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sexta-feira, 29 de abril de 2016

RESENHA CINEMA: Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016)

CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL (Captain America: Civil War, 2016).

Direção: Joe Russo e Anthony Russo
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evan, Robert Downey Jr., Sebastian Stan, Anthony Mackie, Scarlett Johansson, Chadwick Boseman, Daniel Brühl, Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Don Cheadle, Paul Rudd, Tom Holland, Jeremy Rennet, Emily VanCamp, William Hurt, Martin Freeman, Frank Grillo, Marisa Tomei, John Kani, John Slattery, Hope Davis, Alfre Woodward, Stan Lee.

Os Vingadores estão em uma missão em prender Brock Rumlow (Frank Grillo), um ex-soldado da S.H.I.E.L.D. que demonstrou ser membro da HIDRA em “Capitão América: Soldado Invernal”. Eles o seguem até a Nigéria, onde terminam o enfrentando e mais uma tragédia ocorre.
Após serem massacrados pela imprensa devido suas ações, recebem uma visita do Secretário de Estado, o general Thaddeus “Thunderbolt” Ross (William Hurt). Ross lhes apresenta o “Tratado de Sokovia”, onde os Vingadores deixarão de serem independentes e responderão a um órgão superior. O tratado foi desenvolvido depois das ações que ocorreram em Nova Iorque, Washington, Sokovia e Nigéria. Nem todos concordam com o tratado, tendo seus próprios argumentos que os levam em discordância. Enquanto eles discordam, ficam proibidos de agirem, mas ações que ocorrem durante a assinatura do tratado, levam a um rompimento, tornando Capitão América (Chris Evans) e Falcão (Anthony Mackie) em criminosos, pois tentavam abordar Bucky Barnes (Sebastian Stan), o Soldado Invernal, em busca de respostas sobre suas ações. Juntos dos três também é preso o príncipe T’Challa (Chadwick Boseman), que estava usando seu traje de Pantera Negra.
Na prisão, supervisionada Everett Ross (Martin Freeman), Zemo (Daniel Brühl) aparece em busca de trazer o caos para Capitão América e seus parceiros. Com isso, um conflito se inicia e Capitão América e Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), que depois de ser abordado pela mãe de um jovem que morreu no conflito contra Ultron decide pelo “Tratado de Sokovia”, precisam encontrar seus aliados, iniciando uma guerra sem precedentes, onde amigos se tornam inimigos e lados são escolhidos.

Sinceramente, eu fui sem expectativa nenhuma de que esse filme conseguisse ser bom. Pelo contrário, no pouco tempo que ele foi feito, eu esperava uma grande bomba ou então algo meia boca, como considero “Vingadores: Guerra de Ultron” e “Homem-Formiga”. Mas ele me surpreendeu.
O filme tem um enredo muito bem estruturado – palmas para Christopher Markus e Stephen McFeely – e não se prende e nem tem nada a ver com a história em quadrinhos, a não ser o subtítulo. A ideia é um conflito de ideais, enquanto uns creem que a independência d’Os Vingadores seja a coisa certa, outros acreditam que eles precisam ter um controle de danos para que desastres como os que ocorreram em filmes anteriores – e nesse filme – não continuem acontecendo. Enquanto eu pensei que a trama seria sem pé e nem cabeça, que Tony Stark apareceria somente para ser a favor, existe toda uma motivação que o leva até aquele ponto, o que torna ainda mais profunda a ideia do filme.
Não existem pontos sem nós. Markus e McFeely resgatam vários aspectos para tornar essas questões mais intrigantes, principalmente na questão que envolve a amizade de Steve e Bucky. A ideia do amigo ainda estar por aí, com a mente atormentada, aflige gravemente o Capitão América, fazendo-o desconcentrar da ação e deixando ações desastrosas ocorrerem. Ele ainda se culpa pelo que acontecera no trem em “Capitão América: O Primeiro Vingador” (2011), pois por mais que tenha acontecido anos atrás, ainda está fresco em suas lembranças.
Outro ponto interessante são as tomadas de decisões, como acontecem as escolhas de lados. Os argumentos de cada lado são bem válidos, pois enquanto alguns creem que eles precisam saber assumir seus erros, outros creem que com a ação controlada e limitada será benéfica. Os motivos dos argumentos do Capitão América se calcam nos acontecimentos de “Capitão América: Soldado Invernal” (2014), onde ele viu uma força privada que ele servia se virar contra a humanidade e contra ele. Já a decisão do Homem de Ferro e seus aliados são solidificadas pelas mortes ocorridas nos vários momentos em que os Vingadores agiram sem alguém para guia-los no caminho certo, sempre achando que beneficiam a humanidade, quando terminam causando mais danos do que benefícios.
Outro ponto forte do filme é o uso dos personagens em cena. Quando você vê vários personagens, pensa que alguns terão mais importância do que outros, mas isso não ocorre, pois a forma como cada um dos super-heróis é usada é de extrema maestria.
Os irmãos Russo souberam posicionar cada personagem no momento adequado, dando seu devido valor e o melhor momento para vermos isso é na batalha onde todos se enfrentam. Você percebe a importância de personagens como Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), por exemplo. Visão (Paul Bettany) demonstra ser um combatente fenomenal em cena, da mesma forma que Wanda (Elizabeth Olsen). A introdução de Homem-Formiga (Paul Rudd) e Homem-Aranha (Tom Holland) são extremamente importantes. Falando do “Amigo da Vizinhança”, seu surgimento na história é um dos momentos mais fantásticos do filme, pois é confuso e engraçado, ao mesmo tempo, mas percebemos que ele é um rapaz com grande potencial e uma capacidade criativa fenomenal.

Pela primeira vez gostei de ver o Homem-Formiga e vi sua importância em uma trama. Enquanto eu considero “Homem-Formiga” (2015) um os piores filmes da Marvel Studios – não pelos atores, mas sim pela trama –, a importância de Scott Lang e sua forma de agir no filme é fenomenal.
Sam Wilson continua ganhando importância em suas participações ao lado do Capitão América. Ele é o cara que sempre confia piamente nas decisões do Capitão, pois esteve ao lado do Caps em “Soldado Invernal” e sabe como lideranças externas podem ser prejudiciais. Até mesmo James Rhodes (Don Cheadle) é um ponto de ressonância alta dentro dos conflitos. Um dos melhores debates sobre o Tratado ocorrem entre ele e Sam.

Natasha é uma das mais exímias combatentes que já se viu agindo. Ela consegue te deixar louco com suas cenas de ação, pois ela domina seus inimigos e, quando não consegue, parte para seus ferrões que, às vezes, podem ser bem doloridos. Da mesma forma é a participação de Wanda Maximoff. Ela mostra que é uma das mais mortais dos Vingadores, seus poderes de manipulação derrotam até mesmo àquele que pensamos ser impossível de derrotar. Sharon Carter (Emily VanCamp) é outro grande ponto do filme, pois ela continua apoiando o Capitão e acreditando nele, pois, como Sam, também esteve na Queda do Triskelion e a derrocada da S.H.I.E.L.D.
Mesmo o misterioso Zemo tem uma importância significativa na história, pois ele é parte dos pontos que se cruzam, sendo o grande estrategista por trás de muitos acontecimentos. Da mesma forma é a importância do Secretário de Estado Thaddeus Ross, pois ele pareceu um pai antes de uma surra, passa a mão na cabeça, questiona como foi que ocorreu, depois da as palmadas necessárias. E Everett Ross, mesmo que tenha uma aparição menor, demonstra ser o braço longo da lei dentro do Departamento de Estado, sendo responsável pela prisão de Bucky.
“Capitão América: Guerra Civil” é o melhor filme da Marvel Studios, para mim. Eu escrevo pouco isso, pois o último que considerei um filme bom da Marvel foi o antecessor a esse em 2014. Ele é um filme “adulto”, com uma história madura que mistura intriga, vingança e conflitos. É uma história que se constrói de forma magistral e digna, sem perda de ritmo.


Vale lembrar: fiquem até o final dos letreiros, pois tem uma cena surpreendente, principalmente para os fãs da Marvel.