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domingo, 24 de janeiro de 2016

RESENHA HQ: Homem-Animal: O Evangelho do Coiote (Animal Man, Book 1 – Animal Man)

HOMEM-ANIMAL: O EVANGELHO DO COIOTE (Animal Man, Book 1 – Animal Man)

Roteiro: Grant Morrison
Desenhos: Chaz Truog, Tom Grummett
Arte-final: Doug Hazlewood
Editora: Vertigo Comics (BR: Panini Comics)
Ano: 2001 (BR: 2015)
Pág.: 252

Eu gostaria de fazer com Homem-Animal de Grant Morrison o mesmo que fiz com O Monstro do Pântano de Alan Moore, mas para evitar a fadiga de ficar dizendo as pessoas que não é tudo que Morrison fez para a DC Comics que eu não gosto, preferi me adiantar com esse primeiro encadernado que publica as edições 1 a 9 da revista Animal Man (1988-1995).
Grant Morrison ficou na revista somente até a edição 26 (agosto de 1990), sempre ao lado do desenhista Chaz Truog – que dera lugar para Tom Grummett nas edições #9 e #14 (março e agosto de 1989) e Paris Cullins na edição #22 (abril de 1990) – e do arte-finalista Doug Hazlewood – que dera espaço para Mark McKenna na edição #10 (abril de 1989), Steve Montano na edição #14 (agosto de 1989) e foi substituído por Mark Farmer nas edições #25 e #26 (julho e agosto de 1990), as duas últimas de Morrison no título.
Eu acompanhei as histórias de Morrison em Homem-Animal pela extinta DC 2000 (janeiro de 1990-novembro de 1994), da Editora Abril Jovem, onde ele estreou na edição #3 (março de 1990).
Bem, nessa primeira edição encontramos o Buddy Baker, o Homem-Animal, buscando ser aceito como super-herói. Desempregado, sendo sustentado pela esposa Ellen e tendo dois filhos com ela, Cliff e Maxine, Buddy não tem uma boa reputação por causa de seus poderes, pois ele pode similar as capacidades de animais, e nada mais que isso. Mas como ele primeira missão ele é chamado para ir aos Laboratórios STAR onde vê uma anomalia de chimpanzés fundidos em uma massa disforme. Sua investigação o leva a encarar o herói africano Fera B'wana, que pretende salvar uma chimpanzé amiga.
Na sequência temos a história que dá título à edição. Nela Buddy se depara com uma anomalia, um coiote do deserto vindo de animações que busca ajuda. Ele enfrenta problemas nos quais não está acostumado e o Homem-Animal precisa auxilia-lo.
Depois embarcamos na saga Invasão, onde o Homem-Animal enfrenta os thanagarianos, povo alado de onde veio Katar Hol, o Gavião Negro, e Shayera Thal, a Mulher-Gavião. Continuamos em Invasão, mas Buddy precisa encarar um vilão das antigas, o Máscara Vermelha, que tem uma conversa sobre suas origens com o Homem-Animal e nunca teve um momento de glória em toda sua carreira criminosa.
Ao final, Homem-Animal sofreu certos problemas com a bomba antimetagene, jogada pela raça dos dominións ao final da saga, que alterou a genética de vários meta-humanos e fez vários outros despertarem. Mas a participação ativa de Buddy durante a saga o propiciou uma vaga na Liga da Justiça Europa. Sua constante luta pelo benefício dos animais, que iniciou após o encontro com Fera Bwana o traz problemas com um super-vilão que invade a sua casa. Após saber disso, J’onn J’onzz leva uma equipe para cuidar da segurança na casa de Buddy e conversa com ele sobre seus problemas.
Desde sua criação em Strange Adventures #180 (setembro de 1965), por Dave Wood e Carmine Infantino, o Homem-Animal nunca teve um tratamento tão vip em toda sua existência, sempre aparecendo em histórias esparsas ou como coadjuvante. Chegou a ser membro do grupo Heróis Esquecidos, formado por personagens obscuros da DC Comics, que ficaram anos fazendo participações especiais ou ficando no limbo editorial da DC, como Adam Strange, Cavaleiro Atômico, Congo Bill, Delfim, Capitão Cometa, Homem-Imortal, Ressurreição, Rick Flag, Rip Hunter, Dane Dorrance (líder dos Demônios do Mar) e o geologista Cave Carson. Parte do grupo chegou a fazer uma aparição em Crise nas Infinitas Terras.

Não sei o que motivou a Grant Morrison pegar um personagem como o Homem-Animal, mas ele trouxe o personagem a uma ascensão sem igual. Com histórias falando sobre consciência ambiental, proteção à vida animal, batalhas memoráveis, Morrison tornou Buddy Baker de um personagem sem graça e sem repercussão em um personagem a ser respeitado e estimado nos quadrinhos.

Se hoje o Homem-Animal é um personagem que as pessoas se interessam e escritores gostam de incluir em suas histórias, tem muito a ver do que Morrison fez pelo personagem em sua passagem pela revista-solo.