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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

ECN ANALISA: Legado na DC, isso ainda existe? - Parte 1

No dia 18/02/2016, o Chefe-Criativo da DC Entertainment, Geoff Johns, deu uma entrevista exclusiva a um site de entretenimento falando a respeito do novo evento que acontecerá nas revistas da DC Comics: Rebirth.
Todas as revistas que serão publicadas no mês de maio e junho receberão o acréscimo do adido.
Durante a entrevista, Johns falou sobre a importância que a palavra Rebirth tem para ele, pois quando os co-editores da empresa, Dan DiDio e Jim Lee, foram para ele com esse título, ele tomou como o retorno de algo que haviam esquecido, deixado de lado, para trazer de volta, pois fora isso que ocorrera no passado com Flash “Allen” (que morrera ao enfrentar o Anti-Monitor durante “Crise nas Infinitas Terras”) e Lanterna Verde “Jordan” (que tornou-se Parallax, tentou fazer o mundo da forma como preferia em “Zero Hora” e se sacrificou durante o evento “Noite Final”, tornando-se, posteriormente, Espectro durante a minissérie “Dia do Julgamento”). Ambos foram “renascidos” por Johns em minisséries com o subtítulo Renascimento.

Mas além desse lance de renascimento, Johns mencionou uma palavra que muitos – dentre eles, este que vos escreve – sentem falta e percebem que poderá demorar para recomeçar a usá-la: LEGADO.
Antes que reclamem – possivelmente usarei muito a palavra nesse texto – vamos ao conceito de legado:

Legado²
Nome masculino
1.  Aquilo que se deixa por disposição testamentária a quem não é herdeiro legítimo; sucessão a título particular
2.  Aquilo que as gerações passadas transmitem às atuais
3.  Dádiva
(Do latim legātu-, «idem», particípio passado substantivado de legāre, «delegar; deixar em testamento»)

Então, basicamente, legado é quando você passa ao seu sucessor aquilo que lhe pertence, como um nome, por exemplo.
Depois do final de Crise nas Infinitas Terras, o Multiverso DC deixou de existir, surgindo o Universo Unificado. Para fazer algo coeso e com sentido, o roteirista Marv Wolfman, junto com o artista George Pérez, criou o livro “A História do Universo DC”. Nele Wolfman e Pérez estabeleceram a cronologia do Universo Unificado. Na primeira Era de Heróis, a Era de Ouro, homens com talentos diversos e poderes únicos se juntaram e formaram a Sociedade da Justiça da América. Flash, Lanterna Verde, Gavião Negro, Mulher-Gavião, Átomo, Sr. Incrível, Homem-Hora, Doutor Meia-Noite, Starman, Canário Negro, Johnny Trovoada, eram membros integrantes desse grupo. Na esteira da SJA, surgiu o Comando Invencível, Comando Jovem, Combatentes da Liberdade e os Sete Soldados da Vitória. Eram grupos que surgiam para combater a ameaça do nazismo. Mas, graças a Lança do Destino, que pertencia a Hitler, eles não conseguiam atravessar o Atlântico para levar o combate até o führer, dessa forma, o combate daquele lado ficou por conta do Esquadrão do Falcão Negro, o Sargento Rock e a Companhia Moleza, o Tanque Fantasma, Os Perdedores, o Soldado Desconhecido, o Comando Viking, o Comando Monstro, entre outros.
Na década de 1950, uma nova era começava e os heróis eram vistos como obsoletos. Então um decreto foi feito pelo Senado dos Estados Unidos da América proibindo os super-heróis de agirem. Caso o fizessem seriam presos e encarcerados. Um novo grupo surgiu, a Força-Tarefa X, também conhecido como Esquadrão Suicida. Na clandestinidade, os Desafiadores do Desconhecido enfrentavam perigos e ameaças que a humanidade desconhecia.
Demorou até a década de 1980, quando ouviu-se falar de um vigilante na cidade de Gotham, ele prendia os bandidos de forma rígida e, se necessário, quebrava alguns ossos. Ele se disfarçava de morcego, para assustar os bandidos. Mas quando um Superman surge em Metrópolis, vários outros super-heróis debutaram. Entre eles estavam Flash e Lanterna Verde. Mas eram novas pessoas, vestindo novos trajes e com novas origens. A partir desse momento, o conceito de legado se iniciou no Universo DC.
Também surgiu a Canário Negro, filha da Canário Negro original. Junto com Flash e Lanterna Verde, bem como Aquaman, um humano que podia respirar sob a água e se comunicar com a vida marinha, e J’onn J’onzz, um marciano com poderes incríveis, eles formaram a nova geração de grupo de super-heróis, a Liga da Justiça da América.
Os novos heróis e super-heróis também iniciam a adoção de parceiros. O primeiro é Batman que tem como parceiro Robin, o Menino Prodígio. Seu nome é Dick Grayson. Ele era um acrobata que fazia parte do trio com seu pai e sua mãe, intitulados Os Graysons Voadores. Depois de perdê-los, Bruce Wayne o adota e leva-o para sua mansão, iniciando seu treinamento para torná-lo seu parceiro, surgindo assim o Robin. Na esteira, Arqueiro Verde adota o jovem Roy Harper, um jovem criado em uma tribo navajo e exímio em arco-e-flecha. Roy se torna o Ricardito (ou Speedy, se preferirem).
A noiva de Barry Allen, Iris West, tem um sobrinho, Wally West, que deseja muito conhecer o Flash. Então a moça promove um encontro entre ambos, mas por uma força do destino, um raio atinge uma prateleira no laboratório criminal de Barry Allen, dando a Wally os mesmo poderes de seu ídolo. Então ele se torna Kid Flash. O jovem Garth era um ser anfíbio, como seu mentor, e também filho de um rei e um povo há muito esquecido. Ele foi criado pelo mago Atlan e quando conheceu Aquaman, tornou-se seu parceiro com o nome Aqualad.

A jovem Donna Troy tem uma das histórias mais complexas, pois ela fora criada pela feiticeira Magala para ser uma amiga de infância da princesa Diana, mas com personalidade própria. Mas depois de ser sequestrada pelo Anjo Negro, que a confundiu com a princesa, filha da rainha Hipólita, ela viveu várias vidas, em uma delas era perdera a mãe bem jovem e foi resgatada pela deusa Réia e levada a Nova Cronos, onde foi criada pelos Titãs e Titanides sobreviventes da Titanomaquia. Lá ela e mais onze outros orfãos dos cantos mais remotos do universo, foram criado para serem grandiosos guerreiros. Quando retorna à Terra, com treze anos, tudo que vivera em Nova Cronos lhe é tirado da memória e ela se torna a Moça Maravilha, usando os dons que ganhara. Esses cinco jovens formam, então, os Novos Titãs.
Na sequência, a morte de Barry Allen continua existindo. Ele se sacrifica pela humanidade ao nos salvar de uma ameaça durante uma grande Crise, de proporções apocalípticas. Em substituição, seu pupilo, Wally West, assume o seu traje e seu nome, se tornando um terceiro Flash. Mesmo assumindo o traje, demorou muito para Wally aceitar o legado deixado pelo seu tio – mesmo sem ligação sanguínea, Barry era tio de Wally, pois este era sobrinho de Íris, esposa de Barry –, ele teve de lutar muito para fazer a própria história e fugir da sombra do seu tio.
Hal Jordan também aposenta o anel e o passa para o engenheiro civil afro-americano John Stewart, mas os Guardiões não concordam com a sucessão e escolhem um outro para usar o anel, Guy Gardner. Então o Setor 2814 fica com dois Lanternas. Só que Stewart se aposenta do cargo, tempos depois, e Gardner volta a ser substituído por Hal Jordan, que briga com ele pelo anel e o vence.
Antes de isso tudo acontecer, durante o período que Stewart ficou com o anel, ele buscou honrar o legado que seu antecessor lhe passará. Fazendo de tudo para que o setor espacial que eles protegiam continuasse em paz.
Então Superman é morto durante uma briga contra o imbatível Apocalypse, um monstro que se adapta às lutas que entra, sempre superando seu adversário, não importando o quão forte ele seja. Com a morte de Superman, quatro novos heróis surgem: Aço, Superboy, Erradicador e Super-ciborgue. O último termina demonstrado ser um vilão, Hank Henshaw, um bandido que ganhou a capacidade de similar máquina ao seu corpo. Ele se une à Mongul e ambos destroem Coast City, lar de Hal Jordan, para construírem um novo Mundo Bélico. Derrotados por Superman ressuscitado e uma legião de super-heróis que se unem a ele, Mongul e o Super-Ciborgue desaparecem.
Com Coast City destruída, Hal Jordan enlouquece e tenta reconstruir sua cidade, mas é proibido pelos Guardiões, pois o poder do anel não pode ser usado de tal forma. Com isso, ele vai a Oa e drena toda a energia da Bateria Central, se tornando Parallax. Ganthet, único Guardião sobrevivente, decide forjar um novo anel e o entrega ao desenhista Kyle Rayner, que se torna o mais novo Lanterna Verde.

Kyle penou um pouco mais que Wally, pois Hal Jordan tinha uma história. Era o mais destemido da Tropa dos Lanternas Verdes, chegou a lidera-los quando os Guardiões abandonaram Oa para viver com as Zamaronas, sem contar que era um dos membros fundadores da Liga da Justiça da América. Com isso tudo pesando no seu ombro, Kyle buscou a aprovação não somente de Alan Scott, o primeiro Lanterna Verde, mas de pessoas como Batman e Superman. Ele buscou conselhos de John Stewart, o terceiro Lanterna Verde da Terra. Até mesmo Guy Gardner serviu como um orientador, mesmo vivendo seu momento anti-herói como Warrior.