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domingo, 5 de outubro de 2014

Batman faz 75 anos e tem muita história para contar-Parte 3

Postado no blog Gothamita em 20/05/2014

clip_image002“Batman: Ano Um” contava o início da carreira de Bruce Wayne como o vigilante Batman na cidade de Gotham. Bruce chega a cidade junto com o capitão James Gordon, policial que havia se mudado de Chicago para Gotham, devido a problemas com os policiais de sua cidade-natal. Ambos então iniciam suas carreiras buscando limpar as ruas da cidade da corrupção e marginalidade. A arte da revista fica por conta de David Mazzuchelli, que já havia trabalhado com Miller nas histórias do Demolidor, da Marvel Comics. O Bruce Wayne que vemos é totalmente inexperiente em suas ações pelas ruas da cidade, aprendendo como agir contra os marginais e, muitas vezes, sendo surpreendido pela polícia, liderada por Gordon. Mas a parceria entre ambos é estabelecida ao final da minissérie. Só que essa parceria seria abalado em outra minissérie, “Batman: Ano Dois”.

clip_image004A minissérie “Batman: Ano Dois” foi escrita por Mike W. Barr para a revista Detective Comics e contou com os desenhistas Alan Davis e Todd McFarlane, e contava a história de um novo vigilante que chega a Gotham, o Ceifador. Batman o enfrenta e termina derrotado, então decide por se juntar à classe criminosa de Gotham, contrairando Gordon, e reencontra o assassino de seus pais, Joe Chill. Durante a história nos é reapresentada a Dra. Leslie Thompkins e Bruce termina por se apaixonar por Rachel Caspian, filha de Judson Caspian, o Ceifador, que é uma noviça.

No mesmo ano que “Batman: Ano Um” e “Batman: Ano Dois” foi publicada, a DC Comics lança a graphic novel clip_image005“Batman: O Filho do Demônio”. Esta, que trazia argumentos de Mike W. Barr conta a história do Batman quando este assume seu romance com Talia Al Ghul e aceita trabalhar ao lado de Ra’s Al Ghul. Durante a história, Talia engravida, mas aparentemente perde o filho durante o conflito causado por Quayin e o general Yossif, que buscam assassinar Ra’s Al Ghul e desmantelar a Liga de Assassinos. Com a notícia da possível morte de seu filho, Talia pede que Batman retorne para Gotham, para onde ele volta a muito contra-gosto. A história era considerada fora da cronologia das histórias do Batman, até que Grant Morrison decidiu trazê-la de volta à tona em Batman e Filho (2006).

Batman se tornou uma figura importante dentro da DC Comics, sendo – quase – obrigatório em todas as histórias dos personagens da editora. Ele foi membro fundador da nova Liga da Justiça, depois da minisséire “Lendas” (1986-1987), se tornando líder logo na primeira edição de Liga da Justiça #01 (1987).

Em 1988, o escritor inglês Alan Moore, que já havia revolucionado os quadrinhos com a minissérie “Watchmen” (1986-1987), decidiu, ao lado do desenhista – também inglês – Brian Bolland, contar sua versão do surgimento do Coringa em “A Piada Mortal”. Na história, o Coringa aleija a filha adotiva do comissário James Gordon e Batgirl, Barbara Gordon, e sequestra o comissário, fazendo com que Batman fique no seu encalço. No desenrolar da história, ficamos conhecendo uma – possível – versão da origem do Coringa, desde sua época como comediante até o momento que se torna o vilão. Essa história serveria, em 1989, como base para o filme Batman.

Em 1989, ao completar 50 anos de existência, passeando dos quadrinhos para o cinema e a TV, Batman ganhou seu segundo filme com atores. Mas desta vez não derivava de um seriado de TV com ritmo leve, mas sim um filme sombrio com roupa emborrachada, veículos impressionantes e um vilão de tirar o fôlego.

clip_image009“Batman” estreou nos Estados Unidos em junho de 1989 e reiniciou a nova batmania. O filme, dirigido pelo cineasta Tim Burton, trazia no elenco Michael Keaton como Bruce Wayne/Batman, Michael Gough (1916-2011) como Alfred Pennyworth, Pat Hingle como Comissário Gordon e Kim Basinger como Vicky Vale, mas o verdadeiro protagonista – ou melhor, antagonista – e personagem principal do filme – apesar do título ser relacionado ao homem-morcego – era o Coringa vivido pelo ator Jack Nocholson. O filme foi um enorme sucesso e alavancou a carreira do morcego para outras mídias, tanto que em 1992 ele ganhou uma continuação intitulada “Batman Returns”.

clip_image010Em “Batman Retuns”, os atores Michael Keaton, Michael Gough e Pat Hingle retornaram aos seus papéis, mas o Batman só cumpria o papel de preencher o título, pois as figuras principais eram os vilões Mulher-Gato, vivida pela atriz Michelle Pfeiffer, e Pinguim, com o ator Danny DeVito. Além do filme, o Cavaleiro das Trevas ganhou também uma série de TV criada pelo roteirista e desenhista Bruce Timm.

Batman – The Animated Series (1992-1995) nos trazia um Batman estilizado, combatendo o crime de uma cidade de Gotham imersa no tempo, onde possui zeppelins e carros de polícia da década de 1930, mas com tecnologia quase futurista. clip_image012A ideia de Timm era trazer todo o clima dos anos de 1930 e 1940 para o desenho animado. O sucesso do desenho foi tanto que durou quatro temporadas, mudando o nome na terceira temporada para The Adventures of Batman & Robin, além de ganhar longas metragens como “Batman: Máscara do Fantasma” (1993), “Batman e Superman: Os Melhores do Mundo” (1997), “Batman e Sr. Frio: Abaixo de Zero” (1998) e “Batman: O Mistério da Mulher-Morcego” (2003). Após o desenho com Superman – e seguindo o estilo do desenho do Homem de Aço – Batman ganhou um novo desenhos com o título “The New Batman Adventures” (1997-1998), que durou somente duas temporadas, mas ocasionou no desenho “Batman do Futuro”, que trazia um Bruce Wayne envelhecido passando seu legado ao jovem Terry McGinnis, que assume um traje futurista do morcego e se torna o novo Cavaleiro das Trevas.

clip_image013“Batman do Futuro” teve três temporadas e ganhou um longa metragem com o título “Batman do Futuro: O Retorno do Coringa” (2000). Batman também se tornou membro-chave dos desenhos animados “Liga da Justiça” (2001-2004) e “Liga da Justiça Sem Limites” (2004-2006), tanto que os episódios mais lembrados são “Um Mundo Melhor” (1ª Temp., Ep. 11-12), “Cartas Selvagens-Parte II” (2ª Temp., Ep. 22), onde o Batman se torna o personagem-chave do desenho.

clip_image015Em 1993, Jeph Loeb e Tim Sale decidem fazer uma Especial do Dias das Bruxas para o Batman. Neste primeiro especial, eles mostram que Bruce Wayne se apaixona pela bela Jillian Maxwell, enquanto Batman tem de enfrentar o Espantalho, que vinha causando um surto de pavor na população de Gotham. A união dos dois deu tão certo que em 1994 é lançado o segundo Especial do Dia das Bruxas, intitulado Loucura, onde a jovem Barbara Gordon chega a Gotham para visitar seu tio, o Comissário James Gordon, sua tia Barbara e seu primo James Gordon Jr., mas termina sequestrada pelo Chapeleiro Maluco, fazendo com que Batman saía em seu encalço. Seguindo a continuidade da parceria, em 1995, uma terceira edição do Especial dos Dias das Bruxas é lançado, com o título “Fantasmas”. Mas dessa vez Bruce não tem de enfrentar seus inimigos em carne-e-osso, mas sim como espíritos do passado, do presente e do futuro. A ideia foi retratar o “Um Conto de Natal!” do escritor Charles Dickens de forma a mostrar a Bruce Wayne/Batman, que sua clausura na Mansão Wayne pode lhe trazer mais prejuízos do que benefícios.

clip_image016Em 1995, chegou um novo filme do Batman aos cinemas, mas dessa vez sob nova direção. O diretor Joel Schumacher, que tinha no currículo filmes como “Garotos Perdidos” (1987), “Linha Mortal” (1990), “Um Dia de Fúria” (1993) e “O Cliente” (1994), nos trouxe sua visão do Batman em uma Gotham City vertiginosa, com ruas saindo de entre os prédios e estátuas colossais. No elenco ele substitui Michael Keaton pelo ator Val Kilmer para viver Bruce Wayne/Batman, permanecendo com os atores Michael Gough como Alfred Pennyworth e Pat Hingle como Comissário Gordon, Schumacher nos apresenta novos vilões. O Charada é vivido pelo ator Jim Carrey, enquanto o Duas Caras tem na atuação o ator Tommy Lee Jones. Também nos é apresentado Dick Grayson/Robin, vivido pelo ator Chris O’Donnel, e uma personagem é criada, é a bela psicóloga, Dra. Chase Meridian, que tem a atriz Nicole Kidman interpretando-a. Mesmo com muitas críticas contra várias coisas no filme, entre elas mamilos sobressaltados nos trajes do Batman e do Robin, o filme foi um sucesso de bilheteria, o que rendeu outro filme com o mesmo diretor em 1997, “Batman & Robin”.

clip_image017O quarto filme vinha com mais um novo ator vivendo Bruce Wayne/Batman. Agora era George Clooney, que vinha ascendendo no cinema após sua passagem pelo seriado “Plantão Médico”. Permaneciam alguns atores do filme anterior, como Chris O’Donnel, Michael Gough e Pat Hingle, e tínhamos incluido três novos vilões vividos pelos atores Arnold Schwarzenegger como Sr. Frio, Uma Thurman como Hera Venenosa e o lutador e dublê Jeep Swenson (1957-1997) como Bane. Para enfrentar esse vilões, e para ajudar a Dupla Dinâmica, surge Barbara Wilson/Batgirl, interpretada pela atriz Alicia Silverstone. Apesar de uma boa bilheteria, o filme é um desastre na crítica e entre os fãs – apesar de ter alguns seguidores. “Batman & Robin” trouxe de volta as ideias do seriado dos anos de 1960 de volta, de uma forma mais modernizada. O Batman tinha apetrechos sem limites e totalmente desnecessários, o Sr. Frio de Schwarzenegger era caricato, assim como a Hera Venenosa de Uma Thurman. O vilão Bane era um personagem anabolizado e mudo, que somente sabia grunhir. E por conta desse filme, Batman ficou um longo tempo sem voltar aos cinemas.

clip_image018Em 1996, Batman ganha a minissérie “O Longo Dia das Bruxas”, que trazia de volta a parceria entre Jeph Loeb e Tim Sale. No arco da história, o Batman tinha de descobrir quem era o assassino em série Feriado, que vinha matando pessoas ligadas ao mafioso Carmine “Romano” Falcone em dias comemorativos. Durante a minissérie vemos a transformação do promotor público Harvey Dent no vilão Duas Caras. Três anos depois, uma continuação surgiria, Vitória Sombia.

clip_image019Vitória Sombria, praticamente, continua onde O Longo Dia das Bruxas havida parado. O vilão Feriado encontrava-se preso no Asilo Arkham até que ocorre uma fuga em massa da instituição, orquestrada pelos filhos de Sal Moroni. Sendo assim, assassinatos em datas comemorativas começam a ocorrer novamente, fazendo com que Batman volte ao encalço do Feriado, mas descobrindo que não é ele o responsável pelos assassinatos. Nesta nova série temos a origem do primeiro Robin, Dick Grayson.

clip_image020Em 1999, o Cavaleiro das Trevas ganha o especial “Guerra ao Crime”, escrito por Paul Dini (que ajudou Bruce Timm na elaboração de Batman: A Série Animada) e Alex Ross. A história de Dini mostrava o Batman resolvendo um caso de assassinato em que ele se depara com o jovem Marcus em busca de vingança. A arte de Alex Ross, que já havia trabalhado com o Homem-Morcego na minissérie “Reino do Amanhã” (1996) ao lado de Mark Waid, deu um tom realista ao especial, que veio em um formato gigante, para magnificar a arte de Ross.

clip_image021Em 2002, Batman ganha uma nova minissérie em suas revistas, “Silêncio”. Escrita por Jeph Loeb e desenhado por Jim Lee, a trama traz um novo vilão que é o disfarce de um amigo de infância de Bruce Wayne, Thomas Elliot. Logo em seguida, Bruce ganha uma guarda-costa, Sasha Bordeaux. Esta descobre a idenditade secreta de Bruce e ajuda-o nas patrulhas noturnas. Mas, então, a reporter televisiva Vesper Fairchild é encontrada morta dentro da Mansão Wayne, tornando Bruce Wayne um assassino. Esta premissa é lançada na Batman: The 10-Cent Adventure (2002), onde Bruce e Sasha são presos em Blackgate, prisão de segurança máxima, e continua nas edições de “Bruce Wayne: Fugitivo” (2002), quando Bruce foge da prisão e, sem voltar a sua identidade civil, tenta descobrir quem o culpou pela assassinato de sua ex-namorada, decobrindo que é o pai da Batgirl Cassandra Cain, David Cain, a mando de Lex Luthor, que desejava desmoralizar Bruce Wayne, após este lhe tomar Gotham City, que Lex pretendia dominar após reconstruí-la, pós-Terra de Ninguém.

clip_image022Em agosto de 2003, o Batman estrearia ao lado do Superman uma nova parceira, que ele havia mantido durante anos na revista World Finest. Agora intitulada Superman/Batman, a revista trazia histórias de ambos, que logo na primeira história enfrentam ameaças infringidas pelo presidente Lex Luthor, um meteoro de kirptonita e terminam se tornando Inimigos Públicos, sendo perseguidos por uma Força-Tarefa liderada pelo Capitão Átomo. Na revista ressurge a Supergirl (Kara Zor-El), eles enfrentam as ameaças futurísticas Lorde Relâmpago, Rei Cósmico e Rainha Satúrnia. As histórias eram escritas pelo competente Jeph Loeb, que ficou até a edição 25 da revista. Já a edição de número 26 teve um argumento póstumo do filho de Jeph Loeb, Sam Loeb (1988-2005), que faleceu de câncer. Este argumento teve a participação de vários escritores e desenhistas, que colaboraram com o trabalho do rapaz.

clip_image023Em 2004, se esticando até 2005, começa Jogos de Guerra, onde surge mais um novo vilão, Máscara Negra. Nesta saga, escrita por A. J. Lieberman, Bill Willingham, Andersen Gabrych, Devin Grayson, Dylan Horrocks, Ed Brubaker, Greg Rucka, e desenhada por Raymond Bachs, Pete Woods, Brad Walker, Mike Lilly, Sean Phillips, Giuseppe Camuncoli, Jon Proctor, Thomas Derenick, Kinsun, Paul Lee, Paul Gulacy, temos a Salteadora (Stephanie Brown) iniciando um plano de contingência do Batman, que poderia acabar com todas as gangues de Gotham. Stephanie termina causando muitos problemas, entre eles sua suposta morte, e fazendo com que a Dra. Leslie Thompkins se afaste de Bruce e de Gotham.

clip_image024Ainda em 2004, estréia um novo desenho do Batman, intitulado “The Batman” (2004-2008), cuja premissa é mostrar os primeiros dias do Cavaleiro das Trevas em Gotham City. Nele vemos um Bruce Wayne num estilo mais dinâmico, características da produção do criador Duane Capizzi, que já havia trabalhado em outros desenhos como “As Aventuras de Jackie Chan” e “Os Homens de Preto: A Série Animada”. Existem mudanças também na caracterização e história dos vilões do Batman, como o Coringa, o Pinguim, o Cara-de-Barro, O Sr. Frio e vários outros. A dinâmica do desenho é mais infantil e, diferente do desenhos de Bruce Timm, era mais futurista, com apetrechos mais sofisticados. O desenho ganhou um longa animado com o título “Batman Vs. Drácula” (2005).

Em 2005, Frank Miller retorna ao Batman. Após o fracasso em Batman: O Cavaleiro das Trevas 2 (2001-2002), Frank Miller recebe o convite para a remissão. Ao lado do desenhista Jim Lee, ele escreve clip_image025“All-Star Batman e Robin, o Menino Prodígio”. Nela, Miller decide contar a história de Batman, a partir do momento em que ele decide adotar o jovem Dick Grayson, que havia perdido os pais após um acidente de trapézio. A história termina não sendo concluída devido aos outros projetos que Miller estava envolvido, mas no desenrolar da trama, Batman tem um caso casual com Dinah Lance, é perseguido pelo Superman, Mulher-Maravilha e o Lanterna Verde, Barbara Gordon se torna a Batgirl e o Coringa parece mais um líder de gangue de rua.

Ainda em 2005, clip_image026Jason Todd retorna as histórias do Batman. Ele fora morto pelo Coringa no arco “Morte em Família”, mas tem eu retorno contado na minissérie “Sob o Capuz” (2005-2006), onde ele ressurge após o Superboy Prime golpear o continuum espaço-tempo do Universo DC, alterando a realidade, iniciando então a saga “Crise Infinita” (2005-2006).