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sexta-feira, 29 de abril de 2016

RESENHA CINEMA: Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016)

CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL (Captain America: Civil War, 2016).

Direção: Joe Russo e Anthony Russo
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evan, Robert Downey Jr., Sebastian Stan, Anthony Mackie, Scarlett Johansson, Chadwick Boseman, Daniel Brühl, Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Don Cheadle, Paul Rudd, Tom Holland, Jeremy Rennet, Emily VanCamp, William Hurt, Martin Freeman, Frank Grillo, Marisa Tomei, John Kani, John Slattery, Hope Davis, Alfre Woodward, Stan Lee.

Os Vingadores estão em uma missão em prender Brock Rumlow (Frank Grillo), um ex-soldado da S.H.I.E.L.D. que demonstrou ser membro da HIDRA em “Capitão América: Soldado Invernal”. Eles o seguem até a Nigéria, onde terminam o enfrentando e mais uma tragédia ocorre.
Após serem massacrados pela imprensa devido suas ações, recebem uma visita do Secretário de Estado, o general Thaddeus “Thunderbolt” Ross (William Hurt). Ross lhes apresenta o “Tratado de Sokovia”, onde os Vingadores deixarão de serem independentes e responderão a um órgão superior. O tratado foi desenvolvido depois das ações que ocorreram em Nova Iorque, Washington, Sokovia e Nigéria. Nem todos concordam com o tratado, tendo seus próprios argumentos que os levam em discordância. Enquanto eles discordam, ficam proibidos de agirem, mas ações que ocorrem durante a assinatura do tratado, levam a um rompimento, tornando Capitão América (Chris Evans) e Falcão (Anthony Mackie) em criminosos, pois tentavam abordar Bucky Barnes (Sebastian Stan), o Soldado Invernal, em busca de respostas sobre suas ações. Juntos dos três também é preso o príncipe T’Challa (Chadwick Boseman), que estava usando seu traje de Pantera Negra.
Na prisão, supervisionada Everett Ross (Martin Freeman), Zemo (Daniel Brühl) aparece em busca de trazer o caos para Capitão América e seus parceiros. Com isso, um conflito se inicia e Capitão América e Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), que depois de ser abordado pela mãe de um jovem que morreu no conflito contra Ultron decide pelo “Tratado de Sokovia”, precisam encontrar seus aliados, iniciando uma guerra sem precedentes, onde amigos se tornam inimigos e lados são escolhidos.

Sinceramente, eu fui sem expectativa nenhuma de que esse filme conseguisse ser bom. Pelo contrário, no pouco tempo que ele foi feito, eu esperava uma grande bomba ou então algo meia boca, como considero “Vingadores: Guerra de Ultron” e “Homem-Formiga”. Mas ele me surpreendeu.
O filme tem um enredo muito bem estruturado – palmas para Christopher Markus e Stephen McFeely – e não se prende e nem tem nada a ver com a história em quadrinhos, a não ser o subtítulo. A ideia é um conflito de ideais, enquanto uns creem que a independência d’Os Vingadores seja a coisa certa, outros acreditam que eles precisam ter um controle de danos para que desastres como os que ocorreram em filmes anteriores – e nesse filme – não continuem acontecendo. Enquanto eu pensei que a trama seria sem pé e nem cabeça, que Tony Stark apareceria somente para ser a favor, existe toda uma motivação que o leva até aquele ponto, o que torna ainda mais profunda a ideia do filme.
Não existem pontos sem nós. Markus e McFeely resgatam vários aspectos para tornar essas questões mais intrigantes, principalmente na questão que envolve a amizade de Steve e Bucky. A ideia do amigo ainda estar por aí, com a mente atormentada, aflige gravemente o Capitão América, fazendo-o desconcentrar da ação e deixando ações desastrosas ocorrerem. Ele ainda se culpa pelo que acontecera no trem em “Capitão América: O Primeiro Vingador” (2011), pois por mais que tenha acontecido anos atrás, ainda está fresco em suas lembranças.
Outro ponto interessante são as tomadas de decisões, como acontecem as escolhas de lados. Os argumentos de cada lado são bem válidos, pois enquanto alguns creem que eles precisam saber assumir seus erros, outros creem que com a ação controlada e limitada será benéfica. Os motivos dos argumentos do Capitão América se calcam nos acontecimentos de “Capitão América: Soldado Invernal” (2014), onde ele viu uma força privada que ele servia se virar contra a humanidade e contra ele. Já a decisão do Homem de Ferro e seus aliados são solidificadas pelas mortes ocorridas nos vários momentos em que os Vingadores agiram sem alguém para guia-los no caminho certo, sempre achando que beneficiam a humanidade, quando terminam causando mais danos do que benefícios.
Outro ponto forte do filme é o uso dos personagens em cena. Quando você vê vários personagens, pensa que alguns terão mais importância do que outros, mas isso não ocorre, pois a forma como cada um dos super-heróis é usada é de extrema maestria.
Os irmãos Russo souberam posicionar cada personagem no momento adequado, dando seu devido valor e o melhor momento para vermos isso é na batalha onde todos se enfrentam. Você percebe a importância de personagens como Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), por exemplo. Visão (Paul Bettany) demonstra ser um combatente fenomenal em cena, da mesma forma que Wanda (Elizabeth Olsen). A introdução de Homem-Formiga (Paul Rudd) e Homem-Aranha (Tom Holland) são extremamente importantes. Falando do “Amigo da Vizinhança”, seu surgimento na história é um dos momentos mais fantásticos do filme, pois é confuso e engraçado, ao mesmo tempo, mas percebemos que ele é um rapaz com grande potencial e uma capacidade criativa fenomenal.

Pela primeira vez gostei de ver o Homem-Formiga e vi sua importância em uma trama. Enquanto eu considero “Homem-Formiga” (2015) um os piores filmes da Marvel Studios – não pelos atores, mas sim pela trama –, a importância de Scott Lang e sua forma de agir no filme é fenomenal.
Sam Wilson continua ganhando importância em suas participações ao lado do Capitão América. Ele é o cara que sempre confia piamente nas decisões do Capitão, pois esteve ao lado do Caps em “Soldado Invernal” e sabe como lideranças externas podem ser prejudiciais. Até mesmo James Rhodes (Don Cheadle) é um ponto de ressonância alta dentro dos conflitos. Um dos melhores debates sobre o Tratado ocorrem entre ele e Sam.

Natasha é uma das mais exímias combatentes que já se viu agindo. Ela consegue te deixar louco com suas cenas de ação, pois ela domina seus inimigos e, quando não consegue, parte para seus ferrões que, às vezes, podem ser bem doloridos. Da mesma forma é a participação de Wanda Maximoff. Ela mostra que é uma das mais mortais dos Vingadores, seus poderes de manipulação derrotam até mesmo àquele que pensamos ser impossível de derrotar. Sharon Carter (Emily VanCamp) é outro grande ponto do filme, pois ela continua apoiando o Capitão e acreditando nele, pois, como Sam, também esteve na Queda do Triskelion e a derrocada da S.H.I.E.L.D.
Mesmo o misterioso Zemo tem uma importância significativa na história, pois ele é parte dos pontos que se cruzam, sendo o grande estrategista por trás de muitos acontecimentos. Da mesma forma é a importância do Secretário de Estado Thaddeus Ross, pois ele pareceu um pai antes de uma surra, passa a mão na cabeça, questiona como foi que ocorreu, depois da as palmadas necessárias. E Everett Ross, mesmo que tenha uma aparição menor, demonstra ser o braço longo da lei dentro do Departamento de Estado, sendo responsável pela prisão de Bucky.
“Capitão América: Guerra Civil” é o melhor filme da Marvel Studios, para mim. Eu escrevo pouco isso, pois o último que considerei um filme bom da Marvel foi o antecessor a esse em 2014. Ele é um filme “adulto”, com uma história madura que mistura intriga, vingança e conflitos. É uma história que se constrói de forma magistral e digna, sem perda de ritmo.


Vale lembrar: fiquem até o final dos letreiros, pois tem uma cena surpreendente, principalmente para os fãs da Marvel.

terça-feira, 26 de abril de 2016

RESENHA HQ: Homem-Animal – Origem das Espécies (Animal Man, Book 2 – Origin of the Species)

HOMEM-ANIMAL – ORIGEM DAS ESPÉCIES (Animal Man, Book 2 – Origin of the Species)

Roteiro: Grant Morrison
Desenhos: Tom Grummett, Chaz Truog
Arte-final: Doug Hazlewood, Mark McKenna, Steve Montano
Editora: DC/Vertigo (BR: Panini Comics)
Ano: 2002 (BR: 2015)
Pág.: 244

O segundo livro dessa coleção das histórias do Homem-Animal, escrito por Grant Morrison, que redefiniu o personagem e tornou-o um personagem importante no Universo DC.
Nessa nova edição, Buddy Baker vem procurando uma cura para seus problemas com os poderes do Homem-Animal que andam descontrolados desde a Bomba Metagene dos Dominions ao final da minissérie “Invasão” e, com isso, conhecemos a história de sua origem, quando Buddy, durante uma caça encontra uma nave alienígena e após uma explosão ele ganha seus poderes de Homem-Animal. Vemos sua primeira ação, seu primeiro uniforme, sua relação com Ellen florescer, mas descobrimos que a maioria dessas lembranças são embustes, fantasias necessárias geradas por aqueles que tornaram Buddy Baker no Homem-Animal.
Enquanto isso, no Asilo Arkham, o físico James Highwater encontra-se com Roger Hayden, o Pirata Psíquico, o único que possui lembranças da Crise e do Multiverso DC. Já em San Diego, Vixen procura o Homem-Animal para ajudá-la contra um monstro invisível e isso termina dando muito errado e, de repente, eles acordam na África, onde Buddy reencontra Mike Maxwell, o Fera B’wana, que procura um sucessor. Eles então enfrentam forças militares na África para libertar o sucessor de Maxwell e, durante essa missão, Buddy descobre mais sobre sua origem que é logo reformulada.
Quando retorna, ajuda um grupo ambientalista que resgata animais usados para experiências abusivas, só que esses ambientalistas são ecos-terroristas que causam um incêndio que transforma-se em uma tragédia, causando problemas na amizade de Buddy com Roger Denning, seu agente e melhor amigo. Esse problema faz com que Buddy decida abandonar a carreira de super-herói e, como um último uso para o Tubo de Teletransporte, ele leva Ellen a uma viagem em Paris, França, onde sua esposa conhece a Liga da Justiça Europa; Metamorfo, Homem-Elástico, Soviete Supremo e Sue Dibny, que coordena o grupo, só que Buddy termina ajudando a LJE contra John Starr, o Comandante do Tempo, que decide fazer do tempo uma forma de ajudar as pessoas que não conseguiram se reconciliar com o passado. As coisas não terminam muito bem, fazendo com que Buddy e Ellen voltem para casa, onde uma nova confusão está para começar na vida do Homem-Animal.
Grant Morrison se aproveita bastante de sua liberdade com Homem-Animal nesse encadernado. Ele flutua nas nuvens do absurdo e abusa da metalinguagem ao usar o Pirata Psíquico como aporte para isso. Mas ele não perde o enfoque do lance de consciência ambiental, indo mais além na luta pelos direitos humanos na África, onde os africanos batalham contra o Apartheid e são massacrados e torturados por lutar pela sua liberdade de expressar.
Morrison, nessa edição, aproveita para recontar as origens do Homem-Animal e criar novas teorias sobre os poderes do personagem, maximizando ainda mais o super-herói. Já Highwater começa a ganhar uma importância bem maior e significativa nessa edição. Criação de Morrison e Chaz Truog, o físico surge para ser um auxílio de Buddy Baker na descoberta de mais informações sobre seus poderes. Suas origens indígenas serão o passo futuro para o herói nisso.

É mais uma edição em que Morrison nos dá a honra de escrever um super-herói de forma aprazível e que você consegue curtir do começo ao fim, sem vontade de interromper.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

RESENHA HQ: Superman/Batman: Supergirl (DC Comics Coleção de Graphic Novels volume 14 da Eaglemoss).

SUPERMAN/BATMAN: SUPERGIRL (DC Comics Coleção de Graphic Novels volume 14 da Eaglemoss).

Roteiros: Jeph Loeb, Otto Binder
Desenhos: Michael Turner, Al Plastino
Título original: Superman/Batman: Supergirl

A história desse encadernado (sim, continuo teimando em chama-lo assim, pois não é sempre que ele publica graphic novels – Lex Luthor: Homem de Aço e LJA: Terra Dois são dois exemplos de graphic novels –, mas sim minisséries que foram publicadas nas mensais ou à parte da cronologia do personagens) é, praticamente uma continuidade de “Superman/Batman: Inimigos Públicos”, publicada no volume 5 da coleção da Eaglemoss, então após a queda dos restos de meteoro de kriptonita na Terra, Superman vê-se isolado enquanto Batman e a Liga da Justiça procuram esses pedaços. Submerso no rio próximo de Gotham, Batman encontra uma nave com um texto em kriptoniano, só que esta está vazia. Enquanto isso, uma jovem nua anda pelas ruas de Gotham, totalmente desnorteada e perdida. Quando Batman a encontra, descobre que ela somente sabe falar kriptonês e tem poderes que assemelham-se ao do Superman. Ela termina causando um desastre, o que leva ao Batman capturá-la, enquanto Superman salva o dia.
Descobre-se que a jovem é Kara, filha de Zor-El, irmão de Jor-El, pai do Superman, ou seja, ela é prima do Homem-de-Aço. Desconfiado de quem a menina seja, Batman ajuda Superman a investigar mais sobre a jovem, mas terminam tendo a intervenção da Mulher-Maravilha que leva Kara para Themyscira, a ilha Paraíso, onde ela é treinada por Artêmis e faz amizade com Lyla, a Precursora. Só que, do outro lado do universo, em Apokolips, Darkseid deseja que a jovem faça parte de suas Fúrias e será capaz de qualquer coisa para isso. Então, mais do que nunca, Superman precisará da ajuda de Mulher-Maravilha e do Batman, além de um dos residentes de Apokolips que decidiu ficar na Terra para deter Darkseid de seus desejos sórdidos.
Depois temos a chegada da jovem Kara Zor-El à Terra em Action Comics #252 (maio de 1959). Advinda de um pedaço de Krypton que se separou após a explosão do planeta, Kara nasceu nesse pedacinho do planeta, que foi mantido a salvo, durante muito tempo, por seu pai Zor-El. Quando Zor-El percebeu que aquele pedaço do planeta estava em vias de total destruição, sem recuperação, ele monta uma nave e envia sua filha à Terra, após sua esposa, Allura, e Kara pesquisarem sobre o planeta e descobrirem que aqui vive outro kriptoniano, o Superman. Chegando ao nosso planeta, Superman a resgata e ambos descobrem serem primos, então na intenção que ela viva entre os terráqueos como ele faz no papel de Clark Kent, Superman a leva para um orfanato com o nome Linda Lee e lá a deixa.
Ter mais essa edição da coleção em mãos é muito bom. Eu já conhecia a história “Supergirl de Krypton”, que fez parte das edições 1 a 4 de “Superman/Batman”, lançada no Brasil pela Panini (junho/outubro de 2005). Na época eu achei a história – pois ainda estava acostumado a Supergirl do Universo Compacto, criado pelo Mestre do Tempo para ludibriar a Legião de Super-Heróis – totalmente desnecessária, pois não via motivo para a existência de uma Supergirl, mas com o passar do tempo, Kara foi conquistando seu espaço, sempre aprendendo a convivência com todos os outros heróis. Chegou até a integrar os Novos Titãs por um curto período de tempo.
Critiquei muito Jeph Loeb por trazê-la de volta, ainda mais que Byrne havia estabelecido Kal-El como um órfão, mas Zero Hora já havia ocorrido, sendo assim, a possibilidade de mudanças nos parâmetros da solidão do Superman eram possíveis, tanto que Krypto reapareceu, também – existiu outro Krypto, mas este era um cachorro do bartender Bibbo que ele deu ao Superboy.
A entrada de Kara Zor-El foi bem querida por muitos, pois ela fazia parte do universo pré-Crise, fosse como Poderosa (nesse caso era Kara Zor-L) na Terra-2 ou como Supergirl em Terra-1, e nem tanto por um pequeno grupo que – como eu – achava que se você é o último filho de Krypton, não tem de haver uma última filha e assim por diante, pois se perde a noção dos limites, como terminou acontecendo posteriormente, em histórias futuras. Mas eu admito que errei com isso, pois a adição da personagem deu uma nova dinâmica nas histórias do Superman e também acrescentou elementos na história da personagem que a envolvia constantemente com vários aspectos das sagas que transcorriam, como foi o caso de A Guerra das Amazonas, onde Kara se viu entre a cruz e a espada, pois era vista como uma das guerreiras de Themyscira, já que fora treinada por elas.
Eu gostava da Kara pré-Crise, pois ela era um elemento importante nas histórias da Legião dos Super-Heróis, principalmente. Era um membro importante do grupo e a amada de Brainiac-5, mostrando que até mesmo o mais racional dos seres pode amar. Essa nova Kara acrescentou bastante elementos, pena que durou somente até 2011, quando surgiu Novos 52 e Kara teve sua história recontada, novamente.
Já na segunda história, escrita por Otto Binder e desenhada por Al Plastino, vimos a introdução da Supergirl da Terra-1. Essa foi a primeira de várias histórias que Kara possuiu posteriormente. Ela foi adotada pelos Danvers, foi apresentada ao público pelo Superman, se tornou membro da Legião dos Super-Heróis e ganhou super-animais como Rajado, Beepo e Cometa. Sua história foi longa e cheia de grandes aventuras até sua fatídica e lembrada morte em “Crise nas Infinitas Terras”.
No volume 15 da coleção começará a saga “O Nascimento do Demônio”, onde Batman encarará o terrorista Ra’s Al Ghul, que busca um herdeiro para seguir no comando de sua Liga dos Assassinos.

A coleção de graphic novels pode ser adquirida em bancas ou lojas especializadas. Números anteriores também podem ser requeridos no site Eaglemoss Brasil. Se preferir fazer a assinatura, com ela você ganha vários brindes exclusivos.

domingo, 17 de abril de 2016

ECN analisa: De alma lavada!

Eu pretendo fazer um especial sobre Convergência, falar sobre a história, o que achei dela, do que gostei, do que achei interessante e tal, mas antes tenho de falar sobre a primeira história de “Convergência: Superman”, que conta sobre o Último Filho de Krypton, sobre o Escoteirão, sobre o primeiro dos grandes super-heróis que se tem notícia. Podem surgir spoilers, então cuidado.
Antes dele não existia outro, depois dele surgiram milhares e milhões de super-poderosos.
A história conta sobre o Superman pós-Crise Infinita, pré-Ponto de Ignição. Antes de Ponto de Ignição, depois de Crise nas Infinitas Terras, tivemos três Supermen, por incrível que pareça, mas as diferenças estavam em suas histórias de origem e não em quem ele era.
Depois de Crise nas Infinitas Terras, Superman (Kal-El ou Clark Kent) era um embrião colocado em uma nave de um planeta estéril e em extinção. Cresceu dentro da nave e foi encontrado pelo casal Jonathan e Martha Kent em um local descampado em Smallville. Ele cresceu sem poderes e quando atingiu a puberdade aprendeu a voar. Não conhecida seu lugar no mundo, então decidiu viajar por ele. Fez universidade, onde conheceu Lori Lemaris, e quando estava em Metrópolis, testemunhou o voo de um ônibus espacial especial que sofreu uma pane e ele os salvou. A partir daí, quando a repórter Lois Lane, que estava dentro do ônibus espacial, o nomeou como Superman, ele descobriu que tinha um destino, uma meta a seguir. Sua mãe lhe fez um traje que ele usou durante anos, até 2011. O traje era um colante, pois Martha percebera que os tecidos quando ficavam em contato direto com a pele de Clark, não se rasgavam, por isso ela se preocupava com a capa. Clark então voltou a Metrópolis, mas dessa vez como um repórter que conseguiu uma exclusiva com o Superman, o que causou uma revolta em sua colega de jornal, Lois Lane. Depois os dois foram convidados para um passeio no iate do multimilionário Lex Luthor, que submeteu todos seus convidados a um sequestro pirata, mas foram salvos por Superman. Achando que o Homem-de-Aço era corruptível, Luthor tenta contrata-lo, mas em vão. Então surgiu uma rixa imemoriável. Esse contexto foi o começo de uma nova Era de Heróis da DC Comics, iniciado por John Byrne.
Depois da saga Zero Hora, parte desse contexto foi alterado drasticamente. Começa que Lex e Clark chegaram a ser conhecer na adolescência, quando o pai de Luthor o mandou para Smallville. Os pais de Kal-El, Jor-El e Lara, não o mandaram ainda um embrião, mas sim uma criança nascida a pouco tempo. Seu planeta não era estéril, mas produtivo. Também no novo contexto conhecemos mais sobre a viagem de Clark pelo mundo, sendo que não foi somente um acidente de ônibus espacial que levou-o a se tornar o Superman, mas vários acontecimentos que ele testemunhou durante sua viagem, percebendo que, as vezes, um Superman pode fazer a diferença. Mas sua história com Lois Lane não mudou, pois antes de Zero Hora os dois haviam se casado. Clark revelou a Lois sua identidade secreta e, antes dele “morrer” encarando o Apocalypse, eles ficaram noivos.
O casamento aconteceu após o retorno do Superman, pois Clark havia sido “substituído” por Matriz, que morava com os Kent, mas ainda não sabia o que fazer de sua vida. Quando Superman retornou, foi difícil tirar Matriz do papel de Clark, mas conseguiram. Clark e Lois tiveram uma crise, pois ele não se achava pronto para ser o marido que ela esperava, pois estava perdendo os poderes, mas passada a crise, eles se casaram e foi um dos momentos mais celebrados dos quadrinhos, pois foram quase 60 anos de romance, já que a chama já existia desde Action Comics #1 e nunca deixou de existir. Mesmo    quando dividiram a DC Comics em um multiverso, ambas as versões do Superman – da Terra-1 e da Terra-2 – tinham uma Lois Lane em sua vida. O Clark da Terra-2, mais velho, se casara com sua Lois Lane e era chefe do Planeta Diário, o da Terra-1 ainda sofria com Lois ser apaixonada pelo seu alter-ego e não por ele. Terminou essa fase graças a Crise e tudo mudou e eles se casaram.
Não era fácil para ambos, mas o amor sempre era maior e mais forte. Lois passou por vários problemas, mas ela sabia que podia sempre contar com Clark. Mesmo depois de Crise Infinita, onde Superboy Prime socou o tecido da realidade e despedaçou e, mais uma vez, a realidade do Superman foi alterada. Sua chegada de Krypton ainda era a mesma, mas na idade pré-adolescente ele usou um uniforme e foi o Superboy durante um tempo, mas ainda permanecia casado com Lois, que mesmo que essa preferisse ser chamada de Sra. Lane (sim, era seu nome “artístico”).
Então os infelizes editores-chefes e chefe criativo da DC Entertainment acharam que o casamento não valia de nada. Foram 15 anos de casamento jogados pela janela, pois eles queriam o Superman solteiro – não somente ele, mas outros também, mas isso é história para outra oportunidade –, sem nenhuma ligação romântica com Lois Lane. Na verdade, sem nenhuma ligação com o Planeta Diário em si. Ele praticamente ignorava seu lado humano e passava mais tempo como Superman. Para piorar, ele estava tendo um caso com a Mulher-Maravilha.
Bem, tem aqueles que acham isso plausível, pois ele é um super-homem e ela é uma mulher com dons de deuses, então seria ideal os deuses serem um par. Só que isso quebra TOTALMENTE o mito do super-homem buscando seu lado humano ao se apaixonar por uma humana.
Kal-El veio de um planeta que estava em extinção, foi criado por um casal de fazendeiros e aprendeu que seu lado humano é mais importante que seu lado super, que ele não é melhor que ninguém – mesmo que seja – somente por ter super-poderes. Ele foi criado por humanos, viveu cercado de humanos e a primeira vez que viu Lois, se apaixonou por ela, por sua força, por sua determinação, por sua vontade de ser melhor do que qualquer outro. Ela era uma humana que tinha essas qualidades, sem ter super-poderes. Kal-El ganhou de seus pais o nome Clark Kent (Clark era o sobrenome de solteira de Martha), e de Lois Lane o nome de Superman. Seus pais biológicos somente se tornaram de seu conhecimento anos depois dele crescer, anos depois dele ser criado pelo gentil casal de fazendeiros.
Mesmo em 1938, quando ele surgiu na Action Comics #1, seu lado humano contava para ele estar próximo de Lois Lane, mesmo que precisasse se transformar em Superman para salva-la. Lois e Clark são um casal tão clássico quanto Diana e Fantasma ou Lorna Darne e Flash Gordon. Eles são históricos, clássicos, um casal fora do comum exatamente por serem como são.
Por que tanta ladainha para falar sobre Lois e Clark? Bem, voltando a edição “Convergência: Superman”, a primeira história mostra o casal preso em Gotham pré-Ponto de Ignição. Clark – como todos os super-heróis – perdeu seus poderes, mas ainda deseja fazer o bem, pois é difícil perder velhos hábitos e, com isso, ele conta com Lois o monitorando a distância. Quando o domo cai e seus poderes retornam, ele vence os marginais e volta para casa, onde encontra Lois... grávida. Eles passam um tempo juntos, antes que ele parta para o desafio de encarar os heróis de Ponto de Ignição: Capitão Trovão, Cyborg e Abin Sur. O lance é que um obcecado Kal-El – também conhecido como Projeto Um – acredita que a Lois de Clark é a mesma que cuidou dele quando foi liberdade de seu cativeiro e terminou morta na sua frente. Ele então rapta Lois e a leva à caverna do Batman de Ponto de Ignição, ou melhor, Dr. Thomas Wayne. Após lutar bravamente contra os três heróis e derrota-los, Superman retorna para sua Gotham e encontra seu apartamento vazio, mas Abin Sur o segue e descobre a verdade sobre o bravo super-herói e conta o que pode ter acontecido, explicando a situação de seu planeta. Superman então voa até a caverna do Batman e lá encontra sua Lois prestes a entrar em trabalho de parto e, com a ajuda de Dr. Thomas Wayne, nasce Jonathan Samuel Kent, em uma clara homenagem ao pai de Clark e ao pai de Lois.

Ler esta história me fez lavar a alma, pois eu sempre desejei ver um ponto decisivo para Clark e Lois, pois eles precisavam. Eles precisavam de um futuro, de algo mais do que um fim sem motivo, sem explicação. Simplesmente as pessoas responsáveis pela DC Comics nos deram... nada.
Mesmo que Convergência seja somente um momento de mudanças para a DC Entertainment, significou muito ler essa história. Não somente por ver Lois e Clark juntos, mas por ver o verdadeiro Superman dos quadrinhos.

Tô nem aí quem não goste desse Superman. Ele é absolutamente como tem de ser, heroico, um verdadeiro símbolo do super-herói de verdade. Sua história pode ter se modificado no decorrer dos tempos, mas ele sempre manteve sua integridade, sempre foi uma pessoa que não estava acima de todos por causa de seus poderes, mas por ser uma pessoa que defendia seus princípios, era nobre. Não era inocente, mas também não perdia a virtude, algo que aprendera com os pais e que carregava consigo para onde fosse. Esse é o verdadeiro Superman, em absoluto. 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

ECN ANALISA: Trailer #3 de "Esquadrão Suicida"

No dia 10/04, durante o MTV Awards 2016, a Warner Bros. lançou o terceiro trailer de "Esquadrão Suicida" que estréia no Brasil em 07 de agosto de 2016.
O trailer, como os anteriores, vem acompanhado de músicas que têm muito as cenas do trailer.
A primeira, "You don't own me" (algo como "Você não me possui"), foi escrita em 1963 pelos compositores do grupo Philadelphia, John Madara e David White e cantada, pela primeira vez, pela cantora Lesley Gore.
No decorrer dos anos, a música foi regravada várias vezes. A mais recente foi feita pela cantora Grace, junto com o artista G-Easy. Essa versão é a usada no trailer do "Esquadrão Suicida", intitulado "Blitz".
Seguindo esse título, o que podemos considerar a segunda parte do trailer, começa com a segunda música "The Ballroom Blitz", do grupo Sweet. A música foi composta pelos músicos Nicky Chinn e Mike Chapman e cantada pela primeira vez em 1973. No filme "Quanto Mais Idiota Melhor" (1992), a atriz Tia Carrera cantou uma versão da música.
Os trechos que compõem o trailer casam totalmente com os momentos do trailer. Por exemplo, no começo vemos a seleção de Amanda Waller (Viola Davis) para os membros do Esquadrão Suicida: Arlequina (Margot Robbie), Pistoleiro (Will Smith), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Amarra (Adam Beach) e El Diablo (Jay Hernandez). Depois, quando a primeira música começa, vemos eles sendo dominados, sedados e levados a um avião de transporte.
O trecho "Não sou sua, eu não sou um dos seus brinquedos/Não sou sua, não diga que eu não posso sair com outros/E não me diga o que fazer/E não me diga o que dizer/E por favor, quando eu sair com você/Não me mostre para todos, porque/.../Não sou sua, não me prenda pois eu jamais ficaria" combina com a sequência de imagens de Flag (Joel Kinnaman) explicando a situação dos membros da equipe de vilões, deles pegando e usando suas armas, se provocando para fechar com Waller ordenando sua saída e missão e o helicóptero sendo atacado e caindo.
Já a segunda música combina com um clima mais adrenalizante do trailer, onde o Esquadrão já se encontra em ação com cenas de tirar o fôlego, com Arlequina, Pistoleiro, Crocodilo, Katana (Karen Fukuhra) e Flag dando ordens.
Nessa parte vemos ouvimos o trecho "E o homem de costas disse/Todos ataquem e se transformou em um ataque no salão". Na continuidade a música depois de uma sequência de cenas que introduz Magia (Cara Delevingne) e o Coringa (Jared Leto), vemos o Batman (Ben Affleck ) em ação e Magia dentro de um departamento do governo estadunidense. O trecho é bem significativo: "Agora, o homem de costas/Está pronto para arruinar com suas mãos para o céu/E a menina no canto esta pranteando todos/Ela pode te matar com um piscar de olhos", tendo ao final deste Katana destruindo um mostro que aparenta ser feito de algum material orgânico e Arlequina dando uma piscadela para o Pistoleiro.
Após mais uma aparição do Coringa (vemos muitas no decorrer do trailer), a música segue com a Dra. Harley Quinzel caindo e seu alter-ego sendo eletrocutado, a exploradora June Moon aspirando algo e Bumerangue provocando El Diablo com um isqueiro e este usando seus poderes. Coringa ressurge com o rosto meio chamuscado (acho eu!) e usando uma granada de fumaça e se despedindo, com sequência de tiros. O trecho é bem assim: "Oh yeah, foi elétrico, de forma totalmente héctica/E a banda começou sair, porque todos eles pararam de respirar". Fechando com uma sequência onde Pistoleiro provoca El Diablo a usar seus poderes, este o usa e impressiona Arlequina e Katana, e termina com Pistoleiro se desculpando.
O trailer em si não possui uma narrativa sequencial certa, bem como aconteceu com os trailers de "Batman vs. Superman: A Origem da Justiça" (quem viu o filme sabe o que estou falando), mas como nos outros trailers, David Ayer (Corações de Aço), roteirista e diretor do filme, não entrega o enredo. O que pode-se desconfiar é que eles encararam o Coringa e Magia, mas existe algo mais, como as sequências do metrô que aparecem de forma bem breve, dessa vez. Os monstros aos quais vê-se Capitão Bumerangue e Katana destruindo parecem ser feitos de um material que pode muito bem ser coisa da Magia ou do outro inimigo que eles terão. No site IMDb temos o nome do ator Jim Parrack (Corações de Ferro) relacionado a Jonny Frost, personagem criado por Brian Azzarello e Lee Bermejo para a graphic novel "Joker" (dezembro de 2008). Ele é mencionado como um "pseudo Coringa". Qual a extensão disso, não temos como saber ainda. Bem como o ator e rapper Common (Selma: Uma Luta Pela Igualdade) relacionado como Monster T - quando clica é levado ao personagem Tatuagem, criado por Geoff Johns e Ethan Van Sciver na revista "Green Lantern" #9 (abril de 2008) -, mas sem maiores revelações sobre sua aparição.
Muito mistérios cercam este filme estrelado por Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Cara Delevingne, Jared Leto, Joel Kinnaman, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Jai Courtney, Jay Hernandez, Adam Beach e Karen Fukuhara, tendo participação especial de Ben Affleck, mas até agosto quem sabe eles não serão desvendados.

domingo, 3 de abril de 2016

RESENHA HQ: LJA: Terra 2 (DC Comics Coleção de Graphic Novels Volume 13 da Eaglemoss).

LJA: TERRA 2 (DC Comics Coleção de Graphic Novels Volume 13 da Eaglemoss).

Roteiros: Grant Morrison, Gardner Fox
Desenhos: Frank Quitely, Carmine Infantino
Arte-final: Joe Giella
Título original: JLA: Earth 2

Em meio a uma região de plantações, um casal se depara com uma nave caindo do céu e dentro dela sai um homem que se intitula sendo Lex Luthor.
Depois um avião, que sofre um problema em um de seus motores, é socorrido pela Liga da Justiça. Quando eles pousam o avião, descobrem que as pessoas dentro dele estão mortas e, mais estranho ainda, seus corações batem com mais força do lado direito.
Essa é, mais ou menos, a premissa de LJA: Terra 2, escrita por Grant Morrison e desenhada por Frank Quitely. Na história, o Luthor de uma Terra que existe no Universo de Anti-Matéria, vai à – assim ele intitula – Terra 2 para convocar a Liga da Justiça para ajudá-lo a enfrentar o Sindicato do Crime. O Sindicato é formado por semelhanças malignas da Liga, como Luthor era uma heroica do inimigo do Superman. Ultraman, Coruja, Superwoman, Relâmpago e Anel Energético tinham suas origens próprias, mas tinham poderes que se assemelhavam aos de Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash e Lanterna Verde, então os cinco viajam com Luthor para a Terra Anti-Matéria. Eles conseguem ajudar Luthor, mas um fator inesperado ocorre e o Sindicato vai para Terra 2, só que percebem que as coisas não serão tão fáceis como eles imaginam e que aquilo que os fazem diferentes na sua Terra pode não ser igual na Terra 2.
Essa história faz parte da fase de Morrison na Liga da Justiça, que havia iniciado em JLA #1 (janeiro de 1997). Ela, na minha humilde opinião, teve altos e baixos constantes. Morrison, desde que a iniciou, buscou criar inimigos que sempre fossem a altura da Liga da Justiça, mas nem sempre acertava. Hiperclan, “Esquadrão da Vingança” e Gangue da Injustiça, foram algumas dessas tentativas de dar-lhes inimigos que se aproximassem de seus poderes, mas as histórias eram com várias falhas de continuidade e com explicações espalhafatosas. LJA: Terra 2 não foi diferente.
Quando você inicia a leitura da história, parece bem interessante e as explicações parecem ser bem interessantes. A ação é bem desenvolvida, mas quando começa a parar para pensar nos acontecimentos que o enredo segue, raciocina sobre acontecimentos não explicados. Sem contar que a motivação final, o grande vilão da história chega ser estranho ser um grande vilão.
Eu sempre sofro preconceitos por não gostar de tudo que Morrison escreve, pois eu sempre encontro problemas na forma como ele narra as histórias, sempre vejo os pontos negativos de suas histórias. Preciso sempre me justificar, dizendo que gosto de “Asilo Arkham”, “Homem-Animal”, – comecei a gostar muito – “Patrulha do Destino” e “Grandes Astros Superman”, mas o cara é falho. Ele tem ideias conturbadas sobre certos aspectos do Universo Unificado DC que não funcionam ou que fogem muito daquilo que fora estabelecido. Sei que muitos adoram o que ele faz e que vende (sinceramente, não sei como) muito, e também sei que não somente ele falha, mas tentarem me convencer que o cara é um excelente roteirista, que escreve tão bem quanto outros, aí é querer demais de mim.
As falhas das histórias se unem com a “arte gordinha” do Frank Quitely. Sério, achei legal vê-la em “Grandes Astros Superman”, mas ela não combina com a Liga da Justiça. As mulheres ficam com aparência masculinizada, os homens parecem estranhos e deformados, exagerados. Com certeza alguns devem ficar maravilhados com a arte de Quitely, mas eu acho muito descaracterizado para uma história da Liga da Justiça.
A história teve uma adaptação em vídeo intitulada “Liga da Justiça: Crise em Duas Terras” com roteiro de Dwayne McDuffie e direção de Sam Liu e Lauren Montgomery. A adaptação tem certas diferenças de roteiro e de enredo, mas eu considero melhor do que a graphic novel.

Na sequência das histórias, vemos a história “O Flash de Dois Mundos”, escrita por Gardner Fox e desenhada por Carmine Infantino e Joe Giella. A história é o começo do Multiverso DC na década de 1960, pois unia o Flash (Jay Garrick) da Era de Ouro com o Flash (Barry Allen) da Era de Prata dos Quadrinhos. A forma simples de escrevê-la era típica da época da história. Nela, em uma apresentação para crianças, Flash vibra tanto que vai parar na Terra-2, onde encontra seu ídolo de infância, Jay Garrick, o Flash da Era de Ouro. Jay já está velho e aposentado da carreira de super-herói há algum tempo. Mas a chegada de Barry em sua Terra o faz retornar ao velho traje, e na hora certa, pois três dos seus vilões planejam grandes assaltos, depois de saírem da prisão.
É legal ver como o Multiverso DC surgiu, pois você sempre fica pensando de onde veio essa ideia de se criar vários universos e o motivo da necessidade disso. No decorrer de sua história, a DC Comics comprou várias editoras, bem como deixou de lado muitos personagens. Com isso os vários universos foram surgindo, Terra-2, Terra-3, Terra-S, Terra-X, e assim por diante.
Outro ponto interessante da história é uma coisa que já se via em outras histórias da DC, a necessidade de colocar a nossa Terra como uma Terra de super-heróis. Assim faziam uso da metalinguagem, ou seja, os roteiristas e desenhistas interagiam com os personagens nas histórias. Viu-se isso em histórias de Eléktron, do Batman, do Superman e do Flash. Em determinado momento os roteiristas e desenhistas adentravam nos quadrinhos para ajudar ou serem ajudados pelos super-heróis. Isso foi usado várias vezes depois, em vários momentos e em outras editoras.
A próxima edição trará a história “Superman/Batman: Supergirl”, onde o roteirista Jeph Loeb e o desenhista Michael Turner (1971-2008) trazem de volta Kara Zor-El, prima do Superman, em uma história que os leva a Apokolips a enfrentar Darkseid.
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