Translate

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Resenha HQ: X-men: Deus Ama, O Homem Mata

XmenDeusAmaTítulo: X-Men: Deus Ama, O Homem Mata

Título original: X-Men: God Saves, Man Kills

Ano de publicação: 1982 (BR: 1986, 2014)

Editora: Marvel Comics (BR: Ed. Abril, Panini Books)

Roteiro: Chris Claremont

Arte: Brent Eric Anderson

Pág.: 100

Em 1926 os chamados graphic novels (romances gráficos, em português) surgiram no mundo, mas exatamente através do belga Frans Masereel (1889-1972), quando este publicou Passionate Journey, no formato de xilogravura medieval. Em 1971, Gil Kane e Archie Goodwin, em 1971, lançaram – apesar de não associarem sua publicação a essa titulatura – o que vieram a chamar de “primeiro graphic novel americana”. De lá para cá, os graphic novels se tornaram encadernações de minisséries publicada em edições mensais da editoras mais conhecidas nos Estados Unidos. Mas nas décadas de 1970 e 1980, o conceito era diferente e eram publicações voltadas para um público mais adulto e com um conteúdo mais polêmico e um enredo mais denso. Assim foi “X-Men: Deus Ama, O Homem Mata”, de Chris Claremont e Brent Anderson, tratando de um tema corrente nas histórias dos mutantes: o preconceito.

Esta temática é algo no qual a sociedade convive constantemente, desde que uma considerou outra inferior à ela. O termo se tornou mais corrente na atualidade, ainda mais após o período de escravidão de africanos nas Américas e o Grande Holocausto durante a 2ª Guerra Mundial. Algumas minorias ainda vivem com o preconceito, mesmo que seja considerado um crime. É desse ponto que Claremont parte, pois ele mostra a perseguição aos mutantes, mas não por eles serem inferiores, mas sim por serem uma evolução da espécie humana, por serem homo superior, mas a causa do reverendo Stryker é acusar os mutantes de monstruosidades criadas pelo demônio, ou seja, existe o envolvimento da religião nisso, outra forma de perseguir àqueles que são diferentes. Mas mesmo sendo um evolução da espécie humana, os mutantes são minoria, o que motiva Stryker a perseguí-los, além de espionar os X-Men.

A história já inicia com uma cena chocante, para depois partir para a ação de verdade, mas mantendo o contexto inicial apresentado, onde os X-Men se unem a Magneto para enfrentar um inimigo em comum, e não falo somente do reverendo William Stryker, mas da perseguição e do preconceito ao qual são submetidos. Eles enfrentam um exército, disposto não somente a capturá-los, mas assassiná-los, se for necessário.

A arte de Brent Eric Anderson dá ao graphic novel a plasticidade necessária e o tom que lhe é exigido. Os traços seguem padrões de pinturas obscuras, com cenas – as vezes, chocantes, mas expressivas.

Eu cheguei a ler críticas de pessoas escrevendo que Claremont nos dá um trabalho mastigado, sem deixar o seu leitor pensar, mas eu vejo ele segue o “padrão Marvel”, iniciado por Stan Lee, só que enriquecendo com uma polêmica não tão tratada anteriormente nos quadrinhos dos X-Men, ou quando tratado, foi de uma forma mais amena, diferente desse graphic novel.

É um graphic novel que deve fazer parte não somente da coleção de um fãdos X-Men ou da Marvel, mas de qualquer apaixonado por quadrinhos.