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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Bons tempos… que as vezes retornam.

Publicado no grupo Overdose HQ em 24/07/2014.

Me perdoem por abrir um tópico (quilométrico) somente para isso, mas ontem (23/07) chegaram mais duas miniaturas DC Comics para minha coleção: miniaturas-dc-comics-super-herois-n20-donna-troyDonna Troy e Duas-Caras. Como sempre, lindas e bem detalhadas (a do Duas-Caras parecia meio borrada na pintura), ambas remetem pré-Novos 52, quando ainda tínhamos Donna Troy.
Sinceramente, ao olhar o fascículo que acompanha a estatueta, - quase - brotou uma lágrima de macho nos meus olhos. Por que isso? Pois vendo as imagens, a história de Donna, e tudo o que ela passou antes de Novos 52 existir, me lembrei como era mais simples naquela época, onde a DC Comics mantinha coerência e não havia mudado tão radicalmente suas histórias. Mesmo pós-Crise, era mantida uma continuidade e o legado dos personagens. A palavra legado me remete ao texto que Pablo Sarmento, do Terra Zero, postou (traduzindo o texto de Chris Sims) semana passada no Momento do Renegado: "[...] A ideia de que eles criaram de que existiam heróis por um tempo, e aí não existia mais, e então o Superman aparecia e levava a todos a uma nova era de heróis que é maior e melhor do que qualquer uma anterior.
É uma grande ideia, e é o que leva a revistas como a do Flash, onde isso foi o tema primário, e na revista do Lanterna Verde, uma revista que tinha fãs contra mudanças e que aparentemente não estavam a par que ter 3600 versões de um personagem significa que ele pode ser substituído, e mesmo nos títulos do Batman, que o Robin era um cargo que era passado pra outro com o passar do tempo. Foi uma grande ideia que levou a grandes histórias, e o melhor de tudo, se você está tentando se distinguir do seu rival, isso era algo que a Marvel não tinha.
A Marvel, para o bem ou para o mal, sempre foi sobre o que acontecia agora, e muito menos a fim de olhar de volta para o seu próprio passado. Esse era o espírito de Kirby fluindo por aquelas revistas, eu acho, mas o resultado é que se era sempre sobre o agora, nunca era então. Peter Parker nunca foi o Homem-Aranha, ele é o Homem-Aranha, e enquanto há tentativas frequentes de balançar as coisas por colocar novos personagens no manto, isso nunca durava. Enquanto a DC estava construindo a idéia de uma progressão – de Jay para Barry para Wally, de Alan para Hal para John para Guy para Kyle, de Dick pra Jason para Tim, etc – o método normal da Marvel era colocar alguém no manto por um tempo e daí graduá-los para um novo personagem quando a versão original retornasse. Rhodey atuou como Homem de Ferro, então se tornou Máquina de Combate. Eric Masterson atuou como Thor e aí se tornou o Trovejante. Ben Reilly atuou como Homem-Aranha e daí o grito furioso dos fãs se tornou tão alto que o jogaram num moedor de carne metafórico até o tempo passar e nós sentirmos sua falta. É o ciclo da vida".
Além disso, tinham as amizades estabelecidas durante anos. Dick conhecera Wally, Garth, Donna e Roy na pré-adolescência e tinham laços estabelecidos como se fossem irmãos. Um estava lá para o outro, sempre que fosse necessário. A amizade de Dick e Donna era tanta que fora Dick que a levara ao altar quando ela casou com Terry. Foi Dick que correu atrás de descobrir sobre o passado mal explicado de Donna. Quando Garth precisou da ajuda dos Novos Titãs quando surgiram problemas que ligavam a terra a sua cidade no fundo do mar, Dick e Donna nem pestanejaram para ajudá-lo. Wally sempre foi o amigo e companheiro de Dick. Mesmo com as relações abaladas quando Wally saiu dos Titãs, em nenhum momento ambos deixaram de se apoiar.
(me perdoem pela caixa alta) É DISSO QUE EU SINTO FALTA!!! Semana passada eu li a UNIVERSO_DC_23Universo DC do mês passado que tinha uma história da Flash Annual onde Flash e Lanterna Verde tinham aventura juntos. O laço de amizade deles me remeteu ao período anterior a Novos 52, o que eu achei maravilhoso, já que eles tinham um laço de amizade forte naquela época.
Por mais que todos amem a relação do Superman e Mulher-Maravilha, eu sinto falta da amizade e o apoio que Diana dava à Clark quando este vinha lhe contar dos problemas de ser um super-humano amando uma simples humana, pois essa sabia se identificar. Uma relação entre os dois é como ver Hera e Zeus, mas sem Zeus dar suas puladas de cerca (ou pula?). Mesmo que fosse algo complicado para Arthur, eu gostava de ver a relação conturbada dele com Mera, ainda mais depois do assassinato de A.J.
Não estou aqui para falar mal de Novos 52, mas sim para mostrar o motivo de preferir o que existia antes. Pois existiam laços, relacionamentos que vinham desde quando eu era pequeno. Sempre era Lois e Clark, Diana e Steve (se teve uma coisa que não gostei em MM de Pérez foi ele ter cortado a relação amorosa entre os dois), Batman e suas várias namoradas/parceiras/amantes. Dick entre Koriand'r e Babs, Arqueiro Verde e Canário Negro, Arthur e Mera. Os laços de amizade que, mesmo difíceis, existiam, como Superman e Batman, todos os Titãs (clássicos e novos), Sociedade da Justiça e Liga da Justiça (o clássico e o novo), Flash e Lanterna Verde, Lanterna Verde e Arqueiro Verde, as Aves de Rapina. O laço de Bruce com seus tutelados (ele havia adotado Tim e Dick, até), a relação de Clark com Martha e Jonathan (que terminaram adotando Kon-El, também), o laço de Diana com Donna e Cassie (ela tratava a ambas como irmãs). A relação, mesmo difícil, de Ollie e Roy (pois apesar das brigas constantes, eles se amavam e eram como irmãos), o laço de companheirismo entre Wally, Barry, Jay e Bart, além de outros velocistas como Johnny Quick e Max Mercúrio (este último chegou a ser tutor de Bart). A amizade fraternal entre Dick, Donna, Ravena, Kory, Gar e Vic (sendo que estes dois agiam como irmãos).
Faz falta no Universo DC tudo que se estabelecera e que permanecia e se fixará na memória de vários DCnautas. Sei que muitos gostaram das mudanças ou não tem nada contra elas, mas é que eu sempre sinto essa necessidade de me expressar a respeito desse assunto. Espero que me entendam