora do cavalo branco é maravilhosa; o drama, a culpa e a impotência por não salvar a noiva são fortes e impressionantes.
Embora seja em 1981, o texto não é datado, a introdução é o relato chocante de James sobre o que motivou a escrevê-lo e por isso é atual. Vários momentos da história se entrecruzam com trechos dessa introdução e ampliam a significação desta e daquela.
O’Barr tem uma arte incrível, que a propósito é toda feita em nanquim, o que imerge o interlocutor em um íntimo e um ambiente sombrios, marcados pela dor e pela violência.
É importante lembrar que a HQ é base para o filme de mesmo título de 1994, dirigido por Alex Proyas (Dark City) e interpretado por Brandon Lee (1965-1993). O que, coincidentemente, também é marcado pela tragédia.
A edição conta com extras lindos e com o brilhante posfácio de A.A. Attanasio Honolulu. O acabamento da Darkside é espetacular e vale cada centavo de investimento em uma história que faz refletir sobre a vida, sobre as consequências que os atos trazem  sobre a pessoa, bem como sobre aqueles mais próximos que tanto se ama.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

ECN COMENTA: Errar é humano, Warner, mas persistir no erro...


Errar é humano, Warner, mas persistir no erro...

Recentemente tivemos uma foto do diretor Zack Snyder (Batman vs. Superman: O Despertar da Justiça) publicando uma imagem sua em uma rede social bem próximo de onde ocorre a Comic Con International (antes conhecida como San Diego Comic Con), que acontece em San Diego, na Califórnia. Daí então, um site de entretenimento especulou que seria anunciado a versão do diretor do filme Liga da Justiça, de onde Snyder fora demitido – antes ele dissera que sairia devido a problemas pessoais – dando lugar ao diretor Joss Whedon (Os Vingadores: Era de Ultron), que mudou significativamente a direção do filme e não agradou muito.
Desde antes do lançamento do DVD/Blu-ray de Liga da Justiça, a empresa Warner Bros. Pictures já havia revelado que não lançaria uma versão do diretor Zack Snyder, pois não faria diferença do filme que fora lançado nos cinemas, mas na rede social que Snyder participa, ele lançou imagens de cenas que ele filmara e que não entraram no filme, bem como os trailers do filme, divulgados para promover o filme, continham cenas que, posteriormente, foram retiradas do filme. E não foram coisas pequenas, foram modificações gritantes.
Os atores foram chamados para refazer várias cenas do filme e, como Henry Cavill (O Homem de Aço) estava envolvido nas filmagens de “Missão: Impossível – Efeito Fallout” e não poderia remover o bigode que era a composição do personagem no filme, foi necessário fazer uma remoção digital que não ficou tão boa. Além do que o ator Ciarán Hinds (The Terror) veio a público dizendo que a concepção de Snyder para o personagem Lobo da Estepe, antagonista do filme, não era da forma como terminou sendo feita no filme.
Esses fatores, mais os atores que ainda estão ligados ao Universo Estendido DC (agora chamado pela própria Warner como “Mundos da DC”) dizerem que não faria diferença o corte de Snyder, gera um pontada de curiosidade do que seria o filme “Liga da Justiça” de Zack Snyder.
Agora fica a questão, o por que do título? Bem, não é a primeira vez que a Warner faz algo assim, desconsiderar o filme de um diretor, substituindo-o por outro e ignorando totalmente a versão do diretor anterior.
Em 1978 estreava nos cinemas o filme “Superman”, do diretor Richard Donner. Na época, os produtores do filme, Alexander e Ilya Salkind haviam se aborrecido com o diretor, devido a demora das filmagens de Donner, que estava preparando, praticamente, dois filmes sequenciais. Com os atrasos, o cartaz do filme não vinha com imagens dos personagens caracterizados, somente o símbolo do Superman em cristal e a frase “You’ll believe a man can fly” e o trailers eram montagens de cenas filmadas e finalizadas, gerando uma perspectiva enigmática para o primeiro filme dedicado a um personagem de quadrinhos e que não tinha ligação com as séries televisivas – em 1951, George Reeves (o Superman da série televisiva de 1952 a 1958) protagonizou o filme “Superman and the Mole-Men” e em 1966, os atores Adam West e Burt Ward (que estrelavam a série “Batman” de 1966 a 1968) atuaram no filme “Batman – The Movie”.
“Superman” teve uma bilheteria gratificante, ótimas críticas, daí os Salkind e a Warner perceberam que um novo filme era possível. Tendo mais de 80% do filme pronto, com outras cenas ainda não finalizadas, ao invés de chamarem Donner para dar continuidade, em 1980, preferiram chamar o diretor Richard Lester (Os Três Mosqueteiros).
Não que Lester não tivesse uma boa direção, pelo contrário, “Superman II” teve uma boa bilheteria, também, e ótimas críticas, possibilitando o terceiro filme, em 1983, “Superman III”. Mas aí percebesse a diferença.
“Superman III” tem um clima um pouco mais cômico do que seus anteriores, isso por conta do roteiro que agora pertencia somente David e Leslie Newman – que haviam escrito os roteiros de “Superman” e “Superman II” com Mario Puzzo. Sem contar que muito do filme “Superman II” já havia sido dirigido por Richard Donner, com somente algumas mudanças, principalmente no final do filme.
Foram anos com todos achando que o filme “Superman II” era somente dirigido por Richard Lester, até que entre 2004 e 2005, foi revelado que existia uma versão de “Superman II” toda filmada por Richard Donner. Isso surgiu quando o diretor Bryan Singer (X-Men: Apocalipse) estava a frente do filme “Superman Returns”. Então em 2006, no mesmo ano do lançamento do filme de Singer, foi lançado “Superman II: The Richard Donner Cut”, onde mostravam a versão de Richard Donner do filme lançado em 1980. E as diferenças eram mesmo grandes, pois haviam cenas com o ator Marlon Brando – substituído pela atriz Susannah York, devido aos valores exorbitantes que o ator exigiu pelo direito de imagem no filme, hoje repassados à sua família – e um final totalmente diferente do filme de Lester (não vou contar, para não dar spoilers e incentivar o interesse da busca pelo filme). Dessa forma, a Warner Bros. Pictures demonstrou que existitam mesmo dois filmes bem diferentes apresentando essa versão.
E parece que o mesmo erro está ocorrendo novamente, só que, a diferença é a facilidade que todos têm de informações nos dias de hoje. Hoje em dia existem as redes sociais, onde atores e diretores podem se expressar, principalmente quando existe uma difamação de seus trabalhos.
Sim, difamação, pois todos creditam “Liga da Justiça” e todo seu insucesso nas bilheterias e críticas ao diretor Zack Snyder, que vem mostrando que não é bem assim. Sem contar que, um ator que não tem mais ligações com os “Mundos da DC”, explanou que seu personagem não era bem aquilo que aparecera no filme. Então, por mais que Cavill, Gadot, Momoa, ou qualquer outro ator ainda com contrato com os “Mundos da DC”, que venha a dizer o contrário, podemos crer que existe uma versão do Snyder escondida nos arquivos da Warner Bros. Pictures e ela não pretende admitir isso.
Sei que existe uma petição para que essa versão seja disponibilizada, mas tenho certeza que serão anos de insucessos, como ocorreu com “Superman II” – pois, com certeza, pessoas tinham conhecimento dessa versão e devem ter pedido por ela –, que levou mais de duas décadas para termos a versão do diretor original do filme. Então podemos acreditar que a Warner Bros. Pictures vem persistindo em um erro que cometera no passado, por teimosia e por “não querer dar o braço a torcer” (vulgarmente conhecido como burrice). A empresa continuará reticente e pedindo aos atores que insistam em falar que não existem diferenças entre o que vimos e o que é, pois eles sabem que, para ter a versão de Snyder, teriam que recontratar o diretor e deixá-lo seguir em frente com o projeto e, talvez, admitir que erraram muito feio ao não acreditar na sua ideia.
Um amigo meu pediu para eu realizar um vídeo a respeito do assunto, por isso decidi chamar essa minha opinião de ECN Comenta. Apesar de poder realizar o vídeo, eu não expressaria o que sinto, tão bem, quanto escrevendo. Então, agradecendo a dica do meu amigo Robson, continuo preferindo escrever e, quem sabe, um dia fazer um vídeo sobre o assunto, também.

RESENHA CINEMA: Missão: Impossível – Efeito Fallout (Mission: Impossible – Fallout, 2018)


MISSÃO: IMPOSSÍVEL – EFEITO FALLOUT (Mission: Impossible – Fallout, 2018)

Direção: Christopher McQuarrie
Roteiro: Christopher McQuarrie
Elenco: Tom Cruise, Henry Cavill, Ving Rhames, Simon Pegg, Rebecca Ferguson, Sean Harris, Angela Bassett, Vanessa Kirby, Michelle Monaghan, Alec Baldwin, Wes Bentley, Frederick Schmidt.

O agente da IMF, Ethan Hunt (Tom Cruise) está de volta ao lado dos seus parceiros Luther Stickwell (Ving Rhames) e Benjamin “Benji” Dunn (Simon Pegg) em uma missão que eles precisam recuperar três ogivas nucleares em posse de terroristas que desejam detoná-las. E, para essa missão, eles se unem ao agente da CIA August Walker (Henry Cavill) e, possivelmente, precisarão libertar um dos maiores inimigos da IMF, Solomon Lane (Sean Harris), para conseguir o que desejam. Além de Hunt ter de enfrentar uma antiga aliada, que deseja algo bem diferente.
Tá, esse resumo não parece muito favorável ao filme e dá a impressão de repetição dos vários outros filme da franquia “Missão: Impossível”, mas o que dá para se perceber é uma continuidade, pois pela primeira vez Hunt, Luther e Benji terão de rever um inimigo que surgiu em “Missão: Impossível – Nação Secreta”, Solomon Lane.
Lane quase destruiu a IMF no filme anterior e conseguiu ser detido por Hunt e sua equipe, que ainda contava com o agente William Brandt (Jeremy Renner). Nesse novo filme, Lane volta para assombrar a vida da IMF e mostrar que o Sindicato continua ativo, enquanto ele permanecer vivo. Dessa vez Lane possui seguidores misteriosos como o negociador John Lark e seus Apóstolos, grupo que segue as ideias de Lane e quer transformar seus desejos em realidade.
Além de uma história que envolvem reviravoltas constantes, as partes mais legais do filme ficam por conta do próprio Tom Cruise que volta a não usar dublês nas cenas de ação – o que terminou causando contratempos quando Cruise se acidentou e interrompeu as filmagens por nove semanas – e traz uma adrenalina mais eletrizante por causa disso. Ele salta de paraquedas, corre em telhados de prédios, pilota motos, carros e – até mesmo – helicópteros para tornar as cenas mais reais. Essa constante busca de Tom Cruise de realizar as próprias cenas de perigo dão uma visão bem diferente nos filmes de ação. Os momentos mais descontraídos – sempre por conta do ator Simon Pegg – são bem menores nesse novo filme, que se preocupa mais com a ação. Acho uma tomada de decisão acertada pelo diretor Christopher McQuarrie, que também dirigiu “Missão: Impossível – Nação Secreta”. Ele não deixa de fazer uso dos elementos chaves da franquia, as frases memoráveis e tudo mais, mas deixa bem claro que o termo impossível está bem destacado a cada sequência de ação do filme.
Vale lembrar que essa franquia iniciada por Cruise em 1996 em “Missão: Impossível” baseia-se em um seriado televisivo que estreou nas TVs estadunidenses em 1966. Essa primeira série, estrelada por  Greg Morris (Barney Collier), Peter Lupus (Willy Armitage) e Peter Graves (James “Jim” Phelps), iniciou com missões preparadas para que determinadas pessoas, especializadas em logística, disfarce, armas, luta pessoal e pilotagem, embarcassem em missões com poucas possibilidades de darem certo.
Essa primeira série de “Missão: Impossível” chegou ao fim em 1973, mas em 1988 retornou como uma continuidade da anterior – que chegou a ter participações de atores como Leonard Nimoy (Jornada nas Estrelas), Sam Elliott (Motoqueiro Maluco), Lee Meriwether (a Mulher-Gato do filme “Batman, o Homem-Morcego”), entre outros – tendo como líder Jim Phelps. Nessa sequência, que durou até 1990, Phelps contava com o apoio constante de Nicholas Black (Thaao Penghlis), Max Harte (Antony Hamilton) e Grant Collier (Phil Morris), tendo participação de Greg Morris – que retornou  como Barney Collier – e Cary-Hiroyuki Tagawa (Mortal Kombat).
Em 1996, quando a Paramount Pictures iniciou a franquia, o diretor Brian De Palma substituiu o ator Peter Graves (1926-2010) – que já estava com 70 anos - pelo ator Jon Voight, e transformou o personagem Jim Phelps em um traidor da IMF e elevando o personagem Ethan Hunt ao grau máximo. Na sequência, em 2000, com a direção de John Woo, o filme terminou sendo mal recepcionado pelo público e pela crítica – o ator Dougray Scott desistira de fazer X-Men, onde viveria Logan/Wolverine, pois já estava envolvido com as filmagens de “Missão: Impossível II”, dando espaço para o australiano Hugh Jackman tornar-se o carcaju. Em 2006, quando o diretor J.J. Abrams assumiu a direção do filme, “Missão: Impossível III” foi a redenção da franquia, trazendo a ação que se tornou marca dos filmes. “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma”, com direção de Brad Bird, e “Missão Impossível: Nação Secreta”, com direção de Christopher McQuarrie, consolidaram o que hoje se tornou um dos maiores sucessos da Paramount Pictures – podemos dizer que o envolvimento da Bad Robot Productions , de J.J. Abrams, e da Skydance Media, de David Ellison, tenham auxiliado, também.
“Missão: Impossível – Efeito Fallout” é um ótimo filme de ação, com cenas bem feitas, uma boa história, que pode se a última da franquia, como pode ter uma sequência mais fantástica ainda. É esperar para ver se Tom Cruise ainda tem ossos inteiros para encarar mais cenas de ação e nos deixar empolgados ao assistir.

sábado, 21 de julho de 2018

RESENHA ANIMAÇÃO: A Morte do Superman (The Death of the Superman, 2018).


A MORTE DO SUPERMAN (The Death of the Superman, 2018).

Direção: Jake Castorena, Sam Liu
Roteiro: Peter Tomasi
Elenco: Jerry O’Connel, Rebecca Romjin, Rainn Wilson, Rosario Dawson, Nathan Fillion, Christopher Gorham, Matt Lanter, Shemar Moore, Nyambi Nyambi, Jason O’Mara.
Baseado nas minisséries “A Morte do Superman” e “Funeral Para Um Amigo”, escrita por Dan Jurgens, Louise Simonson, Roger Stern, Jerry Ordway, Karl Kesel, William Messner-Loebs, Gerard Jones, e desenhada por Jon Bogdanove, Tom Grummett, Jackson Guice, Dan Jurgens, Dennis Janke, Walt Simonson, Denis Rodier, Curt Swan, M.D. Bright

Desde que surgiu, Superman vem enfrentado e defendido Metrópolis de vários problemas. Seja Intergangue, Apokolips, Lex Luthor, todas as ameaças que surgem ele busca resolver da melhor forma possível e, quando necessário, contando com a ajuda da Liga da Justiça. Mas uma ameaça vinda do espaço que destrói uma das estações espaciais da Lexcorp, chega à Terra e, aparentemente, nada consegue pará-la.
A ameaça ultrapassa os oceanos, cidades, deixando um rastro de destruição por onde passa. Quando a Liga da Justiça decide enfrentar a ameaça, é massacrada.
Ao chegar à Metrópolis, o monstro encara ninguém menos que o Homem-de-Aço. Nomeado por Lois Lane como Apocalypse, a fera parece impossível de ser enfrentada. Somente um grande sacrifício do Homem de Aço poderá detê-lo.
O final não é nenhuma surpresa, o nome da animação já entrega o fim da história. É o transcorrer dela que é importante. O que se torna ainda mais interessante é que essa não é a primeira versão a buscar adaptar o clássico escrito por Dan Jurgens, Louise Simonson, Roger Stern, Jerry Ordway, Karl Kesel, William Messner-Loebs e Gerard Jones. Em 2007, iniciando a incursão da DC em animações baseadas em quadrinhos – antes disso somente tínhamos animações baseadas em Batman – a Série Animada –, Bruce Timm, Lauren Montgomery e Brandon Vietti dirigiram o longa “A Morte do Superman” (ou Superman: Doomsday), nele a narrativa buscava o mesmo objetivo dos quadrinhos, mas a falha foi fazer uma história somente do Homem-de-Aço, sem a inclusão das figuras do Universo DC, principalmente, de membros da Liga da Justiça.
Nesse ponto, a nova animação não falha.
Diferentemente de "Jovens Titãs: O Contrato de Judas”, que avacalhou com a história escrita por Marv Wolfman e desenhada por George Pérez, “A Morte do Superman” - o novo – nos traz algo mais próximo dos quadrinhos. Tá, não temos a participação da formação da Liga da Justiça na época, mas o contexto da história está todo ali, onde o Último Filho de Krypton enfrenta uma ameaça capaz de derrotá-lo. É a história que fez Louise Simonson chorar, contada com uma versão mais modernizada do Universo DC nas animações.
O que deixa o contexto mais figurativo para essa animação é que não existe o romance Mulher-Maravilha/Superman, mas sim a busca por algo mais normal, mais... humano para o Homem de Aço, estabelecendo sua ligação com Lois Lane. Existem diferenças contextuais com os quadrinhos, mas não que prejudique o desenrolar da história. E a violência excessiva que havia tendo em outras animações, diminuiu de forma bem significativa.
“A Morte do Superman”, como a minissérie nos quadrinhos, mostra que o Superman tem seu lado humano e busca mantê-lo, pois somente assim ele pode ser algo melhor e maior do que um semideus. Manter a humanidade se torna válido, pois ele mantem sua ligação com o Kansas. Seus pais adotivos estão ali, contam suas histórias a Lois Lane, mostram que ele falha, que ele já se decepcionou amorosamente. Nos apresentam suas relações, tão conhecidas por aqueles que acompanham quadrinhos da DC Comics. Mas também nos mostram o super-homem, aquele capaz de encarar as mais terríveis ameaças e não esmorecer, pois sabe o quão a vida é valiosa. É o verdadeiro sinônimo de super-herói, aquele que é capaz de sacrificar a própria vida, fazendo uso de suas habilidades extranormais, para salvar uma vida humana. Pensando no próximo, antes de qualquer coisa.
Fazia tempo que eu esperava por algo assim. Não foi com “Jovens Titãs: O Contrato de Judas”, – tá, gostei de “Gotham by Gaslight”, que teve um final bem diferente da primeira incursão da DC em Elseworlds Universe – mas aconteceu com “A Morte do Superman”. Não vejo a hora de chegar a sequência e, quem sabe, eles não adaptem “A Queda do Morcego”, seria muito bom.


quinta-feira, 12 de julho de 2018

RESENHA HQ: Robin: Ano Um / Batgirl: Ano Um (DC Comics Coleção de Graphic Novels Volumes 45 e 48 da Eaglemoss)


ROBIN: ANO UM / BATGIRL: ANO UM (DC Comics Coleção de Graphic Novels 45 e 48)

Roteiros: Chuck Dixon, Scott Beatty, Bill Finger
Desenhos: Javier Pulido, Marcos Martins, Bob Kane, Jerry Robinson, Sheldon Moldoff
Arte Final: Robert  Campanella, Alvaro Lopez, Jerry Robinson, Sheldon Moldoff
Títulos originais: Robin: Year One - Batgirl: Year One

Após deter o Chefe Zucco, que fora responsável pelo assassinato de seus pais, Richard “Dick” Grayson embarca na ação ao lado do Cavaleiro das Trevas, o Batman. Intrépido, ágil, dedicado e, as vezes, inconsequente, o Menino Prodígio auxilia o Batman contra vários bandidos, encarando até mesmo vilões do nível do Crocodilo , Espantalho e Chapeleiro Maluco, mas quando o ex-promotor Harvey Dent, que após um incidente que desfigurou metade do seu rosto transformando-o no Duas Caras, foge do Asilo Arkham, Batman acredita que o melhor e manter Robin fora da ação, por temer por sua vida, mas devido sua necessidade de mostrar seu valor, Robin parte atrás de um dos piores inimigos do Batman e, por causa disso, sofre as consequências. Colocando em xeque sua carreira ao lado do Cruzado Encapuzado.
Passado um tempo, a jovem Barbara “Babs” Gordon, filha do capitão de polícia James Gordon, acredita que poderia iniciar sua carreira na polícia, mas não é o que seu pai espera dela. Então, sabendo que o pai não concorda com as ações da Dupla Dinâmica - o lance de “mal necessário” -, ainda mais após Batman colocar o jovem Robin como seu parceiro e pupilo, ela decide ir ao Baile de Máscara da Polícia de Gotham fantasiada como uma “Batman mulher” - parafraseando Joss Whedon -, mas, logo quando chega se depara com o ladrão Mariposa Assassina, o enfrenta e vence, para surpresa do Batman e Robin, e do capitão Gordon. Sentindo a emoção de ser uma vigilante do crime como a Dupla Dinâmica, Barbara – que terminou recebendo o título de Batgirl – busca se apromorar cada vez mais, mas o que ela não imagina é que o Mariposa Assassina está com sede de vingança e, para poder vingar-se dela, se juntará ao piromaníaco Vagalume para tentar acabar com ela e com Batman e Robin.
Por que fazer sobre essas duas edições de uma só vez? Bem, começa que ambas foram escritas por Chuck Dixon e Scott Beatty, que foram responsáveis por algumas das melhores histórias do Batman e seus parceiros no final da década de 1990 e começo do século XXI. Além disso, também temos a mão do artista Marcos Martins desenhando em ambos os trabalhos. Martins trabalha muito bem ambos os personagens, dando uma bela desenvoltura ao roteiro de Dixon e Beatty. Ele trabalha bem as cenas ágeis, com bastante ação.
Outro motivo vem do fato que estamos falando de dois personagens ligados ao Batman. Babs não foi a primeira ao usar o título de Batgirl nos quadrinhos – sendo que, após Crise nas Infinitas Terras, somente ela usou a acunha -, mas Dick não somente o primeiro a usar o nome de Robin – hoje existem mais três que já usaram, depois dele – como, também, foi o primeiro parceiro dos quadrinhos.
Quando a década de 1940 começa, Bill Finger, Jerry Robinson e Bob Kane perceberam que as revistas do Batman não chegavam a um público mais infantil, pois como a Detective Comics era uma revista policial – antes da chegada do Batman -, não interessava as crianças ler história do Homem-Morcego, dessa forma, eles decidem criar o parceiro mirim – ou sidekick – e lhe dão o nome de Robin. O parceiro é apresentado na edição 37 da Detective Comics, e toda a narrativa de quem ele é termina sendo contada. Robin inicia uma verdadeira febre de parceiros, como Bucky, Centelha, Speedy – aqui conhecido como Ricardito –, Mary Marvel, Capitão Marvel Jr., entre tantos outros. Eles surgem para ajudar o grande herói no combate ao crime. Superman, por seu o último filho de Krypton, não ganha um parceiro, mas Siegel e Shuster – seus criadores mal remunerados – contam a história de sua infância como Superboy.
Mais tarde, surgiria a primeira Bat-Girl – era assim que se escrevia na década de 1950. Sua criação foi por causa do livro “A Sedução dos Inocentes”, de Fredric Wertham, que insinuou um caso de homossexualidade e abuso infantil nos quadrinhos do Batman. Após isso, para o personagem não deixar de ser publicado, suas histórias foram suavizadas e surgiram a Bat-Woman e a Bat-Girl, que era a sobrinha da Bat-Woman e apaixonada pelo Robin. A segunda Batgirl – ou Bat-moça, como ficou conhecida no Brasil, graças a Ebal – surge após a personagem aparecer no seriado de TV Batman, sendo interpretada pela belíssima atriz Yvone Craig (1937-2015). Com isso a filha do Comissário Gordon chegava aos quadrinhos.
Com os adventos da Crise nas Infinitas Terras, muitos aspectos dos personagens foram mudados, então quando Babs se torna a Batgirl, seu pai ainda era capitão do DPGC – a caminho de se tornar comissário -, diferente de seu surgimento no final da década de 1960.
Essas mudanças, além de mostrar uma forma maior no aspecto da feminilidade da personagem, que é uma moça vestida de morcego e não um “Batman em forma de moça”, mostra o quão influenciável um adolescente pode ser, ainda mais quando sente o “gosto” da adrenalina, sendo alimentados com altas doses. Outro aspecto muito interessante de ambas histórias, é a forma de narração, como se fosse contado a partir de um “diário de guerra”. No caso de Robin: Ano Um, vemos o aspecto da narração através do mordomo fiel de Bruce Wayne, Alfred. Já no caso de Batgirl: Ano Um, vemos isso da visão da própria Barbara, sobre os aspectos de se tornar uma vigilante noturna. É uma característica típica de Dixon, como vemos em Terra de Ninguém em certos momentos, são histórias contadas do ponto de vista do personagem, seja ele o protagonista ou um secundário. Você percebe as preocupações, as angustias, os sofrimentos, os desesperos. São os mais profundos sentimentos naquele conteúdo da história.
Robin: Ano Um e Batgirl: Ano Um – ah, descobri que Dixon e Beatty escreveram Asa Noturna: Ano Um, também (será que a Eaglemoss vai lançar, em um futuro distante?) - não ficam a dever nada à ideia predecessora de contar o primeiro ano de ação de um personagem, feito por Frank Miller e David Mazzucchelli em Batman: Ano Um. São histórias que complementam o universo do Homem-Morcego e agregam mais conhecimento e conteúdo sobre os personagens que marcaram suas épocas e continuam até os dias de hoje.
As histórias adcionais, que a Eaglemoss sempre anexa ao conteúdo, falando sobre os personagens, já foram comentadas logo acima, pois eles colocam a primeira história do Robin, publicada em abril de 1940, na Detective Comics #38, escrita por Bill Finger e desenhada por Bob Kane e Jerry Robinson, onde Dick Grayson perde os pais em um acidente de trapézio após o chefão do crime Anthony Zucco cortar as cordas, pois o dono do circo não queria lhe pagar propinas, levando-o a se unir ao Batman para encarar os bandidos. E, na outra edição, eles colocam o surgimento da primeira Bat-Girl, a jovem Bette Kane, na revista Batman #139, de abril de 1961. Bette é sobrinha do milionária Kate Kane, a Bat-Woman, e decide visitar sua tia durante as férias. Ela descobre a identidade secreta da tia e deseja ajudá-la a enfrentar a organização Kobra, tornando-se a Bat-Girl, mas devido a sua imprudência mete os pés pelas mãos e termina em uma grande encrenca. A personagem desistiria da carreira de Bat-Girl – principalmente com o surgimento de Babs – e se tornaria a Labareda, integrando uma formação do Novos Titãs da Costa Oeste. Bette Kane foi criada por Bill Finger e Sheldon Moldoff.
A Coleção DC Comics Coleção de Graphic Novels pode ser adquirida em bancas e lojas especializadas, mas você também pode comprá-las no site Eaglemoss Brasil na internet ou fazer a assinatura, onde poderá adquirir vários brindes exclusivos.