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sábado, 25 de abril de 2015

RESENHA CINEMA: Vingadores: Era de Ultron

VINGADORES: ERA DE ULTRON (Avengers: Age of Ultron, 2015)

Direção: Joss Whedon

Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson, Chris Hemsworth, Mark Rufallo, Jeremy Renner, Colbie Smulders, Samuel L. Jackson, Paul Bettany, Aaron Taylor Johnson, Elizabeth Olsen, James Spader, Don Cheadle, Anthony Mackie, Hayler Atwell, Linda Cardellini, Idris Elba, Stellan Skarsgård, Claudia Kim, Thomas Kretschmann, Andy Serkis.

“Vingadores: Era de Ultron” é o retorno de Os Maiores Heróis da Terra para a tela grande. Três anos depois de encararem uma invasão alienígena em Nova Iorque, o grupo agora tem uma base operacional na Torre Stark (agora Torre dos Vingadores), onde todos residem. Todos os equipamentos são criados e financiados por Tony Stark (Robert Downey Jr.), mas o líder da equipe é o Capitão América (Chris Evans).

A união da equipe, dessa vez, inicialmente, acontece para que eles confrontem uma das últimas células ativas da H.I.D.R.A., depois dos acontecimentos em Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014). Ela é liderara pelo Barão Wolfgang Von Strucker (Thomas Kretschmann) na pequena cidade do leste europeu, Sovokia. Os sovokianos não parecem gostar muito de um dos membros dos Vingadores, o Homem-de-Ferro, principalmente dois deles, os gêmeos modificados (não são mutantes, pois esse termo e os personagens tem licenciamento na Twentieth Century Fox) Pietro (Aaron Taylor-Johnson) e Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), mantidos cativos por Von Strucker. Mas a principal missão do grupo é conseguir o cetro de Loki que estava de posse da S.H.I.E.L.D. após os eventos da Batalha de Nova Iorque e foi parar nas mãos de Von Strucker pra fazer experimentos.

Depois de vencerem a batalha em Savokia, desmantelarem a célula e aprisionarem Von Strucker, Tony Stark pede a Thor (Chris Hemsworth) para que ele e o Dr. Bruce Banner (Mark Ruffalo) façam experimentos e testes com o cetro. Durante os experimentos, Stark descobre que a orbe do topo do cajado possui um tipo de mente própria e então planeja, com a ajuda de Banner e do seu fiel companheiro, a Inteligência Artificial J.A.R.V.I.S. (voz de Paul Bettany), mas sem o conhecimento do restante da equipe, descobrir como usar o artefato para criar Ultron, um projeto de Stark e Banner que traria a tão sonhada paz e não precisaria mais dos Vingadores, tornando-os obsoletos. Mas, durante os experimentos, algo sai muito errado e Ultron (voz de James Spader) se volta contra os Vingadores e toda a humanidade.

Esse é, praticamente, o passo inicial para a trama do segundo filme do grupo. No desenrolar da história vemos uma união temporária entre Ultron e os gêmeos Maximoff, conhecemos – parcialmente – Wakanda e conhecemos o mercenário Ulysses Klaw (Andy Serkis), conhecido nos quadrinhos como Garra. Vemos o lado mais humano de Clint Barton (Jeremy Renner), o Gavião Arqueiro, com sua família, vemos – também – um affair surgir entre Banner e Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), a Viúva Negra. Também conhecemos o lado mais humano desta personagem.

Esses momentos mais humanos dos personagens, para mim, são peças chaves do filme, pois por mais que vamos para o cinema ver um filme de ação, o ponto de mostrar que eles são pessoas comuns, que têm famílias, sofreram muito para serem quem são, é bem importante, também. Vemos isso em “O Homem de Aço” (2013), “Capitão América 2: O Soldado Invernal” – mesmo que rapidamente, “O Espetacular Homem-Aranha” (2012), “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008), pois mostra que até mesmo os super-heróis podem ser menos do que super-heróis.

avengers-age-of-ultron-collageMas o filme tem seus momentos de extensa – e intensa - ação, também. O filme já começa com o ataque a célula de H.I.D.R.A. em Savokia, depois temos as batalhas contra Ultron na Torre dos Vingadores, em Wakanda, finalizando em Savokia (como um círculo vicioso, voltando ao ponto inicial e fugindo um pouco de mais uma batalha nos Estados Unidos). Alguns dos pontos altos são a batalha de Hulk vs. Hulkbuster (chamado no filme de Olívia, se bem me lembro) e o surgimento de Visão (Paul Bettany). Mas o filme não é nenhum Capitão América 2, ou seja, tem muitos problemas para ser considerado um ótimo filme.Avengers-Age-of-Ultron-Fight-Fathead

É melhor do que o primeiro Vingadores? Sim, com certeza, mas a história parece vazia em determinados momentos, sem contar que a maioria dos embates parecem repetições dos que aconteceram no primeiro filme. Sem contar que poderiam ter aumentado o contingente de personagens, mas preferiram manter o mesmo núcleo, o que torna o filme repetitivo, de certa forma.

Vemos a aparição de James Rhodes (Don Cheadle), o Máquina de Combate, e Sam Wilson (Anthony Mackie), o Falcão, bem como Maria Hill (Colbie Smulders) e até mesmo Nick Fury (Samuel L. Jackson) que, de início, me lembrou sua aparição em “Homem-de-Ferro” (2008).Avengers-Age-of-Ultron-Trailer-1-Nick-Fury

O que achei mais... ofensivo foi a forma como trataram Ultron. Dos vilões da Marvel, sempre o achei um dos maiores, daqueles que você odeia com prazer, que deturpa as ideias dos motivos que fora criado para benefício próprio. No filme, Ultron é uma mera imagem do que é nos quadrinhos. Soltando piadinhas e ironias, o Ultron é um personagem cariacato, no qual cheguei, as vezes, sentir pena. Sua horda de robôs parece feitos de papel-marche, o que me impressiona é que, apesar de todos serem uma fração de Ultron, ele somente construiu um corpo poderoso.

Existem também as pontas soltas do filme, como as motivações de Steve Trevor e Sam Wilson ao final de Capitão América 2. Quem bem lembra, eles sairiam em busca de Bucky Barnes, o Soldado Invernal. Pretendiam encontra-lo, mas, aparentemente, deixaram a busca de lado. Bem como Natasha sairia em busca de uma nova identidade, mas ou a encontrou ou simplesmente achou melhor que ficasse como estava e se juntou aos Vingadores. E por que Stark construiu um exército de robôs se havia desistido das suas armaduras ao final de Homem-de-Ferro 3? São perguntas sem respostas.

Mas há algo importante nesse filme, pois ele nos dá a cartada para o início da Fase 3, mostrando o caminho para os filmes “Capitão América: Guerra Civil” (2016), “Thor: Ragnarok” (2017), “Pantera Negra” (2018) e “Vingadores: Guerra Infinita – Partes I e II” (2018-2019).

A direção de Joss Whedon não é falha nesse filme, mas repetitiva. Sim, ele dirige muito bem um elenco grande, se saiu até melhor nesse filme, dando mais espaço para personagens menos super, mas ainda assim heróis. Mas repete a ação, como se fosse uma roda girando sem se mover. Vendo a batalha final desse segundo filme, é como ver a do primeiro, somente em outra locação e sem monstros gigantes.

age-of-ultron-10-things-that-will-make-you-cry-in-avengers-age-of-ultronQuanto a atuação, muitos melhoraram, pois estão mais sintonizados com o personagem, como foi o caso de Chris Evans, que evoluiu mais ainda como Steve Rogers.  Robert Downey Jr. já está calejado como Tony Stark, vemos até um outro lado do personagem nesse filme, mais obcecado pelo que ele acredita ser a “paz mundial”. Já Mark Ruffalo está mais envolvido a psique de Banner/Hulk. Mas os que mais gostei, como citei mais acima, foi de Jeremy Renner e Scarlett Johansson. Renner demonstrou algo que nunca havia visto em nenhum personagem que já o vi interpretar. Avengers_Age_Of_Ultron_Unpublished_Character_Poster_i_JPostersSempre fez personagens fortes, sem se importar muito com nada, mas nessa sua interpretação de Clint Barton o vemos ligado a família. Já no caso da personagem da Srta. Johansson, vemos algo totalmente novo, pois apesar da Viúva Negra ser uma personagem forte e impactante, ela nos mostra um lado mais sensível, que dificilmente se imaginaria. Chris Hemsworth parece não modificar muito do que criou para Thor Odinson, o que é uma pena, pois poderiam ter buscado algo mais próximo de humano e menos deus. As introduções dos atores Aaron Taylor-Johnson e Elizabeth Olsen dão um ar novo a franquia. A interação de ambos, que surgiu quando fizeram esposa e marido em Godzilla, continua nesse filme. Taylo-Johnson é bem conhecido pelo seu trabalho em “Kick-Ass: Quebrando Tudo” (2010) e “Kick-Ass 2” (2013), já Elizabeth Olsen – irmã das gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen – é uma ótima atriz. Já a vi em filmes como “Very Good Girls” (2013), com Dakota Fanning, e “Oldboy: Dias de Vingança” (2013), com Josh Brolin. Ambos estão muito bem em seus papéis e não comprometem em nada. O mesmo posso dizer de Paul Bettany, que antes somente fazia a voz da I. A. J.A.R.V.I.S., agora mostra as caras como Visão. Bettany tem um extenso currículo em sua carreira de papéis intensos, e está ótimo, novamente, mesmo no curto período que aparece no filme. Já James Spader, que eu esperava muito mais, deu um ar caricato – beirando o cômico – para Ultron. Spader é bem conhecido por personagens desse tipo, com um tom de ironia, mas, mesmo em The Blacklist, já o vi dar mais força ao seu personagem, indo além da ironia. Faltou, para mim, um trabalho melhor de composição do personagem, se preocupando em uma ironia desmedida com frases coloquiais e sem impacto.

Como diversão e entretenimento, “Vingadores: Era de Ultron” é um excelente atrativo, mas infelizmente é raso como uma piscina de bebês. Tem momentos bem interessantes, mas tem uma história repetitiva e cenas que muito se assemelham ao filme anterior. Se vale a pena? Com certeza, é um blockbuster sem igual. Mas como escrevi acima, é pura diversão e entretenimento, se é isso que buscam. Eu me diverti muito, ri bastante, mas continuo considerando “Capitão América 2: O Soldado Invernal” o melhor filme que a Marvel Studios já fez. Se fosse dar uma nota ao filme, seria 8,5.