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terça-feira, 4 de novembro de 2014

RESENHA OVERDOSE HQ: Kick-Ass: Quebrando Tudo.

Publicado no grupo Overdose HQ em 04/11/2014.

RESENHA OVERDOSE HQ:

Kick-Ass: Quebrando Tudo.
Título original: Kick-ass
Data de Publicação: 2010 (BR: 2010)
Editora: Icon Comics (BR: Panini Books)
Roteiro: Mark Millar
Desenhos: John Romita Jr.
Arte-Final: Tom Palmer

Quando você fala "Ah, eu estou lendo Kick-Ass", a maioria das pessoas já falam "É o mesmo do filme"... bem, quem fala isso, com certeza, nunca leu nem a minissérie e nem o encadernado escrito por Mark Millar e desenhado por John Romita Jr.
Tá, o filme tem vários elementos dos quadrinhos e até alguns acréscimos de elementos que não existem nos quadrinhos, mas falta ao roteiro de Jane Goldman e Matthew Vaughn, muito para se comparar aos quadrinhos. Primeiros que eles amenizaram na violência. Sim, vemos cabeça voando, tiros e mais tiros perfurando mocinhos e vilões, mas a crueza da violência nos quadrinhos faz você sentir a dor que o personagem sofre, principalmente Dave Lizewski.
As história são as mesmas: Dave Lizewski é um jovem de dezesseis anos que acha sua vida massante. Não é popular, não é inteligente, e o que ele mais curte são quadrinhos e, por causa desses, ele decide que mudará sua vida. Coloca uma roupa de mergulho, uma máscara de esqui e sai pelas ruas, tentando ser um super-herói, mas na primeira vez que enfrenta três pichadores, termina esfaqueado e atropelado. Vai para o hospital, sofre várias operações e quando retorna para casa, depois de meses na cadeira de rodas, toma a decisão de desistir de ser super-herói, mas não resiste, e na segunda patrulha termina lutando contra vários bandidos e ganha um nome: Kick-Ass.
Com o surgimento do Kick-Ass, vários decidem fazer o mesmo, e os fóruns e o My Space lotam de pessoas que começaram a se fantasiar. Até que surgem dois que não se socializam como os outros: Big Daddy e Hit Girl, e é a partir daqui que as coisas se modificam um pouco. Hit Girl é tão cruel quanto no filme. Ela é uma menina que se veste de roxo, usa uma peruca preta e no seu "cinto de utilidades", ela carrega duas espadas super afiadas, capazes de cortar um crânio no meio.
A forma dela agir, traumatiza Kick-Ass e, pela segunda vez, ele desiste do uniforme. Só que ele não age pela amiga dele que acha que ele é gay (esse é um ponto de mudança). Enquanto ele está recluso, surge um novo super-heroi, Red Mist, que consegue frustrar a máfia russa e levá-los à prisão. Percebendo que Red Mist está tomando seu lugar, Kick-Ass retorna e os dois formam uma dupla, até que são convocados por Big Daddy e Hit-Girl para acabar com Johnny G (outra mudança), só que as coisas não saem como esperado e eles são traídos por Red Mist que se revela filho de Johnny G, Chris Genovese.
A tortura que Kick-Ass sofre é, praticamente, catártica. Você sente pena do rapaz. As revelações do Big Daddy são frustrantes e chegam a ser bem mais interessantes que no filme, pois mostra até aonde uma pessoa pode chegar para "brincar" com a filha.
Eu não vou passar do que escrevi aqui, pois se torna meio complicado, sem revelar muito da história, mas é impressionante como Millar leva essa história. Você percebe que as pessoas são fúteis e, muitas vezes, meio malucas, capazes de fazer coisas absurdas. A culpa remetida aos quadrinhos é muito válida, pois muitos fazem isso, o vigilantismo, baseados em quadrinhos.
Muitos reclamam da forma de John Romita Jr. desenhar, mas a arte dele é essencial nessa história. Sinceramente, eu não consigo imaginar outra pessoa desenhando essa história. E juntou com a arte-final de Tom Palmer e as cores de Dean White, deu um tom ao mesmo tempo colorido e mortal. Cada detalhe, cada momento da história, percebemos o quanto o filme desvirtua o original.
Entendam, eu não estou dizendo que o filme não seja bom, pelo contrário, eu gosto muito dele, mas a história em quadrinhos consegue passar muito mais claramente a ideia de Millar. Sinceramente, fãs de quadrinhos têm de ter esse volume (assim como o 2, que também é fantástico) na coleção.kick ass