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terça-feira, 29 de março de 2016

RESENHA HQ: O Fantasma: O Tesouro do Fantasma (The Phantom: The Phantom’s Treasure).

O FANTASMA: O TESOURO DO FANTASMA (The Phantom: The Phantom’s Treasure).

Roteiro: Lee Falk
Arte: Ray Moore
Editora: King Features Syndicate (BR: Pixel Media)
Ano: 1940 (BR: 2015)
Pág.: 128

O Fantasma é um dos primeiros heróis mascarados dos quadrinhos. Criado por Lee Falk (1911-1999) e Ray Moore (1905-1984) em 1936 para as tiras de jornais da King Features Syndicate, ele protagonizava aventuras cheias de suspense e ação, ao lado dos Bandar, do seu lobo Capeto e do seu cavalo Espírito. Suas tias faziam companhia a de outros personagens como Popeye, o Marinheiro (criado por Elzie Crisler Segar em 1929), Mandrake, o Mágico (criado por Falk e Phil Davis em 1934), Flash Gordon (criado por Alex Raymond em 1934), Príncipe Valente (criado por Hal Foster em 1937), entre tantos outros.
Sua história é tão lendária quanto ele. Seu primeiro ancestral, após um naufrágio causado por piratas em 1536, jurou sobre o crânio de seu pai que levaria justiça contra o crime e a pirataria, fazendo surgir o primeiro Fantasma, o Espírito-Que-Anda. A história de Falk começa a ser contada a partir do 21º Fantasma.
Nos seus 63 anos escrevendo histórias do Fantasma para tiras de jornal (ele somente cessou após falecer em 1999), Lee Falk contou várias histórias, entre elas sobre o roubo do tesouro do Fantasma.
A história foi publicada pela primeira vez nas tiras diárias de 1940 e depois recebeu uma encadernação em 1948 pela Frew Publications. Nela Fantasma chega a Caverna da Caveira e descobre que seu tesouro fora roubado. Na frente da Caverna encontra quatro membros da tribo dos Bandar mortos a tiros. Ele então parte, ao lado de seu lobo Capeto, para descobrir quem roubou seu tesouro e para encontra-lo.
A história tem um clima de tensão bem típico das tias de jornais. Sempre ao final de quatro quadros, vinha uma mensagem – ou não – falando da próxima tira ou deixando um suspense no ar. Lógico que essa magia se perde quando lemos seguidamente a história, mas percebe-se que muitas situações se desenrolam de forma que lhe deixa intrigado como eram desenvolvidas as histórias daquela época. Por momentos vemos a possibilidade de um desfecho terrível para o Fantasma, mas ele conseguia se salvar no último momento com a solução bem fora do contexto, mas que pareceria plausível, já que ele tem conhecimento da floresta e dos costumes que cercam as tribos que o adoram e o seguem. Falk desenvolveu o personagem como um grande aventureiro e hábil atirador, mas sempre resolvendo as coisas na base dos socos, se possível, pois a arma somente era usada para desarmar o adversário. Sabe-se da marca da caveira, por menção de determinado personagem, mas não existe aquela aproximação para vermos a famosa marca que ficava estampada no rosto dos bandidos.
Outra característica era a arte da época. Ao contrário de hoje em dia, onde músculos bem delineados em uniformes colantes são vistos constantemente, Ray Moore não se preocupa com isso. Os rostos caricatos dos bandidos, com seus queixos proeminentes, suas barbas por fazer ou suas aparências de idiotas musculosos é constantemente visto na arte de Moore. O Fantasma, ao contrário, tem uma aparência imponente, mesmo quando usa seu sobretudo, chapéu, óculos escuros e cachecol (típicos para manter sua identidade em segredo). Isso é uma coisa interessante do Fantasma, pois sempre foi um personagem envolto de mistério. Enquanto outros personagens sempre revelavam sua identidade secreta, mostrando o rosto ou somente usando um óculos de grau, o Fantasma se escondia. Quando seu rosto aparecia, ou melhor, não aparecia, pois ele sempre era desenhado de costas, não mostrando a identidade de Kitty Walker em nenhum momento.

Ler “Fantasma: O Tesouro do Fantasma” é fazer uma viagem no tempo e conhecer mais esse personagem que encanta e fascina até os dias de hoje.