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sábado, 27 de fevereiro de 2016

RESENHA FILMES: O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino (Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny, 2016)

O TIGRE E O DRAGÃO: A ESPADA DO DESTINO (Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny, 2016)

Direção: Woo-Ping Yuen
Roteiro: John Fusco
Elenco: Michelle Yeoh, Donnie Yen, Harry Shum Jr., Natasha Liu Bordizzo, Jason Scott Lee, Eugenia Yuan, Chris Pang, Juju Chan, Roger Yuan, Darryl Quon.

No ano de 2000, o diretor Ang Lee (As Aventuras de Pi) levou o livro do escritor chinês Du Lu Wang (1909-1977), “O Tigre e o Dragão”, aos cinemas. Era uma história sobre ficção chinesa baseada em aventuras marciais da China Antiga conhecida como Wuxia (Wu = marcial, militar, armada – Xia = honrosa, cavalheiresco, herói). Na história conhecemos a jovem Jen Yu (Ziyi Zhang), aprendiz da notória bandida Jade Fox (Pei-Pei Cheng), que demonstra querer aprender mais sobre o Wudang, uma seita de artes marciais que vivem nas montanhas Wudang. Sua mestra matara um grande mestre cujo um dos discípulos era o lendário Li Mu Bai (Yun-Fat Chow). Este a persegue desde então, buscando fazer justiça em nome de seu mestre.
Jen Yu é filha do governador Yu (Li Fazeng), e apaixonada pelo jovem ladrão Luo Xiao Hu (Chen Chang). Ela vai com seu pai visitar a residência do Sr. Te (Sihung Lung) e lá conhece Li Mu Bai e a guerreira Yu Shu Lien (Michelle Yeoh). Shu Lien é um amor antigo de Li Mu Bai, mas como fora prometida a outro homem, este nunca a cortejou. Li Mu Bai e Shu Lien foram à residência de Sr. Te para lhe levar a lendária Destino Verde, uma espada poderosa capaz de cortar o mais duro metal, sem perder o fio.
Destino Verde é roubada, fazendo Li Mu Bai e Shu Lien irem atrás da bandida que é ninguém menos que Jen Yu. Durante a fuga, Jen Yu tem a chance de aprender mais sobre o Wudang com Li Mu Bai, mas a traiçoeira Jade Fox não aceita que sua pupila saiba mais do que ela, então em um combate final, Li Mu Bai consegue fazer justiça pelo seu mestre, mas sucumbe à batalha, pois Fox usará dardos envenenados. Shu Lien leva a Destino Verde de volta a mansão do Sr. Te, pois este prometera que aquele presente seria guardado e protegido. Depois, Lien leva Jen Yu até a montanha Wudang, onde a jovem desiste do aprendizado e foge.

Àqueles que não assistiram “O Tigre e o Dragão” ainda, mil desculpas se dei algum spoiler, mas eu precisava contar essa história – parcialmente – para falar do novo filme baseado na pentalogia de Du Lu Wang. “O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino” é baseado no livro “Iron Knight, Silver Vase”, e nele passaram-se 18 anos desde a morte de Li Mu Bai. Shu Lien está a caminho da residência dos Te, para prestar suas homenagens à morte do governante, quando sua carroça é atacada pelos homens de Hades Dai (Jason Scott Lee), líder do Clã Lótus Ocidental, que deseja ser o governante do Mundo Marcial. Apesar de se sair bem sozinha, ela conta com a ajuda de um misterioso forasteiro que a ajuda.
Chegando a residência dos Te, Shu Lien descobre que Destino Verde encontra-se exposta na sala de Mestre Yu (Gary Young), pois um dos últimos desejos do seu pai era que a espada ficasse ali, para lembrar-lhe de dias mais nobres. Poucos são aqueles que sabem onde encontra-se Destino Verde, que para muitos encontra-se perdida. Então uma bruxa de olhos de prata (Eugenia Yuan), ao encontrar-se com o jovem Wei-Fang (Harry Shum Jr.), único sobrevivente do embate com Shu Lien, pede para que este a leve até Hades Dai e conta ao soberano onde a Destino Verde está e recomenda que Wei-Fang vá usurpá-la.
Durante a tentativa, Wei-Fang conhece a guerreira Vaso Nevado (Natasha Liu Bordizzo), mas é impedido por Shu Lien de levar o espólio. Vaso Nevado é aprendiz de uma antiga guerreira e deseja aprender mais sobre o Wudang – nesse filme é chamado de Caminho de Ferro – se tornando aprendiz de Shu Lien.
Com a tentativa de assalto da Destino Verde, Shu Lien acredita que seja hora de levar a espada para as montanhas Wudang, mas mestre Yu não concorda, então ela vê a necessidade de convocar um grupo de guerreiros para a proteção da Casa dos Te e da Destino Verde.
A mensagem chega a uma taverna, onde reúnem-se outros guerreiros do Wudang que se juntam para ir ajudar Shu Lien, liderados por Lobo Silencioso (Donnie Yen), um grande guerreiro que tem uma história com Shu Lien.
“O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino” é mais um daqueles filmes baseados na ficção chinesa que guarda a beleza na ação. É lindo ver as lutas, as batalhas de espadas, lanças, adagas, e todo tipo de instrumento que faz parte das artes marciais chinesas. Rever Michelle Yeoh de volta atuando como Yu Shu Lien é outra grande beleza deste filme. Ela é uma artista marcial fantástica. É um grande balé as cenas que ela luta, cada movimento captado pelas câmeras, cada golpe demonstra na sua precisão é de uma beleza sem tamanho.
Vemos nesse filme outro dos grandes artistas marciais da China, Donnie Yen.
Considerados por muito como um dos melhores, Donnie Yen mostra toda a graça e habilidade que possui. Jackie Chan é um dos atores chineses que já o elogiou abertamente. Outros destaques ficam para Jason Scott Lee fazendo o antagonista Hades Dai. Quem não conhece o ator, assista “Dragão: A História de Bruce Lee” (1993), onde ele atua como o ator sino-americano. As origens de Lee tem uma mistura de chinês e havaiano, o que o faz um ator perfeito nesse filme.
Outros com origens nada chinesas são o ator porto-riquenho Harry Shum Jr. e a atriz australiana estreante Natasha Liu Bordizzo. Shum ficou muito conhecido pelo seu personagem Mike Cheng na série de TV “Glee” (2009-2015). Já Bordizzo encara seu primeiro trabalho no cinema e se sai muito bem. Ambos demonstraram um excelente talento. Agora dá para entender o motivo de Shum ser um excelente dançarino em “Glee”.
Todas as tomadas de cenas com o “balé marcial” devem meu agradecimento ao diretor – e ator – chinês Woo-Ping Yuen. Ele já realizou trabalhos com Michelle Yeoh, Donnie Yen, Jet Li e Jackie Chan, e sua fantástica forma de captar cada movimento, cada momento, cada cena de criar impacto é maravilhoso. Uma coisa simples que poderia passar despercebida, ganha um impacto maior nas lentes dirigidas por Yuen.
Mas nem tudo são maravilhas em “O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino”, pois a poesia falada no idioma mandarim e cantonês se perde na tradução para o inglês. Sinceramente, uma das coisas lindas de “O Tigre e o Dragão” é os atores falarem no seu idioma original, sem as traduções grosseiras do inglês. Eu fico pensando como nomes iguais a “Vaso Nevado” e e “Lobo Silencioso” ficariam em mandarim ou cantonês. Não ver a terminologia Wudang sendo pronunciada chega ser estranho, pois era o caminho de Li Mu Bai e Yu Shu Lien, e é o que difere este tipo de filme dos estilos shaolin (são duas vertentes diferentes do wushu).
“O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino” é uma linda história de tradição, honra e lealdade. Mesmo àqueles que buscam o caminho errado, você testemunha um pouco de honradez entre eles. Testemunhar treze anos depois essa continuação é um prazer inenarrável e como está no Netflix, farei várias vezes seguidas.
Se possível assistam “O Tigre e o Dragão” primeiro – também está no Netflix – e depois testemunhem sua continuação, percebendo que uma boa continuação pode ser feita.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

ECN ANALISA: Legado na DC, isso ainda existe? - Parte 1

No dia 18/02/2016, o Chefe-Criativo da DC Entertainment, Geoff Johns, deu uma entrevista exclusiva a um site de entretenimento falando a respeito do novo evento que acontecerá nas revistas da DC Comics: Rebirth.
Todas as revistas que serão publicadas no mês de maio e junho receberão o acréscimo do adido.
Durante a entrevista, Johns falou sobre a importância que a palavra Rebirth tem para ele, pois quando os co-editores da empresa, Dan DiDio e Jim Lee, foram para ele com esse título, ele tomou como o retorno de algo que haviam esquecido, deixado de lado, para trazer de volta, pois fora isso que ocorrera no passado com Flash “Allen” (que morrera ao enfrentar o Anti-Monitor durante “Crise nas Infinitas Terras”) e Lanterna Verde “Jordan” (que tornou-se Parallax, tentou fazer o mundo da forma como preferia em “Zero Hora” e se sacrificou durante o evento “Noite Final”, tornando-se, posteriormente, Espectro durante a minissérie “Dia do Julgamento”). Ambos foram “renascidos” por Johns em minisséries com o subtítulo Renascimento.

Mas além desse lance de renascimento, Johns mencionou uma palavra que muitos – dentre eles, este que vos escreve – sentem falta e percebem que poderá demorar para recomeçar a usá-la: LEGADO.
Antes que reclamem – possivelmente usarei muito a palavra nesse texto – vamos ao conceito de legado:

Legado²
Nome masculino
1.  Aquilo que se deixa por disposição testamentária a quem não é herdeiro legítimo; sucessão a título particular
2.  Aquilo que as gerações passadas transmitem às atuais
3.  Dádiva
(Do latim legātu-, «idem», particípio passado substantivado de legāre, «delegar; deixar em testamento»)

Então, basicamente, legado é quando você passa ao seu sucessor aquilo que lhe pertence, como um nome, por exemplo.
Depois do final de Crise nas Infinitas Terras, o Multiverso DC deixou de existir, surgindo o Universo Unificado. Para fazer algo coeso e com sentido, o roteirista Marv Wolfman, junto com o artista George Pérez, criou o livro “A História do Universo DC”. Nele Wolfman e Pérez estabeleceram a cronologia do Universo Unificado. Na primeira Era de Heróis, a Era de Ouro, homens com talentos diversos e poderes únicos se juntaram e formaram a Sociedade da Justiça da América. Flash, Lanterna Verde, Gavião Negro, Mulher-Gavião, Átomo, Sr. Incrível, Homem-Hora, Doutor Meia-Noite, Starman, Canário Negro, Johnny Trovoada, eram membros integrantes desse grupo. Na esteira da SJA, surgiu o Comando Invencível, Comando Jovem, Combatentes da Liberdade e os Sete Soldados da Vitória. Eram grupos que surgiam para combater a ameaça do nazismo. Mas, graças a Lança do Destino, que pertencia a Hitler, eles não conseguiam atravessar o Atlântico para levar o combate até o führer, dessa forma, o combate daquele lado ficou por conta do Esquadrão do Falcão Negro, o Sargento Rock e a Companhia Moleza, o Tanque Fantasma, Os Perdedores, o Soldado Desconhecido, o Comando Viking, o Comando Monstro, entre outros.
Na década de 1950, uma nova era começava e os heróis eram vistos como obsoletos. Então um decreto foi feito pelo Senado dos Estados Unidos da América proibindo os super-heróis de agirem. Caso o fizessem seriam presos e encarcerados. Um novo grupo surgiu, a Força-Tarefa X, também conhecido como Esquadrão Suicida. Na clandestinidade, os Desafiadores do Desconhecido enfrentavam perigos e ameaças que a humanidade desconhecia.
Demorou até a década de 1980, quando ouviu-se falar de um vigilante na cidade de Gotham, ele prendia os bandidos de forma rígida e, se necessário, quebrava alguns ossos. Ele se disfarçava de morcego, para assustar os bandidos. Mas quando um Superman surge em Metrópolis, vários outros super-heróis debutaram. Entre eles estavam Flash e Lanterna Verde. Mas eram novas pessoas, vestindo novos trajes e com novas origens. A partir desse momento, o conceito de legado se iniciou no Universo DC.
Também surgiu a Canário Negro, filha da Canário Negro original. Junto com Flash e Lanterna Verde, bem como Aquaman, um humano que podia respirar sob a água e se comunicar com a vida marinha, e J’onn J’onzz, um marciano com poderes incríveis, eles formaram a nova geração de grupo de super-heróis, a Liga da Justiça da América.
Os novos heróis e super-heróis também iniciam a adoção de parceiros. O primeiro é Batman que tem como parceiro Robin, o Menino Prodígio. Seu nome é Dick Grayson. Ele era um acrobata que fazia parte do trio com seu pai e sua mãe, intitulados Os Graysons Voadores. Depois de perdê-los, Bruce Wayne o adota e leva-o para sua mansão, iniciando seu treinamento para torná-lo seu parceiro, surgindo assim o Robin. Na esteira, Arqueiro Verde adota o jovem Roy Harper, um jovem criado em uma tribo navajo e exímio em arco-e-flecha. Roy se torna o Ricardito (ou Speedy, se preferirem).
A noiva de Barry Allen, Iris West, tem um sobrinho, Wally West, que deseja muito conhecer o Flash. Então a moça promove um encontro entre ambos, mas por uma força do destino, um raio atinge uma prateleira no laboratório criminal de Barry Allen, dando a Wally os mesmo poderes de seu ídolo. Então ele se torna Kid Flash. O jovem Garth era um ser anfíbio, como seu mentor, e também filho de um rei e um povo há muito esquecido. Ele foi criado pelo mago Atlan e quando conheceu Aquaman, tornou-se seu parceiro com o nome Aqualad.

A jovem Donna Troy tem uma das histórias mais complexas, pois ela fora criada pela feiticeira Magala para ser uma amiga de infância da princesa Diana, mas com personalidade própria. Mas depois de ser sequestrada pelo Anjo Negro, que a confundiu com a princesa, filha da rainha Hipólita, ela viveu várias vidas, em uma delas era perdera a mãe bem jovem e foi resgatada pela deusa Réia e levada a Nova Cronos, onde foi criada pelos Titãs e Titanides sobreviventes da Titanomaquia. Lá ela e mais onze outros orfãos dos cantos mais remotos do universo, foram criado para serem grandiosos guerreiros. Quando retorna à Terra, com treze anos, tudo que vivera em Nova Cronos lhe é tirado da memória e ela se torna a Moça Maravilha, usando os dons que ganhara. Esses cinco jovens formam, então, os Novos Titãs.
Na sequência, a morte de Barry Allen continua existindo. Ele se sacrifica pela humanidade ao nos salvar de uma ameaça durante uma grande Crise, de proporções apocalípticas. Em substituição, seu pupilo, Wally West, assume o seu traje e seu nome, se tornando um terceiro Flash. Mesmo assumindo o traje, demorou muito para Wally aceitar o legado deixado pelo seu tio – mesmo sem ligação sanguínea, Barry era tio de Wally, pois este era sobrinho de Íris, esposa de Barry –, ele teve de lutar muito para fazer a própria história e fugir da sombra do seu tio.
Hal Jordan também aposenta o anel e o passa para o engenheiro civil afro-americano John Stewart, mas os Guardiões não concordam com a sucessão e escolhem um outro para usar o anel, Guy Gardner. Então o Setor 2814 fica com dois Lanternas. Só que Stewart se aposenta do cargo, tempos depois, e Gardner volta a ser substituído por Hal Jordan, que briga com ele pelo anel e o vence.
Antes de isso tudo acontecer, durante o período que Stewart ficou com o anel, ele buscou honrar o legado que seu antecessor lhe passará. Fazendo de tudo para que o setor espacial que eles protegiam continuasse em paz.
Então Superman é morto durante uma briga contra o imbatível Apocalypse, um monstro que se adapta às lutas que entra, sempre superando seu adversário, não importando o quão forte ele seja. Com a morte de Superman, quatro novos heróis surgem: Aço, Superboy, Erradicador e Super-ciborgue. O último termina demonstrado ser um vilão, Hank Henshaw, um bandido que ganhou a capacidade de similar máquina ao seu corpo. Ele se une à Mongul e ambos destroem Coast City, lar de Hal Jordan, para construírem um novo Mundo Bélico. Derrotados por Superman ressuscitado e uma legião de super-heróis que se unem a ele, Mongul e o Super-Ciborgue desaparecem.
Com Coast City destruída, Hal Jordan enlouquece e tenta reconstruir sua cidade, mas é proibido pelos Guardiões, pois o poder do anel não pode ser usado de tal forma. Com isso, ele vai a Oa e drena toda a energia da Bateria Central, se tornando Parallax. Ganthet, único Guardião sobrevivente, decide forjar um novo anel e o entrega ao desenhista Kyle Rayner, que se torna o mais novo Lanterna Verde.

Kyle penou um pouco mais que Wally, pois Hal Jordan tinha uma história. Era o mais destemido da Tropa dos Lanternas Verdes, chegou a lidera-los quando os Guardiões abandonaram Oa para viver com as Zamaronas, sem contar que era um dos membros fundadores da Liga da Justiça da América. Com isso tudo pesando no seu ombro, Kyle buscou a aprovação não somente de Alan Scott, o primeiro Lanterna Verde, mas de pessoas como Batman e Superman. Ele buscou conselhos de John Stewart, o terceiro Lanterna Verde da Terra. Até mesmo Guy Gardner serviu como um orientador, mesmo vivendo seu momento anti-herói como Warrior.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

RESENHA HQ: Astro City: Portas Abertas (Astro City: Throug Open Doors)

ASTRO CITY: PORTAS ABERTAS (Astro City: Throug Open Doors).

Roteiro: Kurt Busiek
Desenhos: Brent Eric Anderson
Editora: Vertigo (BR: Panini Comics)
Ano: 2014 (BR: 2015)
Pág.: 180

Não sei o motivo da Panini Comics dar esse salto no tempo – este é o volume 9 da coleção de Astro City –, mas, sinceramente, não prejudicou a coleção (ou, pelo menos, eu acho que não).
“Astro City: Portas Abertas” começa com uma história que poderia muito bem ser uma continuação da primeira história de “Astro City: Álbum de Família”, só que alguns anos no futuro.
A história se inicia com o Homem Quebrado, um ser com aparência incomoda que conversa com o leitor, em uma clara quebra da quarta parede. Ele nos comunica sobre Oubor, um ser que ele diz conhecer a todos que sempre estão em evidência. Daí então partimos para uma enorme porta que surge sobre o rio Gaines (uma clara homenagem a Max e Will Gaines, da EC Comics). A primeira a aparecer no local é a novata Chibi Americana, que enfrentava a Legião de Ferro em um ataque ao Museu Ellsworth (homenagem a Whitney Ellsworth, editor da DC Comics e produtor do filme-seriado Atom Man vs. Superman (1950) e do filme Superman and the Mole Men (1951)). Ela tenta atacar a porta, inutilmente e quase tomba, mas é socorrida pelo Samaritano. Este convoca a Guarda de Honra e a Primeira Família para agirem contra a porta, mas tudo é inútil. Em outro canto da cidade, Bem Pullam reencontra suas filhas, uma é organizadora de eventos internacionais e a outra é uma criptobióloga. De repente, sai da porta um enorme ser chamado Telseth, ele se diz um embaixador plenipotenciário da civilização multiestelar Kvurri, que pretende conhecer a civilização terrestre e estudar seus costumes. Isso tudo é narrado pelo Homem Quebrado.
Depois partimos para a segunda história, onde a jovem Marella Cowper embarca em uma das maiores aventuras de um civil. Ela se torna uma operadora de call-center da Guarda de Honra. Ela e seus colegas são responsáveis por direcionar os casos que podem ou não ser solucionados pela Guarda de Honra, as vezes ajudando-os de outras formas, também. Mas um desastre com os Quebra-Crânios, uma quadrilha de piratas lideradas por um homem chamado Stephen Shaw, mais conhecido com Shawcina, faz com que Marella comece a duvidar se sua capacidade de trabalhar com a Guarda de Honra e ela fará de tudo para ajudar, mesmo que corra o risco de perder esse emprego dos sonhos.
Na terceira história, conhecemos Martha Sullivan. Ela tem o dom da telecinesia, ou seja, a capacidade de mover objetos com a mente. Mas ela não é uma super-vilã ou uma super-heroína, pelo contrário, ela faz parte de um grupo de dotados que prefere usar seus dons de outras formas, se auto intitulando Espectadores. Ela recebe um convite para fazer parte de um grupo seleto, mas recusa e se vê sequestrada junto com outros. Ela precisa descobrir um jeito de se salvar e àqueles que, como ela, preferem continuar sendo somente espectadores.
Na quarta história, também narrada pelo Homem Quebrado, conhecemos um grupo de heróis chamado Blasfemosos. Era um grupo que brigava contra Anomalias Inquietantes. Seu líder Caleb R. Tarrant se vê em um caso onde seus companheiros são capturados e ele precisa livrá-los dessa, mas a história é interrompida pelo Homem Quebrado e outra começa, onde nos é apresentado o Saampa, um líder de uma civilização que adora a um deus-serpente, só que também temos essa narração impedida pelo Homem Quebrado. Este, então, decide nos apresentar Eulalia Jane Verne, conhecida como Dama Progresso. Ela está atrás de Mister Cakewalk, um homem hábil e ágil, que rouba o diamante Estrela de Lakhimpur, uma pedra que Eulalia precisa para deter outro vilão, o Dr. Egyptus.
Na quinta e última história, voltamos a porta sobre o rio Gaines, onde Tatcher Jerome, um gangster local, decide tirar proveito da posição da porta para exigir algumas coisas do Embaixador. Ele consegue um acordo, mas sua ambição deseja mais e mais, até que ele rouba uma caixa que contém seis cápsulas. Ele, então, fica entre a cruz e a espada quando uma das cápsulas transforma um conhecido em um monstro e, aparentemente, o Embaixador parece saber disso.
Como sempre é mais um trabalho maravilhoso de Kurt Busiek. Apesar do título funcionar para a primeira e última história, ela serve para todas as demais. Pois, no caso do Homem Quebrado, são portas abertas para a insanidade e loucura (sério, a imagem dele me incomoda e muito... Parabéns a Brent Eric Anderson, Alex Sinclair e Wendy Broome por isso). No caso de Marella, vemos que ela tem portas abertas para vários cantos do mundo, para novos conhecimentos e amigos. No caso de Martha Sullivan sua vivência totalmente diferente da vilania ou heroísmo, mostra que existem portas abertas para outras experiências. No caso da Dama Progresso, mostra-se a ela portas abertas para conhecer novos estilos de benfeitores, como no caso de Mister Cakewalk.
É delicioso ler “Astro City: Portas Abertas”, pois é uma leitura dinâmica, nenhum pouco cansativa e com uma interligação sem igual.
Continuarei falando isso constantemente, Kurt Busiek é um gênio dos quadrinhos, pois ele nos entrega um universo de personagens coesos e maravilhosos, sejam os super-heróis, os super-vilões, os civis ou os Espectadores. É maravilhoso ler o que ele escreve.

A minha única crítica fica com a Panini Comics lançar o nono volume, pois parece que ela ficou temerosa de não conseguir chegar a essa edição e a lançou prematuramente. Mas vale a pena fazer parte de uma coleção.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

RESENHA HQ: Astro City Volume 3: Álbum de Família (Astro City: Family Album (Kurt Busiek’s Astro City))

ASTRO CITY VOLUME 3: ÁLBUM DE FAMÍLIA (Astro City: Family Album (Kurt Busiek’s Astro City)).

Roteiro: Kurt Busiek
Desenhos: Brent Eric Anderson
Arte-final: Will Blyberg
Editora: Vertigo (BR: Panini Comics)
Ano: 2015
Pág.: 228

O terceiro volume de Astro City vem com cinco arco de histórias, sendo que, três dessas histórias tratam bem do título.
A primeira conta a chegada de Ben, Meg e Faith Pullam a Astro City. Eles se mudam de Boston, depois que Ben é transferido para a cidade. No primeiro dia eles testemunham do que Astro City é composta, ao verem o Samaritano enfrentando a Legião de Ferro. Ben fica receoso de sua nova residência, enquanto suas filhas parecem deslumbradas. Ele precisa, então decidir entre o trabalho e a segurança de sua família.
Na segunda história vemos a jovem Astra Furst, membro da Primeira Família, filha de Natalie e Rex. Ela vive uma vida restrita e sem contato com outros humanos. Então decide que isso precisa mudar e sai da Mansão da Primeira Família, causando uma busca desenfreada por ela. A Primeira Família viaja por mundos e dimensões, em busca de Astra.
Na terceira história, vemos o Sucateiro, um velho vilão de segunda categoria cometendo o crime do século. Ele consegue assaltar sete milhões de dólares do Astrobank, sem ser pego. Vemos suas origens sendo contadas e ele desfrutando do assalto ao qual ele nunca seria pego e percebendo que ninguém nunca saberá que fora ele que causará o grande assalto.
Na quarta história, temos o Caixa de Supresas enfrentando o seu legado. Dois justiceiros do futuro surgem para tomar a justiça nas próprias mãos, Surpresa e Caixote. Caixa de Surpresas tem de pensar no legado que deixará, além de descobrir que sua esposa está grávida e ele precisa decidir se continuará a agir como vigilante ou se deixará se legado seguir em frente.

Na quinta história temos a origem de Léo Lelé, um leão de desenho animado que volta à vida durante um confronto do Cavalheiro contra o Professor Borzoi. Este usou um raio conversor e terminou trazendo Léo de volta e enquanto as pessoas acreditassem nele, ele existiria. Léo então se tornou um parceiro corriqueiro do Cavalheiro e conquistou muita publicidade a sua volta, mas cometeu muitos erros, também.
Kurt Busiek, como nas outras edições, trabalha com maestria seus personagens e suas personalidades distintas. Desde um senhor pensando em sua família até a redenção de um desenho animado, ele desenvolve histórias que lhe prendem do começo ao fim.
A mais interessante das histórias é o arco do Caixa de Surpresas, pois ele tem de pensar no que deixará para o futuro. Ele enfrenta um futuro não muito promissor e precisa pensar bem nisso.
A arte de Brent Eric Anderson se torna cada vez mais aprimorada, principalmente nos detalhes e feições dos personagens. Seu trabalho com Léo Lelé é um caso a parte. Mas creio que muito daquele trabalho tenha relação com a Comicraft ter trabalhado os traços do artista em computação. Ficou fantástico, pois percebe-se a falta de sintonia entre o “mundo real” e o “mundo das animações”.
A primeira história, da família Pullam, apesar de ser mais sobre consciência, faz algo que se vê pouco nos quadrinhos, mas que Busiek já trabalhara anteriormente em “Marvels”, que é uma visão de fora do mundo dos super-heróis, uma visão dos civis. Como isso influencia suas vidas, como pode modificar seu modo de ver o mundo e as coisas que ocorrem neles quando um super-herói ou vigilante está agindo. Busiek é mestre em mostrar essa visão e é uma das coisas que mais enriquece seu trabalho.
Ele desenvolve Astro City como algo único, mesmo que seus personagens sejam comparados, constantemente, com personagens da DC e da Marvel, percebe-se que ele trabalha algo bem próprio, bem pessoal.

“Astro City: Álbum de Família” é mais um edição essencial para fazer parte de qualquer coleção.

RESENHA HQ: Aurora (2015)

AURORA (2015)

Roteiro: Felipe Folgosi
Desenhos: Leno Carvalho
Arte-final: Nelson Pereira
Cores: Stefani Renee, Márcio Menyz, Thiago Ribeiro, Rodrigo Fernandes, Carlos Lopez, Marcio Freire
Editora: Instituto dos Quadrinhos
Pág.: 116

Vou ser extremamente sincero nesse começo, pois preciso ser. Eu sempre achei que Felipe Folgosi era somente um ator de novelas de televisão, uma cara bonitinha fazendo papel de galã na TV. Mas essa visão mudou totalmente após eu ler “Aurora” e meu respeito por ele cresceu muito depois disso.
Na história vemos o Providência, um barco de pesca, preso no meio de uma tempestade cósmica sem proporções. Tudo muda quando um de seus pescadores, o português Rafa, decide sair no meio da tempestade para disparar um sinalizador e se vê atingido pela tempestade anormal.
Daí por diante, vemos intriga, mistério e ação em uma história que cresce à medida que a lê. Tem um tom de ficção científica visto em poucas histórias revistas nos dias de hoje. Percebe-se que Folgosi foi longe para pesquisar sobre sua história. Vemos teorias físicas, astrofísicas, nomes ligados ao governo estadunidense, artefatos e nomes médicos. Foi uma pesquisa em tanto, o que dá mais vivacidade a esse trabalho.
Felipe mesmo, na introdução, fala que foram anos escrevendo coisas aqui e ali e guardando até chegou o momento de tornar tudo nesse belo trabalho quadrinhístico. A ideia era transformar em um filme, mas ainda bem que ele decidiu por uma história em quadrinhos, pois talvez um filme não ficasse tão rico como ficou essa revista.

A arte de Leno Carvalho é grandiosa para a história. Eu não sei se foi proposital, mas o pescador Rafa, em certos momentos, parece muito com o próprio Folgosi. Além disso, Leno Carvalho trabalha bem expressões, cenas de ação. Quanto ao sombreamento, não sei se é dele ou de Nelson Pereira – o arte-finalista –, mas em determinados momentos eu achei um pouco exagerado. Mas o trabalho de cores é algo gratificante, principalmente no momento da tempestade cósmica. Dá para sentir a eletricidade no ar no momento em que relâmpagos escarlates rasgam o céu e caem em volta do Providência.

Felipe Folgosi, com “Aurora”, nos entrega mais um trabalho de qualidade. Mesmo que os eventos não ocorram em terra tupiniquins, não deixa de ser um trabalho de um brasileiro para vários brasileiros. E, sinceramente, eu torço que ele consiga vender esse material lá fora, mostrando que os roteiristas brasileiros sabem fazer mais do que desenhar. Já temos Gabriel Moon e Fábio Bá que conquistaram o feito de ter Daytripper publicada pela Vertigo, porque não termos mais talentos da nossa terra conquistando esse lugar ao sol?

Parabéns a Folgosi pelo ótimo trabalho. Espero que mais desse venham em um futuro próximo.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

RESENHA HQ: LJA: Ano Um (DC Comics Coleção de Graphic Novels Volumes 9 e 10 da Eaglemoss).

LJA: ANO UM (DC Comics Coleção de Graphic Novels Volumes 9 e 10 da Eaglemoss).

Roteiro: Mark Waid, Brian Augustyn, Gardner Fox, Edmond Hamilton.
Desenhos: Barry Kitson, Mike Sekowsky, Sheldon Moldoff.
Arte-Final: Michael Bair, Barry Kitson, Mark Propst, John Stokes, Bernard Sachs, Charles Paris.
Título Original: JLA: Year One

“Nos próximos dias e meses, eles se posicionarão frente a qualquer desafio... enfrentarão todo e qualquer inimigo para inspirar não apenas esta, mas as gerações futuras também, servindo ao próximo com atos de heroísmo e bravura, que, sem sombra de dúvida, se tornarão lendários para todo o sempre”.

Em novembro de 1988, Keith Giffen e Peter David escreveram uma nova origem para um dos maiores super-grupos dos quadrinhos, a Liga da Justiça da América. A história, desenhada por Eric Shanower, contava como eles enfrentaram uma invasão alienígena e venceram.
Lanterna Verde “Jordan” enfrentou um pássaro gigante amarelo em Coast City, Canário Negro “Laurel” encarou um ser de vidro em Star City, Aquaman derrotou um ser de mercúrio no mar, Flash “Allen” encarou um ser de fogo em Keystone City, o Caçador de Marte enfrentou um monstro de pedra e a união dos cinco derrotou um ser de madeira. Quando partiram para encarar a sétima ameaça, viram-no derrotado pelo Superman, que não aguardou-os (ele tinha de encontrar-se com Lois Lane). Como perceberam que a união de seus poderes poderia ser uma forte aliada no combate a vilões poderosos, eles decidiram formar a Liga da Justiça.

É desse ponto que essa minissérie em 12 partes, escrita por Mark Waid e Brian Augustyn, desenhada – e em parte arte-finalizada – por Barry Kitson e arte-finalizada por Michael Bair, Mark Propst e John Stokes, parte. Na história, a Liga da Justiça precisa enfrentar o grupo Locus que pretende resgatar os corpos dos alienígenas para emular os poderes destes para sobreviver a um possível holocausto que está para ocorrer na Terra.

O que é legal na história não é somente a intriga e a ação que rola, mas também as histórias internas, as esperanças, as decepções, as descobertas.
Canário o tempo todo menciona a Sociedade da Justiça da América, que sua mãe fez parte no passado, como se eles fossem melhores do que seus colegas de grupo. Lanterna Verde demonstra uma prepotência contínua e uma dificuldade em trabalhar em grupo. Flash sente dificuldades com sua vida dupla, percebendo a possibilidade de perder sua noiva, Iris Allen. Aquaman tem dificuldades para se adaptar ao grupo e ao ambiente que está vivendo. O Caçador de Marte com seus mistérios e surpresas. Algumas dessas estranhezas dificultam o entrosamento entre a equipe, mas não a impede que funcione em um campo de batalha.

É uma excelente história de formação de equipe, com altos e baixos, busca por uma união mesmo com as diferenças. Amizades são consolidadas a partir dessa minissérie, bem como legados são passados. “LJA: Ano Um” foi uma excelente construção de uma equipe histórica.
Na primeira edição, também vemos a formação clássica da Liga da Justiça da América em Lustice League of America #9 (02/1962). Não é o primeiro encontro, pois eles haviam se encontrado em The Brave and the Bold #28 (03/1960), mas foi considerado como o momento de formação do grupo. Eles eram formados por Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Aquaman e Caçador de Marte, chamados de “As Sete Maravilhas”.
Na história, escrita por Gardner Fox e desenhada por Mike Sekowsky, Caçador de Marte, Aquaman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Flash, Superman e Batman, em comemoração aos três anos de formação da equipe, contam ao jovem Snaper Carr e ao Arqueiro Verde como o grupo surgiu. Eles enfrentaram um grupo de alienígenas que havia vindo do planeta Apellax para a Terra no intuito de quem se tornaria o novo líder do planeta, o novo Kalar. O Caçador enfrentou um humanoide de pedra, Aquaman enfrentou um ser de vidro, Mulher-Maravilha encarou um ser de mercúrio, Flash derrotou um ser de fogo, Lanterna Verde derrotou um pássaro gigante, os cinco unidos encararam um ser de madeira, enquanto Superman e Batman enfrentaram um ser de diamante. A partir daí a LJA surgiu. Existe uma história – já é quase um mito – que Julius Schwartz – publisher da DC Comics na década de 1960 – e Martin Goodman – ex-proprietário da Marvel Comics – jogavam golf quando Schwartz falou a Goodman que estava criando um novo grupo de super-heróis com os personagens que ele havia lançado há pouco tempo. Foi então que Goodman encomendou com seu sobrinho, Stan Lee, um grupo de personagens e assim surgiu o Quarteto Fantástico, surgindo a Marvel Comics. A história foi contada por muito tempo por Schwartz.
Já na história do segundo volume, vemos a criação do Caçador de Marte em Detective Comics #225 (11/1955). Ele é o alienígena J’onn J’onzz e é trazido a Terra pelo Dr. Mark Erdel. Após terem uma breve conversa sobre levar J’onn de volta, o professor termina falecendo e prendendo o Caçador na Terra, sem possibilidade de retorno. Então ele se disfarça no detetive John Jones e ajuda a polícia a desvendar casos.
A próxima edição trará um dos marcos na história do Batman. “Batman: Morte em Família”, história de Jim Starlin e desenhos de Jim Aparo e arte-final de Mike DeCarlo, virá com uma das grandes tragédias na vida do Homem-Morcego.

A coleção pode ser adquirida em bancas e lojas especializadas, mas também pode ser através de assinatura no site da Eaglemoss Collections, que também oferece brindes muito legais. A Loja Eaglemoss também disponibiliza números separados da assinatura.



sábado, 13 de fevereiro de 2016

TRAILER COMENTADO: Batman vs. Superman: A Origem da Justiça – trailer final.

No dia 24 de março de 2016 – no Brasil – a Warner Bros. lançará o filme “Superman vs. Batman: A Origem da Justiça”. Então, para deixar seu público mais empolgado – ainda mais depois dos comerciais da Turkish Airlines, onde Bruce Wayne e Lex Luthor fazem um merchandising de suas cidades, Gotham e Metrópolis – lança o trailer final do filme que trará os três maiores ícones da DC Comics – chamados de “A Grande Trindade DC”.
Vamos falar do conteúdo do trailer. Este começa com o “Batwing” sobrevoando um galpão com aspecto de abandonado e a cena é cortada para Alfred (Jeremy Irons) pegando controles para pilotar a nave à distância, enquanto Batman (Ben Affleck) adentra no local. Depois partimos para uma cena de confronto entre Batman e os bandidos, onde ele demonstra suas habilidades e sua capacidade de luta, derrubando cada um dos bandidos de forma bem severa. Então a cena é cortada para a Batcaverna, onde Alfred e Bruce Wayne conversam sobre velhice.
Então cenas remanescentes de outros trailers são mostradas como a batalha de Superman (Henry Cavill) e Zod (Michael Shannon), destruindo Metrópolis e Bruce socorrendo uma criança e então vemos uma cena onde Bruce e Alfred conversam sobre o potencial do Superman. Enquanto Lex Luthor (Jesse Eisenberg) discursa para Lois Lane (Amy Adams) sobre o grande embate que anuncia o filme, vemos Batman e Superman se encontrando. Enquanto Batman tenta atropelar, inutilmente, Superman, este retira as portas do Batmóvel, expondo o vigilante.

Então vemos cenas de Batman usando sua armadura e em conflito com o Superman, um carro sendo exposto, Clark com Lois dentro de uma banheira, ela tocando seu tórax, Superman segurando uma granada disparada pelo Batman, Diana (Gal Gadot) entrando em um carro, cenas do conflito entre Batman – de armadura – e Superman, um tiro sendo disparado (possivelmente a cena do assassinato de Martha e Thomas Wayne), Batman tentando chutar Superman, mas sendo detido e a explosão elétrica que já faz parte de vários trailers.

Daí é cortado para uma cena entre Diana e Bruce flertando, para vermos a Mulher-Maravilha surgindo de trás do escudo e partindo para a batalha. Daí então vemos Lois nadando, Batman disparando (???) contra bandidos e socando alguém. Temos mais explosões, o “Batwing” sobrevoando – creio eu – Metrópolis e disparando. Superman se defendendo de balas que ricocheteiam em seu corpo e partindo em voo. Então é cortado para Martha Kent (Diane Lane), um bulê de café caindo no chão, Lois e Superman e temos Lex Luthor recepcionando o corpo morto de Zod. Enquanto Luthor discursa, temos mais cenas do embate de Batman e Superman, cenas do “sonho do Batman” – começo a duvidar disso –, Superman se preparando para disparar suas rajadas de calor dos olhos, mais cenas de Bruce correndo sobre Metrópolis destruída e corta para um momento interessante do conflito, onde Batman em sua armadura defende um golpe do Superman, surpreendendo-o.

Esse último trailer antes da estreia do filme nos mostra mais da ação que teremos em “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça”. Temos momentos de cumplicidade entre Bruce e Alfred que, como sempre foi, vai além de patrão/empregado. Temos mais momentos entre Superman/Clark Kent e Lois Lane, mostrando o romance entre eles, momentos íntimos.

Desde o primeiro trailer, dá para perceber que as falas mais fortes, mais emblemáticas estão nos lábios de Lex Luthor, pois sempre suas falas dão o tom do filme. Ele tem os mais impactantes discursos, seja sobre o conflito entre homem e super-homem, Lex está no centro do que acontecerá no filme.
Uma coisa que me deixou bem empolgado foram as cenas de luta do Batman. Simplesmente fantástica. O trailer já inicia com uma cena de embate, mostrando que o Cavaleiro das Trevas não tem dó de seus inimigos, sendo capaz de quebra-los ao máximo para conseguir detê-los. Se foi ou não um dublê que fizera as cenas (isso é possível, pois sabemos que utilização de computação para substituição de rostos vêm sendo usadas em filmes e seriados de super-heróis), sinceramente não importa, pois as cenas foram fantásticas.
As cenas do “sonho do Batman”, mais parecem visões, como se ele recebesse informações do que aconteceria com a Terra. Temos o símbolo que sempre está relacionado a Darkseid, monstros alados que lembram Parademônios. Como Batman poderia sonhar com isso? De onde ele teria ideias referentes a Apokolips? Convenhamos, seria um sonhos bem incomum.
Nesse novo trailer percebe-se que existe algo a mais nas cenas finais do trailer onde aparece Apocalypse. Como eu venho dizendo, creio que aquilo seja somente a ponta do iceberg, pois um conflito muito maior está para ocorrer.
Ainda gostaria de saber quais são as participações de Jena Malone e Scoot McNairy. Sei que muitos têm suspeitas de quais personagens eles serão, mas não existem certezas, somente rumores.
Ainda não temos cenas com Ray Fisher e nem Jason Momoa, sendo assim, falar que já vimos todo o filme nos trailers e dar um tiro no escuro e errar todas as vezes.

“Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” tem direção de Zack Snyder (O Homem de Aço), com roteiro escrito por Chris Terrio e David S. Goyer, tendo no elenco Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Jesse Eisenberg, Amy Adams, Diane Lane, Holy Hunter, Jeremy Irons, Lawrence Fishburne, Michael Shannon, Jeffrey Dean Morgan, Lauren Cohan, Tao Okamoto, Harry Lennix, Ray Fisher, Jason Momoa, Scoot McNairy, Jena Malone (rumor) e Ezra Miller (rumor).

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

RESENHA CINEMA: Deadpool (2016).

DEADPOOL (2016)
Direção: Tim Miller
Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick
Elenco: Ryan Reynolds, Morena Baccarin, T.J. Miller, Ed Skrein, Gina Carano, Stefan Kapičić, Brianna Hidelbrand, Jed Rees.
Vou começar essa resenha de uma forma bem diferente: Eu não gosto do Deadpool.
Acho que a forma como a Marvel o promoveu ao status de mega-foda-anti-herói foi exagerada, pois o personagem não tem carisma e nem charme para se tornar um personagem de tanto destaque, nem nos quadrinhos ou qualquer outra mídia. Mas venhamos e convenhamos, seu filme é muito bom.
No enredo, vemos Wade Wilson (Ryan Reynolds) buscando vingança pelo que se tornara e por isso tê-lo afastado de sua namorada, a bela stripper Vanessa Carlysle (Morena Baccarin).
Wade era um mercenário que caça pessoas indicadas por Jack “Fuinha” Hammer (T.J. Miller), mas depois de ter um câncer difícil de curar, ele é selecionado por um recrutador (Jed Rees), dizendo ser capaz de curar seu câncer se ele se submeter a uma experiência gerenciada pelo mutante Francis “Ajax” Freeman (Ed Skrein). Este trabalha com a poderosa Angel Dust (Gina Carano), uma mutante extremamente forte.
Depois de ficar totalmente deformado, Wade busca por uma justiça usando armas de fogo e espadas. Ele se torna Deadpool. Na Escola para Jovens Superdotados de Charles Xavier, Colossus (Stefan Kapičić) deseja adicionar Deadpool aos X-Men e, por isso, parte com sua jovem pupila, Missil Adolescente Megassônico (Brianna Hidelbrand), atrás do mercenário, na intenção de convencê-lo a entrar no grupo.
Não vou ficar falando muito, pois o filme é muito bom e merece ser assistido. Ele trabalha metalinguagem, easter-eggs, besteirol de forma magnífica. As piadas vão além dos palavrões, muito presentes no filme, pois ele brinca com DC/Marvel o tempo inteiro, seja fazendo piadas com os personagens que Ryan Reynolds vivenciou em X-Men Origens: Wolverine (2009) e Lanterna Verde (2011), com Hugh Jackman – ator que fez Logan/Wolverine em quatro filmes do X-Men e em dois filmes do Wolverine – ou com personagens da Marvel e da DC Comics.

Tim Miller trabalha bem os momentos de humor, de ação e de comédia, interagindo entre si a todo momento. Existem momentos de drama, existem momentos de suspense e existe um enredo, uma motivação maior do que a ação desenfreada e a violência gratuita.
Sim, violência gratuita. O filme ganhou nos EUA a censura R (menores de 17 só podem ir acompanhado de pais e responsáveis, pois contém conteúdo adulto) e aqui no Brasil censura de 16 anos. Ele possui uma violência descarada, cenas de nudez extrema e palavrões constantes. Não que isso seja novidade nos cinemas brasileiros, pois filmes daqui têm isso constantemente, mas em geral isso é contido em filmes estrangeiros. O lance é que não rolou dessa vez, então a censura é totalmente necessária (não que isso vá fazer diferença, pois quando chegar em DVD, qualquer um poderá assistir). Bem, apesar de tudo isso que eu citei o filme não perde a sua qualidade, pelo contrário, isso só o deixa melhor.

Deadpool nos quadrinhos é um personagem ao extremo, em todos os sentidos. Ele ultrapassa as barreiras dos quadrinhos, interage com seus leitores (algo que acontece no filme, isso se chama metalinguagem, quando o personagem ultrapassa a “quarta parede”, agindo com o público), nas suas histórias não a violência contida, nem maneirações nos palavrões. O besteirol (forma escrachada de humor, com críticas sociais e políticas) sempre é parte das histórias também, sacaneando todo o Universo Marvel, constantemente.
O mais interessante é que Rhett Reese e Paul Wernick souberam trabalhar todos esses elementos de forma agradável, parecendo até mesmo espontaneidade e improviso de Ryan Reynolds. Quanto a Reynolds, ele está muito bem no papel. Ele consegue transformar as cenas e piadas em coisas que nem parecem fazer parte do roteiro. Sinceramente, eu vi o filme imaginando que tudo aquilo era puro e simples improviso. Foi fantástico.

“Deadpool” é um filme muito agradável para o público dos quadrinhos, dos filmes de ação e dos filmes de comédia. Você percebe até que existe um easter-egg com os filmes da Marvel Studios na luta final. Preste bastante atenção que perceberá.

Se todos irão gostar, se Deadpool dividirá opiniões, sinceramente eu não sei, mas o Box Office Mojo já registrou uma bilheteria de US$ 12.512.000 fora dos Estados Unidos. Até mesmo o filme dublado – ontem eu assisti assim – está muito bom. Apesar das gírias brasileiras, não se perde nenhum dos palavrões e das piadas escrachadas. É um filme para se contar na categoria de bons filmes baseados em quadrinhos.