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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

RESENHA CINEMA: Deadpool (2016).

DEADPOOL (2016)
Direção: Tim Miller
Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick
Elenco: Ryan Reynolds, Morena Baccarin, T.J. Miller, Ed Skrein, Gina Carano, Stefan Kapičić, Brianna Hidelbrand, Jed Rees.
Vou começar essa resenha de uma forma bem diferente: Eu não gosto do Deadpool.
Acho que a forma como a Marvel o promoveu ao status de mega-foda-anti-herói foi exagerada, pois o personagem não tem carisma e nem charme para se tornar um personagem de tanto destaque, nem nos quadrinhos ou qualquer outra mídia. Mas venhamos e convenhamos, seu filme é muito bom.
No enredo, vemos Wade Wilson (Ryan Reynolds) buscando vingança pelo que se tornara e por isso tê-lo afastado de sua namorada, a bela stripper Vanessa Carlysle (Morena Baccarin).
Wade era um mercenário que caça pessoas indicadas por Jack “Fuinha” Hammer (T.J. Miller), mas depois de ter um câncer difícil de curar, ele é selecionado por um recrutador (Jed Rees), dizendo ser capaz de curar seu câncer se ele se submeter a uma experiência gerenciada pelo mutante Francis “Ajax” Freeman (Ed Skrein). Este trabalha com a poderosa Angel Dust (Gina Carano), uma mutante extremamente forte.
Depois de ficar totalmente deformado, Wade busca por uma justiça usando armas de fogo e espadas. Ele se torna Deadpool. Na Escola para Jovens Superdotados de Charles Xavier, Colossus (Stefan Kapičić) deseja adicionar Deadpool aos X-Men e, por isso, parte com sua jovem pupila, Missil Adolescente Megassônico (Brianna Hidelbrand), atrás do mercenário, na intenção de convencê-lo a entrar no grupo.
Não vou ficar falando muito, pois o filme é muito bom e merece ser assistido. Ele trabalha metalinguagem, easter-eggs, besteirol de forma magnífica. As piadas vão além dos palavrões, muito presentes no filme, pois ele brinca com DC/Marvel o tempo inteiro, seja fazendo piadas com os personagens que Ryan Reynolds vivenciou em X-Men Origens: Wolverine (2009) e Lanterna Verde (2011), com Hugh Jackman – ator que fez Logan/Wolverine em quatro filmes do X-Men e em dois filmes do Wolverine – ou com personagens da Marvel e da DC Comics.

Tim Miller trabalha bem os momentos de humor, de ação e de comédia, interagindo entre si a todo momento. Existem momentos de drama, existem momentos de suspense e existe um enredo, uma motivação maior do que a ação desenfreada e a violência gratuita.
Sim, violência gratuita. O filme ganhou nos EUA a censura R (menores de 17 só podem ir acompanhado de pais e responsáveis, pois contém conteúdo adulto) e aqui no Brasil censura de 16 anos. Ele possui uma violência descarada, cenas de nudez extrema e palavrões constantes. Não que isso seja novidade nos cinemas brasileiros, pois filmes daqui têm isso constantemente, mas em geral isso é contido em filmes estrangeiros. O lance é que não rolou dessa vez, então a censura é totalmente necessária (não que isso vá fazer diferença, pois quando chegar em DVD, qualquer um poderá assistir). Bem, apesar de tudo isso que eu citei o filme não perde a sua qualidade, pelo contrário, isso só o deixa melhor.

Deadpool nos quadrinhos é um personagem ao extremo, em todos os sentidos. Ele ultrapassa as barreiras dos quadrinhos, interage com seus leitores (algo que acontece no filme, isso se chama metalinguagem, quando o personagem ultrapassa a “quarta parede”, agindo com o público), nas suas histórias não a violência contida, nem maneirações nos palavrões. O besteirol (forma escrachada de humor, com críticas sociais e políticas) sempre é parte das histórias também, sacaneando todo o Universo Marvel, constantemente.
O mais interessante é que Rhett Reese e Paul Wernick souberam trabalhar todos esses elementos de forma agradável, parecendo até mesmo espontaneidade e improviso de Ryan Reynolds. Quanto a Reynolds, ele está muito bem no papel. Ele consegue transformar as cenas e piadas em coisas que nem parecem fazer parte do roteiro. Sinceramente, eu vi o filme imaginando que tudo aquilo era puro e simples improviso. Foi fantástico.

“Deadpool” é um filme muito agradável para o público dos quadrinhos, dos filmes de ação e dos filmes de comédia. Você percebe até que existe um easter-egg com os filmes da Marvel Studios na luta final. Preste bastante atenção que perceberá.

Se todos irão gostar, se Deadpool dividirá opiniões, sinceramente eu não sei, mas o Box Office Mojo já registrou uma bilheteria de US$ 12.512.000 fora dos Estados Unidos. Até mesmo o filme dublado – ontem eu assisti assim – está muito bom. Apesar das gírias brasileiras, não se perde nenhum dos palavrões e das piadas escrachadas. É um filme para se contar na categoria de bons filmes baseados em quadrinhos.