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segunda-feira, 22 de junho de 2015

RESENHA HQ: Kick-Ass 3



Um final épico para uma saga épica.

KICK-ASS 3

Roteiro: Mark Millar
Desenhos: John Romita Jr.
Arte-final: Tom Palmer
Editora: Icon Comics (BR: Panini Books)
Ano: 2014 (BR: 2015)
Pág.: 260

Em fevereiro de 2008, o escocês Mark Millar e os estadunidenses John Romita Jr e Tom Palmer iniciavam a saga de Dave Lizewski se tornando Kick-Ass, um vigilante. Na sua primeira história ele conhece Big Daddy e sua filha, a pequena assassina Hit Girl, e juntos encaram o mafioso John Genovese e seus comparsas, dentre eles, o filho adolescente de Johnny G, Chris Genovese, que se fantasia de Red Mist para enganar Kick-Ass, Big Daddy e Hit Girl, atraindo-os para uma armadilha, onde Big Daddy é assassinado. Ao final, Kick-Ass e Hit Girl se vingam por Big Daddy, matando John Genovese.
Na continuação, Hit Girl está “aposentada” do combate ao crime, pois vai morar com sua mãe e o marido dela, o policial Marcus Williams, mas Kick-Ass continua seu treinamento e sua patrulha como vigilante. Ele termina sendo chamado pelo Coronel Estrelas para fazer parte do grupo Justiça Eterna, um grupo de super-heróis que patrulham a cidade e agem da melhor forma que podem, todos inspirados em Kick-Ass. Dessa vez ele enfrenta Chris Genovese, que agora se chama Motherfucker, e tem um grupo de super-vilões. Motherfucker é responsável pela morte do pai de Kick-Ass, James Lizewski. Ao final, Kick-Ass escapa por bem pouco da prisão, mas Hit Girl está presa e Motherfucker hospitalizado devido a guerra de mascarados.

O INÍCIO DO FIM
A terceira parte começa praticamente a partir desse momento, em que Mindy McCready – alter-ego de Hit Girl – continua presa em uma instituição de segurança máxima e Chris Genovese está hospitalizado, ainda. Kick-Ass assumiu a base de Hit Girl e levou o grupo Justiça Eterna, que aumentou seu contingente após uma guerra de fantasiados, para lá. O grupo chega a planejar libertar Mindy da prisão, mas se acovardam e desistem da ideia, sem contar que ainda temem pela prisão, pois ainda encontram-se sobre mandato de prisão para vigilantes mascarados, sendo assim, agem na clandestinidade. Um novo mafioso chega à cidade, Don Rocco “Homem-de-Gelo” Genovese, que pretende unificar todas as gangues de Nova Iorque sob sua tutela. Para isso, inocentar seu sobrinho, Chris Genovese, colocando um bode expiatório em seu lugar.
Além de ser Kick-Ass, Dave ainda divide seu tempo trabalhando em uma lanchonete ao lado do amigo Todd – que se fantasia de Ass-Kicker, se tornando um side-kick – e em uma comic shop. Durante uma patrulha como Kick-Ass, Dave encontra-se com a enfermeira Valerie. O dois iniciam uma relação que termina afastando Dave do Justiça Eterna. Nesse meio tempo, um grupo de mascarados, liderados pelo capitão da polícia Vic Gigante, começa a assassinar líderes das gangues nas quais Rocco Genovese desejasse aliar, prejudicando a ação do mafioso, que inicia uma caça aos mascarados, o que ocasiona em uma tentativa de matar Todd.
Enquanto isso, Rocco organiza uma ação para Chris Genovese matar Mindy McCready na prisão, local que ela domina com mão-de-ferro.
Percebendo os problemas que os amigos se encontram, Dave retorna ao traje de Kick-Ass, mais uma vez, para salvá-los.

EQUIPE CRIATIVA
Mark Millar junta-se novamente a John Romita Jr. - co-criador da saga - e Tom Palmer para a conclusão desse épico (pois é assim que eu o considero). Afiado como nunca no roteiro, Millar nos dá mais desse seu personagem que de tão simples, possui uma complexidade única. Kick-Ass é um rapaz que cresce na medida em que a história se desenvolve e percebe-se isso, pois ele sai da imaturidade adolescente para um estado mais afiado de maturidade, chegando a demonstrar, em certos momentos, que o super-herói nem sempre precisa de máscara para ajudar aos outros.
Juntamos então o roteiro de Millar com a arte impecável de John Romita Jr. nessa obra e temos algo definitivamente. JRJR (como ele mesmo assina e como todos o chamam) tem um traço bem único e dá um dinamismo diferenciado à história. Sempre que vejo seus traços me lembro de Frank Miller em Batman: The Dark Knight Returns, com seu traço diferenciado, e é isso que faz com que eu goste mais ainda dos desenhos do artista nessa saga, principalmente.
Juntamos ao desenho de John Romita Jr., a arte-final de Tom Palmer e temos o tom que o trabalho precisa. Palmer acompanha cada traço dado por JRJR, desde as linhas mais finas ao sombreado mais grosso e encorpado. Inchaços, cicatrizes, explosões, tudo de forma a dar mais vida ao trabalho.

UM FIM MAGISTRAL
Kick-Ass 3 finaliza a saga do personagem título, de Hit Girl, do grupo Justiça Eterna, de Motherfucker e da família Genovese. Essa conclusão é de se tirar o chapéu. O mais interessante que a história não esmorece, ela não decai à medida que se desenvolve. Acho que essa é a principal característica positiva de Kick-Ass.
Como mencionei mais acima, Dave Lizewski cresce com o personagem. No começo vemos um adolescente sem eira e nem beira, mas ao final vemos uma pessoa decidida e determinada do que deseja para si mesmo. Ainda no começo da história vemos um Lizewski imaturo, fazendo uso do que ocorrera com o pai para criar imagens vista em quadrinhos, mas depois ele amadurece, percebendo coisas que não via antes. Cada personagem, cada detalhe é necessário, mesmo que às vezes em participações ou aparições menores, eles são essenciais para que aconteça essa conclusão.
Muitos, com certeza, acreditarão que a história poderia perdurar, mas fazendo uso de um antigo ditado: todo começo tem um fim. Kick-Ass teve um começo fantástico, pois trazia um acontecimento recorrente de vários países, que eram pessoas se fantasiando de super-heróis para fazer, na maioria das vezes, caridade nas ruas, continuou de forma deslumbrante, pois foi além dos super-heróis, criou super-grupos, de heróis e vilões e conclui de forma apoteótica, mostrando que todo mundo tem seu momento de amadurecimento e que para ser um super-herói nem sempre é necessário um uniforme ou armas bacanas, mas sim boa vontade e perseverança.