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domingo, 27 de dezembro de 2015

Star Wars X Mad Max?... só na sua cabeça!

Há alguns dias atrás, nas redes sociais, após a estreia da esperadíssima continuação da saga dos Skywalker, via-se pessoas fazendo comparações absurdas a respeito de dois dos grandes sucessos de críticas desse ano de 2015: Mad Max: Estrada da Fúria e Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força.
Bem, a trilogia anterior (1999-2005) não teve uma receptividade muito boa da crítica e dos fãs, com várias opiniões contrárias ao que George Lucas apresentou nos três filmes que definiam o destino de Anakin Skywalker, sua sedução pelo Lado Sombrio a partir do Chanceler Palpatine, também conhecido como Darth Sidious, e sua transformação em Darth Vader. Muitos criticaram, achando que os filmes não estavam à altura da saga ou mesmo da trilogia anterior. Fãs mais... exaltados, chegaram a dizer que Lucas havia perdido o “jeito”, achando que o universo expandido escrito por outros autores era melhor.
Não critico essas pessoas, elas têm sua visão sobre o que precisa ser Star Wars e espero que sejam felizes com isso. São fãs afoitas do Universo Expandido e dificilmente não mudaram de opinião. Mas creio que essas pessoas, como várias outras, também esperavam pelo novo filme animadamente. Mas vi muitos chegarem a criticar o filme antes mesmo da estreia, somente com alguns teasers sendo apresentados. Creio que muitos morderam a língua depois disso.
Quanto a Mad Max, o diretor e criador da série, George Miller, não lançava um filme desde “Mad Max – Além da Cúpula do Trovão”, em 1985, então o retorno da franquia era imensamente esperado. O lance é que, mesmo tendo “Mad” Max Rockatansky como personagem central dos filmes, são sempre histórias fechadas, sem pensamentos em sequências ou continuações. Se Miller tivesse ficado somente com “Mad Max” (1979), não faria diferença, mas ele tinha muitas outras histórias a contar, por isso ocorreram os lançamentos seguintes como Mad Max 2 (1981), – já citado – Mad Max – Além da Cúpula do Trovão e o atual – também já citado – Mad Max: Estrada da Fúria. Só que vendo cada um dos filmes, eles são totalmente independentes um do outro, sem menções aos anteriores, somente pequenas referências ao primeiro, como a morte da família de Max e o apocalipse nuclear que assolou o mundo.
Quanto a tal competição? Bem, isso não existe. Não porque Star Wars VII seja o filme mais lucrativo do mundo, como comprovado recentemente. Nos seus dez dias de bilheteria o filme arrecadou um total de US$ 544.573.329, nos Estados Unidos, e mais de US$ 1 bilhão, mundialmente, de acordo com o Box Office Mojo. Nem por ter uma horda de fãs que competiria facilmente com a maior torcida de futebol do mundo (sei lá qual é). Muito menos por ser um filme considerado um marco da cultura pop (sim, eu ouvi isso de pessoas que nem gostam de Star Wars... é incrível!). Mas são filmes dedicados a diferentes tipos de pessoas.
Como eu disse acima, começa por Mad Max ser um filme fechado, com começo, meio e fim, sem deixar espaços para uma sequência. Miller pode ou não voltar com um novo filme, somente depende dele isso. Ele nos dá algo pronto, finalizado, que mesmo se não lermos as histórias em quadrinhos, publicadas pela DC Comics, compreendemos. Já Star Wars VII, mesmo tendo uma finalização, deixa espaços para questionamentos, espaço para novas questões a serem respondidas em filmes futuros. Seu final é uma incógnita, não sabemos o que virá a seguir, ficamos sem respostas para várias situações e deixa espaço para milhares de especulações. Às vezes, para ligarmos pontos em aberto, se faz necessário ler livros, quadrinhos, assistir animações. Isso é ruim? Muito pelo contrário, um Universo Expandido consiste em uma gama de informações das mais variadas. Sendo assim, os livros, sejam Legends ou baseados na nova franquia, as revistas em quadrinhos, as animações, tudo se complementa. Isso é necessário.
Já em Mad Max, mesmo que se criem coisas paralelas ou tente expandir seu universo, é totalmente desnecessário. A história que Max vive em cada filme, seja enfrentando uma gangue de motoqueiros, salvando um vilarejo, encarando um monstro em um domo ou ajudando uma caminhoneira, não tem uma ligação entre uma ou outra. E mesmo que viessem a explicar como cada personagem chegou até aquele momento, não fará diferença, pois o que acontece está ali e em algum determinado momento será explicado dentro do filme, não em outras mídias. Isso também é muito bom, pois nos faz concentrar naquele momento que está ocorrendo e não nos preocuparmos com a necessidade de ler algo ou assistir alguma animação.
Aí falam, “mas a bilheteria de Star Wars é quilométrica, ganha de muito de Mad Max”. Sério, vocês querem comparar um oceano de fãs de uma das mais clássicas e antigas franquias do mundo com um filme que tem outros três cuja única ligação é o personagem “Mad” Max Rockatansky? Sem contar o conteúdo dos dois. Star Wars é um filme direcionado a um público mais jovem, cuja censura é definida como livre. Já Mad Max é um filme voltado para um público mais velho, com um teor violento maior. Tem cenas em Mad Max que nunca seriam mostrados em um filme como Star Wars. Mesmo que Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith seja um filme mais... sinistro, não tem um terço da violência de Mad Max: Além da Cúpula do Trovão (considero-o o mais leve dos quatro filmes).
Aí virão e falam: “Ah, mas estão dizendo que Mad Max é o filme do ano”... sinceramente, cada um tem o direito de achar o que desejar. Ainda vemos pessoas que não gostam de Star Wars, bem como vemos pessoas que ojerizam Star Trek, 007, Jurassic Park e, principalmente, Mad Max. Se um o consideram o filme do ano – me coloco entre esses – deixe estar. Cada um tem sua visão. Comparações são desnecessárias. Ficar escrevendo “E agora Mad Max?”, quando Star Wars atingiu a bilheteria de mais de US$ 240 milhões em seu fim de semana de estreia é suar no molhado, não faz diferença.
Mad Max: Estrada da Fúria é um filme que teve como objetivo trazer de volta algo que não se via há mais de trinta anos, ou seja, uma história de Max em seu mundo apocalíptico, com um novo ator fazendo o protagonista. E conseguiu, pois não teve um fã, não teve uma crítica que negativou o filme. Não teve uma bilheteria brilhante, pois somente arrecadou US$ 375.836.354 (US$ 153.636.354, nos EUA), mundialmente, mas comprovou-se muito bom, melhor do que o esperado.
Já Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força, para muitos, foi um reascender da chama, foi uma glorificação daquilo que eles gostavam, pois consideram os três filmes de 1999, 2002 e 2005, perniciosos, insossos e desnecessários.
Não sei porque isso, já que foram feitos pelo criador de Star Wars e contam tudo que ocorrera desde a descoberta de Anakin em Tattoine até sua transformação em Darth Vader. Fico me perguntando se existem mesmo fãs de Star Wars ou se existem fãs do Universo Expandido, o que considero como uma grande diferença, pois desde que Lucas decidiu contar o que ele tinha guardado e arquivado, juntando com material que fora dado no Universo Expandido, isso é válido. Agora não é dele? Agora pertence à Disney? Pode ser, mas ele criou, ele estabeleceu aquilo que conhecemos antes do VII (pelo menos, eu conheço, já que nunca li nada do Universo Expandido... sim, sou um bitolado). I, II, III, IV, V e VI são criações de Lucas, são seu universo Star Wars. Ele deu espaço para outros criarem? Sim. Considerou algumas coisas parte de seu universo? Sim. Mas isso não desfaz o que ele criou, o que ele fez.
Tá, fugi um pouco do objetivo da resenha, mas não façam comparações de coisas que não cabem a nós compararmos. Curtam! Aproveitem! Para isso serve Star Wars e Mad Max. Se eu tivesse filhos novos, lhes apresentaria o universo Star Wars, mas somente apresentaria os filmes de Mad Max depois dos 18 anos, pois são forma diferentes de contar histórias. Deixemos Max viver em seu mundo apocalíptico, enquanto a saga dos Skywalker habita mundos muito, muito distantes (tá, foi proposital e, possivelmente, sem necessidade). Vamos curtir e pensar antes de criticar.