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sábado, 5 de março de 2016

RESENHA HQ: Batman: Morte em Família (Coleção DC Comics de Graphic Novels Volume 11 da Eaglemoss).

BATMAN: MORTE EM FAMÍLIA (Coleção DC Comics de Graphic Novels Volume 11 da Eaglemoss).

Roteiro: Jim Starlin, Doug Moench
Desenhos: Jim Aparo, Don Newton
Artes-finais: Mike DeCarlo, Alfredo Alcala
Título-original: Batman: Death in the Family

Eu sei que é meio repetitivo, mas vários personagens pós-Crise nas Infinitas Terras tiveram recomeços contados de formas distintas. Superman era filho-órfão de um planeta estéril e sem muitas emoções, Mulher-Maravilha ganhou seus dons das deusas olímpicas, além da capacidade de voo de Hermes, e assim por diante. Alguns eram pequenos detalhes que se alteravam, como a inclusão do filme “A Marca do Zorro” na criação do Batman ou a mudança de segunda Canário Negro como uma das fundadoras da Liga da Justiça da América (a Mulher-Maravilha ainda não havia vindo ao Mundo do Patriarcado).
As mudanças não ficaram restritas somente aos grande personagens, mas também aos seus ajudantes, como foi o caso do segundo Robin, Jason Todd.
Antes de Crise nas Infinitas Terras, Jason era filho de trapezistas, como Dick Grayson, mas terminou perdendo seus pais que foram assassinados pelo Crocodilo. Bruce então se torna tutor do jovem e com Dick deixando o uniforme de Robin de lado e se tornando Asa Noturna, o Batman percebeu que precisava de um parceiro e treinou Jason, que se tornou o segundo Menino-Prodígio.
A mudança na sua história foi muito radical, pois Jason agora era um menor de rua que tenta roubar as rodas do Batmóvel. Pego em flagrante, Batman decide levá-lo para sua mansão e adotá-lo. Dick abandonara o uniforme e se tornara o Asa Noturna, então Batman decide que seu novo pupilo será seu parceiro e o treina, dando-lhe o traje de Dick e tornando-o o segundo Robin.
Só que nesta nova visão sobre Jason, os roteiristas o veem como atrevido, indisciplinado e imprudente. Ele não é totalmente obediente ao que Bruce o ordena fazer nos momentos de ação, sempre tomando a frente e, às vezes, quase morrendo.
Uma das justificativas dadas pelos roteiristas era que ele, por ter tido uma carga de problemas na vida – sua mãe morrera devido a uma doença grave, seu pai era um capanga do Duas-Caras e terminou assassinado por seu chefe, ele era um menor de rua e larápio – tornara-se uma pessoa difícil de se “adestrar” (isso sou eu, nenhum roteirista usou essa terminologia).
Quando começamos a ler “Morte em Família”, escrita por Jim Starlin e desenhada por Jim Aparo, percebemos isso no comportamento de Jason Todd. Ele age como se não houvesse um dia seguinte, como se estivesse sempre no limite, sempre desobedecendo às ordens que lhes são passadas. Ele age insensatamente, sem refletir sobre suas ações.
“Batman: Morte em Família” se tornou um dos arcos de histórias mais importantes para o Homem-Morcego, exatamente por mostrar que a vida do Batman é um extremo de ações que sempre o põe e aos seus parceiros na ponta de uma faca ou sobre a mira de uma arma. Fica difícil não soltar spoilers sobre essa história, já que ela é extensamente conhecida entre os leitores e não-leitores de quadrinhos, já que as imagens que estampam as capas de encadernados sempre possui a “pietà” de Batman com Jason Todd. O interessante é aonde isso leva o Cavaleiro das Trevas, qual seu futuro depois de mais essa tragédia que assola sua vida. Como ele ficou após os acontecimentos que ocorrem em “Morte em Família”.
A história começa como citei acima, com Jason agindo insensatamente, então Bruce decide retira-lo da ação. Com isso, o menino-prodígio decide vagar aleatoriamente e vai parar no Beco do Crime, onde morava com seu pai e sua mãe. Lá lhe entregam uma caixa contendo algumas fotos e coisas de seu pai e suas, como sua certidão de nascimento. Ele então descobre que a mulher que ele achava ser sua mãe, na verdade, era sua madrasta. Então ele parte em busca de sua verdadeira mãe, sozinho.
Termina encontrando com o Batman em Beiture, pois o Cavaleiro das Trevas encontra-se no encalço do Coringa, que fugira do Arkham e planeja uma venda de artefatos militares para terroristas. Quando eles detêm o Coringa, saem em busca das mães de Jason e, ao final, ao encontra-la, a tragédia ocorre.
Em um dos momentos mais memoráveis dos quadrinhos, que eu equipararia à morte de Gwen Stacy, vemos uma das cenas mais chocantes e mais tensas que, mesmo sem total exposição, já choca. A covardia, a agressividade, a insanidade que ela contém, expõe o tamanho da loucura e do prazer pela morte que o Coringa possui.
Bem próximo ao final, Batman sai ao encalço do vilão, mas é impedido, pois o Coringa ganhara mais poder do que poderia imaginar ter. Batman termina ficando entre o desejo de vingança e os impedimentos legais.
Não quero continuar, pois o final é muito interessante e empolgante, também. Um dos aspectos que mais impressiona nessa história foi a forma como Jim Starlin vem abordando a temática de morte desde o primeiro momento, mencionando-a constantemente. Foi como se ele fizesse um processo catártico com o leitor, preparando-o para a grande decisão dele, de Dick Giordano e de Jim Aparo, de deixar os leitores decidirem o destino de Jason Todd na edição Batman #428 (janeiro de 1989). Na 427, a capa vinha estampada com o texto:
Robin fins his mother. And waiting is the Joker, planning a revenge that is swift, violent, terrible. Can Robin survive? You will decide. Details on inside back cover”.
Na contra-capa vinham dois números de telefones que as pessoas ligariam e decidiriam o destino de Jason Todd. Foi incrível como a decisão foi quase unanime e derradeira para o personagem. E, da mesma forma fatal para o resto da carreira do Cavaleiro das Trevas até o surgimento de Tim Drake, o terceiro Robin.
Naquela época, Batman acabara de sair das garras do Diácono Blackfire na minissérie “Batman: O Messias” (republicada pela Panini em 2007 na “Grandes Clássicos DC” #11), então os acontecimentos com Jason o deixaram mais abalado ainda.
“Batman: Morte em Família” é um arco de histórias em quatro partes que é – além de importante – um marco das histórias do Homem-Morcego. Muito bom e coube perfeitamente nessa coleção.
Já na segunda história do encadernado, apesar de mostrar a transformação de Jason Todd em Robin, não é o pano central dela. A história segue uma linha que Doug Moench já vinha desenvolvendo nos números anteriores de Detective Comics e Batman. A história possui várias vertentes, uma mostra Batman na América Central, em perseguição ao Coringa. Na outra, vemos o Comissário James Gordon acamado, lutando entre a vida e a morte. Em outra vemos Alfred descobrindo consequências de seu passado. Por conseguinte, terminamos vendo a transformação de Jason Todd em Robin. Mas percebe-se que não era o esperado pelo Batman, mesmo que o treinasse para ser seu parceiro, o Cavaleiro das Trevas não desejava que o jovem assumisse o legado deixado por Dick Grayson. A história foi publicada na Batman #366 (dezembro de 1983), desenhada por Don Newton e arte-finalizada por Alfredo Alcala. Meses depois, em Batman #368 (fevereiro de 1984), o Homem-Morcego admitiria Jason como o novo Robin. Uma das coisas interessantes a respeito do jovem filho dos trapezistas Joe e Trina Todd – assassinados pelo Crocodilo – é que ele era loiro.  Ele tingiu o cabelo para se tornar o novo Robin. Fato intrigante esse.
No volume 12 da coleção teremos a minissérie “Lex Luthor: O Homem de Aço”, de Brian Azzarello e Lee Bermejo. Sinceramente, não cheguei a ler o arco de histórias, mas pretendo fazê-lo, pois não pararei a coleção.
A Coleção pode ser adquirida em bancas, lojas especializadas e na Loja Eaglemoss na internet. Você também pode fazer a assinatura na Eaglemoss Collections, podendo ganhar muitos brindes legais.