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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

RESENHA CINEMA: Doutor Estranho (Doctor Strange, 2016)

DOUTOR ESTRANHO (Doctor Strange, 2016).

Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Jon Spaihts, Scott Derrickson, C. Robert Cargill
Elenco: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Benedict Wong, Mads Mikkelsen, Tilda Swinton, Benjamin Bratt.

O Dr. Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um dos maiores neurocirurgiões do mundo. Preciso e eficaz, não tem uma cirurgia que ele não consiga efetuar. Mas, ao mesmo tempo, ele é extremamente prepotente, tanto que somente atua no Centro Cirúrgico, nunca se misturando com o atendimento no Pronto-Socorro, mesmo que sempre seja convidado por sua colega, a Dra. Cristine Palmer (Rachel McAdams).
Quando Strange está a caminho de um evento que iria homenageá-lo, ele sofre um terrível acidente e, com isso, termina perdendo a eficiência de seus instrumentos de trabalho, as suas mãos. Em uma busca constante para voltar a ser cirurgião, ele gasta todas as suas finanças, mas não consegue. Então ele descobre que um homem conseguiu se curar depois de ir ao Nepal, em Kamar-Taj, e decide seguir para lá.
Na sua busca, Strange termina sendo salvo nas ruas de Katmandu por Mordo (Chiwetel Ejiofor), um dos discípulos da Anciã (Tilda Swinton), uma maga suprema que protege o nosso mundo contra outras magias poderosas e, principalmente, contra Kaecilius (Mads Mikkelsen), que deseja soltar o terrível Dormammu na Terra. Strange então entra para o mundo da magia, mesmo sendo cético inicialmente e relutante, ele precisará ajudar a Anciã a proteger os sanctums e a Terra.
Eu li uma história do Doutor Estranho, pela primeira vez, na revista Heróis da TV nº 100 (outubro de 1987). Nela víamos a origem do personagem nas mãos do fantástico Steve Ditko. Conhecíamos como tudo começou na vida do mago supremo Stephen Strange, do acidente, a sua chegada em Katmandu, seu aprendizado com o Ancião, seus problemas com o Barão Mordo, até se tornar o Mago Supremo. Em outubro de 1999, a Editora Abril publicou a revista Origens dos Super-Heróis Marvel nº 8, que trouxe histórias da coleção Uncanny Origins. Na edição 12 dessa coleção, o roteirista Len Wein e o desenhista brasileiro Marcelo “Marc” Campos contaram de uma forma diferente a origem de Strange, mostrando seu passado, que o levou a ser quem era antes de se tornar o Mago Supremo.
Um pouco dessa origem do Doutor Estranho vemos nesse novo filme do Universo Cinemático Marvel. O filme segue o padrão Marvel de filmes, ou seja, bastante diversão, ação, um filme voltado para a família... lógico, se você quiser colocar seus filhos e filhas para fazer uma viagem extradimensional nessa película inesquecível.
“Doutor Estranho” parece pegar as ideias do filme “Origem”, de Christopher Nolan, e ir além, colocando elementos totalmente incomuns, além do imaginável. Você fica alucinado com cada momento do filme. São simplesmente viajantes e delirantes, pois extravasa a ideia da quarta dimensão, pensando no multiverso como uma continuidade do nosso universo, mas visto “através do espelho”. Entrar em mais detalhes seriam entregar aspectos do filme que são extremamente importantes para você compreender, dessa forma partimos para as atuações.
Eu vejo nesse filme a maior união de atores talentosos de todos os tempos na Marvel Studios.
Não quero tirar créditos de atores como Robert Downey Jr, Scarlett Johansson, Mark Ruffalo, entre outros que já atuaram nos filmes do Universo Cinemático Marvel, mas a realização de “Doutor Estranho” traz um número incomum de talentos em um filme solo. Desde seu protagonista até seu antagonista, temos talentos dos mais variados e ganhadores de prêmios, indo do Prêmio da Academia (Oscar) a prêmios locais. Benedict Cumberbatch, que encabeça o elenco fazendo Dr. Stephen Strange/Doutor Estranho, atua na série britânica Sherlock, fazendo o protagonista ao lado do ator Martin Freeman (Capitão América: Guerra Civil), o que lhe proporcionou alguns prêmios e o levou a atuação de filmes para a TV e cinema, fazendo personagens como Khan em Além da Escuridão: Star Trek, Alan Turing em O Jogo da Imitação – que lhe garantiu a indicação ao Prêmio da Academia e o Globo de Ouro como Melhor Ator – e Ricardo III na série inglesa The Hollow Crow.
Junto a Cumberbatch, fazendo seu companheiro, está o ator Chiwetel Ejiofor como Mordo. Ejiofor já pode ser visto em filme em Amistad, O Plano Perfeito, O Gangster, 2012, Salt, 12 Anos de Escravidão – que foi indicado pelo seu trabalho como protagonista – e Perdido em Marte. Ainda ladeando o protagonista temos a atriz Rachel McAdams que fez filmes como Meninas Malvadas, Diário de Uma Paixão, Penetras Bom de Bico, Voo Noturno, Intrigas de Estado, Sherlock Holmes – ao lado do ator Robert Downey Jr. (Capitão América: Guerra Civil), a série True Detective e Spotlight: Segredos Revelados – que lhe garantiu a indicação ao Prêmio da Academia (Oscar).
Continuando próximo ao protagonista temos a atriz Tilda Swinton que faz A Anciã. Swinton já atuou fazendo a voz de Ofélia na minissérie da TV britânica Shakespeare: The Animated Tales. Esteve em A Praia, Adaptação, Constantine, As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, Despertar de Um Crime, Conduta de risco – que lhe garantiu o Prêmio da Academia de Melhor Atriz Coadjuvante –, O Curioso Caso de Benjamin Button, Precisamos Falar Sobre Kevin – ao lado do ator Ezra Miller (Liga da Justiça), Expresso do Amanhã – ao lado do ator Chris Evans (Capitão América: Guerra Civil) – e O Grande Hotel Budapeste. Ainda temos o ator Benedict Wong fazendo Wong. Ele já atuou na minissérie As Mil e Uma Noites, Jogo de Espiões, Conspiração Xangai, Além da Liberdade, O Retorno de Johnny English, Kick Ass 2 e a série do Netflix Marco Polo.
Já no papel de antagonista temos o fantástico ator dinamarquês Mads Mikkelsen. Mikkelsen já fez filmes como Rei Arthur, 007 – Cassino Royale, O Guerreiro Silencioso, Fúria de Titãs, Os Três Mosqueteiros, O Amante da Rainha, a série de TV Hannibal – interpretando o personagem Hannibal Lecter, que já lhe garantiu três Indicações de Melhor Ator de Série de TV no prêmio da Academia de Ficção Científica (Saturn Award) – e, futuramente, o veremos no filme Rogue One: Uma História Star Wars.
Todos esses atores foram regidos – posso usar essa palavra – pelo diretor Scott Derrickson. Derrickson é um diretor acostumado ao sobrenatural, pois dirigiu filmes como O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade e Livrai-nos do Mal, além da ficção científica O Dia Em Que a Terra Parou, uma mistura de sci-fi com sobrenatural.
O único problema, no meu ver, no filme foi exatamente as pontas soltas e o formato Marvel de se fazer filmes, ou seja, sem muito aprofundamento na trama, dando mais atenção a ação e aos efeitos visuais. Mas isso se torna pequeno perto de tudo que vemos, pois Doutor Estranho é puro entretenimento e cria uma nova visão para os filmes do Universo Cinemático Marvel, a visão por parte da magia. Para conseguir superar isso, a concorrência vai ter de rebolar e suar, pois novamente a Marvel dá um passo à frente.
Alguns falarão que sobrenatural não é novidade em filmes baseados em quadrinhos, pois temos os dois filmes de Hellboy – personagem de Mike Mignola, que teve direção de Benicio Del Toro – e Blade – com Wesley Snipes. Mas é uma visão diferente de magia e sobrenatural, ampliando essa ideia.

Perder Doutor Estranho nos cinemas, é deixar de ver algo único que nunca poderá ser visto na televisão, pois a dimensão do filme é absolutamente feito para a tela grande. Lógico que você poderá vê-lo muito bem em Blu-ray e DVD, mas no cinema é um espetáculo único e absoluto.