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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Batman em outras mídias: Cinema–Parte 1

Postado no blog Gothamita em 28/08/2009

FairbanksMarkofZorroVale lembrar que, de várias inspirações para a criação do Batman, Bob Kane se utilizou de filmes das décadas de 1920 e 1930 para criar o modus operandi e o conceito do Batman.

Os filmes eram desde o capa e espada “The Mark of Zorro” com o ator de filmes de aventura do cinema mudo, Douglas Fairbanks, que contava a história de Don Diego de La Vega, filho de uma nobre família da época da Califórnia colonizada pela Espanha, que decide vestir uma capa e uma máscara para lutar pela justiça dos menos afortunados e injustiçados (Zorro havia sido criado 20 anos antes pelo escritor de histórias pulp bat_whispers_poster_01Johnston McCulley nas páginas de All-Story Weekly (1919)), até filmes de suspense como “The Bat” e “The Bat Whispers”, ambos do diretor Roland West, que eram baseados na peça da Broadway escrita por Mary Robert Rinehart e Avery Hopwood, “The Bat”. A história consistia em pessoas que exploravam uma mansão à procura de um tesouro, enquanto um ser misterioso de capa matava cada um deles e sempre que isso acontecia, ele se anunciava com um símbolo de morcego projetado numa parede, por uma lanterna (como um bat-sinal).

Lógico que a idéia inicial de Bob Kane para traje do Batman foi logo substituída pela visão de Bill Finger, mas estamos aqui para falar de cinema.  Então, quatro anos depois do surgimento do Batman e três anos depois do surgimento do Robin, os dois aparecem na telona numa série de 15 capítulos intitulada “The Batman”. batman-serial-1943A série estreou em 15 de abril de 1943 e era feita para as matinês dos cinemas pela Columbia Pictures (hoje parte da Sony Pictures). A direção ficou a cargo de Lambert Hyllier e tinha o roteiro escrito a “seis mãos” por Victor McLeod, Leslie Swabacker e Harry L. Fraser. Na história, Batman (Lewis Wilson) e Robin (Douglas Croft) são agentes do Estados Unidos durante a II Guerra Mundial e devem enfrentar o temível espião japonês, Dr. Daka (J. Carrol Naish) que transforma as pessoas em pseudos-zumbis com seu raio. Durante a série foram introduzidos a Batcaverna e sua entrada pelo relógio da mansão Wayne, além de a forma esquia, o bigode fino e o ar britânico de Alfred Thaddeus Crane Pennyworth ser imortalizada pelo ator William Austin. A série tinha um orçamento muito baixo e as orelhas do Batman pareciam mais um par de chifres demoníacos, mas suas aventuras nas matinês dos cinemas fizeram grande sucesso e acarretaram numa outra série, três anos depois.

A nova série viria a ser intitulada “Batman and Robin”. Também feita pela Columbia Pictures, estreou em 26 de maio de 1949 e desta vez era dirigida por Spencer Gordon Bennet e tinha roteiros escritos por Georg H. Plympton, Joseph F. Poland e Royal K. Cole. Batman and Robin 1949-Poster-2Na história, Batman (Robert Lowery) e Robin (Johnny Duncan) enfrentam um vilão encapuzado conhecido como Wizard (Leonard Penn), que só revela sua identidade ao final da série, que teve 15 episódios (como sua predecessora). A série quer contava com um orçamento mais alto e um elenco mais forte, foi um desastre devido às incongruências. Em um dos episódios, Batman passa todo ele (eram mais de dezessete minutos cada) escalando uma montanha, enquanto Robin fica em perseguição. Em outro, os dois se encontram presos e Batman, que possuía um simples cinto que não tinha nada de útil, retira das costas um enorme maçarico para soltá-los da prisão. Depois do desastre que fora esta série, Batman demorou muito para retornar ao formato de película, mas em 1966, com o sucesso do seriado na TV, aconteceu.

Batman: The Movie estreou nos cinemas estadunidenses em 30 de julho de 1966 e aproveitava o sucesso da série que estreara em janeiro do mesmo ano. A série para TV havia lançado o que todos chamavam de batmania, ou melhor, uma busca frenética e desenfreada por produtos com ligação ao Batman. Aproveitando isso, a 20th Century Fox, que entrara em acordo com o canal ABC, detentora dos direitos da série na época, fez o filme com roteiro de Lorenzo Semple Jr. e direção de Leslie H. Martison. No filme, Batman (Adam West) e Robin (Burt Ward), após salvarem o Comodoro Schmidlapp (Reginald Denny) de seu iate a deriva, a dupla dinâmica se reúne com o Comissário Gordon (Neil Hamilton) e o Chefe O’Hara (Stafford Repp) para descobrirem que os piores inimigos da dupla se reuniram para seqüestrar o Conselho de Segurança do Mundo Unido (como se fosse as Nações Unidas) com um raio de desidratação, que transforma suas vítimas em pó. Depois de desativar o submarino do Pingüim (Burgess Meredith), Batman e Robin travam uma grande briga contra o Pingüim, Coringa (Cesar Romero), Charada (Frank Gorshin), a Mulher-Gato (Lee Meriwether) e os capangas do Pingüim, Bluebeard (Gil Perkins), Morgan (Dick Crockett) e Quetch (George Sawaya). Eles vencem, mas o Comodoro, que tenta ajudá-los, termina misturando os secretários, já transformados em pó. Com um filtro, criado pelo próprio Batman, ele consegue separá-los e trazê-los de volta. Numa tentativa de conscientização, Robin propõe ao Batman que, na hora de trazê-los de volta, crie neles a consciência sobre os problemas raciais que o mundo enfrentava na época, mas o Batman lhe fala que este tipo de decisão não estaria em suas mãos e que eles deveriam refletir sobre isso, eles mesmos. No final, as preces do menino-prodígio são ouvidas, pois quando os líderes são re-hidratados, eles iniciam as discussões em uma nova língua, pois quando aconteceu a misturas de seus pós, surgiria uma nova consciência entre eles.batman_1966

Pieguices a parte, o filme tinha vários absurdos, trazidos da série de TV, como o cinto de utilidades do Batman ser mais útil do que aparenta. Durante o resgate do Comodoro, Batman enfrenta um tubarão e para se livrar dele, ele retira do cinto um spray que repele tubarões. A genialidade do Batman ultrapassa os limites fazendo-o parecer mais genial que Albert Einstein ou – mais recente – Stephen Hawking, ao construir um filtro para separar e reidratar todos os membros do Mundo Unido. Apesar dos absurdos, o filme trouxe vários novos produtos a serem comercializados como o Batcóptero e a Batlancha, além de manter o clima camp (comportamento ostensivo, exagerado, afetado, teatral e efeminado, cujo atraente é o mau gosto e o valor irônico), que fez com que a série fosse sucesso até 1968.

Depois disso, demorou muito até o Batman retornar as telas do cinema. Primeiro ele precisou passar por uma reestruturação na década de 1970, pelas mãos de Denny O’Neil e Neal Adams, que o devolveram as noite de Gotham City (Gotham é um dos “apelidos” de Nova York), depois precisou ser “recriado” pelo escritor Frank Miller e o desenhista  David Mazzucchelli em 1986, para três anos depois, durante seu aniversário de 50 anos, ganhar uma película intitulada “Batman”.