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segunda-feira, 18 de julho de 2016

RESENHA SÉRIES: Stranger Things (2016).

STRANGER THINGS (2016).

Roteiros: Matt Duffer, Ross Duffer, Jessie Nickson-Lopez, Paul Ditcher, Justin Doble, Jessica Mecklenburg.
Direção: Matt Duffer, Ross Duffer, Shawn Levy.
Elenco: Finn Wolfhard, Noah Schnapp, Caleb McLaughlin, Gaten Matarazzo, Millie Bobby Brown, Winona Ryder, David Harbour, Charlie Heaton, Matthew Modine, Natalie Dyer, Joe Keery.

Mike Wheeler (Finn Wolfhard), Will Byers (Noah Schnapp), Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin) e Dustin Henderson (Gaten Matarazzo) são quatro crianças que tem uma amizade incrível. Eles jogam RPG até tarde da noite na casa de Mike, passeiam de bicicleta juntos e sofrem bullying juntos, por serem diferentes e gostarem de coisas que outros não gostam. Isso é 1983. Mas sua cidade possui uma base secreta do governo, liderada pelo Dr. Martin Brenner (Matthew Modine), onde experiências macabras vêm ocorrendo.
Uma noite, alguma coisa foge da base e vai parar na cidade. Esta coisa persegue Will e o rapta, deixando sua mãe Joyce (Winona Ryder) e seu irmão Jonathan (Charlie Heaton) desesperados em encontra-lo, ficando no pé do xerife Hopper (David Harbour) para descobrir onde ele está. Mesmo com um toque de recolher de terminado pela polícia local, os amigos de Will, Mike, Lucas e Dustin, saem em sua busca. Nesse ínterim, uma jovem aparece em uma lanchonete local e seu dono a alimenta, mas algo drástico acontece, fazendo-a fugir.
Mike, Lucas e Dustin adentram na Floresta, onde aparentemente Will desapareceu e terminam encontrando a jovem que se chama Onze (Millie Bobby Brown). Ela vai com Mike para sua casa e, mesmo pouco comunicativa, cativa o menino que a coloca escondida no porão de sua casa, alimentando-a e buscando comunicar-se com ela. Will então descobre que Onze – carinhosamente chamada de On – sabe sobre Will. Nesse meio tempo, a irmã de Will, Nancy (Natalie Dyer), que namora Steve Harrington (Joe Keery), vai a uma festa privada na casa de seu namorado com sua amiga Barbara Holland (Shannon Purser), só que Nancy a despensa e, chateada, Barbara fica na piscina e, quando uma sombra salta sobre ela, esta desaparece.
Onze demonstra ter poderes incríveis de telecinesia, o que deixa os três amigos assustados e admirados com a menina. Juntos, em uma direção diferentes de investigação, eles vão em busca de Will, mas são perseguidos por pessoas da base militar, que desejam pegar Onze e leva-la de volta, nem que para isso precisem matar todos que cruzarem seu caminho.
“Stranger Things” – sem tradução em português, ainda – é uma daquelas histórias que lhe leva aos clássicos da década de 1980 como “E.T.”, “Os Goonies”, “Conta Comigo” e “Viagem ao Mundo dos Sonhos”, além de trazer lembranças do filme “Super 8”, de J.J. Abrams e Steven Spielberg. As lembranças não vêm por causa do enredo, mas sim por causa da amizade que se torna um dos pontos centrais da história.
Essa amizade se inicia com Mike, Will, Lucas e Dustin, interpretados pelos atores-mirins Finn Wolhard (The 100, Supernatural), Noah Schnapp (Ponte dos Espiões, Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o filme), Caleb McLaughlin (Forever, Shades of Blue) e Gaten Matarazzo (The Blacklist), quando Will desaparece o laço de amizade se fortalece, fazendo-os ir atrás do amigo e, depois que Onze surge – interpretada pela atriz Millie Bobby Brown (Era Uma Vez no País das Maravilhas, Intruders) – essa amizade parece ser abalada por ciúmes e desconfianças, por causa da troca de atenções.
Estamos falando de crianças de 9 ou 10 anos de idade, em plena década de 1980, onde a amizade era mais importante do que o afeto por uma menina. Mas também temos outros fatores que constam nos filmes citados, como a relação entre adolescentes, a afeição – e, às vezes, a incompreensão – dos pais.
As referências à cultura dos anos de 1980, nos Estados Unidos, está em todo filme. Desde as músicas, a forma de se vestir, os cortes de cabelos e as referências a cultura nerd, de X-Men, de Chris Claremont e John Byrne a O Senhor dos Anéis, passando por Dugeons & Dragons. As pessoas consideradas diferentes (nerds ou freaks) ou eram excluídas ou eram desordeiros, pois não se encaixavam no padrão burguês de cidade pequena, onde os mais favorecidos se sobressaíam sobre os menos favorecidos, e sempre eram maltratados ou injustiçados. Mas o ponto mais importante de “Stranger Things” está na ficção científica.
O mistério por trás de quem Onze é, qual o motivo dela estar ali, como ela conseguiu seus poderes e que ligação ela tem com o monstro que rapta as pessoas da cidade, é o que povoa toda a série. Desde o primeiro minuto da série até seu fim memorável, todo esse ar de mistério, intriga e suspense está dentro de “Stranger Things”. Os irmãos Duffer fazem você viajar no tempo e ao mesmo tempo te prende, do começo ao fim, para compreender como Onze se encaixa na trama e porquê o monstro sequestra as pessoas da cidade. Algumas conclusões pode-se tirar logo nas primeiras cenas da série, mas só vamos entender tudo no transcorrer desta.

“Stranger Things” entra pro hall das melhores series lançadas exclusivamente pelo Netflix, junto com Demolidor, Jessica Jones, Sense8 e Scream, pois além de me levar de volta no tempo, me deixou feliz, emocionado e intrigado com toda a sua história. A série termina com mais intrigas e mistérios, por isso espero que a segunda temporada surja em breve para que possamos desvendar os casos sem resposta.