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segunda-feira, 29 de junho de 2015

RESENHA SÉRIES: Sense8

8 pessoas, uma conexão!
 
SENSE8 (2015- )
Sense8, nova série original da plataforma Netflix, é o que podemos chamar de uma série como nenhuma outra.
A história começa a partir de Angela (Daryl Hannah, de Kill Bill), uma sensate que decide sacrificar a própria vida para a sobrevivência de outros iguais a ela. Esses outros vivem em vários cantos do planeta e possuem uma ligação sem igual.
Nascidos no mesmo dia e mês, os sensates possuem uma ligação extrassensorial, onde eles podem interagir entre si, às vezes “substituindo” um ao outro na hora da ação. Desde um ator mexicano até uma empresária coreana, eles têm pouco em comum a não ser essa ligação. Mas nem tudo são maravilhas, pois eles são perseguidos por uma organização que deseja usar seus poderes. Essa perseguição só se torna mais forte próximo do final dos doze episódios, pois a maior parte do tempo à série é uma apresentação de quem são os personagens e suas descobertas.
OS SENSATES
Em Sense8, conhecemos o policial Will Gorski (Brian J. Smith, de SGU Stargate Universe), que ao sentir a morte de Angela e descobrir que acontecera em sua cidade, Chicago, começa uma investigação particular que o leva até o – suposto – terrorista Jonas Maliki (Naveen Andrews, de Lost), mas então ele descobre que o problema é maior do que ele imagina.
Conhecemos também a ativista hacker transsexual Nomi Marks (Jamie Clayton), que vive com sua namorada Amanita (Freema Agyeman, de Lei & Ordem: Reino Unido) em São Francisco e após sofrer um colapso vai parar em um hospital, onde quase sofre uma lobotomia, mas é salva por Will que se liga a ela e a liberta das algemas. Nomi começa então a investigar sobre o médico que desejava operá-la e descobre que ele tem uma ligação com a organização que deseja neutralizar a ela e outros sensates.
Também conhecemos a DJ islandesa Riley Blue (Tupence Middleton, de O Jogo da Imitação), que depois de um desastre horrível em seu passado vai morar na Inglaterra, mas lá se envolve em um assalto mal sucedido e termina perseguida por um traficante. Ela e Will criam uma ligação tão próxima que se torna amorosa, e como são sensates, é mais forte do que o normal.
Conhecemos a empresária Sun Bak (Doona Bae, de A Viagem), uma inteligente moça, execrada na própria família que, por causa disse, optou a aprender artes marciais. Após descobrir que o irmão está desfalcando a empresa do próprio pai em milhões, ela decide agir na forma de proteger a ambos, mas por conta de uma promessa que fizera a mãe em seu leito de morte do que por si própria.
Tomamos parte da vida de Capheus “Van Damme” (Aml Ameen, de Maze Runner: Correr ou Morrer), um motorista de van em Nairóbi, Quênia, que após enfrentar uma gangue local, fazendo uso das habilidades marciais de Sun, ganha notoriedade e tem de assumir um contrato com o chefão local, Silas Kabaka (Peter King Nzioki, de O Quarto Poder), levando e trazendo a filha deste do colégio em troca de remédios para sua mãe (Chichi Seeii), que tem Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
Conhecemos o ator mexicano Lito Rodriguez (Miguel Ángel Silvestre, de Os Amantes Passageiros), um sensual ator de novelas que está fazendo um filme quando descobre ser um sensate. Mas existe mais sobre Lito do que todos imaginam, pois ele é homossexual e namora Hernando (Alfonso Herrera). Eles terminam sendo descobertos pela namorada postiça de Lito, Daniela Velazquez (Eréndira Ibarra, de Capadocia), que também usava Lito para fugir do namorado violento. Com a descoberta, eles acordam que continuaram fingindo, mas as coisas fogem do controle e Lito precisa agir ou continuar se reprimindo.
Conhecemos Wolfgang (Max Riemelt, de A Onda), um marginal de Berlim que decide com seu melhor amigo, Felix Bernner (Max Mauff, de A Onda), arrombar um cofre ao qual o pai de Wolfgang nunca conseguira, mas ambos se metem em confusão o primo de Wolfgang acredita que os diamantes que estavam dentro do cofre pertencem a ele e fará qualquer coisa para consegui-los, tornando a vida de Wolgang mais infernal do que já é.
E também conhecemos a bela química indiana Kala Dandekar (Tina Desai, de O Exótico Hotel Marigold). Devota à Ganesh, Kala está para se casar com o jovem empresário Rajan Rasal (Purab Kohli), por quem sente um enorme carinho, mas não o ama o suficiente. Um novo problema surge quando Kala descobre que a empresa do pai de Rajan está para derrubar o templo de Ganesh no qual ela frequenta, e ao perceber que se sente atraída pelo marginal alemão Wolfgang.

CRIAÇÃO GENIAL
Não chega a surpreender que essa série venha das mentes mirabolantes de Lana e Andy Wachowski. Criadores da trilogia Matrix e do filme A Viagem (Cloud Atlas), Lana e Andy gostam de histórias com cunho espiritual e com ficção científica. Juntaram-se ao genial roteirista J. Michael Straczynski (não tem uma vez que eu acerte esse nome de primeira J), responsável por excelentes roteiros nos quadrinhos, além de ser o criador das séries Babylon 5, o spin-off Crusade e Jeremiah. O currículo desses três se uniu pela primeira vez no filme “Ninja Assassino”, onde Lana e Andy eram produtores e Straczynski era o roteirista ao lado de Matthew Sand. Não me surpreenderia que os planos dessa série fenomenal tivessem começado em 2009.
Muitas das coisas que vemos nessa série percebe-se a influência da vida dos Wachowski, começando pela hacktivista Nomi Marks, vivida pela atriz Jamie Clayton. Nomi era um rapaz que decidiu se ligar-se ao seu lado feminino e transformou seu corpo totalmente de mulher, indo contra sua família conservadora e sexista. Creio que a única ligação seja o lance da transformação corporal, na qual Lana se submeteu, mas tem muito de política em toda história, algo muito típico das histórias dos Wachowski, com críticas severas e pesadas. De Straczynski vemos a ação e os elementos de ficção, aos quais ele está habituado, além de manter as coisas correndo com o máximo de coerência possível, coisas nas quais vemos nos trabalhos do roteirista, sempre pensando no começo, meio e fim.
 
ANÁLISE
Sense8 é mais uma série do sistema streaming da Netflix que tem excelente qualidade na história e no elenco. A direção é – quase – impecável, pois são diretores que já trabalharam em determinado momento com os criadores da série, o que dá um ar mais familiar e entrosado. É uma série para se ver sem preconceitos formados, na intenção de ter uma boa história e ação em cada episódio.