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sábado, 25 de julho de 2015

RESENHA ANIMAÇÃO: Liga da Justiça: Deuses e Monstros.

Justice League - Gods and Monsters (2015)LIGA DA JUSTIÇA: DEUSES E MONSTROS (Justice League: Gods and Monsters, 2015)

Direção: Sam Liu

Roteiro: Alan Burnett, Bruce Timm

Elenco: Benjamin Bratt, Michael C. Hall, Tamara Taylor, Paget Brewster, C. Thomas Howell, Jason Isaacs, Tahmoh Penikett, Grey Griffin, Daniel Hagen, Penny Johnson Jerald.

O Multiverso DC possui 52 universos paralelos, com várias versões do Batman, Superman, Mulher-Maravilha e os outros membros da Liga da Justiça (mas sempre a Trindade DC está a frente). Existem até planetas que não possuem versões desses três, como a Terra Seis, onde existem somente três super-heróis na Terra, Lorde Volt, Lady Quark e a filha deles, a princesa Fern (pré-Crise nas Infinitas Terras); Terra-4, formada pelo personagens da Charlton Comis em suas versões Watchmen (pós-Novos 52); Terra-5, formada elos personagens da Fawcett Comics, como a família Marvel, Ísis, Adão Negro, e outros (pós-Novos 52); Terra-7, possui versões pastiche do Universo Marvel Ultimate (pós-Novos 52); Terra-8, que possui versões pastiche dos Vingadores, os Extremistas, liderados por Lorde Havok (pós-52); Terra-10, formada pelos Combatentes da Liberdade, da Quality Comics (pós-52); e por aí vai. Existem ainda várias outras Terras sem determinações ou mesmo com definições de quem são seus habitantes. Pensando assim, eu colocaria Liga da Justiça: Deuses e Monstros em uma dessas Terras.

Bem, com isso em mente vamos a premissa da animação. Superman, Batman e Mulher-Maravilha estão unidos para eliminar as ameaças que afligem a humanidade, auxiliando o exército estadunidense, liderados pelo Capitão Steve Trevor, mas nem sempre seus métodos são bem aceitos, pois eles têm o costume de tomar a justiça nas próprias mãos, o que muitos poderiam crer ter a ver com passado, já que o Superman é filho de Lara com Zod, criado por imigrantes mexicanos, Batman é o Dr. Kirk Langstrom que se tornou um vampiro, depois de uma experiência mal sucedida, e Mulher-Maravilha é a nova deusa Bekka que se exilou na Terra. As coisas ainda pioram quando cientistas começam a morrer e parecem que estão sendo assassinados pelos três justiceiros, o que faz com que iniciem uma busca para saber o responsável e que sejam inocentados.

Quando você pensa nessa história pensa: desrespeitaram toda a história dos personagens. Cadê os Kent? Cadê Bruce? Cadê Diana? Quem é essa Bekka? Mas aí está o momento que você se engana, pois Alan Burnett e Bruce Timm permanecem respeitando os personagens, mas fazendo pequenas modificações. Tudo é muito bem explicado em determinados momentos da animação, mostrando o motivo desses personagens serem quem são. É impressionante como Timm e Burnett pensaram em tudo para criar esse enredo fantástico, sem ferir – muito – o cânone dos personagens. Se pensarmos no Multiverso DC, vemos que as possibilidades são muitas e tudo é viável e possível, de fato.

JUSTICE LEAGUE - GODS AND MONSTERS - THE TRINITYÉ como se víssemos Timm e Burnett construir um novo Universo DC, usando ideias e conceitos que já existem no universo normal da DC Comics. Não é tão estranho que Superman possa ser filho de Lara e Zod, ainda mais dá forma como é posta na animação. Bem como o Dr. Kirk Langstrom, muito conhecido pelos fãs dos quadrinhos como Morcego Humano, também não é estranho de sempre fazer seus experimentos com morcegos, mas sua experiência toma outro rumo. Já Bekka, a Mulher-Maravilha de “Deuses e Monstros”, mesmo sendo pouco conhecida, faz parte do Universo DC desde 1984 quando apareceu pela primeira vez em DC Graphic Novel #4: The Hunger Dogs (março de 1984), criada pelo mestre Jack Kirby. A forma como Bekka busca exílio na Terra ainda é dentro do contexto do Universo DC pré-Crise nas Infinitas Terras. Ou seja, Timm e Burnett usaram elementos do Universo DC para criar o próprio universo, e o mais importante, funciona de uma forma incrível.

Alan Burnett e Bruce Timm sempre foi uma dupla que funcionou muito bem, desde Batman: A Série Animada, vemos como eles sabem trabalhar elementos do Universo DC, sem desrespeito, nem com o cânone e nem com os fãs. Mesmo que seja a animação mais violenta dos dois, ainda é mais contido que as animações que vemos vendo nos últimos anos. Dessa forma, eles e o diretor Sam Liu mostram que não é necessária violência extremada para se ter boa ação e diversão. E animação ganha ainda mais força com as três partes de Justice League: Gods and Monsters Chronicles, desenvolvida pela Warner Animation e Machinima para o Youtube, apresentando nos episódios uma história com cada uma dos personagens.JUSTICE LEAGUE - GODS AND MONSTERS CHRONICLES

Ver mais um excelente trabalho de Timm e Burnett só me faz saber que ainda é possível se ter boas animações que saibam trabalhar o Universo DC de forma decente.Justice League - Gods and Monsters #1