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terça-feira, 29 de março de 2016

RESENHA HQ: O Fantasma: O Tesouro do Fantasma (The Phantom: The Phantom’s Treasure).

O FANTASMA: O TESOURO DO FANTASMA (The Phantom: The Phantom’s Treasure).

Roteiro: Lee Falk
Arte: Ray Moore
Editora: King Features Syndicate (BR: Pixel Media)
Ano: 1940 (BR: 2015)
Pág.: 128

O Fantasma é um dos primeiros heróis mascarados dos quadrinhos. Criado por Lee Falk (1911-1999) e Ray Moore (1905-1984) em 1936 para as tiras de jornais da King Features Syndicate, ele protagonizava aventuras cheias de suspense e ação, ao lado dos Bandar, do seu lobo Capeto e do seu cavalo Espírito. Suas tias faziam companhia a de outros personagens como Popeye, o Marinheiro (criado por Elzie Crisler Segar em 1929), Mandrake, o Mágico (criado por Falk e Phil Davis em 1934), Flash Gordon (criado por Alex Raymond em 1934), Príncipe Valente (criado por Hal Foster em 1937), entre tantos outros.
Sua história é tão lendária quanto ele. Seu primeiro ancestral, após um naufrágio causado por piratas em 1536, jurou sobre o crânio de seu pai que levaria justiça contra o crime e a pirataria, fazendo surgir o primeiro Fantasma, o Espírito-Que-Anda. A história de Falk começa a ser contada a partir do 21º Fantasma.
Nos seus 63 anos escrevendo histórias do Fantasma para tiras de jornal (ele somente cessou após falecer em 1999), Lee Falk contou várias histórias, entre elas sobre o roubo do tesouro do Fantasma.
A história foi publicada pela primeira vez nas tiras diárias de 1940 e depois recebeu uma encadernação em 1948 pela Frew Publications. Nela Fantasma chega a Caverna da Caveira e descobre que seu tesouro fora roubado. Na frente da Caverna encontra quatro membros da tribo dos Bandar mortos a tiros. Ele então parte, ao lado de seu lobo Capeto, para descobrir quem roubou seu tesouro e para encontra-lo.
A história tem um clima de tensão bem típico das tias de jornais. Sempre ao final de quatro quadros, vinha uma mensagem – ou não – falando da próxima tira ou deixando um suspense no ar. Lógico que essa magia se perde quando lemos seguidamente a história, mas percebe-se que muitas situações se desenrolam de forma que lhe deixa intrigado como eram desenvolvidas as histórias daquela época. Por momentos vemos a possibilidade de um desfecho terrível para o Fantasma, mas ele conseguia se salvar no último momento com a solução bem fora do contexto, mas que pareceria plausível, já que ele tem conhecimento da floresta e dos costumes que cercam as tribos que o adoram e o seguem. Falk desenvolveu o personagem como um grande aventureiro e hábil atirador, mas sempre resolvendo as coisas na base dos socos, se possível, pois a arma somente era usada para desarmar o adversário. Sabe-se da marca da caveira, por menção de determinado personagem, mas não existe aquela aproximação para vermos a famosa marca que ficava estampada no rosto dos bandidos.
Outra característica era a arte da época. Ao contrário de hoje em dia, onde músculos bem delineados em uniformes colantes são vistos constantemente, Ray Moore não se preocupa com isso. Os rostos caricatos dos bandidos, com seus queixos proeminentes, suas barbas por fazer ou suas aparências de idiotas musculosos é constantemente visto na arte de Moore. O Fantasma, ao contrário, tem uma aparência imponente, mesmo quando usa seu sobretudo, chapéu, óculos escuros e cachecol (típicos para manter sua identidade em segredo). Isso é uma coisa interessante do Fantasma, pois sempre foi um personagem envolto de mistério. Enquanto outros personagens sempre revelavam sua identidade secreta, mostrando o rosto ou somente usando um óculos de grau, o Fantasma se escondia. Quando seu rosto aparecia, ou melhor, não aparecia, pois ele sempre era desenhado de costas, não mostrando a identidade de Kitty Walker em nenhum momento.

Ler “Fantasma: O Tesouro do Fantasma” é fazer uma viagem no tempo e conhecer mais esse personagem que encanta e fascina até os dias de hoje.

quinta-feira, 24 de março de 2016

RESENHA CINEMA: Batman vs. Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016).

BATMAN VS. SUPERMAN: A ORIGEM DA JUSTIÇA (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016).

Direção: Zack Snyder
Roteiro: David S. Goyer, Chris Terrio
Elenco: Henry Cavill, Ben Affleck, Amy Adams, Gal Gadot, Jesse Eisenberg, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Diane Lane, Holly Hunter, Scoot McNairy, Tao Okamoto, Callan Mulvey, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Joe Morton, Michael Shannon.

Dois anos se passam desde a destruição de Metrópolis nas mãos dos kriptonianos e a aparição mundial do Superman (Henry Cavill). As pessoas não sabem o que pensar, principalmente os senadores dos Estados Unidos, que liderados pela Senadora Finch (Holly Hunter), vem investigando as ações do Homem-de-Aço pelo mundo.
Muitas vidas se perderam na tragédia e muitos revoltados surgiram, também, dispostos a degradar a imagem do Superman, por não achar que ele tenha lugar na Terra e nem como herói da humanidade. Entre eles está Lex Luthor (Jesse Eisenberg), um homem disposto a tudo para conseguir infringir algum mal ao Homem-de-Aço.
Enquanto isso, do outro lado da baía, Gotham City se vê, novamente, aterrorizada por Batman (Ben Affleck), que vem investigando um mercenário russo, possível conexão com alguém – ou algo – chamado o Português Branco. Acreditando que isso tenha ligação a Lex Luthor, no alter ego Bruce Wayne, ele vai a uma festa na casa do milionário de Metrópolis e se depara com Clark Kent e com uma misteriosa e bela mulher (Gal Gadot). Clark está intrigado com o vigilante de Gotham e como Superman decide confrontá-lo, iniciando uma guerra entre eles cujo o fim pode ser catastrófico para um deles.
Não quero narrar o filme, pois é importante vê-lo. Ele é a realização de uma mera brincadeira que Snyder fez anos atrás com Frank Miller na SDCC, questionando se poderia dirigir “The Dark Knight Returns”. Sim, tem muita coisa de TDKR no filme, mas não esperem um filme do Batman, como os trailers cuspiam para nós, pois é um filme do Superman. Ele é o centro das atenções nessa extensão de “O Homem de Aço” (2014).
Não é uma continuidade, é uma extensão, pois parte do momento que Metrópolis conseguiu se reerguer. Batman retornou, pois deseja algo que pode ajudá-lo em um futuro próximo, e Lex Luthor está completamente desnorteado, pois um homem consegue ser mais poderoso do que ele jamais será.
O filme mantém um ritmo de ação, de tensão constante, tanto que você não sente ele passar, pelo contrário, se surpreende com cada momento, cada cena que foi posta nos trailers são momentos que lhe deixam extasiados, pois a montagem dos trailers não chegam nem perto do que é o filme de verdade... e acreditem, os trailers não contam o final do filme, nem chegam perto disso. O lance é que, depois da sessão, fiquei com uma sensação de vazio.
Sou declaradamente batmaníaco, DCnauta, um grande fanboy – as vezes prefiro referir a mim mesmo como fandom – da DC Comics, então ver esse filme... sair daquela sessão, me deixou com uma sensação de entorpecimento inicial, depois veio o vazio. Não sei se foi por fazer a contagem regressiva ou se foi por ver a realização de um sonho, mas eu fico pensando “o que mais pode-se se fazer de melhor do que isso?”... tá, eu sei que teremos “Liga da Justiça”, em breve, mas “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” é a superação de uma expectativa. Tem referências quadrinhísticas fantásticas, tem aparições especiais bombásticas. O filme todo é uma grande realização (sim, estou me repetindo).
Quanto a “critica especializada” que vem detonando o filme por ter referências aos quadrinhos, não ser animado e nem colorido, sinceramente, deveriam continuar fazendo críticas de outros filmes, pois eles estão longe da capacidade de criticar um filme de super-heróis, pois falta-lhes a compreensão que um filme deste tipo não precisa ter cores ou ser animado, tendo piadas escatológicas. Um filme de super-herói tem de ter um ritmo de ação constante, com momentos intrigantes e impactantes, que causem ao espectador a reação catártica necessária para determinado momento. Existem momentos de “alívio cômico”, graças as brincadeiras irônicas de Alfred, interpretado magistralmente por Jeremy Irons, mas nada estrondoso demais devido ao clima do filme.
É um filme tenso, pois por mais que Batman saiba que não tem condições de encarar o Superman, ele não desiste da ideia que precisa derrotá-lo. A interação entre Affleck e Cavill é uma sintonia sem igual e digna. Seus momentos de encontro jorram uma eletricidade estática constante. A interação de Affleck e Gadot também é muito sintonizada e mesmo a israelita não sendo um fenômeno como atriz, ela não decai em sua atuação. Sua sede de guerreira é também muito bem interpretada, deixando seu momento de tela bem caracterizado. Já Amy Adams demonstra que nasceu para ser Lois Lane. Ela é um dos pontos altos do filme, pois está em cena constantemente, demonstrando ser a parte que humaniza o Superman. Mas do outro lado também temos a maravilhosa Diane Lane interpretando Martha Kent. São as mulheres da vida de Clark Kent/Kal-El/Superman, que são sempre necessárias para motiva-lo a continuar sendo quem ele é.
Já no lado do vilão, palmas pela interpretação de Jesse Eisenberg. Ele não faz somente um milionário sociopata, ele faz um lunático com tendências terroristas afloradas. Manipulador, excêntrico, determinado, o Luthor de Eisenberg lhe deixa atônito, pois você nunca pode imaginar do que ele é capaz de fazer. Ele lhe deixa surpreso com o que faz, pois vai além de tudo que nossa vã imaginação poderia presumir. Ele demonstra que é capaz de jogar o melhor amigo na fogueira para conseguir seu objetivo. Ele é absurdamente insano e imoral (na falta de adjetivos melhores). Não precisavam de outro vilão, pois ele é o auge da vilania nesse filme, e não podemos considerar Apocalypse um vilão, pois ele é uma máquina de destruição.
Como nos quadrinhos, ele foi feito para se adaptar e destruir. Não formarei mais comentários sobre o monstro, mas não tirem da cabeça o que leram e viram nos quadrinhos, pois Apocalypse é aquilo que testemunhamos em “A Morte do Superman”, um monstro que destrói tudo a sua volta.
“Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” não é o auge dos filmes de super-heróis, mas depois de vê-lo, você fica com a sensação de que Zack Snyder cumpriu bem sua missão de levar o encontro do século para os cinemas. Como coloquei em outra postagem do blog, o encontro poderia ter acontecido outras vezes, mas esse é o momento mais acertado para isso, pois estamos no cume de lançamentos de filmes de super-heróis e “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” é, definitivamente, o topo de tudo isso, fazendo-me refletir que o que virá depois disso será mais grandioso e extasiante, mas não se igualará ao ver dois dos maiores ícones dos quadrinhos nesse encontro memorável.

ECN ANALISA: Legado na DC, isso ainda existe? - Parte 3

Antes de ler a terceira parte, leia a primeira aqui e a segunda aqui.
Dick Grayson se recusa a assumi-lo, levando Timothy – agora tutelado pelo Batman, pois perdera seu pai durante a minissérie Crise de Identidade – Wayne a vestir o traje. Infelizmente, Jason Todd também decidiu assumir o manto, e durante uma briga entre os dois, Tim terminou derrotado. Após derrotar Jason, Dick assume – relutantemente – o legado do Batman, tendo ao seu lado Damian Wayne – filho de Bruce Wayne e Talia Al Ghul, filha de Ra’s Al Ghul – como o novo Robin.

Quando Bruce Wayne retornou – ele não morrera, só tinha sido enviado no tempo – não retirou o traje de Dick Grayson, mas além de criar a Corporação Batman, voltou a ser o Cavaleiro das Trevas.
A Batgirl também teve um legado. Após Crise nas Infinitas Terras, somente Barbara Gordon havia assumido o traje de Batgirl, mas ela terminou ficando paraplégica, graças a uma bala em sua coluna, disparada pelo Coringa. Babs – amo chama-la assim – tornou-se Oráculo, uma hacker que conecta todos os super-heróis e, principalmente, as Aves de Rapina, grupo que ela lidera.
Durante a saga Terra de Ninguém, outra mulher vestiu um traje e se autointitulou Batgirl. Descobriu-se que era a Caçadora – Helena Bertinelli, filha de um mafioso de Gotham que decidiu se tornar vigilante, mas devido sua forma de agir, nunca foi bem quista pelo Batman. Quando Caçadora abandona o traje, ele é dado a Cassandra Cain – filha do mercenário Cain, que no futuro seria responsável por incriminar Bruce Wayne, a mando de Lex Luthor –, uma jovem que não sabia falar, pois aprendera somente a lutar.
Com o retorno de Stephanie Brown – descobrira que ela não havia morrido, mas sim estava escondida pela Dra. Leslie Thompkins, amiga dos pais de Bruce e conhecedora de sua dupla identidade –, esta assumiu o manto de Batgirl, enquanto Cassandra se tornou a Black-Bat.
Quando Hal Jordan retornou dos mortos, ficaram existindo cinco Lanternas Verdes da Terra: Alan Scott, Hal Jordan, John Stewart, Guy Gardner e Kyle Rayner. Assim sendo, alguns foram relocados para Oa – com exceção de Alan Scott, pois ele não faz parte da Tropa dos Lanternas Verdes, pois seu anel tem outra origem – enquanto Hal Jordan permaneceu como Lanterna Verde do Setor 2814.
Já quando Barry Allen retornou dos mortos, Wally West continuou como Flash, com um uniforme mais escuro. Ficaram três Flash’s: Jay Garrick, Barry Allen e Wally West. Em certo momento, devido a um envelhecimento precoce que ocorrera em Crise Infinita, Bart Allen também ocupou a vaga de Flash, pois Wally West desaparecera. Ele terminou morto pela Galeria de Vilões, liderada pelo Inércia, mas Bart retornou posteriormente na minissérie Legião dos 3 Mundos, durante a saga Crise Final, e voltou a honrar o legado como Kid Flash.
Depois que Novos 52 iniciou, muito dos legados que permearam por anos no Universo DC – que voltara a ser Multiverso DC depois de Crise Infinita – foram esquecidos ou deixados de lado. Poucos foram os personagens que tinham legados estabelecidos. Entre eles estavam personagens da – nova – Terra-2. Com a morte de Superman, Batman e Mulher-Maravilha, novos heróis surgiram para manter seu legado de luta contra as hordas de Steppenwolf, um dos generais de Darkseid.
A prima do Superman, Poderosa – ela tinha uma versão pré-Novos 52 que ficou sem definição durante anos, até que em Crise Infinita ela voltou a ser considerada como prima do Superman da Terra Dois – e a filha do Batman, Caçadora – antes de Crise nas Infinitas Terras, Caçadora era filha do Batman da Terra Dois – continuaram o trabalho de seus mentores como heroínas, até serem transportadas para a Terra Primordial.
Jason Todd sucedera Dick Grayson como Robin, mas Timothy Drake nunca se tornou o parceiro do Batman, agindo por conta própria como Robin Vermelho. O sucessor de Jason Todd foi Damian Wayne. As formas como John Stewart – ele foi escolhido pelos Guardiões para fazer parte da Guarda de Honra dos Lanternas Verdes –, Guy  Gardner – foi escolhido pelo anel dos Lanternas Verdes, mas terminou abandonando-o para se tornar membro da Tropa dos Lanternas Vermelhos – e Kyle Rayner – foi escolhido pelos anéis de várias Corporações e terminou se tornando o Lanterna Branco – se tornaram membros da Tropa do Lanternas Verdes foi alterada. Somente Hal Jordan seguira o legado de seu antecessor, Abin Sur, como Lanterna Verde do Setor 2814 – ele nunca conhecera Alan Scott, pois esse se tornou Lanterna Verde na Terra-2.
Bart Allen na verdade é Bar Torr, um criminoso juvenil do século XXX, enviado para o século XXI sem memória, em um programa para proteção de testemunhas do futuro. Ele ganhara seus poderes durante o tempo que era criminoso, mas quando viu sua irmã quase morta, decidiu ir contra aqueles para quem trabalhava e foi sentenciado à morte por causa disso pelo Funcionário e seus agentes, os Purificadores. Amnésico, achando que era parente de Barry Allen, adotou o traje de Kid Flash e começou a agir como um super-herói velocista. Terminou recrutado pelo Robin Vermelho para ser membro do grupo Novos Titãs.
Percebe-se que o sentido de legado no atual Multiverso DC continua a existir, mas de forma mais diminuída e em um sentido bem diferente da representação anterior  do que era antes. Enquanto antes um herói adotava o nome de seu predecessor e buscava honrar o que este nome representava para os outros, no atual Multiverso DC – principalmente na Terra Primordial e na Terra-2 – busca-se somente honrar o legado de luta pela justiça. Não existe uma força no nome Superman como existia antes.
Personagens como Superboy, Supergirl e Aço - Steel em inglês -, usavam o “S” no tórax e buscavam honrar o que aquilo representava, o legado que aquele símbolo representava. Quando Tim tentou assumir o traje do Batman, ele tentou manter acesa a representação do que o Batman era, o mesmo ocorreu depois com Dick Grayson. Quando Wally West assumiu o traje de seu tio, sentiu o peso que era usar aquele uniforme e o nome Flash, pois havia um enorme legado deixado por seu mentor. O mesmo acontecera com Connor Hawke quando ele decidiu se tornar o novo Arqueiro Verde, pois as exigências eram muitas e ele achou que não conseguiria manter o legado de seu pai.
Quando Kyle Rayner se tornou o Lanterna Verde, percebeu que não era somente usar o anel. Tinha mais por trás daquele instrumento e do nome que ele carregava. Assim era com todos que assumiam o lugar de outro herói. Assim foi com Capitão Marvel Jr. Quando ele foi selecionado por Capitão Marvel para assumir seu lugar, já que este se tornará o mago na Pedra da Eternidade. O mesmo acontecera com Hector Hall quando ele assumiu o elmo de Nabu e se tornou o Senhor Destino.
O legado era algo mais carregado de nuances do que na atualidade. Tinha o peso do nome, o peso do símbolo e o peso do que tudo aquilo representava. Quando seu antecessor dizia “tudo bem” ou então “gostei de você usar meu nome”, significava como um batismo. Quando isso não ocorria, as coisas ficavam mais complicadas, pois você não sabia se estava honrando o que assumira.

Talvez um dia vejamos isso ocorrer novamente. Talvez isso ocorra mais breve do que pensamos, já que um dos objetivos de Rebirth, como Geoff Johns mencionou, é elevar novamente o legado dos super-heróis. Mas se não ocorrer, se buscar algo que não reascenda isso dentro no Multiverso DC, será uma perda que levou anos de formação – pré e pós-Crise nas Infinitas Terras – e que fará sempre muita falta.

terça-feira, 22 de março de 2016

ECN Analisa: Como poderia ser Batman vs. Superman no decorrer dos anos?

“Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” estreia nos cinemas brasileiros em 24 de março com enorme expectativa para que esse seja um filme épico.

Não é um momento qualquer da história do cinema de super-heróis, mais um momento aguardado há anos.
As especulações que tal encontro aconteceria seguem desde que em 2007, no filme “Eu sou a Lenda”, com Will Smith, anunciava em um cartaz que ambos se encontrariam em um filme em 2010. Nessa época, “Batman Begins” (2005) e “Superman Returns” (2006), já haviam estrelado. “Batman Begins” trazia o ator Christian Bale no papel de Bruce Wayne/Batman, sob a direção de Christopher Nolan, enquanto “Superman Returns” colocava o ator Brandon Routh como Clark Kent/Superman, tendo a direção de Bryan Singer. A ideia perdurou, mas somente seis anos depois vemos o encontro acontecer com os atores Ben Affleck no papel de Bruce Wayne/Batman e Henry Cavill como Clark Kent/Superman, sob a direção de Zack Snyder (O Homem de Aço).
Bem, tudo bem que a ideia chega ser recente para esse encontro, mas tanto Superman quanto Batman são personagens icônicos que habitam os quadrinhos, seriados, animações e filmes há mais de 75 anos.
Superman, por exemplo, surgiu em junho de 1938 na revista Action Comics #1, dando início a Era dos Super-heróis nos quadrinhos. Batman só viria a surgir quase um ano depois, em maio de 1939, na revista Detective Comics #27.
A primeira vez que ambos ganharam personalidades em carne e osso foi nos filmes seriados para as matinês. Nessas cinesséries nenhum dos dois foram pioneiros, mas Batman foi o primeiro a ganhar uma dessas séries pela Columbia Pictures em 1943, tendo Lewis Wilson como o cruzado encapuzado. A série durou 15 episódios com – mais ou menos – 17 minutos, cada. Em 1948, Superman chegava aos filmes seriados com Kirk Alyn atuando como o Homem de Aço. Batman voltaria um ano depois em “Batman & Robin”, tendo o ator Robert Lowery no papel do bilionário/vigilante.
Partindo desse momento, pensemos como seriam os encontros, no passar desses anos, de atores que chegaram a atuar como Superman e Batman nos cinemas e seriados:

1951
A Columbia Pictures decide chamar o diretor Spencer Gordon Bennet para dirigir 15 episódios de um filme seriado que seria estrelado por ambas as estrelas da National Periodicals, Batman e Superman. Bennet, acostumado com Kirk Alyn no papel de Clark Kent/Superman, o chamaria para mais essa cinesserie. Além disso, Bennet chamaria Robert Lowery – com quem ele trabalhara em 1948 – para viver, novamente, Batman. Na trama, Bruce Wayne vai ao Estrela Diária fingindo interesse no seu investimento, pois é um dos acionistas do jornal, mas na verdade deseja encontrar o Superman, pois um dos seus contatos no governo o comunicara que uma ilha remota do Pacífico foi dominada por um cientista louco que pretende usá-la como ponto estratégico para instalação de bombas nucleares, na intenção de atacar os EUA. Ele pede que Lois Lane (Noel Neill) avise o Superman para encontrar com o Batman no telhado do Estrela Diária. Dali, ambos partem para a ilha, que descobrem ser habitada por amazonas, que foram escravizadas pelo cientista. Contando com a ajuda da princesa delas, eles eliminam a ameaça e prendem o vilão, libertando as amazonas no processo.
A ideia das amazonas e uma princesa delas seria uma forma de introduzir Diana na história, mas caso ela não pudesse atuar em um filme seriado, não precisaria nomea-la. O cientista poderia ou não ser Luthor, dependeria somente dos produtores da cinesserie.

1967
Seria um feito incrível, muito no estilo “O que Aconteceria Se...”, da Marvel Comics, mas digamos que em 1959 o ator George Reeves não tivesse cometido suicidio e permanecesse vivo. Em 1967, ele teria 53 anos, mas não teria caído no esquecimento, pois as pessoas ainda lembrariam dele como o Superman/Clark Kent da série de TV “The Adventures of Superman” (1952-1958). William Dozier estaria no topo do sucesso com a série televisiva Batman (1967-1968), estrelada por Adam West e Burt Ward como Batman/Bruce Wayne e Robin/Dick Grayson, respectivamente.
Digamos que Dozier quisesse fazer um segundo filme com a dupla dinâmica, mas para isso iria querer a presença do Superman. Então ele chamaria Reeves para o papel, trazendo-o de volta a ativa. Reeves, West e Ward estrelariam esse filme encarando o Senhor Frio, que roubara o diamante polar do Museu de Metrópolis. Então, Superman iria à Gotham pedir ajuda à dupla dinâmica para desvendar o mistério desse assalto e eles descobririam que Sr. Frio teve ajuda do filho de Brockhurst, o mago, para entrar e sair do museu sem ativar alarmes. Esse filho de Brockhurst quer vingança pelo pai e desejava que Sr. Frio construa uma arma de gelo que ajude-o a congelar o Superman para sempre.
Brockhurst, o mago, vivido pelo ator Leonard Mudie (1883-1965), chegou a participar de dois episódios da série “Adventures of Superman”, por isso coloquei um filho dele. Já o Sr. Frio ficou fora do primeiro filme do Batman, então seria interessante lança-lo melhor nesse. A dupla dinâmica, nesse filme, permaneceria, pois durante anos eram ambos, West e Ward, associados à dupla dinâmica.

1991
No ano de 1991 a revista World’s Finest Comics completava 50 anos. Mesmo que desde 1986 ela tivesse parado de circular, foi um marco, pois a revista trazia histórias do Batman e do Superman que, mesmo não se encontrando no interior da revista, estampavam as capas de várias edições.
Então digamos que o diretor Tim Burton topasse dirigir esse encontro clássico entre os dois personagens – sem suas ideias assombrosas para Superman Lives – e chamasse o estimado – e eterno – Christopher Reeves (1952-2004) para viver, mais uma vez, Superman/Clark Kent, bem como o grandioso Gene Hackman para ser Lex Luthor. Michael Keaton retornaria ao traje do Batman.
A premissa seria que Luthor, cansado de atuar em Metropolis e ser impedido pelo Superman, decide se mudar para Gotham City, lar do Batman. Quando vai se instalar nos esgotos de Gotham, se depara com a figura assombrosa do Pinguim, um ser diminuto e com aparência deformada, tendo nadadeiras no lugar de mãos. Ambos então se unem e inicia-se parte do enredo de Batman Returns, com Luthor apoiando Pinguim a se tornar prefeito de Gotham. Batman descobre a perfídia de ambos e envia uma mensagem ao Planeta Diário, pedindo ajuda do Superman para deter os dois, iniciando uma parceria para deter os vilões..
Em 1992, Batman Returns chegaria aos cinemas, por isso fazer uso de parte do seu enredo não seria tão absurdo. Um encontro entre Keaton e Reeve seria algo que os fãs ficariam loucos para ver, mas conhecendo Burton pela sua forma de contar histórias, com certeza veríamos a tenebrosa história de Oswald Cobblepot sendo transmitida na tela grande.

2010
Em 2005, o diretor Christopher Nolan e o roteirista David S. Goyer iniciaram a trilogia de maior sucesso da DC. Hoje conhecida como “Dark Knight Trilogy” (ou Trilogia do Cavaleiro das Trevas, em português), eles reiniciaram Batman com chave de ouro. Seguindo por um aspecto mais realista, eles conseguiram desnvolver um começo primoroso para Batman, Comissário Gordon e tantos outros.
Em 2006, o diretor Bryan Singer buscou reviver os momentos fantásticos de Superman (1978) e Superman II (1980) com “Superman Returns”. Mesmo com atores como Kevin Spacey e Frank Langella, e boa atuações de Brandon Routh e Kate Bosworth, o filme foi um desastre nas bilheterias, arrecadando somente US$ 200.081.192, nos EUA (custou à Warner US$ 270 milhões). Com isso, Singer não seria nem cogitado para esse encontro, mas Nolan e Goyer, com certeza.
O filme poderia partir do final de “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, onde Batman é considerado o culpado pela morte de policiais e pela morte do promotor Harvey Dent. Clark e Lois ficam sabendo de um enigmático assassino em série que vive em Gotham e pode estar ligado ao caso de mortes em Metrópolis, também. Clark aproveita a visita à Gotham e investiga sobre o Batman, se deparando com ele. Depois de um breve confronto, eles se unem para tentar encontrar o misterioso Charada, um homem que sempre mata as pessoas, dando a chance de serem salvas graças a enigmas bem complexos.
Fugiria um pouco do tom de realidade que Nolan criara para Batman, mas serviria para envolver ambos os personagens na mesma história, sem contar que poderia alavancar a carreira do ator Brandon Routh, que não conseguiu muito sucesso em “Superman Returns”.
Se cada um desses filmes tivessem ocorrido em suas devidas épocas – minhas sugestões de roteiros não precisariam ser seguidas – teríamos um encontro épico para cada era determinada. Mas, de certa forma, ainda bem que eles não ocorreram, pois o impacto desse encontro neste ano se tornou algo que muitos imaginaram, muitos presumiram, mas não tinham a ideia de como seria.

“Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” estreará com todas as expectativas de que esse encontro poderia ter acontecido antes, só que agora o momento é acertado e devidamente bem vindo. 

sábado, 19 de março de 2016

RESENHA HQ: Lex Luthor: O Homem de Aço (DC Comics Coleção de Graphic Novels Volume 12 da Eaglemoss).

LEX LUTHOR: O HOMEM DE AÇO (Coleção DC Comics de Graphic Novels Volume 12 da Eaglemoss).

Roteiro: Brian Azzarello, Jerry Siegel
Desenhos: Lee Bermejo, Joe Shuster
Arte-final: Mick Gray, Karl Story, Jason Martin, Paul Cassidy
Título original: Lex Luthor: Man of Steel

Lex Luthor é o ser humano mais arrogante, prepotente e sociopata que já habitou o Universo DC. Sua inteligência se iguala a sua megalomania, sua vontade de ser o melhor entre todos os humanos. Ele é capaz de vender o melhor amigo para conseguir o que deseja. Mas, as vezes, ele demonstra uma fagulha de humanidade, e é nesse ponto que Azzarello trabalha, mostrando esse lado humano de Luthor.
Na história, Luthor decide construir uma nova torre em Metrópolis, que permitirá ver a cidade de todos os lados, além de ser um grande recurso para a ciência. Mas para termina-la ele precisa contar com o sindicato da construção civil, que parece criar dificuldades, pois a intenção de Luthor é que a torre seja um local de livre acesso, sem fins lucrativos. Além disso, Luthor resgata um cientista para ajudá-lo em sua mais nova criação, Esperança, uma super-heroína que ajuda a cuidar de Metrópolis e faz competição ao Superman. Mas os planos de Luthor são mais escusos e com o objetivo de atingir àquele que ele mais odeia em todo o mundo, pois em sua opinião ele tornou a humanidade obsoleta: Superman.
Na história temos ainda a participação especial do Cavaleiro das Trevas, que termina encarando o kriptoniano em um momento bem distinto e com extensa ligação à Luthor.
Mesmo que Azzarello nos mostre o quanto Luthor pode ser baixo para alcançar seus objetivos, ele o coloca com dilemas que o levam a isso. Azzarello lhe dá um lado humano que sempre fica nas entrelinhas dos outros roteiristas, pois ele demonstra o rancor de Luthor pela existência do Superman em palavras. Seus lamentos, sua raiva, seu sentimento de impotência perante a generosidade do Homem de Aço. Mas Azzarello também mostra um lado mais arredio do Superman, parecendo um acossador de Luthor, sempre vigiando-o, ficando de frente a janela do escritório do empresário.

A arte de Lee Bermejo é, como sempre, um trabalho único. No sentindo de Luthor, ele o desenha de forma mais serena, deixando-o mais suave, enquanto o Superman ganha um tom mais obscuro e sombrio (bem diferente da forma que desenvolvera o Homem de Aço em Batman: Noel). Gosto quando ele arte-finaliza seus trabalhos, mas a ajuda de Mick Gray, Karl Story e Jason Martin vieram a calhar no processo, e as cores de Dave Stewart deram o toque aprimorado do sisudo Superman e do altivo Lex Luthor.
Ver um pouco de humanidade em Luthor sempre faz bem, mas eu aprendi a sempre desconfiar do personagem e, quando ele chega no limiar de sua humanidade e sociopatia, percebe-se que foi feito um ótimo trabalho com ele. Ou seja, Azzarello acertou em cheio com esse trabalho.
Na segunda história vemos o surgimento do vilão na Era de Ouro dos quadrinhos, criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, Luthor ainda ostentava os cabelos ruivos que viria a perder histórias depois. Na história, ele detém um armamento militar e deseja fazer uso dele jogando uma não contra a outra, gerando uma guerra na qual somente ele se beneficiaria. Superman então se vê obrigado a enfrenta-lo, sendo que, também, precisa salvar Lois de um sequestro. O que se percebe na história é o nível de violência que Superman usa contra seus adversários, fugindo do estereótipo de “Escoteiro”.
“Lex Luthor: O Homem de Aço” é mais uma edição da coleção da Eaglemoss que vale muito a pena adquirir, ler e colocar na estante.
No próximo volume teremos LJA: Terra Dois, escrito por Grant Morrison e desenhado por  Frank Quiteli. O arco é bem elogiado pela crítica e pelos leitores.

A coleção ainda pode ser adquirida em bancas, lojas especializadas e no site do Eaglemoss Brasil na internet. Ou você pode fazer a assinatura que dá brindes exclusivos.

sexta-feira, 11 de março de 2016

RESENHA HQ: A Última Caçada de Kraven (Spider-Man: Kraven’s Last Hunt)

A ÚLTIMA CAÇADA DE KRAVEN (Spider-Man: Kraven’s Last Hunt)

Roteiro: J.M. DeMatteis
Desenhos: Mike Zeck
Arte-Final: Robert McLeod
Editora: Marvel Comics (BR: Panini Books)
Ano: 2007 (BR: 2015)
Pág.: 148

Kraven – ou Sergei Kravinov ou Sergei Nikolaievich Kravinoff – surgiu em Amazing Spider-Man #15 (agosto de 1964) como um entediado caçador de raridades que vai à Nova Iorque caçar o Homem-Aranha para colocá-lo em sua coleção. Ele consegue encarar o Cabeça-de-Teia graças a elixires que ingere e lhe dão força, agilidade e velocidade incríveis. Por anos ele buscou superar o Aranha, mas sempre sem sucesso. Chegou a ser membro do Sexteto Sinistro, grupo de super-vilões que se juntaram para derrotar o Aracnídeo, mas nunca tiveram sucesso.
Kraven sempre se mostrou um vilão obstinado por derrotar o Homem-Aranha e em “A Última Caçada de Kraven” mostra até onde vai essa sua obstinação. Em termos ele “mata” o Aracnídeo e toma seu lugar, só que uma aberração canibal aterroriza as ruas de Nova Iorque.
Falar que ele “mata” o Aranha não entrega nem um terço da história, pois esse nem é o ponto importante da história contada por J.M. DeMatteis e desenhada por Mike Zeck. Os pontos importantes são a loucura e as dúvidas que pairam nos pensamentos de Kraven e do Homem-Aranha, respectivamente.
Ao ler a história comecei a suspeitar que a ideia dos elixires e ervas que Kraven ingere para enfrentar suas presas o levam à insanidade, à loucura. Suas crenças de se tornar aquele que ele caça para superá-lo, deixa-o totalmente lunático.
Sem contar que a história contem três visões diferentes de animalidade. O homem que ganhou poderes de um animal, o homem que precisa sentir-se um animal e o homem que se tornou um animal. É muito legal ver como DeMatteis trabalha essas ideias na história.
Constantemente vemos, também, conflitos do consciente com o sub-consciente, ideias e conjecturas numa batalha sem fim, buscando uma verdade ilusória que move os personagens a terem a esperança de algo melhor.

Eu comprei “A Última Caçada de Kraven” por mera curiosidade, pois sempre li e ouvi muitos elogios a respeito da história. Então, depois de lê-la, compreendi o que motivava as pessoas aos elogios. A história é um emaranhado de surpresas  que as pessoas precisam ler para compreender.

quinta-feira, 10 de março de 2016

RESENHA SÉRIES: Agente Carter (Marvel’s Agent Carter. 2016)

AGENTE CARTER (Marvel’s Agent Carter. 2016).

Roteiros: Lindsey Allen, Tara Butters, Sue Chung, Chris Dingess, Brandon Easton, Brent Englestein, Michele Fazekas, Jose Molina, Eric Pearson.
Produção: Tara Butters, Jim Chory, Chris Dingess, Louis Esposito, Michele Fazekas, Kevin Feige, Alan Fine, Stan Lee, Jeph Loeb. Christopher Markus, Stephen McFeely, Joe Quesada.
Direção: Jennifer Getzinger, Metin Hüseyin, David Platt, Lawrence Trilling, Craig Zist.
Elenco: Hayley Atwell, James D’Arcy, Enver Gjokaj, Chad Michael Murray, Dominic Cooper, Wynn Everett, Reggie Austin, Bridget Regan, Lesley Boone, Currie Graham, Lotte Verbeek, Kurtwood Smith, Matt Braunger, Ken Marino, Ray Wise, Sarah Bolger.

Peggy Carter (Hayley Atwell) voltou para uma segunda temporada, agora com dez episódios. Dessa vez ela desembarca em Los Angeles, Califórnia, onde reencontra vários conhecidos e busca desvendar um novo mistério.
Em Los Angeles, a SSR (sigla para Reserva Científica Estratégica, em inglês) da Costa Oeste é liderada por Daniel Sousa (Enver Gjokaj) que pede ao chefe da sede em Nova Iorque, o agente Jack Thompson (Chad Michael Murray), ajuda para um caso extremamente estranho. Este envia Peggy, que após capturar a agente russa Dottie Underwood (Bridget Regan), terá de assumir esse novo caso.
Chegando em Los Angeles, Peggy é recepcionada por Jarvis (James D’Arcy), o fiel mordomo de Howard Stark (Dominic Cooper). Inicialmente o caso é de uma moça que morreu congelada em um lago congelado, mas Carter descobre que existe muito mais por trás disso tudo, só que envolve uma organização de pessoas poderosas que podem destruir sua carreira e de todos a sua volta. Mas como é típico de Peggy Carter, ela não esmorece.
Contando com a ajuda de Sousa, Jarvis, Stark, Dr. Samberly (Matt Braunger), Rose (Lesley Boone) e Dr. Jason Wilkes (Reggie Austin), Peggy descobre que uma organização conhecida como o Conselho, apoia testes nucleares e pretendem fazer uso da matéria escura, uma anomalia que pode devorar tudo a sua volta, extensamente pesquisada pela brilhante cientista e atriz Whitney Frost (Wynn Everett).
Não posso entrar em mais detalhes para não dar spoilers, mas mais uma vez “Marvel’s Agent Carter” se mostrou uma série excelente. A trama é bem elaborada, Hayley Atwell se mostra cada vez mais afeiçoada a personagem, tem vilões muito interessantes, desdobramentos inesperados. Sinceramente – como ainda não estreou Luke Cage, Punho de Ferro e Most Wanted – é a terceira melhor série da Marvel Studios.
A mudança de ares para Peggy Carter só lhe trouxe mais desenvoltura, pois ela não é tratada somente como uma mulher que trabalha com homens, ela é levada mais a sério. Isso sem contar que mais atrizes fortes são apresentadas.
Além de Peggy e da espião russa Dottie, temos a cientista e atriz Whitney Frost – interpretada brilhantemente por Wynn Everett – que faz o papel antagonista nessa nova trama. Ela demonstra ser um gênio comparado a todos os outros cientistas que surgem na série, tanto que para superá-la é necessário que Stark, Samberly e Wilkes trabalhem juntos, ou seja, são três mentes buscando a superação de uma.
Outra personagem forte é a esposa de Edwin Jarvis, Ana Jarvis (Lotte Verbeek), que demonstra ser uma mulher espontânea e que apoia o marido constantemente, mesmo que se preocupe com ele nas aventuras ao lado de Peggy.
Também temos o retorno da atendente Rose (Lesley Boone), que fez breves aparições na primeira temporada, mas nessa tem uma participação muito especial, além de fazer par romântico com Dr. Samberly.
Temos também a breve participação da enfermeira Violet (Sarah Bolger), noiva do Chefe Sousa, que tem extrema importância para o desenrolar da trama.
Além de Whitney Frost, temos outros vilões que trabalham ao seu lado, como seu marido Calvin Chadwick (Calvin Graham), candidato a senador da Califórnia. O capanga Joseph Manfredi (Ken Marino), que faz trabalhos sujos para a organização na qual Chadwick e ligado e cujo líder é o empresário Hugh Jones (Ray Wise), que desenvolve ogivas nucleares em sua empresa.
Com a ampliação de episódios, a série pode explorar também mais o personagem Edwin Jarvis, mostrando mais momentos engraçados com ele e, até mesmo, de tensão. Bem como colocar mais uma pitada de humor com o personagem Dr. Samberly, que mesmo sendo um gênio, passa despercebido na SSR por viver enfurnado em seu laboratório.
Mesmo sendo independente dos acontecimentos das outras séries e dos filmes da Marvel Studios, “Marvel’s Agent Carter” faz uma grande ligação a “Marvel’s Agent of S.H.I.E.L.D.”. Além de mostrar a matéria escura – assistam a terceira temporada de MAoS –, também mostra que o Conselho, ao qual Chadwick, Jones e o agente do FBI Vernon Masters (Kurtwood Smith) fazem parte é a mesma que vem atormentando Coulson e seu time na atual temporada.

“Marvel’s Agent Carter” se estabeleceu e se tornou uma série única. Ela envolve tramas policiais, espionagens, romances, tendo vários toques de humor, suspense e até paranormalidade. Ela é feita para fãs de vários estilos, pois encontrarão sempre ação com um ótimo toque feminino que somente Peggy Carter pode dar.