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domingo, 4 de dezembro de 2016

RESENHA SÉRIE: 3%

3%

Roteiros: Pedro Aguilera, Jotagá Crema, Cássio Kishikumo, Ivan Nakamura, Denis Nielsen.
Produção: Diego Avalos, Erik Barmak, Kelly Luegenbiehl, Tiago Mello, César Charlone.
Direção: César Charlone, Jotagá Crema, Daina Giannecchini, Dani Libardi.
Elenco: Bianca Comparato, João Miguel, Michel Gomes, Rodolfo Valente, Vaneza Oliveira, Viviane Porto, Sérgio Mamberti, Zezé Motta, Celso Frateschi, Rafael Lozano, Mel Fronckowiak.

A Terra não tem lugar para todos, e somente poucos podem vir a integrar uma sociedade abastada que vive em um território idílico. Todos os jovens têm a oportunidade de fazer parte dessa sociedade, mas somente 3% deles alcançarão seu objetivo, que não é para todos. Para isso passarão por testes que colocaram a prova sua vontade de sobrevivência.
Na nova prova que os jovens serão submetidos, encontra-se Michele (Bianca Comparato), que busca mais do que ser parte dos 3%. Junto a ela, chegam Fernando (Michel Gomes), um rapaz paraplégico que deseja mostrar que pode ser igual a todos os outros. Rafael (Rodolfo Valente), um misterioso rapaz que fará de tudo para integrar os 3%. Joana (Vaneza Oliveira) que foge do seu passado para conseguir integrar um grupo para poucos. E Marco (Rafael Lozano), que faz parte de uma família de vários que integraram os 3% e pretende mostrar estar apto para ser também.
Para seleciona-los e coloca-los a prova, Ezequiel (João Miguel) não poupará esforços em tentar torna-los aptos para fazer parte de grupo único. Mas ele mesmo será colocado a prova, quando o Conselho decide investigar sua forma de administrar o processo de seleção.
Agora o Brasil consegue lançar sua primeira série no Netflix. 3% é uma série de ficção científica criada por Pedro Aguilera. Ela inicialmente foi uma série de três episódios, lançada no Youtube em 2011, tendo como premissa o mesmo enredo onde jovens são selecionados para fazer parte de um grupo bem seleto, passando por provas que testam seu psicológico e seu físico. O lance é que a minissérie tinha um conceito mais militarista, como se a nossa sociedade tivesse um regresso a um regime que buscamos esquecer e como se esse fizesse a seleção dos que integrariam os 3%. Já na série do Netflix, Aguilera e seu time de escritores, trouxeram uma sociedade utópica, com ideais behavioristas para selecionar aqueles que integrarão seu grupo bem seleto. Eles colocam as pessoas à prova com testes psicológicos bem complexos na nova série, além de trabalhar intrigas internas e externas dessa sociedade idílica.
Ezequiel mesmo, vivido pelo ator João Miguel, possui segredos e mistérios que somente serão descobertos com o desenrolar da série. Sua história, seu passado, são narrados em forma de lembranças. O mesmo acontece com personagens como Michele Santana, interpretada pela atriz Bianca Comparato, Fernando Carvalho, vivido pelo ator Michel Gomes, que se mostra de forma bem interpretada como um paraplégico, filho de um pastor que prega a necessidade dos jovens se colocarem a prova para integrarem os 3%. O personagem Rafael Moreira, que tem como interprete o ator Rodolfo Valente, também tem seu passado revelado, mas ainda se percebe mistérios a serem revelados. Bem como a personagem Joana Coelho, interpretada pela atriz Vaneza Oliveira, que tem um pouco de seu passado mostrado. Temos também Marco Alvarez, do ator Rafael Lozano, que tem um legado a seguir e deseja conquistar o seu lugar que – acredita ele – é seu por direito. Esses são os personagens da trama central dessa primeira temporada que teve oito capítulos. Mas vê-se a possibilidade de explorar vários outros personagens, também, como os membros do Conselho, Matheus, interpretado pelo fantástico Sério Mamberti, e Nair, interpretada pela maravilhosa Zezé Motta.
A trama é bem desenvolvida e tem um crescente muito interessante, pois vemos o que as pessoas são capazes de fazer para conseguir seu objetivo, ou mesmo para se manter ao lado daqueles que desejam. Mas para que toda sociedade utópica exista, precisa existir uma distopia presente, e é nessa que todos aqueles que desejam viver no mundo idílico, vivem. Lógico, todos que vivem em um mundo pútrido e degradante, desejam algo melhor, pois o que tem não é o suficiente e nunca será, principalmente quando não tem nada.
3% não é somente a primeira série cem por cento brasileira lançada no Netflix, mas é um novo conceito de série tupiniquim, com alta qualidade e que promete um futuro promissor de séries no Brasil.