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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Batman em outras mídias: Cinema-Parte 2

Postado no blog Gothamita em 28/08/2009

Batman 1989Batman” era escrito por Sam Hamm e Warren Skaaren, com direção de Tim Burton. A história contava sobre um vigilante noturno que perambulava pelas ruas de Gotham City, fazendo justiças pelas próprias mãos, seu nome é Batman (Michael Keaton). Sem saber se ele é mito ou verdade, a polícia de Gotham o desacredita, enquanto dois repórteres, Vicky Vale (Kim Basinger) e Alexander Knox (Robert Wuhl) tentam descobrir quem é o vigilante. O promotor de Gotham City, Harvey Dent (Billy Dee Williams), com auxílio do comissário de polícia James Gordon (Pat Hingle), tenta incriminar o mafioso Carl Grissom (Jack Palance), que tem como capanga o bandido Jack Napier (Jack Nicholson). Napier, na tentativa de salvar seu chefe, termina numa cilada criada pelo próprio Grissom e, ao cair num tonel de ácido, se transforma no Coringa.

O Coringa mata o chefão Grissom e toma seu lugar na liderança. Tentando se tornar a maior ameaça que já pairou em Gotham City, ele usa seus conhecimentos científicos para contaminar todos os produtos químicos usados em cosméticos e “marca” uma entrevista com Vicky Vale, que é salva pelo Batman. Bruce Wayne (alter-ego do Batman) descobre que o Coringa é ninguém menos que o assassino dos seus pais, Num final clichê, Batman salva a mocinha, que descobre sua verdadeira identidade graças ao mordomo Alfred (Michael Gough), o Coringa morre ao cair de cima da Catedral de Gotham e a cidade ganha um sinal, para chamar o Batman sempre que vier a precisar dele.

O filme é muito bom, hoje um verdadeiro clássico, pois desde Superman III que foi lançado em 1983, não se lançava um filme baseado em super-heróis e em 1989, decidiram se arriscar com o homem-morcego, e deu certo. Batman tem vários erros, como o Coringa ser o assassino dos pais de Bruce Wayne, o “palhaço do crime” ser um especialista em química, sua morte no final do filme, Alfred trair a confiança de Bruce Wayne a ponto de revelar a Vicky Vale sua identidade como Batman, uma armadura que mais fazia o Batman parece um “Robô” bat. Só que o sucesso foi tanto, que uma continuação era mais do que obrigatória, e foi o que aconteceu.

Batman Returns 1992Para “Batman Returns”, Tim Burton retornava a cadeira de diretor e quem escreve a história, ao lado de Sam Hamm, é Daniel Waters. A história deste filme pode ser narrada da seguinte forma: Uma nova ameaça surge em Gotham City, seu nome é Pingüim (Danny DeVito). Ele e sua gangue circense aterrorizam a cidade no período perto do natal, mas Batman acaba detendo a todos e salva a jovem secretária de Max Shreck (Christopher Walken), Selina Kyle (Michelle Pfeiffer). Ela conhece os planos do chefe de tomar toda a energia da cidade e é jogada do último andar do arranha-céu da empresa, mas miraculosamente sobrevive e se torna a Mulher-Gato. Enquanto isso, Pingüim planeja subornar Shreck e este decide compactuar com ele, transformando em prefeito de Gotham, mas para isso eles precisam desacreditar o Batman e tentar destruí-lo. Só que o máximo que conseguem e fazê-lo virar o jogo e durante um discurso do Pingüim, ele é desmascarado. Só que, enquanto tentava descobrir sobre suas família, Oswald Chesterfield Cobblepott (o verdadeiro nome do Pingüim) seleciona o nome de todos os primogênitos de Gotham City e decide seqüestrá-los, junto com Max Shreck, para depois destruir toda a cidade. Mas Batman consegue detê-lo novamente e na tentativa de fazer a Mulher-Gato refletir pelos seus erros, ele se desmascara para ela, que se autodestrói, junto com o empresário inescrupuloso. O pingüim também tem um final fatal e um funeral “carregado” por pingüins.

Este filme é mais sombrio que seu antecessor, mostrando um lado mais obscuro de Gotham, mas os defeitos no roteiro se ressaltam novamente. Desde sinalizadores na Mansão Wayne que se ativam quando o bat-sinal é ligado até o momento da morte do Pingüim e a – suposta – morte da Mulher-Gato, o filme se torna mais cartunesco, mas nem isso desfaz seu sucesso, levando a Warner Bros. detentora dos direitos de filmagem e distribuição de toa à franquia, a querer fazer um terceiro filme, mas coisas não melhoram.

Antes de falar sobre este filme, vale lembrar que a Warner Bros. estava temerosa que os filmes ficassem cada vez mais sombrios e violentos, então decidiram deixá-lo um pouco diferente, o que culminou com a saída de Sam Hamm dos roteiros e de Tim Burton da direção. então o filme foi oferecido a outro diretor, Joel Schumacher.

Todo o conhecimento de Schumacher com referência ao Batman era o seriado da década de 1960, que tinha aquele clima debochado e extravagante, então foi pesquisar e descobriu sobre a revisão do personagem por Frank Miller, mas não era isso que a Warner Bros. queria, então precisou repensar seus projetos. Foi contratado Lee Scott-Batchler e Janet Scott-Batchler para escrevem o roteiro do filme, ao lado de Akiva Goldsman, que entrou depois.

Batman Eternamente 1995O filme “Batman Forever”, que teve sua estréia em 07 de julho de 1995 (aqui no Brasil), inicia com um assalto a banco causado pelo ex-promotor de Gotham City e amigo de Bruce Wayne/Batman (Val Kilmer), Harvey Dent (Tommy Lee Jones), agora transformado no Duas-Caras. Batman consegue salvar as vítimas, mas o Duas-Caras escapa. Nisso, surge a Dra. Chase Meridian (Nicole Kidman), intrigada com as figuras soturnas de Gotham. Bruce a convida para uma festa beneficente no circo que está em Gotham, mas antes ele descarta a invenção de seu empregado Edward Nigma (Jim Carrey), que é demitido. Em casa, Nigma planeja sua vingança, assumindo a identidade de Charada, enquanto Bruce Wayne e a Dra. Meridian vão ao circo e assistem as apresentações, até o momento máximo, os Grayson Voadores. Bruce percebe algo estranho, então durante a exibição dos trapezistas, a corda de sustentação do trapézio se parte e o pai e a mãe do jovem Dick Grayson (Chris O’Donnel) caem para a morte. Descobrem que o culpado é ninguém menos do que o Duas Caras. Bruce leva Dick para a mansão e lá o rapaz vê o mordomo Alfred saindo de trás do relógio e consegue descobrir o segredo de Bruce Wayne, que ele é o Batman. Dick pega “emprestado” o Batmóvel e vai para a cidade, só que o Batman traz os dois de volta, proibindo o rapaz de fazer isso novamente, mas Dick insiste em ser o parceiro do Batman para pegar o Duas-Caras, que assassinara seus pais. Bruce fala que não. Ameaças começam a chegar para Bruce com o codinome Charada, enquanto Nigma vai atrás de Duas-Caras, para que ambos façam uma aliança. Ele investe no projeto de Nigma que consta com um aparelho que drena o quociente de inteligência do ser humano. No dia da apresentação do aparelho, Bruce Wayne é submetido à máquina e seu segredo é revelado, mas antes de Nigma ver, Duas-Caras invade a festa, fazendo com que Bruce precise vestir seu traje de Batman e Dick vista seu traje de trapezista com uma máscara, dando origem ao Robin.

O Batman combate os capangas do Duas-Caras e sai atrás do vilão até um obra, onde é quase enterrado vivo, mas é salvo pelo Robin. Na Batcaverna, Dick insiste em ser o parceiro de seu tutor, mas Bruce insiste que isso não acontecerá e ainda reprova Alfred por incentivar o rapaz. Neste momento, Charada e Duas-Caras descobrem que Bruce Wayne e Batman são a mesma pessoa e, enquanto Bruce está em um encontro com a Dra. Chase e Dick está fora, eles invadem a mansão, destruindo a Batcaverna. A Dra. Meridian, em vez de ir ao encontro de Bruce, vai à mansão e termina seqüestrada pelos bandidos. Bruce retorna a mansão e encontra Alfred nocauteado e sua caverna destruída. Batman veste um novo traje experimental e Robin veste o seu o seu novo traje e os dois saem na Batlancha e no Batjato até a “Ilha do Charada”. Robin é capturado e colocado numa cela e Batman precisa escolher entre ele e a Dra. Chase Meridian, quando os dois são solto dentro de um fosso com lâminas afiadas. Ele consegue salvar a ambos, mas fica na mira do Duas-Caras, mas este vai jogar sua moeda para decidir o destino do Batman, este trapaceia e faz o bandido ficar perdido entre as moedas e cai no fosso. O Charada que está ligado a sua máquina, que aumenta o seu quociente de inteligência com o dos outros, ameaça a relevar a identidade do Batman e este joga um Batrangue monitorado pelo traje, que atinge a máquina dando uma sobrecarga no cérebro de Nigma. Ele então é preso no Asilo Arkham, Chase Meridian sabe da identidade secreta de Batman e Robin e tudo segue em frente.

Pra começar a primeira crítica… Peitinhos! Isso aborreceu a todos os verdadeiros fãs do Batman, até mesmo seu criador, Bob Kane. Mas era somente o começo. Quando falaram que Val Kilmer assumiria o traje do homem-morcego, a primeira coisa que veio a cabeça de muitos foi: “Jean-Paul Valley vai ser o Batman?”, já que na época  “A Queda do Morcego” tinha sido publicada. O filme é estranho, pois como Schumacher não pôde usar sua ideia de Batman: Ano Um, ele foi em direção de algo mais leve e deixando o cartunesco em exagero. Por exemplo, a maquiagem do rosto de Tommy Lee Jones era muito irreal e absurda, sem contar que aceitou que Jim Carrey assumisse uma “homossexualidade disfarçada” para sua personagem, sem contar que todo mundo do filme já “quase” conhece a identidade do Batman, mataram o Duas-Caras, mas a Warner Bros havia conseguido novamente uma enorme bilheteria, além de ter vários produtos a serem comercializados com a marca do Batman. Lógico que o filme teve uma boa aceitação recepção bom público, assim gerou uma continuação.

Batman & Robin 1997Batman & Robin” mantinha o diretor Joel Schumacher e o roteirista Akiva Goldsman. Desta vez o Batman (George Clooney) e Robin enfrentam o Dr. Victor Fries (Arnold Schwarzenegger), que após um acidente com seu aparelho criogênico que mantinha sua esposa Nora Fries (Vendela Kirsebom Thomessen) conservada até a descoberta da cura de sua doença se transforma no Sr. Frio. Durante uma tentativa de assalto em busca de diamantes para seu aparelho criogênico, a dupla dinâmica surge e surpreende Freeze e sua gangue, eles escapam e, durante a tentativa de captura do bandido, Robin é congelado e o bandido escapa. Batman salva seu pupilo e o repreende por agir tão impulsivamente. Em outro canto, na América do Sul, a Dra. Pamela Isley (Uma Thurman), especialista em botânica, está participando de uma experiência genética que aumenta a força das pessoas. As experiências estão sendo feitas em bandidos, cativos da Prisão de Santa Prisca, por ela e seu parceiro, o Dr. Jason Woodrue (John Glover). Querendo a fama somente para ele, Woodrue tenta matar Pamela, mas esta ganha poderes e domínio sobre as plantas, se tornando Hera Venenosa. Ela então mata Woodrue, transforma o prisioneiro, conhecido como Bane (Jeep Swenson) em seu capanga e retornam a Gotham. Já na Mansão Wayne, o clima continua pesado, mas chega uma visita inesperada, Barbara Wilson (Alicia Silverstone), sobrinha do mordomo Alfred, chega para visitá-lo e todos descobrem que o mordomo está muito mal de saúde, o que preocupa Bruce Wayne, que considera o mordomo como um pai, mas as coisas não se acalmam. Quando o Batman e Robin decidem fazer a vez de guarda-costas de um jóia da família Wayne, são atacados pelo Sr. Frio e pela Hera Venenosa. Os dois conseguem escapar e Pamela vê uma possível vitória, se ambos se unirem. Ela então prejudica a câmara criogênica de Nora, deixando Victor acreditar que tinham sido Batman e Robin os culpados, então partem para destruir Gotham City. Bruce passa por problemas sérios na mansão, quando Alfred  termina adoecendo em demasia e Barbara o culpa por isso. Só que ela encontra um recado gravado do tio para seu pai, contando tudo sobre a verdade de Bruce Wayne e Dick Grayson, então ela decide se unir a dupla na intenção de deter os bandidos se tornando a Batgirl, então o trio veste trajes especiais para deter o duo de bandidos. Eles – lógico – vencem no final e os prende.

Não quero me prender muito a este filme, pois para mim foi o pior do conjunto. Os erros são tantos que eu perderia mais um parágrafo para classificá-los, mas dentre todos citemos o absurdo dos efeitos sonoros como se fossem “onomatopéias sonoras”, os “Bat-patins”, o “Bat-cartão de crédito”, Hera “drag queen” Venenosa, Bane “demente”, as pantufas do Sr. Frio, Robin com traje do Asa Noturna “vermelho” e de capa, Barbara “Wilson”, sobrinha de Alfred (???), Dick “rebelde sem causa” Grayson… Bem, vamos parar por aí. As únicas coisas que marcaram – e permaneceram – até o final desta franquia foram o ator inglês Michael Gough, que colaborou muito com o mordomo Alfred e o ator Pat Hingle, que apesar de não se parecer em nada com o Comissário de polícia dos quadrinhos, ficou até o fim, persistente.

Lógico que “Batman & Robin” foi um sucesso de bilheteria, mas os fãs reclamaram em demasia e a Warner jogou Schumacher aos leões. As declarações de Clooney não colaboraram em nada, também. Schumacher queria limpar o nome e voltou a propor um recomeço da franquia, mas a Warner nem deu ouvidos.

Então se foram mais anos tentando acertar, mas somente erros aconteciam, até que um diretor independente surgiu com uma ideia para a Warner, seu nome, Christopher Nolan.