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sábado, 7 de novembro de 2015

RESENHA HQ: Superman: O Último Filho (DC Comics Coleção de Graphic Novels da Eaglemoss)

dcgn_03_supermanSUPERMAN: O ÚLTIMO FILHO (DC Comics Coleção de Graphic Novels da Eaglemoss)

Roteiro: Geoff Johns, Richard Donner, Kurt Busiek, Fabian Nicieza

Desenhos: Adam Kubert, Renato Guedes

Arte-Final: José Wilson Magalhães

Título original: Superman: Last Son

O terceiro volume da coleção de graphic novels da DC Comics que a Eaglemoss está lançando no Brasil é dedicada ao primeiro super-herói dos quadrinhos, Superman. Na história, escrita em conjunto por Geoff Johns e o diretor Richard Donner, uma nave chega a Terra transportando uma criança que fala em kryptonês, língua típica do planeta natal do Superman, Krypton, deixando claro ao Homem-de-Aço que ele e sua prima não são mais os últimos kryptonianos vivos. Mas a chegada dessa criança acarretara em problemas aos quais Superman terá de contar com toda a ajuda possível, até mesmo de Lex Luthor.

Quando vejo a lista de graphic novels que serão lançadas pela Eaglemoss eu fico me perguntando o motivo dessa história do Superman estar no terceiro volume. Não tenho certeza se foi o primeiro contato de Geoff Johns com o personagem, mas já se percebe os traços de sua forma de roteirizar, usando referências a aspectos do universo do Homem-de-Aço que caíram na obscuridade após Crise nas Infinitas Terras, fazendo brincadeiras da forma de agir do personagem como o clássico “Para o alto e avante!” (Up, Up and Away, em inglês), com seu disfarce pouco convencional (os óculos que ele usa como Clark Kent), isso sem contar o ressuscitar de elementos que deveriam ser esquecidos da cronologia do Superman, como as inúmeras kryptonitas que causam efeitos diversos ao Superman.

O que eu vejo nessa história é um “jogar por terra” tudo que John Byrne fez pelo personagem após a Crise nas Infinitas Terras. Desde que Jeph Loeb trouxera a Supergirl de volta para o Universo do Homem-de-Aço, isso vem acontecendo. Personagens como Krypto, Zona Fantasma começaram a ser ressuscitados, na minha opinião, desnecessariamente. O fator “O Último Kryptoniano Vivo” deixa de existir, pois não existe mais o órfão Kal-El, já que ele tem uma prima, um cão e tantos outros membros de seu planeta, vivos e ainda respirando, podendo ser uma ameaça não somente a ele, mas também aos terráqueos, tão suscetíveis a ameaças tão poderosas.

Não que eu tenha lido a matéria, mas o argumento de capa da nova Mundo dos Super-Heróis tem seu fundamento. “O que fazer com o Superman?” parece funcionar muito bem, ainda mais com tantos mudanças que os roteiristas adoram fazer com o personagem, sem seguir uma cronologia correta do personagem.

Posso até estar sendo saudosista ao extremo, mas sempre vi a forma como Byrne estabeleceu o personagem como algo perfeito, pois ele era descendente de um povo que abdicara de tudo pela ciência. As mulheres não pariam seu rebento, eles eram gerados como provetas. Os homens dedicavam sua vida ao estudo da ciência, explorando ao máximo o próprio planeta, tanto que fora isso que causara a extinção dos kryptonianos. Eram um povo frio, calculista, sem sentimentos ou adoração pelo próximo. Mark Waid já havia sido incumbido de recriar o passado de Clark Kent/Kal-El/Superman, mas ele não desfizera o que Byrne criara, somente estendeu o aprendizado do Último Filho de Krypton. Já Johns desvirtua isso ao trazer novamente elementos que se fazem desnecessários, não parece dar atenção ao fato que Lex Luthor não ser somente um prodigioso cientista, mas também um grande milionário, ignora todo o aprendizado de Jimmy Olsen, que descobrira ser mais do que um mero fotógrafo e office boy de Perry White, coloca Lar Gand, o Mon-El, como um habitante da Zona Fantasma, esquecendo – só pode ser isso – o fato que o personagem era membro da Legião dos Super-Heróis na época.

Mas nem tudo é tragédia no encadernado, pois o roteirista mantém o status quo de Clark e Lois, ou seja, ambos estão casados, e mantém algo criado por Byrne, Lois e Clark não podem ter um filho, pois este poderia matá-la, caso fosse concebido.

A história fora escrita na época do lançamento do filme “Superman – O Retorno”, então vemos elementos do filme na revista, como a semelhança do uniforme (o cinto contendo o “S”), o formato da Fortaleza da Solidão, o uso dos cristais como fonte de informação sobre Krypton. E interessante como Adam Kubert emula determinados fatores do filme com elementos dos quadrinhos.

Não vejo a necessidade de “O Último Filho” na antiga cronologia do Superman pós-Crise nas Infinitas Terras, pois a história é um emaranhado de misturas de vários momentos na vida do Superman. Como na época de seu lançamento pela Panini Comics eu havia parado de colecionar as mensais, não sei como ficou o Superman depois disso. Mas tenho certeza que a Eaglemoss vai lavar a alma quando, em um futuro próximo, lançar Superman: O Homem de Aço, de John Byrne. Aí sim veremos uma história com um enredo decente e digno do personagem. No mais, “O Último Filho” serve para fazer parte da coleção e não deixar buracos nela, na minha humilde opinião.

Já a segunda história é muito interessante. Com argumento de Kurt Busiek e Fabian Nicieza, roteiro de Busiek e arte de Roberto Guedes, artefinalizado por José Wilson Magalhães, é uma história de família, onde os Martha Kent, Jonathan Kent, Lois Lane, Kara e Lor-Zod (ou Christopher Kent), vão a um planeta achado por Clark, onde podem desfrutar de um momento de paz e tranquilidade. A história tem um clima bem leve e gostoso, mostrando como o Superman pode viver em família, sem ter problemas com supervilões. Fez falta Conner Kent (ou Kon-El), o Superboy, que havia morrido durante a saga “Crise Infinita” (2005-2006). Mas é uma daquelas histórias gostosas de se ver, pois é um momento totalmente único e diferente.

Ainda temos também a origem do personagem em Action Comics #1 (junho de 1938) e a reformulação da origem em Superman #1 (junho de 1939), tendo os Kent como seus pais adotivos.packge_img

A coleção segue e vamos aguardar o próximo número que será a minissérie “Torre de Babel”, uma das melhores histórias da Liga da Justiça já publicadas, A DC Comics Coleção de Graphic Novels pode ser adquirida em bancas e lojas especializadas, além de também pode ser feita a assinatura no site da Eaglemoss Collections: http://www.assinecolecoeseaglemoss.com.br/dcgraphicnovels/, que também oferece brindes muito legais.brinde01_img