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domingo, 9 de novembro de 2014

RESENHA OVERDOSE CINEMA: Drácula: A História Nunca Contada

Publicado na fanpage do grupo Overdose HQ em 09/11/2014.

RESENHA OVERDOSE CINEMA:
Dracula-A-Historia-Nunca-ContadaDrácula: A História Nunca Contada
Título original: Dracula Untold
Lançamento: 2014
Direção: Gary Shore
Elenco: Luke Evans, Sarah Gadon, Dominic Cooper, Art Parkinson, Charles Dance.
"Vlad III, também conhecido como O Empalador – como era conhecido o Drácula histórico – nascera na cidade de Schassburg, na Transilvânia, no ano de 1431. Filho de Vlad II Dracul, que no ano de seu nascimento tornara-se membro da Ordem do Dragão e príncipe da Valáquia, na Romênia. Em 1442, após uma batalha que fora derrotado pelo sultão do Império Turco-Otomano Murad II (1404-1451), Vlad Dracul, para provar sua fidelidade ao sultão, deixou seus filhos Vlad III e Radu III, o Belo (1435-1475) como reféns. Vlad e seu irmão foram colocados em prisão domiciliar e depois levados para a Ásia Menor. Radu III, o Belo terminou se tornando um aliado de Murad II e o favorito de Mehmed II (1432-1481) – sucessor ao sultanato – como candidato oficial ao trono valaquiano, sob domínio turco".
"Drácula: A História Nunca Contada" é, em parte, fiel ao que eu escrevera no meu TCC em 2012, ou seja, começa mostrando que Vlad III é enviado ao sultão, mas desconsidera o irmão de Vlad, Radu III. Em parte, isso se torna uma fidelidade histórica ao original, o que é muito significativo, já que estamos falando sobre um personagem que existiu de verdade, mas é no momento da narração que as coisas se distanciam da realidade, pois o filme é narrado por um filho de Vlad Drácula (Luke Evans de O Hobbit: A Desolação de Smaug), Ingeras (Art Parkinson, o Rickon Stark de Guerra dos Tronos), que nunca existiu em nenhum relato histórico do protagonista da história. E é a partir daí que começa o filme, pois Drácula, após assumir o principado da Transilvânia e ter se casado com Mirena (Sara Gadon de O Homem Duplicado), decidiu não se dedicar as batalhas, mas um dia um capacete de turco é encontrado em um rio e isso o leva a Montanha do Dente Quebrado, onde um monstro (Charles Dance) habita e, apesar de dois soldados morrerem, ele sobrevive e retorna ao seu palácio onde é informado por um frade que o monstro é um vampiro que ali habita há anos, depois de ser amaldiçoado por um demônio.
Enquanto comemoravam o domingo de Páscoa, Vlad e sua corte recebem um visita dos soldados de Mehmed II (Dominic Cooper de Capitão América: O Primeiro Vingador), que além do dote que devem sempre pagar, exigem 100 crianças para servir ao exército do Império Turco-Otomano de Mehmed. Quando Vlad tenta negociar, Mehmed exige uma criança a mais, Ingeras, filho único de Vlad. Quando vai para entregar o filho, devido aos apelos de Mirena, Vlad trai o acordo e assassina os homens que vieram pegar seu primogênito, começando uma guerra contra os turcos. No intuito de vencê-la, ele recorre ao Mestre Vampiro da Montanha do Dente Quebrado. Este, por sua vez, dá o poder à Vlad de vencer a batalha em três dias, prazo para que ele tem para perder os poderes dados pelo sangue do vampiro. Mas o adverte, caso beba sangue, será eternamente um vampiro.
Esta é praticamente a premissa do filme, daí por diante Drácula tem de evitar o sol e não tocar em prata, algo que ele não evita para lembrá-lo de seu objetivo, que é não beber sangue humano. Mesmo com as tentações por que passa, ele evita a todo custo.
O filme é muito bom, com muitos pontos interessantes e fazendo uso de várias partes do mito do vampiro. O que poucos sabem é que o mito do sol nunca existiu na história original, tendo sido criado como forma de derrotar o vampiro por Murnau em 1922 para o filme "Nosferatu, eine Symphonie des Grauens". O mais interessante é como Matt Sazama e Burk Sharpless, em seu primeiro roteiro para o cinema, nos entregam Drácula. Ele não está na Era Vitoriana, como o Drácula de Bram Stoker, ou nos dias atuais, como vários outras pessoas o interpretam em filmes e seriados, mas sim no século XV, período de guerras entre o Sacro Império Romano Germânico e o Império Turco-Otomano pelas terras do Leste Europeu. Somente vi uma vez essa ideia ser levada aos filmes e foi em "O Príncipe das Trevas: A Verdadeira História de Drácula" (2000). Mesmo com as mudanças e a não inclusão de personagens como Radu III, o Belo, o filme tem muitos elementos bons para dignificar o mito do vampiro.
As atuações não ficam atrás, pois Luke Evans está muito bem como Vlad Drácula, e mesmo sendo uma atriz pouco conhecida, Sarah Gadon rouba a cena quando aparece, demonstrando ser uma mãe zelosa, mas ao mesmo tempo uma esposa forte e aliada ao marido, mesmo nos momentos mais difíceis. Dominic Cooper retorna a ser um antagonista, algo que está se tornando um constante em sua carreira, com exceção de seu papel como Howard Stark em Capitão América: O Primeiro Vingador. Ele está ótimo como Mehmed II. Outro destaque é o jovem Art Parkinson, que muitos conhecem de Guerra dos Tronos. Mesmo que na série ele desempenhe um papel menor, no filme ele ganha imenso destaque, ainda mais como narrador da história do pai.
A direção de Gary Shore, que tem sua estreia como diretor de longas neste filme, não é impecável, mas também não compromete, demonstrando uma dedicação a cada cena. Torço ver mais trabalhos futuros dele.
No geral é um filme que não é uma perda de tempo, tendo momentos muito interessantes, mas algumas coisas poderiam ser mudadas facilmente, como a forma de Drácula se transformar em "morcego", seria uma das mudanças que deveria ter existido, pois é ilógico ele virar vários morceguinhos (ainda prefiro a forma como Copolla idealizou a besta alada) ou mesmo o ataque massivo de morcegos, pois parece ser muito "viajante" da parte do diretor aquilo, parecendo mais coisa de games e quadrinhos.
"Drácula: A História Nunca Contada" entra na minha lista de bons filmes com vampiros.
Fontes: http://www.academia.edu/attachments/32085883/download_file?st=MTQxNTU1MTk3MCwxODcuNjQuMTkxLjcx&s=popover
            http://www.imdb.com/title/tt0829150/?ref_=nv_sr_1