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domingo, 21 de maio de 2017

RESENHA CINEMA: Rei Arthur: A Lenda da Espada (King Arthur: Legend of the Sword, 2017)

REI ARTHUR: A LENDA DA ESPADA (King Arthur: Legend of the Sword, 2017).

Direção: Guy Ritchie
Roteiro: Joby Harold, Guy Ritchie, Lionel Wigram, David Dobkin
Elenco: Charlie Hunnam, Jude Law, Astrid Bergés-Frisbey, Djimon Hounsou, Aidan Gillen, Kingsley Ben-Adir, Tom Wu, Neil Maskell, Craig McGinlay, Freddie Cox, Bleu Landau, Eric Bana, Annabelle Wallis, Poppy Delevingne

As lendas arturianas datam de séculos atrás. Algumas fontes citam histórias do século VI, outras do século X, que são chamados de Tradições pré-galfrínicas.
Em 1138, o clérigo britânico Geoffrey de Monmouth finaliza sua obra latina Historia Regum Britanniae e nela introduz a lenda de Arthur. Nela ele conta como seu pai, Uther Pendragon, com auxílio do bruxo Merlin, disfarça-se de seu inimigo e tem relações sexuais com Igraine, mãe de Arthur. Após a morte de Uther, Arthur, aos quinze anos, assume o trono do pai e, ao lado dos aliados, combatem todos aqueles que desejam tomar a Grã-Bretanha.  Quando Arthur e seu companheiro derrotam o imperador Tiberius na Gália e partem para tomar Roma, o sobrinho dele, Mordred, toma seu trono e casa-se com sua esposa, Guinevere, fazendo Arthur voltar à Grã-Bretanha e combate-lo. Durante a batalha, Arthur é mortalmente ferido e passa seu trono para Constantino e é levado para Avalon, onde seria cuidado de suas feridas e nunca mais seria visto.
Vários romancistas fizeram uso das lendas arturianas para escreverem suas próprias histórias. Algumas vezes, Arthur era visto somente como um personagem de fundo, marginalizado na maioria das vezes, idealizador, sonhador de uma sociedade impossível. Alguns o viam como um rei destituído de emoção ou mesmo um rei bufão, incapaz de decidir ou discernir por si próprio, bem diferente das suas retratações das tradições pré-galfrínicas e da obra de Monmouth, que o tratavam como um guerreiro capaz de qualquer ato para conseguir o que desejava e ria diante dos inimigos. Esses “novos romances” somente faziam uso do fim de Arthur contra Mordred.
Em 1485, Sir Thomas Malory viria a escrever a obra Le Morte D’Arthur, juntando o trabalho de Monmouth e vários outros relatos e romances franceses e ingleses para narrar o nascimento de Arthur, sua ascensão ao trono, seu reinado, a perda de sua esposa, Guinevere, para seu melhor cavaleiro, Lancelot, sua derrota para Mordred, a busca pelo Graal, sua última batalha e a morte. Na obra de Malory temos, além dos já citados, Merlin, Kay, Bedivere, Percival, Gawain, Garreth, Tristão, Morgana, e todos os membros da Távola Redonda. Foram, no total, 21 livros para contar toda a lenda de Arthur.
A obra de Malory serviu como fonte de várias outras obras literárias, como a obra de T.H. White, “O Único e Eterno Rei” e “Idílios do Rei” de Alfred Tennyson. Da obra de White surgiu o musical “Camelot” do compositor Alan Jay Lerner.
Cada um desses trabalhos viriam a inspirar outras formas midiáticas como o cinema, de onde saíram trabalhos como a animação da Disney, “A Espada Era a Lei” (1963), “Camelot” (1967), “Excalibur” (1981), Morte d’Arthur (1984) e a série de TV “Camelot” (2011). Além do cinema, a lenda de Arthur também inspirou animês como Rei Arthur (Entaku no kishi monogatari: Moero Arthur), criado por Kensyo Nakano, Mitsuru Majima, Sukehiro Tomita e Tsunehisa Ito para a Toei Animation em 1979. As tiras de quadrinhos de “O Príncipe Valente”, criado por Hal Foster em 1937. A obra de fantasia “As Brumas de Avalon”, escrita por Marion Zimmer Bradley em 1983. A série de quadrinhos da DC Comics, Camelot 3000, escrita por Mike W. Barr e desenhada por Brian Bolland, entre 1982 e 1985. Além de várias pesquisas sobre a origem de um verdadeiro Arthur. Esses estudos levaram ao filme “Rei Arthur” (2004), escrito por David Franzoni e dirigido por Antoine Fuqua.
Para muitos, a obra de Monmouth pareceu esquecida graças aos outros trabalhos desenvolvidos com Arthur Pendragon, mas “Rei Arhur: A Lenda da Espada” parece trazer de volta alguns fatores dessa obra secular.
No novo filme vemos um personagem da obra de Monmouth, Vortigern (Jude Law), há muito esquecido, como substituto de Uther (Eric Bana) no trono. Percebe-se que ele tomou o trono e não pretende entrega-lo ao herdeiro legítimo, Arthur (Charlie Hunnam), que, em seus anos de clandestinidade aprendeu a lutar sozinho da melhor forma que poderia. Quando Excalibur surge, Arthur é caçado, então ele juntasse a resistência, liderada por Sir Bedivere (Djimon Hounsou), para conquistar seu objetivo.
 A ação do filme é muito imediata e qualquer coisa que venha a revelar fora desse enredo, poderia dar spoilers. Mas muito do filme fica em torno de Arthur e Excalibur, dando um bom motivo para o título do filme.
A aparência do filme é que muito do trabalho nele vem de uma influência dos atuais filmes de super-heróis. Mas também se percebe um constante uso de vários aspectos que Guy Ritchie usara, anteriormente, em seus filmes, como as sequências de time bullett e a câmera como aspecto da cena, usados em “Sherlock Holmes” (2009) e “Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras” (2011).
Falar de “Rei Arthur: A Lenda da Espada” precisava dessa introdução sobre as lendas de Arthur Pendragon, pois somente assim para compreender o filme que entrou em cartaz no Brasil em 18 de maio, já que foge bastante de qualquer outra influência anterior.

“Rei Arthur: A Lenda da Espada” se torna um filme único dentro de todos os filmes baseados nas lendas arturianas, pois pega base aspectos anteriores aos romances escritos a partir do século XV, colocando Arthur guerreiro determinado e com uma vontade pouco vista em outras obras cinematográficas. Arthur toma a frente, como visto poucas vezes.

sábado, 20 de maio de 2017

RESENHA CINEMA: Alien: Covenant (2017)

ALIEN: COVENANT (2017).

Direção: Ridley Scott
Roteiro: John Logan, Dante Harper, Jack Paglen, Michael Green
Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir, Jussie Smollett, Callie Hernandez, Carmen Ejogo, Amy Seimetz, Guy Pearce, Noomi Rapace, Nathaniel Dean, Alexander England, Benjamin Rigby, Uli Latukefu, Tess Haubrich, Lorelei King, James Franco.

No início do século XXII, a nave de exploração Covenant partiu com uma tripulação e vários colonos em uma viagem para terraformar um planeta distante, mas graças a um acidente inesperado, decidiram ir a um planeta que parece um verdadeiro paraíso, pois poderia ser habitado por eles, mas se torna um verdadeiro inferno.
Ridley Scott, responsável pela direção de Alien, o Oitavo Passageiro (1977) e Prometheus (2012), retorna mais uma vez a franquia Alien com esse novo trabalho. Nesse novo filme, ele vai um pouco mais além do surgimento dos xenomorfos que nos acostumamos a ver na franquia.
A ação do filme inicia-se bem antes do filme ser lançado nos cinemas, com os curtas “Última Ceia” e “O Cruzamento”, No primeiro vemos a tripulação da Covenant fazendo o último brinde antes de entrarem no criossono. Nesse vídeo  conhecemos o mais novo androide, Walter, interpretado – novamente – por Michael Fassbender. Além de conhecer alguns membros importantes da tripulação, como a terraformadora Daniels (Katherine Waterston) e seu marido, o líder da tripulação, Branson (James Franco). Também conhecemos o segundo no comando, Oram (Billy Crudup) e sua esposa Karine (Carmen Ejogo). O militar Lope (Damián Bichir) e seu parceiro Hallett (Nathaniel Dean). O piloto Tennessee (Danny McBride) e sua esposa, a mecânica Faris (Amy Seimetz). O casal Upworth (Callie Hernandez) e Ricks (Jussie Smollett), além de Ankor (Alexander England), Ledward (Benjamin Rigby), Cole (Uli Latukefu) e Rosenthal (Tess Haubrich).
Já em “O Cruzamento”, testemunhamos o que aconteceu com a Dra. Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e o androide David (Michael Fassbender), após o desastre com a nave Prometheus. Eles partem em busca dos Engenheiros, os criadores da vida terrestre, e terminam chegando ao seu destino.
Uma das coisas interessantes no filme é que conhecemos a construção de David nos primeiros minutos do filme e sua convivência com seu criador, Peter Weyland (Guy Pearce).
O filme segue uma linha que se assemelha aos seus antecessores. Uma equipe de exploração com um objetivo termina esbarrando em um problema que foge ao seu controle. A grande diferença entre todos são suas motivações. Seguindo cronologicamente, Prometheus tem uma equipe que busca os criadores da humanidade, os Engenheiros, e quando encontram vestígios deles, terminam encontrando um patógeno capaz de destruir tudo que eles criaram. Esse patógeno, quando em contato com o corpo humano, toma forma de xenomorfos que destroem a carne humana, devorando os corpos de dentro para fora.
Em Covenant já temos um grupo de exploração que esbarra com um planeta capaz de sustentar vida humana, mas que possui novas formas do patógeno, gerando neomorfos que fazem o mesmo que os encontrados anteriormente. Já em O Oitavo Passageiro, a nave comercial Nostromo responde a um sinal de chamado e sua tripulação termina encontrando-se com o bom e velho xenomorfo, que mata toda ela, com exceção da subtenente Ellen Ripley (Sigourney Weaver).
As ligações são feitas pela formação do xenomorfo, que se desenvolve no passar dos filmes, ampliando ainda mais as conjecturas de sua criação, que se torna melhor explicada a partir de Covenant, pois temos como ele se desenvolveu durante tantas mutações. E cria um questionamento – já respondido em outros filmes posteriores, quadrinhos e jogos de games –, o que acontece quando o xenomorfo ocupa outras formas de vida?
Alien: Covenant é um filme que se encaixa perfeitamente na antologia da série cinematográfica, trazendo novos aspectos que se tornam importantes para o desenvolvimento dos parasitas e xenomorfos. Vamos ver o que vem pela frente.o que vem pela frente.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

RESENHA FILMES: Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, 2016)

SETE HOMENS E UM DESTINO (The Magnificent Seven, 2016).

Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Richard Wenk, Nic Pizzolatto
Elenco: Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Byung Hun-Lee, Manuel Garcia-Rulfo, Martin Sensmeier, Haley Bennett, Peter Sasgaard, Luke Grimes, Matt Bomer, Jonathan Joss, Cam Gigandet, Mark Ashworth, Billy Slaughter, Emil Beheshti

A pequena cidade Rose Creek, localizada próxima a uma mina de ouro, vem sendo assombrada pelo inescrupuloso Bartolomew Bogue (Peter Sasgaard), que vem desejando comprar toda a cidade por um valor absurdamente baixo e, caso eles não deem a cidade para ele, tomará providencias menos civilizadas.
Na intenção de salvar sua cidade, a jovem viúva Emma Cullen (Haley Bennett), acompanhada do seu ajudante Teddy Q (Luke Grimes), vai em busca de pistoleiros para proteger sua cidade, buscar justiça e se possível, vingança. Ela termina cruzando o caminho do subtenente Sam Chisholm (Denzel Washington), convencendo-o a ajudá-la.
Chisholm então inicia a seleção de outros iguais a ele, ao chamar o jogador de cartas Josh Faraday (Chris Pratt). Ele pede para Faraday e Teddy irem em busca do cajun Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke), enquanto ele e Emma vão em busca do mexicano procurado Vasquez (Manuel Garcia-Rulfo).
Ao encontrar Goodnight, Faraday e Teddy conheceu Billy Rocks (Byung Hun-Lee), um exímio atirador de facas e parceiro de Goodnight. Após reunirem-se novamente, os seis vão à procura do rastreador e caçador lendário Jack Horne (Vincent D’Onofrio), que inicialmente decide não embarcar no grupo, mas muda de ideia quando descobre que eles vão cruzar o caminho do comanche desgarrado Red Harvest (Martin Sensmeier), que se une ao grupo.
Reunidos, os sete seguem juntos de Emma e Teddy para Rose Creek, que está tomada por homens de Bogue e pretendem não somente deter Bogue, mas levar justiça e vingança aos mortos.
Em 1954, Akira Kurosawa, Shinobu Hashimoto e Hideo Oguni escreveram a história de sete samurais errantes que se unem para defender um vilarejo contra bandidos que vêm roubando e assombrando o povoado.
Dessa obra prima do cinema japonês, em 1960, o roteirista William Roberts e o diretor John Sturges lançaram o faroeste “Sete Homens e Um Destino”, onde sete pistoleiros partem para ajudar uma pequena villa no Novo México que vem sendo assolada por bandidos mexicanos que roubam e destroem o vilarejo. Eles salvam a cidade, são traídos e depois partem para a vendeta, vencendo os bandidos e salvando a cidade. Seis anos depois, os sobreviventes retornam em uma missão semelhante, mas com menos empolgação.
Sessenta e dois anos depois da obra original – cinquenta e seis anos depois do filme estadunidense –, surge uma nova adaptação nas mãos do diretor Antoine Fuqua (O Protetor) e dos roteiristas Richard Wenk (O Protetor) e Nic Pizzolatto (True Detective). A história do filme – como lida acima – é uma adaptação bem pessoal de Wenk e Pizzolatto, bem diferente da obra original e da primeira adaptação. Os roteiristas preferiram seguir por um outro caminho ao colocar os pistoleiros serem convocados para salvar a cidade de um inescrupuloso empresário que, no passado, causou várias atrocidades ao aliar-se aos confederados durante a Guerra Civil dos EUA.
Para trabalhar nesse filme, o diretor Antoine Fuqua, convocou alguns atores que ele teve o grande prazer de trabalhar como Denzel Washington. Com Washington, Fuqua já trabalhou em “Dia de Treinamento” e “O Protetor”. Outro ator conhecido de Fuqua é Ethan Hawke. O ator também esteve em “Dia de Treinamento”. Além deles, os atores Chris Pratt e Vincent D’Onofrio cruzaram caminho em “Jurassic World”. Falando de D’Onofrio, como sempre ele surpreende na construção de seu personagem, dando voz e características distintas, que diferenciam de qualquer outro que ele já tenha feito anteriormente.
Uma das coisas mais interessantes do filme que o tom de comédia fica bem leve e em momentos bem específicos. Acredito que isso vem muito do tipo de direção de Fuqua, dando bastante atenção à história e à ação do filme. As brincadeiras e os momentos de distração, terminam parecendo parte natural do filme.
Essa nova adaptação de “Os Sete Samurais” de Kurosawa, tem um toque especial do diretor e dos roteiristas, mas não deixa de ser uma história de pessoas que se unem por um bem maior, mesmo que tenham interesses distintos.
“Sete Homens e Um Destino” é um ótimo faroeste, com um toque especial típico do seu diretor. Ação muito boa, história bem trabalhada, vale a pena assistir, principalmente para ouvir, novamente, o clássico tema “The Magnificent Seven” de Elmer Bernstein.

sábado, 14 de janeiro de 2017

RESENHA CINEMA: Assassin’s Creed (2017).

ASSASSIN’S CREED (2017)

Direção: Justin Kurzel
Roteiro: Michael Lesslie, Adam Cooper, Bill Collage
Elenco: Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, Denis Ménochet, Charlotte Rampling, Michael Kenneth Williams, Brendan Gleeson, Michelle H. Lin, Matias Varela, Callum Turner, Carlos Bardem, Essie Davis, Ariane Labed, Javier Gutiérrez, Khalid Abdalla, Hovik Keuchkerian, Thomas Camilleri, Marysia S. Peres, Kemaal Deen-Ellis

No final do século XV, os soberanos da Espanha tomam Granada dos mulçumanos e a Inquisição Espanhola está caçando infiéis com toda a força do seu líder, Tomás de Torquemada (Javier Gutiérrez). Nesse cenário estão os Assassinos, um grupo de guerreiros com capacidades de enfrentar as tropas dos Templários, seus principais inimigos. Entre os membros do Assassinos está Aguilar (Michael Fassbender), que tem a incumbência de proteger a Maçã do Éden, um artefato de grande poder, capaz de dar enorme poder aos Templários, se cair nas mãos deles.
No futuro, Callem Lynch, um assassino que está no corredor da morte é levado a Fundação Abstergo e lá descobre ser o descendente direto de Aguilar e usando o Animus, uma tecnologia criada por Sofia Rikkin (Marion Cotillard), filha do presidente da Fundação Abstergo, Alan Rikkin (Jeremy Irons), é ligado ao passado para descobrir onde seu antepassado escondeu o artefato, mas o que ele não sabe é que a Abstergo está ligada, diretamente, aos Templários e pretende, com a Maçã do Éden, dominar o mundo e destruir o Credo dos Assassinos.
Como já havia revelado em uma resenha anterior, não sou um fã de games, mas gosto de ver as adaptações desses, e quando são bem feitas gosto de citá-las.
Gosto de “Mortal Kombat”, dos dois “Hitman” – mesmo que muitos não gostem do primeiro –, dos filmes de “Resident Evil” – que também têm fãs dos jogos que não gostam muito –, de “Warcraft: o Primeiro Encontro de Dois Mundos” e, agora, de “Assassin’s Creed”.
Busquei informações em sites especializados em games para saber mais da história do filme e fiquei impressionado com a sintonia do game com a História da Idade Média e Moderna, indo das Cruzadas até o domínio Bórgia no Vaticano, tudo pensando no jogador estar em primeira pessoa, se tornando os Assassinos Altair Ibn La-Ahad e Ezio Auditore, ao mesmo tem que é Desmond Miles, descendente de Altair. Apesar de não parecer, é um game bem educacional, em certos aspectos. O filme não segue a mesma história do game, criando sua própria história, mas segue a mesma linha, misturando História com ficção científica.
A premissa é quase a mesma, um descendente de um membro do Credo dos Assassinos é escolhido para se unir ao Animus, um artefato tecnológico que o faz ligar-se ao seu antepassado, pois os Templários desejam os Pedaços do Éden – no caso do filme, fica somente a referência a Maçã do Éden (como o objeto começou a ser conhecido a partir de Assassin’s Creed II) –, mas as mudanças começam com o membro da Ordem do Assassinos, pois no filme é Aguilar de Nerha, vivido pelo ator Michael Fassbender, que é incumbido de proteger a Maçã do Éden. Depois partimos para os responsáveis pela Fundação Abstergo, agora nas mãos de Alan Rikkin e sua filha, Sofia Rikkin, interpretados pelo ator Jeremy Irons e pela atriz Marion Cotillard. Alan é CEO da Abstergo e Sofia a cientista, criadora do Animus, ambos são membros dos Templários, ordem inimiga dos Assassinos há séculos.
O período histórico também é um pouco diferente, se posicionando entre as Cruzadas e o domínio Bórgia no Vaticano. Agora o Credo dos Assassinos enfrenta a Ordem dos Templários em plena Espanha tomada pela Santa Inquisição e após a Tomada de Granada. Temos também a participação de personagens como o sultão Abu Abd Allah Muhammed XI, interpretado pelo ator Khalid Abdalla, o rei Fernando e a rainha Isabel, vividos pelos atores Thomas Camilleri e Marysia S. Peres, o frade dominicano e Grande Inquisidor Tomás de Torquemada, interpretador pelo ator Javier Gutiérrez, sem contar a menção ao grande navegador Cristovão Colombo.
O filme tem momentos cansativos, mas a história é necessária para compreender os acontecimentos, sem contar que a ação é formidável. Cenas de tirar o fôlego, com pakour, lutas de lanças, espadas, explosões, ações furtivas, dignas de um grande filme como “Assassin’s Creed”.
Sei que terão aqueles que não terão essa visão do filme, mas ao sair do cinema, vi muitos gamers elogiando o que assistiram. Isso torna “Assassin’s Creed” é um filme próprio para os conhecedores ou não do game, pois mesmo não conhecendo o jogo em si, gostei muito do filme.

Mal o ano começou e já temos um filme como “Assassin’s Creed” – que estreou no final do ano passado nos EUA –, então espero que estiver por vir esteja a altura.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

RESENHA SÉRIES: Sense8: Um Especial de Natal (Sense8: A Chistmas Special, 2016).

SENSE8: UM ESPECIAL DE NATAL (Sense8: A Chistmas Special, 2016).

Direção: Lana Wachowski
Roteiro: Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Elenco: Brian J. Smith, Tuppence Middleton, Doona Bae, Jamie Clayton, Toby Onwumere, Tina Desai, Miguel Ángel Silvestre, Max Riemelt, Freema Agyeman, Alfonso Herrera, Purab Kohli, Max Mauff, Daryl Hannah, Naveen Andrews, Terrence Mann, Eréndira Ibarra, Paul Ogola.

O policial Will Gorski (Brian J. Smith) e a DJ Riley Blue (Tuppence Middleton) continuam seu romance, mas estão escondidos em algum lugar da Islândia, ainda fugindo do Sr. Sussuro (Terrence Mann). Sun Bak (Doona Bae) ainda está presa e na solitária, enfrentando as acusações que assumiu para salvar o irmão, por mais que ele não mereça. Nomi Marks (Jamie Clayton) ainda está fugindo do FBI e por mais que sua namorada, Amanita (Freema Agyeman) busque despistar os federais, eles não desistem, colocando-a na mira deles, também. Depois de tudo que Capheus (Toby Onwumere) enfrentou, ele e seu melhor amigo, Jela (Paul Ogola), buscam retomar o serviço de transporte que eles têm em Nairobi, contando com uma certa ajuda, da qual Capheus gostaria de dispensar. Já o ator Lito Rodriguez (Miguel Ángel Silvestre) vai ter de enfrentar as consequências da revelação de seu homossexualismo, que se torna público, colocando sua carreira, de seu namorado Hernando (Alfonso Herrera), e sua vida financeira em risco. Enquanto Kala Dandekar (Tina Desai) aproveita a sua lua-de-mel com seu marido Rajan Rascal (Purab Kohli), Wolfgang Bogdanow tenta manter uma vida tranquila – como se isso fosse possível – e cuidar de seu melhor amigo, Felix (Max Mauff). Mas depois da morte de seu tio, começa a ser assediado para tomar uma decisão que pode mudar totalmente o rumo de sua vida.
Sem querer entrar em mais detalhes do que já entrei – com certeza terão várias coisas que muitos considerarão como spoilers – o que posso dizer é que os sensates retornaram em grande estilo. A ideia de Lana Wachwski e J. Michael Straczysnki é continuar de onde a série – que estreou em 05 de junho de 2015 no Netflix – parou. Em partes temos tudo que havia acontecido na primeira temporada tendo explicações nesse especial. O grande lance é que Will e Riley continuam buscando descobrir como vencer o – chamado – Sr. Sussurro e, por causa disso, tem de manter distância dos outros sensates fazendo uso de drogas que turvam a mente como fazia a personagem Angelica Turing, interpretada pela atriz Daryl Hannah. Mas quando necessário, eles surgem para ajudar seus companheiros.
Não são somente eles que buscam uma forma de descobrir onde Sussurro se esconde, mas também os outros se objetivam a ajuda-los, deixando de lado os próprios problemas, que são muito, como citei antes. Mesmo assim, o lado de “irmandade” estabelecido entre eles, não deixam de lado um ou outro. Outro laço que foi estabelecido a distância – e continua sendo interessante – é o de Wolfgang e Kala, que agora está casada. Então fica – quase – estabelecido um triângulo amoroso, pois o laço entre os dois é bem forte e, às vezes, constrangedor.
Voltamos, também, ao tema preconceito nesse episódio de um pouco mais de duas horas.
Como sabemos, Lana Wachowski é uma transgênero, como no caso da hacker Nomi Marks. Mas o preconceito fica por conta da revelação da sexualidade do ator Lito Rodriguez e sua relação com o professor Hernando. Essa revelação é bem extrema e drástica, colocando Lito contra a parede e, quando ele decide não desmentir, as consequências são catastróficas para sua carreira de ator.
Mas não são somente desastres que compõem o especial de Sense8. Temos momentos com a típica ação da série, com Sun mostrando todo seu talento, Wolfgang colocando suas capacidades a prova, e vários momentos de extensa emoção e, como não podia faltar, muito erotismo, no melhor estilo de Sense8.
Sense8: Um Especial de Natal - ou Especial de Fim de ano, como preferirem - dá o pontapé inicial para a nova temporada da série no Netflix. Foram dois anos de expectativa e, agora, serão mais cinco meses de espera para saber como as coisas acontecerão, mas pelo menos tivemos essa maravilhosa prévia de que o ritmo da segunda temporada será tão frenético quanto foi a primeira e os mistérios serão ainda mais interessantes. Será, simplesmente, imperdível.

sábado, 17 de dezembro de 2016

RESENHA CINEMA: Rogue One: Uma História de Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story, 2016).

ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA DE STAR WARS (Rogue One: A Star Wars Story, 2016).

Direção: Gareth Edwards
Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy, John Knoll, Gary Whitta
Elenco: Felicty Jones, Diego Luna, Donnie Yen, Ben Medelsohn, Mads Mikkelsen, Forest Whitaker, Riz Ahmed, Alan Tudik, Jimmy Smits, Alistair Petrie, Genevieve O’Reilly, James Earl Jones, Valene Kane, Beau Gadsdon, Dolly Gadsdon, Ingivild Deila, Guy Henry, Daniel Naprous, Spencer Wilding.

Jyn Erso (Felicity Jones), filha do engenheiro Galen Erso (Mads Mikkelsen), sobreviveu após seu pai ser levado por Orson Krennic (Ben Mendelsohn), que matou sua mãe Lyra Erso (Valene Kane). Ela recebeu os cuidados do rebelde radical Saw Gerrera (Forest Whitaker), quando mais nova, mas já adulta terminou presa pelo Império Galáctico e terminou libertada pelo Capitão Cassian Andor (Diego Luna), da Aliança Rebelde. Mas a intenção ao libertá-la e descobrir onde está seu pai e os planos para uma arma mortal que ele ajudou a construí-la, a Estrela da Morte.
Nessa busca com Capitão Andor e seu dróide reprogramado K-2SO (Alan Tudyk), Jyn termina descobrindo que um piloto, Bodhi Rook (Riz Ahmed) é um conhecido de seu pai e, na busca por ele que foi capturado por Gerrera, ela conhece o monge cego Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e seu guardião Baze Malbus (Wen Jiang). Junto a esse grupo, ela parte para encontrar seu pai e conseguir os planos para a destruição da Estrela da Morte.
No final de “A Vingança dos Sith”, vimos o início da construção da Estrela da Morte, um artefato do Império que é capaz de destruir mundos, e já no começo de “Uma Nova Esperança” vemos a Princesa Leia (Carrie Fisher) carregando os planos de destruição da Estrela da Morte em seu dróide R2-D2, antes dele e seu companheiro, o dróide de protocolo C-3PO, desembarcarem em Tattoine e conhecerem Luke Skywalker (Mark Hammill), iniciando uma das sagas mais idolatradas e adoradas pelos fãs de ficção científica.
“Rogue One” nos coloca entre essas duas histórias, nos mostrando como os planos da Estrela da Morte foram parar nas mãos da Aliança Rebelde e quem foram os responsáveis por isso. A saga de Jyn Erso, Capitão Cassian Andor, K-2SO, o piloto Bodhi Rook, o monge Chirrut Înwe e o guerreiro Baze Malbus se mostrou uma das mais belas histórias de Star Wars, pois mostra que todos somos capazes de ter esperança desde que tenhamos um objetivo e sejamos determinados.
Sinceramente, eu esperei muito tempo para que toda a catarse que me contagiou ao assistir “Rogue One” se assentasse, mas mesmo depois de dias ainda me sinto extasiado pelo filme. Não gosto de confiar em empolgações extremas, pois pessoas têm o costume de exagerar no que gostam ou ojerizam, então quando muitos viram a pré-estreia de “Rogue One” e vieram embevecidos com o filme, preferi deixar e esperar.
Eu esperava um filme bom, mas não esperava por “Rogue One”. A história escrita por John Knoll e Gary Whitta, roteirizada por Chris Weitz e Tony Gilroy, e dirigida por Gareth Edwards, é algo único, mas que capta bem a essência do que conhecemos de Star Wars, onde grandes heróis não são momentâneos, mas sim se constroem, se desenvolvem. E que, às vezes, precisamos ir além de algo para fazer com que os nossos desejos se tornem reais, pois se esperarmos, nunca alcançaremos nossos objetivos.
A história criada para a personagem Jyn Erso – vivida pelas atrizes-mirins gêmeas Beau Gadsdon e Dolly Gadsdon e pela atriz Felicity Jones – tem drama, mas não melodrama. Ela praticamente perde tudo quando criança, torna-se uma marginal aos olhos do Império, indesejada aos olhos da Aliança, mas não desiste, mesmo que veja a todos caírem. É uma guerreira obstinada e destemida, que sabe e conhece seu principal objetivo. O Capitão Cassian Andor, vivido pelo ator Diego Luna, testemunhara tantas coisas e fizera tantos serviços pela Aliança Rebelde, que perdera a sensibilidade humana, tornando-se frio e – quase – desumano quando seu objetivo são suas missões, mas ao conhecer Jyn, algo muda nele, confiando na jovem e seguindo-a no seu objetivo, mesmo que seu dróide, K-2SO – com voz do ator Alan Tudyk – não goste muito disso. A personalidade deste é um dos pontos altos do filme, pois K2 – como é chamado – tem uma personalidade única, conseguindo ser mais interessante do que C-3PO, até.
Outro personagem de grande personalidade é o monge Chirrut Înwe, vivido pelo fantástico Donnie Yen. Sua crença na Força é algo sem igual, levando-o a seguir Jyn, pois acredita que ela possui um propósito maior e que seu destino está escrito e deve ser apoiado por ele, e termina carregando o guerreiro Baze Malbus, interpretado por Wen Jiang, que além de um grande amigo e seu protetor, mesmo que não tenha as mesmas crenças que ele na Força, nessa jornada.
O filme é único, como já escrevi antes. Tem uma história narrada com começo, meio e um fim fantástico, pois muitos de nós já conhecemos seu destino e onde chegará. “Rogue One: Uma História de Star Wars” é mais do que uma simples história, é um ponto crucial para a saga, que determinou o destino de vários nas três histórias que se seguiram.

Existem pontos de divergências com “Uma Nova Esperança”, mas nem isso tira o brilho desse ponto de interligação entre as franquias, pois “Rogue One” é um dos mais fantásticos filmes dessa longeva história e, com certeza, repercutirá por anos e anos e, dificilmente, será esquecido.

domingo, 11 de dezembro de 2016

RESENHA SÉRIES: Fuller House (2016 -)

FULLER HOUSE (2016 -)

Roteiros: Jeff Franklin, Steve Baldikoski, Bryan Behar, Amy Engelberg, Wendy Engelberg, Andrew Gottlieb, Boyd Hale, Bob Keyes, Doug Keyes, Julie Thacker, Erin Cardillo, Polina Diaz, Richard Keith, Brian McAuley, Joe Vargas.
Produção: Jeff Franklin, Kelly Sandefur, Robert L. Boyett, John Stamos, Thomas L. Miller, Steve Sandoval.
Elenco: Candance Cameron Bure, Jolie Sweetin, Andrea Barber, Michael Campion, Elias Harger, Soni Bringas, Dashiell Messitt, Fox Messitt, Juan Pablo Di Pace, John Brotherton, Scott Weinger, Ashley Liao, John Stamos, Lori Loughlin, Bob Saget, Dave Coulier, Aden Hagenbuch.

Entre os anos de 1987 e 1995, a comédia de situação – ou sitcom – “Três É Demais” (Full House), trazia para o canal de TV ABC três homens, Danny Tanner (Bob Saget), Jesse Katsopolis (John Stamos) e Joey Gadstone (Dave Coulier), criando três lindas meninas, D.J. Tanner (Candace Cameron Bure), Stephanie Tanner (Jodie Sweetin) e Michelle Tanner (Mary-Kate e Ashley Olsen), após Danny perder sua esposa. Em pouco tempo, a namorada de Jesse, Rebecca Donaldson (Lori Loughlin), que viria a se tornar noiva e esposa do solteirão roqueiro, entrou para o elenco fixo, bem como a inseparável – e irritante – amiga de D.J., Kimmy Gibbler (Andrea Barber).
Com o crescimento das meninas, vários acontecimentos ocorreram, como a saída de Stephanie do quarto que dividia com D.J., pois essa entrava na adolescência e desejava seu próprio espaço, as relações amorosas de Danny, que sempre contava com o apoio dos seus amigos e de suas filhas, e as transformações na vida de Jesse e Rebecca com o nascimento dos gêmeos.
Vinte e um anos depois, D.J. Tanner-Fuller, que agora é uma reconhecida veterinária, depois de perder o marido que era bombeiro, viu-se com problemas para criar três crianças, seus filhos Jackson Fuller (Michael Campion), com treze anos, Max Fuller (Elias Harger), com sete anos e super-precoce, e o bebê Tommy Fuller Jr. (Dashiell Messitt e Fox Messitt), e dedicar-se a carreira que está em ascensão. Isso coincide com a saída de seu pai da residência dos Tanner, deixando para sua filha. Mas ela termina não ficando sozinha, pois Stephanie, que se tornou uma DJ famosa em Londres, retorna para casa e, agora, reside no porão, ajudando D.J. no que ela precisa. Para juntar-se as duas, Kimmy Gibbler, que virou uma planejadora de festas, separou-se de seu marido, o ex-piloto argentino Fernando (Juan Pablo Di Pace), e tem uma filha, Ramona (Soni Bringas), vai residir na residência dos Tanner, morando no sótão e, para dar um lugar para Ramona poder dormir, Jackson se muda para o quarto de Max.
Na primeira temporada da série, que estreou em 2016 no Netflix, trouxe todo o desenvolvimento e envolvimento dos personagens, junto com os ex-moradores, que aparecem esporadicamente. Além disso, D.J. termina envolvida amorosamente com seu colega, o Dr. Matt Harmon (John Brotherton), além de reaparecer em sua vida, seu romance de adolescência, Steve Hale (Scott Weinger), deixando-a dividida.
A segunda temporada já inicia com D.J. dizendo que decidiu com qual dos dois desejava ficar, mas não tem tempo para isso, pois ambos aparecem com namoradas.
Nesse meio tempo, Jackson e Ramona retornam do acampamento de férias e o sentimento de Jackson pela melhor amiga de Ramona aumenta, além da jovem se apaixonar pelo melhor amigo de Jackson.
Já Max entra em um projeto da escola para criar um mundo melhor e com isso ele monta em seu quintal uma horta de produtos orgânicos e um pequeno galinheiro, com a ajuda de Fernando, que decide ir morar na casa dos Tanner. Além disso, Stephanie inicia um romance com o irmão de Kimmy, Jimmy Gibbler (Adam Hagenbuch), um fotógrafo renomado, mas não muito esperto.
Essa segunda temporada traz, novamente, o clima que “Três É Demais” deixou saudades. Muita comédia, amizade e situações inusitadas e hilárias. Um dos atores que eu acho que tenha mais destaque é Elias Harger que interpreta Max Fuller. Mesmo que seja tão novo, Harger interpreta um irônico e genuíno personagem. O filho do meio de D.J. Tanner-Fuller rouba as cenas quando aparece. Mas outros destaques também ficam para o elenco mais adulto, como as atrizes Jodie Sweetin e Andrea Barber, que interpretam Stephanie Tanner e Kimmy Gibbler, respectivamente. A DJ e a organizadora de festas têm momentos fantásticos em cada episódio.
“Fuller House” foi mais um resgate maravilhoso desenvolvido pelo Netflix. É uma pena que s gêmeas Olsen não aceitem se envolver no projeto, mesmo que sejam constantemente provocadas por John Stamos que – além de interpretar Jesse Katsopolis – é um dos produtores da série. Ele mesmo tem um drama sendo desenvolvido em segundo plano, onde Becky deseja muito adotar uma criança, inspirada, principalmente, por causa do nascimento de Tommy Jr.

Se você assistia TV Colosso e SBT na década de 1990, ou mesmo o canal do Sistema Brasileiro de Televisão entre 2013 e 2014, e curtia a história dessa família, vai adorar rever a – quase – todos nessa série do Netflix.

domingo, 4 de dezembro de 2016

RESENHA SÉRIE: 3%

3%

Roteiros: Pedro Aguilera, Jotagá Crema, Cássio Kishikumo, Ivan Nakamura, Denis Nielsen.
Produção: Diego Avalos, Erik Barmak, Kelly Luegenbiehl, Tiago Mello, César Charlone.
Direção: César Charlone, Jotagá Crema, Daina Giannecchini, Dani Libardi.
Elenco: Bianca Comparato, João Miguel, Michel Gomes, Rodolfo Valente, Vaneza Oliveira, Viviane Porto, Sérgio Mamberti, Zezé Motta, Celso Frateschi, Rafael Lozano, Mel Fronckowiak.

A Terra não tem lugar para todos, e somente poucos podem vir a integrar uma sociedade abastada que vive em um território idílico. Todos os jovens têm a oportunidade de fazer parte dessa sociedade, mas somente 3% deles alcançarão seu objetivo, que não é para todos. Para isso passarão por testes que colocaram a prova sua vontade de sobrevivência.
Na nova prova que os jovens serão submetidos, encontra-se Michele (Bianca Comparato), que busca mais do que ser parte dos 3%. Junto a ela, chegam Fernando (Michel Gomes), um rapaz paraplégico que deseja mostrar que pode ser igual a todos os outros. Rafael (Rodolfo Valente), um misterioso rapaz que fará de tudo para integrar os 3%. Joana (Vaneza Oliveira) que foge do seu passado para conseguir integrar um grupo para poucos. E Marco (Rafael Lozano), que faz parte de uma família de vários que integraram os 3% e pretende mostrar estar apto para ser também.
Para seleciona-los e coloca-los a prova, Ezequiel (João Miguel) não poupará esforços em tentar torna-los aptos para fazer parte de grupo único. Mas ele mesmo será colocado a prova, quando o Conselho decide investigar sua forma de administrar o processo de seleção.
Agora o Brasil consegue lançar sua primeira série no Netflix. 3% é uma série de ficção científica criada por Pedro Aguilera. Ela inicialmente foi uma série de três episódios, lançada no Youtube em 2011, tendo como premissa o mesmo enredo onde jovens são selecionados para fazer parte de um grupo bem seleto, passando por provas que testam seu psicológico e seu físico. O lance é que a minissérie tinha um conceito mais militarista, como se a nossa sociedade tivesse um regresso a um regime que buscamos esquecer e como se esse fizesse a seleção dos que integrariam os 3%. Já na série do Netflix, Aguilera e seu time de escritores, trouxeram uma sociedade utópica, com ideais behavioristas para selecionar aqueles que integrarão seu grupo bem seleto. Eles colocam as pessoas à prova com testes psicológicos bem complexos na nova série, além de trabalhar intrigas internas e externas dessa sociedade idílica.
Ezequiel mesmo, vivido pelo ator João Miguel, possui segredos e mistérios que somente serão descobertos com o desenrolar da série. Sua história, seu passado, são narrados em forma de lembranças. O mesmo acontece com personagens como Michele Santana, interpretada pela atriz Bianca Comparato, Fernando Carvalho, vivido pelo ator Michel Gomes, que se mostra de forma bem interpretada como um paraplégico, filho de um pastor que prega a necessidade dos jovens se colocarem a prova para integrarem os 3%. O personagem Rafael Moreira, que tem como interprete o ator Rodolfo Valente, também tem seu passado revelado, mas ainda se percebe mistérios a serem revelados. Bem como a personagem Joana Coelho, interpretada pela atriz Vaneza Oliveira, que tem um pouco de seu passado mostrado. Temos também Marco Alvarez, do ator Rafael Lozano, que tem um legado a seguir e deseja conquistar o seu lugar que – acredita ele – é seu por direito. Esses são os personagens da trama central dessa primeira temporada que teve oito capítulos. Mas vê-se a possibilidade de explorar vários outros personagens, também, como os membros do Conselho, Matheus, interpretado pelo fantástico Sério Mamberti, e Nair, interpretada pela maravilhosa Zezé Motta.
A trama é bem desenvolvida e tem um crescente muito interessante, pois vemos o que as pessoas são capazes de fazer para conseguir seu objetivo, ou mesmo para se manter ao lado daqueles que desejam. Mas para que toda sociedade utópica exista, precisa existir uma distopia presente, e é nessa que todos aqueles que desejam viver no mundo idílico, vivem. Lógico, todos que vivem em um mundo pútrido e degradante, desejam algo melhor, pois o que tem não é o suficiente e nunca será, principalmente quando não tem nada.
3% não é somente a primeira série cem por cento brasileira lançada no Netflix, mas é um novo conceito de série tupiniquim, com alta qualidade e que promete um futuro promissor de séries no Brasil.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

RESENHA CINEMA: Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016)

ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM (Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016).

Direção: David Yates
Roteiro: J.K. Rowling
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Colin Farrell, Dan Fogler, Ezra Miller, Alison Sudol, Carmen Ejogo, Samantha Morton, Faith Wood-Blagrove, Jenn Murray, Jon Voight, Josh Cowdery, Ron Perlman, Ronan Raftery.

Diferente de Londres, nos Estados Unidos a convivência entre bruxos e trouxas – chamados por lá de não-majs ou não-bruxos – é ainda menor ainda, tanto que eles não convivem e nem podem se casar, mesmo que os não-majs tenham uma ideia de sua existência e criem movimentos contra os bruxos. Além disso, a criação de animais fantásticos é estritamente proibida nas regiões urbanas. E é nesse ambiente que chega Newton “Newt” Scamander (Eddie Redmayne), um estudioso de animais fantásticos, em Nova Iorque. O bruxo gostaria de passar despercebido, mas ele carrega uma mala bruxa com vários animais fantásticos dentro dela. Então um desses termina fugindo, chamando a atenção da bruxa Porpentina “Tina” Goldstein (Katherine Waterston), que é uma auror do Congresso Mágico dos Estados Unidos (também conhecido como MACUSA). Além dela, o padeiro Jacob Kowalski (Dan Fogler), um não-maj, vê-se envolvido em uma trama que o levará a conhecer mais o mundo mágico. Além disso, o jovem Credence Barebone (Ezra Miller), filho da maníaca religiosa Mary Lou (Samantha Morton), está sendo manipulado pelo bruxo Percival Graves (Colin Farrell). Como se não bastasse isso tudo, o bruxo negro Gellert Grindelwald está nos Estados Unidos tocando o terror na comunidade não-maj.
O enredo é mais ou menos esse, pessoal. Falar mais além disso, seria entregar várias surpresas que esse novo filme do Universo Mágico de J.K. Rowling – que escreveu o roteiro desse filme – traz.
“Animais Fantásticos e Onde Habitam” nos leva de volta a esse mundo, que ficamos órfãos por cinco anos, quando Yates dirigiu o último filme da octologia Harry Potter. Falando sobre o diretor, ele retorna a esse universo e mostra o quão confiável é para dirigir esses filmes. David Yates começou essa caminhada em “Harry Potter e a Ordem da Fênix” e demonstrou competência e o máximo de fidelidade nos filmes que esteve à frente, chegando até “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”, que estreou em 2011. Para isso ele contou com o roteiro da romancista britânica J.K Rowling, que pegou seu livro “Animais Fantásticos e Onde Habitam” e transformou em um novo longa metragem totalmente fiel ao que ela concebeu em 1997 com “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, fazendo-nos retornar no tempo com a história de Newt Scamander e seu tempo do outro lado do oceano, antes de conceber a obra que dá título ao filme.
Para dar vida ao roteiro de Rowling, o elenco é encabeçado pelo ator Eddie Redmayne, que já ganhou o Oscar de Melhor Ator pelo filme “A Teoria de Tudo”, onde interpretou o gênio da astrofísica, Stephen Hawking. Redmayne dá aspectos bem interessantes ao personagem Newt Scamander, com uma certa timidez e ímpeto para lutar pelo que acredita. Suas caracterizações para Scamander demonstram a paixão do personagem pelos animais fantásticos do reino mágico e o quanto ele se importa com eles, mesmo os mais tenebrosos.
Ladeando Newt Scamander, temos o personagem não-maj Jacob Kowalski, interpretado pelo ator Dan Fogler. Mesmo com vários trabalhos de Fogler, o filme que eu sempre me lembro dele é “Fanboys”, onde ele viaja com um grupo de amigos para o Rancho Skywalker, onde eles desejam realizar o último desejo de um amigo com câncer, dele assistir “Star Wars I: A Ameaça Fantasma”. Como o padeiro Jacob Kowlaski, Fogler se torna o lado engraçado da história. Mesmo com um grande drama de ser um operário desejando se tornar dono de uma panificadora, onde faria os pães e doces que sua avó fazia, Fogler não perde sua veia de comédia, dando um alívio a esse drama. Ele é como nós, um não-maj dentro do universo dos bruxos. Sua visão encantada de tudo que ocorre a sua volta, é como nos sentiríamos se estivéssemos em seu lugar. Ele vê coisas novas, realiza desparatamentos com Newt, se encanta com os animais fantásticos e se apaixona pela bela Queenie Goldstein, irmão de Tina Goldstein.
Tina, a auror do MACUSA, é interpretada pela atriz Katherine Waterston. Mesmo com trabalhos realizados no cinema e na TV desde 2004, a personagem que melhor lembro de Waterston foi sua participação no filme “Steve Jobs”, onde ela faz a mãe da primeira filha do gênio por trás da Apple. Nesse filme, Waterston interpreta Tina Goldstein, um auror que está sendo mantida fora do seu grupo por conta de sua ação no mundo dos não-majs. Ela é uma apaixonada pelo seu serviço, conhecendo todas as leis que fazem parte do mundo mágico dos Estados Unidos e buscando leva-los a sério. Quando descobre que Newt está carregando animais fantásticos dentro de sua mala, e que um desses escapou, ela crê que será sua redenção e seu retorno ao grupo de aurores da MACUSA. Mas ela termina encantada com a paixão do bruxo britânico pelos animais fantásticos e conclui que precisa ajuda-lo, ao invés de prendê-lo, somente.
Já a irmã de Tina, Queenie Goldstein, é uma legilimente, ou seja, ela tem a capacidade de ler mentes. Ela é interpretada pela atriz e cantora Alison Sudol. Os trabalhos de Sudol no cinema e na TV estadunidense sempre foram de papéis menores, até 2015 quando participou de dez episódios do seriado “Dig”. Sua caracterização para a personagem Queenie Goldstein é de uma bruxa que não realizou o que desejava, mas que tem uma enorme paixão pelo desconhecido. Quando conhece Jacob Kowalski, fica fascinada pelo não-maj e termina se apaixonando pelo padeiro.
Do outro lado da moeda, temos Percival Graves que encabeça o elenco antagonista do filme, sendo interpretado pelo ator Colin Farrell. Farrell é muito conhecido pelos seus filmes de ação como “S.W.A.T.T.”, “Alexandre”, “Miami Vice”, “A Hora do Espanto”, “O Vingador do Futuro” e a série da HBO “True Detective”. Ele interpreta Percival Graves como um empenhado chefe do Departamento para Cumprimento das Leis da Magia. Graves tem como principal intenção descobrir um novo bruxo entre os não-majs, além de estar empenhado em encontrar o bruxo das trevas Gerard Grindelwald. Quando descobre que Newt tem em sua mala um grande número de animais fantásticos, acredita que ele seja um seguidor de Grindelwald, o perseguindo avidamente.
Para ajudá-lo a descobrir o novo bruxo entre os não-majs, Graves recruta o jovem Credence Barebone, um órfão adotado pela líder da Sociedade Filantrópica de Nova Salem, Mary Lou Barebone. Credence ganha como interprete o ator Ezra Miller. Miller se tornou muito conhecido graças ao anuncio de sua participação no filme Liga da Justiça – que estreia em 16 de novembro de 2017 nos cinemas brasileiros – como Barry Allen/Flash. Mas ele já fez filmes dramáticos como “Precisamos Falar sobre o Kevin”, “As Vantagens de Ser Invisível” e “Madame Bovary”. Para “dar vida” a Credence, Miller decide dar ao personagem aspectos de um jovem retraído e tímido, sem muitas expectativas, que gosta de cuidar de sua irmã caçula, mas que tem um desejo enorme de se tornar algo mais, principalmente quando é recrutador por Graves para descobrir o novo bruxo que está entre eles.
“Animais Fantásticos e Onde Habitam” é mais um momento mágico na história de filmes relacionados a esse universo desenvolvido e criado por J.K. Rowling. É mais outra forma de vermos o quão rico essa criação da escritora britânica pode ser, com várias intrigas e momentos inesquecíveis. Me sinto, novamente, maravilhado com essa nova viagem.