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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cultura do Deslocado: seriados.

SelfieSimpsons

Quando se procura a palavra descolado nos dicionários, em seu sentido figurado, se fala de alguém fora de seu ambiente habitual, formal, mas se pegarmos esta palavra no seu sentido macro, em ambiente generalizado, é assim que eu me sentia quando mais novo, pois gostava de coisas que outros não gostavam. Hoje esse sentido se dispersa, pois ser deslocado é ser pop, o que termina descaracterizando a palavra em si.

Um deslocado era – ou é – uma pessoa com preferências e gostos diferentes de diversão e entretenimento. No meu caso, em específico, era meu prazer em ler quadrinhos, brincar de super-heróis (meu primo era o Batman, meu irmão era o Robin e eu, pra não ser o Alfred, era o Batmão (sem ferir os direitos autorais do Maurício de Sousa)), assistir desenhos animados e seriados (minha hipermetropia é graças as minhas horas de frente para a TV), passar horas desenhando, criando meus personagens (tenho meu próprio universo de personagens) e criando suas histórias (coisa que eu faço até hoje em dia... bem maluco mesmo!), que às vezes eu mesclava com as brincadeiras de super-heróis (a varanda da casa de minha avó era o cockpit de um furgão, com direito a comunicação por rádio. rastreamento por radar e sistema de armas). E eu sempre gostei de seriados.

the_incredible_hulk_posterAssim, não vou me lembrar qual foi o primeiro seriado que eu assisti, mas me lembro remotamente, dos seriados do Batman, com Adam West e Burt Ward e suas onomatopeias, d’O Incrível Hulk, com Bill Bixby no papel de David Banner e Lou Ferrigno no papel do gigante verde (não vou chamar de esmeralda, pois a pintura as vezes criava um contraste de verde com o tom da pele dele que NUNCA seria esmeralda), o Homem de Seis Milhões de Dólares, A Mulher-Biônica, Mulher-Maravilha, Poderosa Ísis e Shazam. Não me lembro de acompanhar séries como Jornada nas Estrelas (hoje chamado pelo nome verdadeiro por uma grande maioria, ou seja, Star Trek), Perdidos no Espaço, Túnel do Tempo, mas também, aqui na minha cidade só tínhamos acesso a três canais, TVS (agora conhecida como SBT), Rede Globo e TVE (hoje conhecida como TV Cultura), então ficávamos submetidos ao que passava nestes canais. Eu também me recordo de assistir Spectreman, A Terra Perdida (que eu não gostava muito).

Uma das recordações mais memoráveis que possuo foi quando anunciaram o seriado do Homem-Aranha. Eu e meu irmão estávamos na casa de uma amiga de nossa mãe quando o seriado estreou e ela tinha um filho e nós assistimos todos juntos para depois ficar brincando de subir pelas paredes como Hammond fazia na série. Lembro até hoje de subir nos portais e ficar dizendo “olha, eu sou o Homem-Aranha”, bem sem noção, mas que nutria minha sede por novidades na minha vida.

Eu parava tudo que fazia para assistir os seriados e foi assim até mais tarde, quando eu e meu irmão corríamos para chegar a tempo de ver os seriados da Sessão Aventura. Fosse a brasileiríssima Armação Ilimitada com Juba, Lula, Zelda e Bacana, ou mesmo as séries estrangeiras comomanimal Manimal, Moto Laser, Automan, Trovão Azul, Águia de Fogo, The Flash e Robocop. Ou então passava o canal e assistia Esquadrão Classe A (assisti poucos episódios, mas o que assisti adoro até hoje) e Super Máquina. Com certeza era diversão garantida e horas na frente da TV.

Essa paixão por séries nunca esmoreceu, pois televisão – ao contrário dos quadrinhos – eu não precisava pagar para assistir o que desejava, estava a minha disposição, desde que chegasse a tempo para ver.

Hoje em dia, um – possível – descolado tem o mais variado leque de opções para o que deseja assistir, desde séries inspiradas em quadrinhos até séries baseadas em literatura fantástica, passando pela ficção científica, que nunca pode fazer falta. Eu mesmo busco manter meu tempo nos fins de semana me mantendo atualizado com o que tem de novo. Assisto The Walking Dead, Fear The Walking Dead (tá, começou agora, mas já estou acompanhando), the flash-arrowThe Flash (Bem diferente do clássico dos anos de 1990, mas tão bom quanto), Gotham, Arrow, Agentes da S.H.I.E.L.D., Agente Carter, Constantine (é, eu sei que foi cancelado, mas eu acompanhei), Demolidor, Powers, Hawaii Five-0, Under the Dome (que eu tive a triste notícia que foi cancelado), Dark Matter, Killjoys, Narcos (estreou a pouco no Netflix, com Wagner Moura, e é excelente), The Blacklist, The Originals (spinoff de The Vampire Diaries, que dá de 10 a 0 na original) e Game of Thrones.

Eu sempre busco me atualizar e assistir de tudo um pouco, mas termino me enjoando ou não me identificando com o contexto de determinadas séries e desisto delas, como o recente Mr. Robot e True Detective. Existem aquelas que eu insisto, mas por causa de outras séries que considero mais interessantes, desisto, Terra Novacomo foi o caso de Teen Wolf, American Horror Story, Elementary e Defiance, que eu vinha gostando do conteúdo, mas cessei o acompanhamento.

Como boa parte das séries que eu acompanho são feitas pra emissoras de TV dos Estados Unidos, eu me frustro quando descubro que determinada série foi cancelada e eu acreditava que teria um futuro promissor, como no caso de Moonlight, Roma, Terra Nova, – já citada – Stargate Universe e – também – Constantine, mas também fico feliz quando consigo acompanhá-la até o final como Dexter, Spartacus, Fringe e Breaking Bad, mesmo que elas me deixem decepcionados como no caso de Lost (como eu ODEIO aquele último episódio).

Eu convivo com seriados como se fosse um ar que eu respiro, me divirto assistindo-os e não me canso deles. Sentiria muita falta se um dia sentasse em um sofá ou deitasse em minha cama e não tivesse uma série para eu assistir. Acho que me sentiria vazio, sem objetivo.

Agora venho aguardando o que vem pela frente, pois existem promessas de novas séries como Legends of Tomorrow, Supergirl e Marvel’s Most Wanted. O prequel de The Walking Dead, – que eu citei acima – Fear The Walking Dead, já estreou com um clima tão tenso quanto seu antecessor. Temos ainda o – para mim – decepcionante Lúcifer, baseado em um personagem da Vertigo Comics, mas que não tem muito haver com o personagem dos quadrinhos.

O importante é que, enquanto existirem seriados para serem assistidos, este descolado estará vendo-os.