Translate

domingo, 8 de maio de 2016

RESENHA HQ: Gavião Arqueiro: Minha vida com uma arma (Hawkeye: My life as a weapon).

GAVIÃO ARQUEIRO: MINHA VIDA COM UMA ARMA (Hawkeye: My life as a weapon)

Roteiro: Matt Fraction
Desenhos: David Aja, Javier Pulido, Alan Davis
Arte-final: Mark Farmer
Editora: Marvel Comics (BR: Panini Comics)
Ano: 2013 (BR: 2015)
Pág.: 140

“Tá legal, isso parece ruim”.

Gavião Arqueiro – também conhecido como Clint Barton – é um ex-artista circense, ex-vilão, ex-líder dos Thunderbolts, ex-Defensores, mas um eterno vingador, não importando a formação do grupo, nem se são Secretos ou Novos. Só que, como qualquer outro, Clint tem sua vida pessoal, que é agitada da mesma forma.
Ele ganha um cachorro – da forma que poderia ser a mais complicada –, enfrenta super-chefões, compra um carro – não pense que isso será simples – e busca comprar um fita VHS que tem segredos sombrios dele.
Eu nunca fui muito fã do Gavião Arqueiro, sinceramente falando. Sempre o achei somente uma cópia roxa do Arqueiro Verde – o que não deixa de ser –, mas o trabalho de Matt Fraction (The Invencible Iron Man) com o personagem é totalmente merecedor do Eisner e do Harvey que a revista ganhou em 2014.
Fraction busca nos mostrar que o dia-a-dia de Clint Barton é tão complicado quanto sua vida com os Vingadores ou qualquer outro grupo que ele tenha feito parte. Ele é um herói, usando arco e flecha ou não, e sabe agir como tal. Sempre acompanhado de sua sucessora, Kate Bishop, ele enfrenta os perigos mais sinistros e tenebrosos que um herói pode encarar na sua vida pessoal.
Fraction não poupa na ação das histórias. Sejam encarando a máfia russa ou inumerosos super-chefões, Gavião Arqueiro e Gaviã Arqueira estão constantemente, de quadro a quadro, numa ação desenfreada e adrenalizante. Para auxiliá-lo nessa fantástica ação, Fraction conta com o talentoso David Aja e Javier Pulido.
Aja divide os quadros de forma que você consegue compreender totalmente a ação que seu roteirista deseja. Na primeira história, ele nos dá uma ação com detalhes que me lembram muito o trabalho de Mazzucchelli com Miller em Batman: Ano Um, mostrando que um herói não precisa de músculos definidos para que possa mostrar seu heroísmo. Sem contar que é – quase – um storyboard, como se preparasse-nos para ver um filme do Gavião Arqueiro.
Pulido não foge dessa ideia, dando até uma amplitude no sentido de storyboard e nos colocando cenas inesquecíveis, como o assalto de Barton em Madripoor, aquilo é fantástico, pois parece que não tem fim. Foram escolhas muito bem feitas para o trabalho desenvolvido nas cinco primeiras edições da carreira-solo de Gavião Arqueiro.
Na última história, Fraction conta o primeiro encontro de Barton com Kate, enquanto ele ainda é o Ronin e ela herdara o nome e o arco de Clint, que fora considerado morto e substituído por Mercenário, que assumiu seu traje e nome. A história é desenhada pelo fantástico Alan Davis (Avengers: Ultron Forever) que, mesmo não deselvolvendo o mesmo nível de ação de Aja e Pulido, conta uma história como ninguém. O interessante da história – totalmente concentrada em Kate – é a interação da personagem com seus colegas dos Jovens Vingadores, onde ela mantem um romance mal resolvido com Patriota – Elijah Bradley – e recebe – um pouco mais que isso – cantadas de Célere – Thomas Shepherd. Além disso, existe um impasse quanto a ela ser sucessora do legado do Gavião Arqueiro, pois Barton precisa de comprovações que ela está de acordo com o cargo.


Mesmo que você não goste do Gavião Arqueiro, é impossível não gostar das histórias bem estruturadas e escritas. E se você gosta do personagem, vai gostar mais ainda, graças ao nível de ação desenvolvido por Matt Fraction e as artes de David Aja e Javier Pulido. “Gavião Arqueiro: Minha vida como uma arma” é um daqueles trabalhos que deixa qualquer fã de quadrinhos feliz.