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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

RESENHA FILMES: Sherlock: A Noiva Abominável (Sherlock: The Abominable Bride, 2016)

Sherlock: A Noiva Abominável (Sherlock: the Abominable Bride, 2016)

Direção: Douglas Mackinnon
Roteiro: Mark Gatiss, Steven Moffat
Elenco: Benedict Cumberbatch, Martin Freeman, Uma Stubbs, Rupert Graves, Mark Gatiss, Amanda Abbington, Andrew Scott, Louise Brealey.

Em 1887, Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930) iniciava as aventuras de Sherlock Holmes no romance “Um Estudo em Vermelho”. Nessa história ele nos apresentava Dr. James Watson, veterano de guerra que procurava um local para morar e lhe foi recomendado morar com o detetive consultor, Sherlock Holmes, iniciando assim suas aventuras.
Doyle narrava as histórias do ponto de vista de Watson, como se ele fosse o médico. Foram 58 publicações em periódicos, sendo que dois viraram romances (O Cão dos Baskerville, O Vale do Medo), mais dois romances (Um Estudo em Vermelho, O Signo dos Quatro). Vários contos ele juntou e fez cinco livros de histórias curtas (As Aventuras de Sherlock Holmes, As Memórias de Sherlock Holmes, O Retorno de Sherlock Holmes, Os Últimos Casos de Sherlock Holmes, O Arquivo Secreto de Sherlock Holmes). Conta-se que ele não gostava muito do personagem, pois quando tentou mata-lo no conto “O Problema Final” (dezembro de 1893), ouve uma clemência popular pelo retorno do personagem, algo que ele fez – a contragosto – em agosto de 1901 ao escrever “O Cão dos Baskerville”.
Acredita-se que a primeira produção para o cinema foi um curta-metragem estadunidense de 1900, intitulado “Sherlock Holmes Baffled” (algo como Sherlock Holmes Confuso). Em 1905, o personagem ganha mais um curta-metragem, “The Adventures of Sherlock Holmes”. Entre 1908 e 1910, a Dinamarca desenvolveu uma série de cinema mudo intitulada “Sherlock Holmes”. Em 1916 surge o primeiro filme longa-metragem “Sherlock Holmes”. Em 1951, o canal inglês BBC produz a primeira minissérie televisiva do detetive dando o pontapé inicial para várias séries, minisséries e filmes para TV que viriam na sequência.
Em 2010, a própria BBC lançou uma nova telesserie intitulada, somente, Sherlock. Nela, o detetive britânico da Era Vitoriana era trazido para os dias modernos. Interpretado pelo – na época – pouco conhecido Benedict Cumberbatch (A Outra, A Informante) e por Martin Freeman (O Guia do Mochileiro das Galáxias, Chumbo Grosso), interpretando Sherlock Holmes e Dr. James Watson, respectivamente, víamos o começo das histórias vividas por ambos, contando com as modernidades do dia-a-dia. Mesmo assim, Sherlock mantinha o charme de usar a dedução e a ciência forense clássica para solucionar os problemas, mostrando que a mente humana ainda é o melhor instrumento para uma investigação. O “diário de bordo” de Watson se tornou um blog, onde ele contava todos os casos que ele ajudava Holmes a solucionar. Cada temporada era fechada com três episódios de uma hora e meia, mais ou menos (com exceção da primeira que teve o piloto, com duração de 55 minutos). Nela víamos o desenrolar das histórias da forma mais fiel possível. Tínhamos o inspetor da Scotland Yard, Greg Lestrade (Rupert Graves), o belo interesse romântico de Holmes, Irene Adler (Lara Pulver), a esposa de Watson, Mary Morstan Watson (Amanda Abbington), a proprietária do 221B da Rua Baker, Martha Louise Hudson (Una Stubbs), o irmão mais velho de Holmes, Mycroft Holmes (Mark Gatiss, que também produz a série) e o eterno arqui-inimigo de Holmes, o Napoleão do Crime, James Moriarty (Andrew Scott).
Em 2012, com uma ideia muito similar, ou seja, Sherlock Holmes nos tempos modernos, mas mudando o ambiente de Holmes para Nova Iorque, estreou a série “Elementary”. Nela a médica psicóloga Joan Watson (Lucy Liu) é contratada para cuidar de um paciente que sofreu com dependência química, Sherlock Holmes (Jonny Lee Miller). Para cuidar dele, ela se muda para o apartamento 221 B, onde se torna colega de quarto de Holmes. Ele, vivendo em Nova Iorque, auxilia o capitão Thomas Gregson na elucidação de casos com seus métodos de dedução. Mesmo que se passe em uma época mais atual, as diferenças não ficam somente no ambiente de cada um, mas também no desenrolar de ambas as histórias. Mas ainda considero a série da BBC a que fica mais perto da fidelidade ao personagem.
Numa demonstração de sua busca por essa fidelidade, em 01 de janeiro de 2016, o canal BBC lançou o especial “Sherlock: A Noiva Abominável”. Nele os personagens da série são enviados a Era Vitoriana, onde investigam o caso de uma noiva que volta dos mortos para se vingar. Holmes se vê com seu psicológico abalado na busca da solução desse caso, ainda mais quando seu parceiro crê no sobrenatural. Acontecimentos bem surpreendentes acontecem que deixaram muitos fãs surpresos com o trabalho fantástico que desenvolveram com esse episódio.
O elenco continua afinado como um violino. Cumberbatch e Freeman nem parecem enfrentar os longos intervalos entre as filmagens dos episódios, pois funcionam como um relógio preciso. Os momentos de discussões e de companheirismo ocorrem de forma espontânea, sem fugir do natural. Eu acho que isso mostra o bom entrosamento de bons atores e atrizes, pois Amanda Abbington e Una Stubbs estão muito bem em seus papéis, também, bem como os atores e atrizes coadjuvante e elenco de apoio.
A história escrita por Mark Gatiss e Steven Moffat poderia muito bem fazer parte dos contos de Conan Doyle, se não fosse elementos extras que exigiriam muito da imaginação “oitentista” do autor.

Assistir “Sherlock: A Noiva Abominável” é como fazer uma viagem pelos elementos que compõem os contos de Holmes em toda a sua literatura. É um prazer inenarrável ver um trabalho tão primoroso e tão bem realizado como essa história. Simplesmente imperdível.