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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

RESENHA HQ: Astro City Volume 2: Confissão (Kurt Busiek’s Astro City: Confession)

ASTRO CITY VOLUME 2: CONFISSÃO (Kurt Busiek’s Astro City: Confession)
Roteiro: Kurt Busiek
Desenhos: Brent E. Anderson
Arte-final: Will Blyberg
Editora: Vertigo Comics (BR: Panini Comics)
Ano: 1999 (BR: 2015)
Pág,: 212
A cada volume que se lê de Astro City, percebe-se porque foi uma revista tão premiada pelos Eisner e Harvey, os prêmios máximos para revistas em quadrinhos.
No segundo volume da coleção conhecemos o jovem Brian Kinney, que abandonou a família para ir à Astro City na intenção de buscar algo mais para si. Começando de baixo, como um jovem garçom do bar Brutu’s, onde vários super-heróis de Astro City vão se encontrar, ele consegue um emprego no famoso Mordoms, onde a elite da cidade se encontra. Sua ação ao salvar os membros do clube privativo não passa despercebido e ele é chamado pelo Confessor para ser seu parceiro, Coroinha.
Como Coroinha, Brian descobre que a vida de super-herói não é tão fácil quanto todos pensam, ainda mais quando você não pode revelar a ninguém que é o herói que está salvando pessoas. Mas sua estreia vem cercada com um novo problema que chega às ruas de Astro City, pois alguém está desejando desmoralizar os super-heróis da cidade, primeiro com assassinatos de jovens que são encontradas perto do Morro da Sombra, depois fingindo ser Bambambão – herói egocêntrico que age nas ruas de Astro City – assaltando lojas e com isso fazendo o prefeito exigir que os super-heróis se registrem na cidade para conter as ameaças. Além desses problemas, Brian ainda deseja conhecer mais sobre o enigmático Confessor, buscando descobrir sua identidade secreta e como ele consegue fazer as coisas que faz, mas as surpresas de sua descoberta vão além do que ele pode imaginar.
Esse segundo volume de Astro City é praticamente focado em Brian Kinney e seu começo como o vigilante Coroinha. Mas a história que rola de fundo me lembrou dois momentos distintos dos quadrinhos da Marvel Comics. Primeiro Guerra Civil (registro de super-heróis para evitar acontecimentos que possam estar relacionados a eles) e o outro Invasão Secreta (alienígenas que se metamorfoseiam em super-heróis para desacreditar os super-heróis e dominar o planeta). O grande lance é que essa história de Astro City se passa anos antes de ambas às sagas da Marvel. Não quero tirar o crédito de Mark Millar (Guerra Civil) ou Brian Michael Bendis (Invasão Secreta), mas parece que eles tiveram uma bela inspiração no trabalho de Mark Waid – mesmo com diferenças díspares – para criar seus enredos.
Servindo ou não de inspiração, Astro City é uma das revistas mais fenomenais que fora publicada pela extinta Homage Comics. Mark Waid usou toda sua inspiração para criar as histórias. Tendo ou não como ponto de vista o Universo DC e o Universo Marvel – em vários sentidos –, Waid trabalhou conceitos e ideias próprias para os personagens. Ele presta homenagens constantes aos grandes autores de quadrinhos, como o Monte Kirby que é uma clara homenagem ao grande Jack Kirby. Só que as homenagens a Kirby não param por aí, pois também vemos na arte, tanto de Alex Ross (que cria o conceito dos uniformes dos personagens), quanto de Brent Anderson (que faz a arte externa dos quadrinhos e também ajudou na conceituação de alguns personagens), uma busca em criar personagens que lembrem os conceitos desenvolvidos pelo “Rei” quando concebeu todos os personagens que ele criou e/ou co-criou. Muito do que vemos é uma homenagem a Era de Ouro e Prata dos quadrinhos, mas o que diferencia é a forma como Waid desenvolve o psicológico dos personagens, como é o caso do Confessor e o Coroinha, seus conflitos, seus dilemas, sua necessidade de fazer o certo mesmo que não os considerem heróis.
“Astro City: Confissões” é mais um exemplar para constar na coleção de todo aficionado em quadrinhos de excelente qualidade.


Acredito que será uma pena quando chegarmos ao fim desses volumes, pois um demonstra ser melhor do que outro, sequencialmente. Waid desenvolveu um maravilhoso universo que deveria ser explorado durante anos e anos, a fio.