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sábado, 14 de janeiro de 2017

RESENHA CINEMA: Assassin’s Creed (2017).

ASSASSIN’S CREED (2017)

Direção: Justin Kurzel
Roteiro: Michael Lesslie, Adam Cooper, Bill Collage
Elenco: Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, Denis Ménochet, Charlotte Rampling, Michael Kenneth Williams, Brendan Gleeson, Michelle H. Lin, Matias Varela, Callum Turner, Carlos Bardem, Essie Davis, Ariane Labed, Javier Gutiérrez, Khalid Abdalla, Hovik Keuchkerian, Thomas Camilleri, Marysia S. Peres, Kemaal Deen-Ellis

No final do século XV, os soberanos da Espanha tomam Granada dos mulçumanos e a Inquisição Espanhola está caçando infiéis com toda a força do seu líder, Tomás de Torquemada (Javier Gutiérrez). Nesse cenário estão os Assassinos, um grupo de guerreiros com capacidades de enfrentar as tropas dos Templários, seus principais inimigos. Entre os membros do Assassinos está Aguilar (Michael Fassbender), que tem a incumbência de proteger a Maçã do Éden, um artefato de grande poder, capaz de dar enorme poder aos Templários, se cair nas mãos deles.
No futuro, Callem Lynch, um assassino que está no corredor da morte é levado a Fundação Abstergo e lá descobre ser o descendente direto de Aguilar e usando o Animus, uma tecnologia criada por Sofia Rikkin (Marion Cotillard), filha do presidente da Fundação Abstergo, Alan Rikkin (Jeremy Irons), é ligado ao passado para descobrir onde seu antepassado escondeu o artefato, mas o que ele não sabe é que a Abstergo está ligada, diretamente, aos Templários e pretende, com a Maçã do Éden, dominar o mundo e destruir o Credo dos Assassinos.
Como já havia revelado em uma resenha anterior, não sou um fã de games, mas gosto de ver as adaptações desses, e quando são bem feitas gosto de citá-las.
Gosto de “Mortal Kombat”, dos dois “Hitman” – mesmo que muitos não gostem do primeiro –, dos filmes de “Resident Evil” – que também têm fãs dos jogos que não gostam muito –, de “Warcraft: o Primeiro Encontro de Dois Mundos” e, agora, de “Assassin’s Creed”.
Busquei informações em sites especializados em games para saber mais da história do filme e fiquei impressionado com a sintonia do game com a História da Idade Média e Moderna, indo das Cruzadas até o domínio Bórgia no Vaticano, tudo pensando no jogador estar em primeira pessoa, se tornando os Assassinos Altair Ibn La-Ahad e Ezio Auditore, ao mesmo tem que é Desmond Miles, descendente de Altair. Apesar de não parecer, é um game bem educacional, em certos aspectos. O filme não segue a mesma história do game, criando sua própria história, mas segue a mesma linha, misturando História com ficção científica.
A premissa é quase a mesma, um descendente de um membro do Credo dos Assassinos é escolhido para se unir ao Animus, um artefato tecnológico que o faz ligar-se ao seu antepassado, pois os Templários desejam os Pedaços do Éden – no caso do filme, fica somente a referência a Maçã do Éden (como o objeto começou a ser conhecido a partir de Assassin’s Creed II) –, mas as mudanças começam com o membro da Ordem do Assassinos, pois no filme é Aguilar de Nerha, vivido pelo ator Michael Fassbender, que é incumbido de proteger a Maçã do Éden. Depois partimos para os responsáveis pela Fundação Abstergo, agora nas mãos de Alan Rikkin e sua filha, Sofia Rikkin, interpretados pelo ator Jeremy Irons e pela atriz Marion Cotillard. Alan é CEO da Abstergo e Sofia a cientista, criadora do Animus, ambos são membros dos Templários, ordem inimiga dos Assassinos há séculos.
O período histórico também é um pouco diferente, se posicionando entre as Cruzadas e o domínio Bórgia no Vaticano. Agora o Credo dos Assassinos enfrenta a Ordem dos Templários em plena Espanha tomada pela Santa Inquisição e após a Tomada de Granada. Temos também a participação de personagens como o sultão Abu Abd Allah Muhammed XI, interpretado pelo ator Khalid Abdalla, o rei Fernando e a rainha Isabel, vividos pelos atores Thomas Camilleri e Marysia S. Peres, o frade dominicano e Grande Inquisidor Tomás de Torquemada, interpretador pelo ator Javier Gutiérrez, sem contar a menção ao grande navegador Cristovão Colombo.
O filme tem momentos cansativos, mas a história é necessária para compreender os acontecimentos, sem contar que a ação é formidável. Cenas de tirar o fôlego, com pakour, lutas de lanças, espadas, explosões, ações furtivas, dignas de um grande filme como “Assassin’s Creed”.
Sei que terão aqueles que não terão essa visão do filme, mas ao sair do cinema, vi muitos gamers elogiando o que assistiram. Isso torna “Assassin’s Creed” é um filme próprio para os conhecedores ou não do game, pois mesmo não conhecendo o jogo em si, gostei muito do filme.

Mal o ano começou e já temos um filme como “Assassin’s Creed” – que estreou no final do ano passado nos EUA –, então espero que estiver por vir esteja a altura.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

RESENHA SÉRIES: Sense8: Um Especial de Natal (Sense8: A Chistmas Special, 2016).

SENSE8: UM ESPECIAL DE NATAL (Sense8: A Chistmas Special, 2016).

Direção: Lana Wachowski
Roteiro: Lana Wachowski, J. Michael Straczynski
Elenco: Brian J. Smith, Tuppence Middleton, Doona Bae, Jamie Clayton, Toby Onwumere, Tina Desai, Miguel Ángel Silvestre, Max Riemelt, Freema Agyeman, Alfonso Herrera, Purab Kohli, Max Mauff, Daryl Hannah, Naveen Andrews, Terrence Mann, Eréndira Ibarra, Paul Ogola.

O policial Will Gorski (Brian J. Smith) e a DJ Riley Blue (Tuppence Middleton) continuam seu romance, mas estão escondidos em algum lugar da Islândia, ainda fugindo do Sr. Sussuro (Terrence Mann). Sun Bak (Doona Bae) ainda está presa e na solitária, enfrentando as acusações que assumiu para salvar o irmão, por mais que ele não mereça. Nomi Marks (Jamie Clayton) ainda está fugindo do FBI e por mais que sua namorada, Amanita (Freema Agyeman) busque despistar os federais, eles não desistem, colocando-a na mira deles, também. Depois de tudo que Capheus (Toby Onwumere) enfrentou, ele e seu melhor amigo, Jela (Paul Ogola), buscam retomar o serviço de transporte que eles têm em Nairobi, contando com uma certa ajuda, da qual Capheus gostaria de dispensar. Já o ator Lito Rodriguez (Miguel Ángel Silvestre) vai ter de enfrentar as consequências da revelação de seu homossexualismo, que se torna público, colocando sua carreira, de seu namorado Hernando (Alfonso Herrera), e sua vida financeira em risco. Enquanto Kala Dandekar (Tina Desai) aproveita a sua lua-de-mel com seu marido Rajan Rascal (Purab Kohli), Wolfgang Bogdanow tenta manter uma vida tranquila – como se isso fosse possível – e cuidar de seu melhor amigo, Felix (Max Mauff). Mas depois da morte de seu tio, começa a ser assediado para tomar uma decisão que pode mudar totalmente o rumo de sua vida.
Sem querer entrar em mais detalhes do que já entrei – com certeza terão várias coisas que muitos considerarão como spoilers – o que posso dizer é que os sensates retornaram em grande estilo. A ideia de Lana Wachwski e J. Michael Straczysnki é continuar de onde a série – que estreou em 05 de junho de 2015 no Netflix – parou. Em partes temos tudo que havia acontecido na primeira temporada tendo explicações nesse especial. O grande lance é que Will e Riley continuam buscando descobrir como vencer o – chamado – Sr. Sussurro e, por causa disso, tem de manter distância dos outros sensates fazendo uso de drogas que turvam a mente como fazia a personagem Angelica Turing, interpretada pela atriz Daryl Hannah. Mas quando necessário, eles surgem para ajudar seus companheiros.
Não são somente eles que buscam uma forma de descobrir onde Sussurro se esconde, mas também os outros se objetivam a ajuda-los, deixando de lado os próprios problemas, que são muito, como citei antes. Mesmo assim, o lado de “irmandade” estabelecido entre eles, não deixam de lado um ou outro. Outro laço que foi estabelecido a distância – e continua sendo interessante – é o de Wolfgang e Kala, que agora está casada. Então fica – quase – estabelecido um triângulo amoroso, pois o laço entre os dois é bem forte e, às vezes, constrangedor.
Voltamos, também, ao tema preconceito nesse episódio de um pouco mais de duas horas.
Como sabemos, Lana Wachowski é uma transgênero, como no caso da hacker Nomi Marks. Mas o preconceito fica por conta da revelação da sexualidade do ator Lito Rodriguez e sua relação com o professor Hernando. Essa revelação é bem extrema e drástica, colocando Lito contra a parede e, quando ele decide não desmentir, as consequências são catastróficas para sua carreira de ator.
Mas não são somente desastres que compõem o especial de Sense8. Temos momentos com a típica ação da série, com Sun mostrando todo seu talento, Wolfgang colocando suas capacidades a prova, e vários momentos de extensa emoção e, como não podia faltar, muito erotismo, no melhor estilo de Sense8.
Sense8: Um Especial de Natal - ou Especial de Fim de ano, como preferirem - dá o pontapé inicial para a nova temporada da série no Netflix. Foram dois anos de expectativa e, agora, serão mais cinco meses de espera para saber como as coisas acontecerão, mas pelo menos tivemos essa maravilhosa prévia de que o ritmo da segunda temporada será tão frenético quanto foi a primeira e os mistérios serão ainda mais interessantes. Será, simplesmente, imperdível.

sábado, 17 de dezembro de 2016

RESENHA CINEMA: Rogue One: Uma História de Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story, 2016).

ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA DE STAR WARS (Rogue One: A Star Wars Story, 2016).

Direção: Gareth Edwards
Roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy, John Knoll, Gary Whitta
Elenco: Felicty Jones, Diego Luna, Donnie Yen, Ben Medelsohn, Mads Mikkelsen, Forest Whitaker, Riz Ahmed, Alan Tudik, Jimmy Smits, Alistair Petrie, Genevieve O’Reilly, James Earl Jones, Valene Kane, Beau Gadsdon, Dolly Gadsdon, Ingivild Deila, Guy Henry, Daniel Naprous, Spencer Wilding.

Jyn Erso (Felicity Jones), filha do engenheiro Galen Erso (Mads Mikkelsen), sobreviveu após seu pai ser levado por Orson Krennic (Ben Mendelsohn), que matou sua mãe Lyra Erso (Valene Kane). Ela recebeu os cuidados do rebelde radical Saw Gerrera (Forest Whitaker), quando mais nova, mas já adulta terminou presa pelo Império Galáctico e terminou libertada pelo Capitão Cassian Andor (Diego Luna), da Aliança Rebelde. Mas a intenção ao libertá-la e descobrir onde está seu pai e os planos para uma arma mortal que ele ajudou a construí-la, a Estrela da Morte.
Nessa busca com Capitão Andor e seu dróide reprogramado K-2SO (Alan Tudyk), Jyn termina descobrindo que um piloto, Bodhi Rook (Riz Ahmed) é um conhecido de seu pai e, na busca por ele que foi capturado por Gerrera, ela conhece o monge cego Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e seu guardião Baze Malbus (Wen Jiang). Junto a esse grupo, ela parte para encontrar seu pai e conseguir os planos para a destruição da Estrela da Morte.
No final de “A Vingança dos Sith”, vimos o início da construção da Estrela da Morte, um artefato do Império que é capaz de destruir mundos, e já no começo de “Uma Nova Esperança” vemos a Princesa Leia (Carrie Fisher) carregando os planos de destruição da Estrela da Morte em seu dróide R2-D2, antes dele e seu companheiro, o dróide de protocolo C-3PO, desembarcarem em Tattoine e conhecerem Luke Skywalker (Mark Hammill), iniciando uma das sagas mais idolatradas e adoradas pelos fãs de ficção científica.
“Rogue One” nos coloca entre essas duas histórias, nos mostrando como os planos da Estrela da Morte foram parar nas mãos da Aliança Rebelde e quem foram os responsáveis por isso. A saga de Jyn Erso, Capitão Cassian Andor, K-2SO, o piloto Bodhi Rook, o monge Chirrut Înwe e o guerreiro Baze Malbus se mostrou uma das mais belas histórias de Star Wars, pois mostra que todos somos capazes de ter esperança desde que tenhamos um objetivo e sejamos determinados.
Sinceramente, eu esperei muito tempo para que toda a catarse que me contagiou ao assistir “Rogue One” se assentasse, mas mesmo depois de dias ainda me sinto extasiado pelo filme. Não gosto de confiar em empolgações extremas, pois pessoas têm o costume de exagerar no que gostam ou ojerizam, então quando muitos viram a pré-estreia de “Rogue One” e vieram embevecidos com o filme, preferi deixar e esperar.
Eu esperava um filme bom, mas não esperava por “Rogue One”. A história escrita por John Knoll e Gary Whitta, roteirizada por Chris Weitz e Tony Gilroy, e dirigida por Gareth Edwards, é algo único, mas que capta bem a essência do que conhecemos de Star Wars, onde grandes heróis não são momentâneos, mas sim se constroem, se desenvolvem. E que, às vezes, precisamos ir além de algo para fazer com que os nossos desejos se tornem reais, pois se esperarmos, nunca alcançaremos nossos objetivos.
A história criada para a personagem Jyn Erso – vivida pelas atrizes-mirins gêmeas Beau Gadsdon e Dolly Gadsdon e pela atriz Felicity Jones – tem drama, mas não melodrama. Ela praticamente perde tudo quando criança, torna-se uma marginal aos olhos do Império, indesejada aos olhos da Aliança, mas não desiste, mesmo que veja a todos caírem. É uma guerreira obstinada e destemida, que sabe e conhece seu principal objetivo. O Capitão Cassian Andor, vivido pelo ator Diego Luna, testemunhara tantas coisas e fizera tantos serviços pela Aliança Rebelde, que perdera a sensibilidade humana, tornando-se frio e – quase – desumano quando seu objetivo são suas missões, mas ao conhecer Jyn, algo muda nele, confiando na jovem e seguindo-a no seu objetivo, mesmo que seu dróide, K-2SO – com voz do ator Alan Tudyk – não goste muito disso. A personalidade deste é um dos pontos altos do filme, pois K2 – como é chamado – tem uma personalidade única, conseguindo ser mais interessante do que C-3PO, até.
Outro personagem de grande personalidade é o monge Chirrut Înwe, vivido pelo fantástico Donnie Yen. Sua crença na Força é algo sem igual, levando-o a seguir Jyn, pois acredita que ela possui um propósito maior e que seu destino está escrito e deve ser apoiado por ele, e termina carregando o guerreiro Baze Malbus, interpretado por Wen Jiang, que além de um grande amigo e seu protetor, mesmo que não tenha as mesmas crenças que ele na Força, nessa jornada.
O filme é único, como já escrevi antes. Tem uma história narrada com começo, meio e um fim fantástico, pois muitos de nós já conhecemos seu destino e onde chegará. “Rogue One: Uma História de Star Wars” é mais do que uma simples história, é um ponto crucial para a saga, que determinou o destino de vários nas três histórias que se seguiram.

Existem pontos de divergências com “Uma Nova Esperança”, mas nem isso tira o brilho desse ponto de interligação entre as franquias, pois “Rogue One” é um dos mais fantásticos filmes dessa longeva história e, com certeza, repercutirá por anos e anos e, dificilmente, será esquecido.

domingo, 11 de dezembro de 2016

RESENHA SÉRIES: Fuller House (2016 -)

FULLER HOUSE (2016 -)

Roteiros: Jeff Franklin, Steve Baldikoski, Bryan Behar, Amy Engelberg, Wendy Engelberg, Andrew Gottlieb, Boyd Hale, Bob Keyes, Doug Keyes, Julie Thacker, Erin Cardillo, Polina Diaz, Richard Keith, Brian McAuley, Joe Vargas.
Produção: Jeff Franklin, Kelly Sandefur, Robert L. Boyett, John Stamos, Thomas L. Miller, Steve Sandoval.
Elenco: Candance Cameron Bure, Jolie Sweetin, Andrea Barber, Michael Campion, Elias Harger, Soni Bringas, Dashiell Messitt, Fox Messitt, Juan Pablo Di Pace, John Brotherton, Scott Weinger, Ashley Liao, John Stamos, Lori Loughlin, Bob Saget, Dave Coulier, Aden Hagenbuch.

Entre os anos de 1987 e 1995, a comédia de situação – ou sitcom – “Três É Demais” (Full House), trazia para o canal de TV ABC três homens, Danny Tanner (Bob Saget), Jesse Katsopolis (John Stamos) e Joey Gadstone (Dave Coulier), criando três lindas meninas, D.J. Tanner (Candace Cameron Bure), Stephanie Tanner (Jodie Sweetin) e Michelle Tanner (Mary-Kate e Ashley Olsen), após Danny perder sua esposa. Em pouco tempo, a namorada de Jesse, Rebecca Donaldson (Lori Loughlin), que viria a se tornar noiva e esposa do solteirão roqueiro, entrou para o elenco fixo, bem como a inseparável – e irritante – amiga de D.J., Kimmy Gibbler (Andrea Barber).
Com o crescimento das meninas, vários acontecimentos ocorreram, como a saída de Stephanie do quarto que dividia com D.J., pois essa entrava na adolescência e desejava seu próprio espaço, as relações amorosas de Danny, que sempre contava com o apoio dos seus amigos e de suas filhas, e as transformações na vida de Jesse e Rebecca com o nascimento dos gêmeos.
Vinte e um anos depois, D.J. Tanner-Fuller, que agora é uma reconhecida veterinária, depois de perder o marido que era bombeiro, viu-se com problemas para criar três crianças, seus filhos Jackson Fuller (Michael Campion), com treze anos, Max Fuller (Elias Harger), com sete anos e super-precoce, e o bebê Tommy Fuller Jr. (Dashiell Messitt e Fox Messitt), e dedicar-se a carreira que está em ascensão. Isso coincide com a saída de seu pai da residência dos Tanner, deixando para sua filha. Mas ela termina não ficando sozinha, pois Stephanie, que se tornou uma DJ famosa em Londres, retorna para casa e, agora, reside no porão, ajudando D.J. no que ela precisa. Para juntar-se as duas, Kimmy Gibbler, que virou uma planejadora de festas, separou-se de seu marido, o ex-piloto argentino Fernando (Juan Pablo Di Pace), e tem uma filha, Ramona (Soni Bringas), vai residir na residência dos Tanner, morando no sótão e, para dar um lugar para Ramona poder dormir, Jackson se muda para o quarto de Max.
Na primeira temporada da série, que estreou em 2016 no Netflix, trouxe todo o desenvolvimento e envolvimento dos personagens, junto com os ex-moradores, que aparecem esporadicamente. Além disso, D.J. termina envolvida amorosamente com seu colega, o Dr. Matt Harmon (John Brotherton), além de reaparecer em sua vida, seu romance de adolescência, Steve Hale (Scott Weinger), deixando-a dividida.
A segunda temporada já inicia com D.J. dizendo que decidiu com qual dos dois desejava ficar, mas não tem tempo para isso, pois ambos aparecem com namoradas.
Nesse meio tempo, Jackson e Ramona retornam do acampamento de férias e o sentimento de Jackson pela melhor amiga de Ramona aumenta, além da jovem se apaixonar pelo melhor amigo de Jackson.
Já Max entra em um projeto da escola para criar um mundo melhor e com isso ele monta em seu quintal uma horta de produtos orgânicos e um pequeno galinheiro, com a ajuda de Fernando, que decide ir morar na casa dos Tanner. Além disso, Stephanie inicia um romance com o irmão de Kimmy, Jimmy Gibbler (Adam Hagenbuch), um fotógrafo renomado, mas não muito esperto.
Essa segunda temporada traz, novamente, o clima que “Três É Demais” deixou saudades. Muita comédia, amizade e situações inusitadas e hilárias. Um dos atores que eu acho que tenha mais destaque é Elias Harger que interpreta Max Fuller. Mesmo que seja tão novo, Harger interpreta um irônico e genuíno personagem. O filho do meio de D.J. Tanner-Fuller rouba as cenas quando aparece. Mas outros destaques também ficam para o elenco mais adulto, como as atrizes Jodie Sweetin e Andrea Barber, que interpretam Stephanie Tanner e Kimmy Gibbler, respectivamente. A DJ e a organizadora de festas têm momentos fantásticos em cada episódio.
“Fuller House” foi mais um resgate maravilhoso desenvolvido pelo Netflix. É uma pena que s gêmeas Olsen não aceitem se envolver no projeto, mesmo que sejam constantemente provocadas por John Stamos que – além de interpretar Jesse Katsopolis – é um dos produtores da série. Ele mesmo tem um drama sendo desenvolvido em segundo plano, onde Becky deseja muito adotar uma criança, inspirada, principalmente, por causa do nascimento de Tommy Jr.

Se você assistia TV Colosso e SBT na década de 1990, ou mesmo o canal do Sistema Brasileiro de Televisão entre 2013 e 2014, e curtia a história dessa família, vai adorar rever a – quase – todos nessa série do Netflix.

domingo, 4 de dezembro de 2016

RESENHA SÉRIE: 3%

3%

Roteiros: Pedro Aguilera, Jotagá Crema, Cássio Kishikumo, Ivan Nakamura, Denis Nielsen.
Produção: Diego Avalos, Erik Barmak, Kelly Luegenbiehl, Tiago Mello, César Charlone.
Direção: César Charlone, Jotagá Crema, Daina Giannecchini, Dani Libardi.
Elenco: Bianca Comparato, João Miguel, Michel Gomes, Rodolfo Valente, Vaneza Oliveira, Viviane Porto, Sérgio Mamberti, Zezé Motta, Celso Frateschi, Rafael Lozano, Mel Fronckowiak.

A Terra não tem lugar para todos, e somente poucos podem vir a integrar uma sociedade abastada que vive em um território idílico. Todos os jovens têm a oportunidade de fazer parte dessa sociedade, mas somente 3% deles alcançarão seu objetivo, que não é para todos. Para isso passarão por testes que colocaram a prova sua vontade de sobrevivência.
Na nova prova que os jovens serão submetidos, encontra-se Michele (Bianca Comparato), que busca mais do que ser parte dos 3%. Junto a ela, chegam Fernando (Michel Gomes), um rapaz paraplégico que deseja mostrar que pode ser igual a todos os outros. Rafael (Rodolfo Valente), um misterioso rapaz que fará de tudo para integrar os 3%. Joana (Vaneza Oliveira) que foge do seu passado para conseguir integrar um grupo para poucos. E Marco (Rafael Lozano), que faz parte de uma família de vários que integraram os 3% e pretende mostrar estar apto para ser também.
Para seleciona-los e coloca-los a prova, Ezequiel (João Miguel) não poupará esforços em tentar torna-los aptos para fazer parte de grupo único. Mas ele mesmo será colocado a prova, quando o Conselho decide investigar sua forma de administrar o processo de seleção.
Agora o Brasil consegue lançar sua primeira série no Netflix. 3% é uma série de ficção científica criada por Pedro Aguilera. Ela inicialmente foi uma série de três episódios, lançada no Youtube em 2011, tendo como premissa o mesmo enredo onde jovens são selecionados para fazer parte de um grupo bem seleto, passando por provas que testam seu psicológico e seu físico. O lance é que a minissérie tinha um conceito mais militarista, como se a nossa sociedade tivesse um regresso a um regime que buscamos esquecer e como se esse fizesse a seleção dos que integrariam os 3%. Já na série do Netflix, Aguilera e seu time de escritores, trouxeram uma sociedade utópica, com ideais behavioristas para selecionar aqueles que integrarão seu grupo bem seleto. Eles colocam as pessoas à prova com testes psicológicos bem complexos na nova série, além de trabalhar intrigas internas e externas dessa sociedade idílica.
Ezequiel mesmo, vivido pelo ator João Miguel, possui segredos e mistérios que somente serão descobertos com o desenrolar da série. Sua história, seu passado, são narrados em forma de lembranças. O mesmo acontece com personagens como Michele Santana, interpretada pela atriz Bianca Comparato, Fernando Carvalho, vivido pelo ator Michel Gomes, que se mostra de forma bem interpretada como um paraplégico, filho de um pastor que prega a necessidade dos jovens se colocarem a prova para integrarem os 3%. O personagem Rafael Moreira, que tem como interprete o ator Rodolfo Valente, também tem seu passado revelado, mas ainda se percebe mistérios a serem revelados. Bem como a personagem Joana Coelho, interpretada pela atriz Vaneza Oliveira, que tem um pouco de seu passado mostrado. Temos também Marco Alvarez, do ator Rafael Lozano, que tem um legado a seguir e deseja conquistar o seu lugar que – acredita ele – é seu por direito. Esses são os personagens da trama central dessa primeira temporada que teve oito capítulos. Mas vê-se a possibilidade de explorar vários outros personagens, também, como os membros do Conselho, Matheus, interpretado pelo fantástico Sério Mamberti, e Nair, interpretada pela maravilhosa Zezé Motta.
A trama é bem desenvolvida e tem um crescente muito interessante, pois vemos o que as pessoas são capazes de fazer para conseguir seu objetivo, ou mesmo para se manter ao lado daqueles que desejam. Mas para que toda sociedade utópica exista, precisa existir uma distopia presente, e é nessa que todos aqueles que desejam viver no mundo idílico, vivem. Lógico, todos que vivem em um mundo pútrido e degradante, desejam algo melhor, pois o que tem não é o suficiente e nunca será, principalmente quando não tem nada.
3% não é somente a primeira série cem por cento brasileira lançada no Netflix, mas é um novo conceito de série tupiniquim, com alta qualidade e que promete um futuro promissor de séries no Brasil.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

RESENHA CINEMA: Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016)

ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM (Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016).

Direção: David Yates
Roteiro: J.K. Rowling
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Colin Farrell, Dan Fogler, Ezra Miller, Alison Sudol, Carmen Ejogo, Samantha Morton, Faith Wood-Blagrove, Jenn Murray, Jon Voight, Josh Cowdery, Ron Perlman, Ronan Raftery.

Diferente de Londres, nos Estados Unidos a convivência entre bruxos e trouxas – chamados por lá de não-majs ou não-bruxos – é ainda menor ainda, tanto que eles não convivem e nem podem se casar, mesmo que os não-majs tenham uma ideia de sua existência e criem movimentos contra os bruxos. Além disso, a criação de animais fantásticos é estritamente proibida nas regiões urbanas. E é nesse ambiente que chega Newton “Newt” Scamander (Eddie Redmayne), um estudioso de animais fantásticos, em Nova Iorque. O bruxo gostaria de passar despercebido, mas ele carrega uma mala bruxa com vários animais fantásticos dentro dela. Então um desses termina fugindo, chamando a atenção da bruxa Porpentina “Tina” Goldstein (Katherine Waterston), que é uma auror do Congresso Mágico dos Estados Unidos (também conhecido como MACUSA). Além dela, o padeiro Jacob Kowalski (Dan Fogler), um não-maj, vê-se envolvido em uma trama que o levará a conhecer mais o mundo mágico. Além disso, o jovem Credence Barebone (Ezra Miller), filho da maníaca religiosa Mary Lou (Samantha Morton), está sendo manipulado pelo bruxo Percival Graves (Colin Farrell). Como se não bastasse isso tudo, o bruxo negro Gellert Grindelwald está nos Estados Unidos tocando o terror na comunidade não-maj.
O enredo é mais ou menos esse, pessoal. Falar mais além disso, seria entregar várias surpresas que esse novo filme do Universo Mágico de J.K. Rowling – que escreveu o roteiro desse filme – traz.
“Animais Fantásticos e Onde Habitam” nos leva de volta a esse mundo, que ficamos órfãos por cinco anos, quando Yates dirigiu o último filme da octologia Harry Potter. Falando sobre o diretor, ele retorna a esse universo e mostra o quão confiável é para dirigir esses filmes. David Yates começou essa caminhada em “Harry Potter e a Ordem da Fênix” e demonstrou competência e o máximo de fidelidade nos filmes que esteve à frente, chegando até “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”, que estreou em 2011. Para isso ele contou com o roteiro da romancista britânica J.K Rowling, que pegou seu livro “Animais Fantásticos e Onde Habitam” e transformou em um novo longa metragem totalmente fiel ao que ela concebeu em 1997 com “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, fazendo-nos retornar no tempo com a história de Newt Scamander e seu tempo do outro lado do oceano, antes de conceber a obra que dá título ao filme.
Para dar vida ao roteiro de Rowling, o elenco é encabeçado pelo ator Eddie Redmayne, que já ganhou o Oscar de Melhor Ator pelo filme “A Teoria de Tudo”, onde interpretou o gênio da astrofísica, Stephen Hawking. Redmayne dá aspectos bem interessantes ao personagem Newt Scamander, com uma certa timidez e ímpeto para lutar pelo que acredita. Suas caracterizações para Scamander demonstram a paixão do personagem pelos animais fantásticos do reino mágico e o quanto ele se importa com eles, mesmo os mais tenebrosos.
Ladeando Newt Scamander, temos o personagem não-maj Jacob Kowalski, interpretado pelo ator Dan Fogler. Mesmo com vários trabalhos de Fogler, o filme que eu sempre me lembro dele é “Fanboys”, onde ele viaja com um grupo de amigos para o Rancho Skywalker, onde eles desejam realizar o último desejo de um amigo com câncer, dele assistir “Star Wars I: A Ameaça Fantasma”. Como o padeiro Jacob Kowlaski, Fogler se torna o lado engraçado da história. Mesmo com um grande drama de ser um operário desejando se tornar dono de uma panificadora, onde faria os pães e doces que sua avó fazia, Fogler não perde sua veia de comédia, dando um alívio a esse drama. Ele é como nós, um não-maj dentro do universo dos bruxos. Sua visão encantada de tudo que ocorre a sua volta, é como nos sentiríamos se estivéssemos em seu lugar. Ele vê coisas novas, realiza desparatamentos com Newt, se encanta com os animais fantásticos e se apaixona pela bela Queenie Goldstein, irmão de Tina Goldstein.
Tina, a auror do MACUSA, é interpretada pela atriz Katherine Waterston. Mesmo com trabalhos realizados no cinema e na TV desde 2004, a personagem que melhor lembro de Waterston foi sua participação no filme “Steve Jobs”, onde ela faz a mãe da primeira filha do gênio por trás da Apple. Nesse filme, Waterston interpreta Tina Goldstein, um auror que está sendo mantida fora do seu grupo por conta de sua ação no mundo dos não-majs. Ela é uma apaixonada pelo seu serviço, conhecendo todas as leis que fazem parte do mundo mágico dos Estados Unidos e buscando leva-los a sério. Quando descobre que Newt está carregando animais fantásticos dentro de sua mala, e que um desses escapou, ela crê que será sua redenção e seu retorno ao grupo de aurores da MACUSA. Mas ela termina encantada com a paixão do bruxo britânico pelos animais fantásticos e conclui que precisa ajuda-lo, ao invés de prendê-lo, somente.
Já a irmã de Tina, Queenie Goldstein, é uma legilimente, ou seja, ela tem a capacidade de ler mentes. Ela é interpretada pela atriz e cantora Alison Sudol. Os trabalhos de Sudol no cinema e na TV estadunidense sempre foram de papéis menores, até 2015 quando participou de dez episódios do seriado “Dig”. Sua caracterização para a personagem Queenie Goldstein é de uma bruxa que não realizou o que desejava, mas que tem uma enorme paixão pelo desconhecido. Quando conhece Jacob Kowalski, fica fascinada pelo não-maj e termina se apaixonando pelo padeiro.
Do outro lado da moeda, temos Percival Graves que encabeça o elenco antagonista do filme, sendo interpretado pelo ator Colin Farrell. Farrell é muito conhecido pelos seus filmes de ação como “S.W.A.T.T.”, “Alexandre”, “Miami Vice”, “A Hora do Espanto”, “O Vingador do Futuro” e a série da HBO “True Detective”. Ele interpreta Percival Graves como um empenhado chefe do Departamento para Cumprimento das Leis da Magia. Graves tem como principal intenção descobrir um novo bruxo entre os não-majs, além de estar empenhado em encontrar o bruxo das trevas Gerard Grindelwald. Quando descobre que Newt tem em sua mala um grande número de animais fantásticos, acredita que ele seja um seguidor de Grindelwald, o perseguindo avidamente.
Para ajudá-lo a descobrir o novo bruxo entre os não-majs, Graves recruta o jovem Credence Barebone, um órfão adotado pela líder da Sociedade Filantrópica de Nova Salem, Mary Lou Barebone. Credence ganha como interprete o ator Ezra Miller. Miller se tornou muito conhecido graças ao anuncio de sua participação no filme Liga da Justiça – que estreia em 16 de novembro de 2017 nos cinemas brasileiros – como Barry Allen/Flash. Mas ele já fez filmes dramáticos como “Precisamos Falar sobre o Kevin”, “As Vantagens de Ser Invisível” e “Madame Bovary”. Para “dar vida” a Credence, Miller decide dar ao personagem aspectos de um jovem retraído e tímido, sem muitas expectativas, que gosta de cuidar de sua irmã caçula, mas que tem um desejo enorme de se tornar algo mais, principalmente quando é recrutador por Graves para descobrir o novo bruxo que está entre eles.
“Animais Fantásticos e Onde Habitam” é mais um momento mágico na história de filmes relacionados a esse universo desenvolvido e criado por J.K. Rowling. É mais outra forma de vermos o quão rico essa criação da escritora britânica pode ser, com várias intrigas e momentos inesquecíveis. Me sinto, novamente, maravilhado com essa nova viagem.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

PRIMEIRA OLHADA: Atirador (Shooter,2016)

ATIRADOR (Shooter,2016).

Direção: Simon Cellan Jones
Roteiro: John Hlavin, Jonathan Lemkin
Elenco: Ryan Phillippe, Shantel VanSanten, Cynthia Addai-Robinson, Omar Epps, Eddie McClintock, Lexy Kolker

Bob Lee Swagger (Ryan Phillippe) vive no interior dos Estados Unidos com sua família, sua esposa Julie (Shantel VanSanten) e sua filhaMary (Lexy Kolker), quando recebe a visitar de seu antigo comandante em Kandahar, capitão Isaac Johnson (Omar Epps), que lhe fala de uma ameaça que o presidente recebeu de um antigo inimigo de Swagger, que chegou a matar seu olheiro e parceiro.
Swagger reluta em aceitar a missão, mas após conversar com sua esposa, decide aceita-la, só que tudo não termina como ele espera e ele se vê incriminado por um crime que não cometera.
A série que estreou recentemente no Netflix baseia-se no livro “Point of Impact”, do escritor estadunidense Stephen Hunter. Este já teve uma primeira adaptação em 2007, com o ator Mark Wahlberg. As mudanças de ambos são uma forma de trazer o romance para a atualidade. Nessa série do Netflix, o personagem de Hunter ainda ganha uma família e uma casa onde mora com ela, mas as ideias centrais parecem estar bem ali.
O primeiro episódio já mostra a direção que a trama seguirá, mas ainda existem surpresas, já que Swagger agora tem uma família para se preocupar e, ao invés de um policial, ele deverá ser auxiliado pela agente do FBI, Nadine Memphis, vivida pela atriz Cynthia Addai-Robinson (da série Arrow).
O clima de suspense e tensão ainda se mantém e, aparentemente, as mesmas nuances que foram usadas no filme, também. O mais interessante é a forma de abordagem nas cenas que ele trabalha fazendo analises, aparecendo metragens, velocidade e números que remetem ao trabalho de um franco-atirador.

Sem contar que é bom ver o retorno de um ator talentoso como Ryan Phillippe, que anda fora do foco desde sua participação no filme de 2014, Sobrevivendo ao Inferno. Ele chegou a participar, em 2015, da série de TV Secret and Lies, mas somente agora volta a ser o foco central de um trabalho.
Também temos o ator e rapper Omar Epps. Epps estreou no dia 11 de novembro com o filme “Almost Christmas”, ao lado do ator Danny Glover (Glover viveu no filme “Atirador” o mesmo papel que Epps está fazendo na série). Mas seu último trabalho na TV aconteceu entre os anos de 2014-2015 na série Ressurection.
Além deles, como possível personagem central dessa temporada, temos a atriz Cynthia Addai-Robinson que, como mencionado, interpreta a detetive do FBI Nadine Memphis. Addai-Robinson já participou de séries como Spartacus (2012-2013) e Arrow (2013-2016). Ela pode ser vista, mais recentemente no filme “O Contador”, estrelado por Ben Affleck (Batman vs. Superman: A Origem da Justiça).

Atirador parece ser uma série com bastante ação e com um bom clima de suspense. E se perdurar, poderemos ver a série de livros de Stephen Hunter com o personagem, sendo passado no Netflix.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

RESENHA CINEMA: Doutor Estranho (Doctor Strange, 2016)

DOUTOR ESTRANHO (Doctor Strange, 2016).

Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Jon Spaihts, Scott Derrickson, C. Robert Cargill
Elenco: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Benedict Wong, Mads Mikkelsen, Tilda Swinton, Benjamin Bratt.

O Dr. Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um dos maiores neurocirurgiões do mundo. Preciso e eficaz, não tem uma cirurgia que ele não consiga efetuar. Mas, ao mesmo tempo, ele é extremamente prepotente, tanto que somente atua no Centro Cirúrgico, nunca se misturando com o atendimento no Pronto-Socorro, mesmo que sempre seja convidado por sua colega, a Dra. Cristine Palmer (Rachel McAdams).
Quando Strange está a caminho de um evento que iria homenageá-lo, ele sofre um terrível acidente e, com isso, termina perdendo a eficiência de seus instrumentos de trabalho, as suas mãos. Em uma busca constante para voltar a ser cirurgião, ele gasta todas as suas finanças, mas não consegue. Então ele descobre que um homem conseguiu se curar depois de ir ao Nepal, em Kamar-Taj, e decide seguir para lá.
Na sua busca, Strange termina sendo salvo nas ruas de Katmandu por Mordo (Chiwetel Ejiofor), um dos discípulos da Anciã (Tilda Swinton), uma maga suprema que protege o nosso mundo contra outras magias poderosas e, principalmente, contra Kaecilius (Mads Mikkelsen), que deseja soltar o terrível Dormammu na Terra. Strange então entra para o mundo da magia, mesmo sendo cético inicialmente e relutante, ele precisará ajudar a Anciã a proteger os sanctums e a Terra.
Eu li uma história do Doutor Estranho, pela primeira vez, na revista Heróis da TV nº 100 (outubro de 1987). Nela víamos a origem do personagem nas mãos do fantástico Steve Ditko. Conhecíamos como tudo começou na vida do mago supremo Stephen Strange, do acidente, a sua chegada em Katmandu, seu aprendizado com o Ancião, seus problemas com o Barão Mordo, até se tornar o Mago Supremo. Em outubro de 1999, a Editora Abril publicou a revista Origens dos Super-Heróis Marvel nº 8, que trouxe histórias da coleção Uncanny Origins. Na edição 12 dessa coleção, o roteirista Len Wein e o desenhista brasileiro Marcelo “Marc” Campos contaram de uma forma diferente a origem de Strange, mostrando seu passado, que o levou a ser quem era antes de se tornar o Mago Supremo.
Um pouco dessa origem do Doutor Estranho vemos nesse novo filme do Universo Cinemático Marvel. O filme segue o padrão Marvel de filmes, ou seja, bastante diversão, ação, um filme voltado para a família... lógico, se você quiser colocar seus filhos e filhas para fazer uma viagem extradimensional nessa película inesquecível.
“Doutor Estranho” parece pegar as ideias do filme “Origem”, de Christopher Nolan, e ir além, colocando elementos totalmente incomuns, além do imaginável. Você fica alucinado com cada momento do filme. São simplesmente viajantes e delirantes, pois extravasa a ideia da quarta dimensão, pensando no multiverso como uma continuidade do nosso universo, mas visto “através do espelho”. Entrar em mais detalhes seriam entregar aspectos do filme que são extremamente importantes para você compreender, dessa forma partimos para as atuações.
Eu vejo nesse filme a maior união de atores talentosos de todos os tempos na Marvel Studios.
Não quero tirar créditos de atores como Robert Downey Jr, Scarlett Johansson, Mark Ruffalo, entre outros que já atuaram nos filmes do Universo Cinemático Marvel, mas a realização de “Doutor Estranho” traz um número incomum de talentos em um filme solo. Desde seu protagonista até seu antagonista, temos talentos dos mais variados e ganhadores de prêmios, indo do Prêmio da Academia (Oscar) a prêmios locais. Benedict Cumberbatch, que encabeça o elenco fazendo Dr. Stephen Strange/Doutor Estranho, atua na série britânica Sherlock, fazendo o protagonista ao lado do ator Martin Freeman (Capitão América: Guerra Civil), o que lhe proporcionou alguns prêmios e o levou a atuação de filmes para a TV e cinema, fazendo personagens como Khan em Além da Escuridão: Star Trek, Alan Turing em O Jogo da Imitação – que lhe garantiu a indicação ao Prêmio da Academia e o Globo de Ouro como Melhor Ator – e Ricardo III na série inglesa The Hollow Crow.
Junto a Cumberbatch, fazendo seu companheiro, está o ator Chiwetel Ejiofor como Mordo. Ejiofor já pode ser visto em filme em Amistad, O Plano Perfeito, O Gangster, 2012, Salt, 12 Anos de Escravidão – que foi indicado pelo seu trabalho como protagonista – e Perdido em Marte. Ainda ladeando o protagonista temos a atriz Rachel McAdams que fez filmes como Meninas Malvadas, Diário de Uma Paixão, Penetras Bom de Bico, Voo Noturno, Intrigas de Estado, Sherlock Holmes – ao lado do ator Robert Downey Jr. (Capitão América: Guerra Civil), a série True Detective e Spotlight: Segredos Revelados – que lhe garantiu a indicação ao Prêmio da Academia (Oscar).
Continuando próximo ao protagonista temos a atriz Tilda Swinton que faz A Anciã. Swinton já atuou fazendo a voz de Ofélia na minissérie da TV britânica Shakespeare: The Animated Tales. Esteve em A Praia, Adaptação, Constantine, As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, Despertar de Um Crime, Conduta de risco – que lhe garantiu o Prêmio da Academia de Melhor Atriz Coadjuvante –, O Curioso Caso de Benjamin Button, Precisamos Falar Sobre Kevin – ao lado do ator Ezra Miller (Liga da Justiça), Expresso do Amanhã – ao lado do ator Chris Evans (Capitão América: Guerra Civil) – e O Grande Hotel Budapeste. Ainda temos o ator Benedict Wong fazendo Wong. Ele já atuou na minissérie As Mil e Uma Noites, Jogo de Espiões, Conspiração Xangai, Além da Liberdade, O Retorno de Johnny English, Kick Ass 2 e a série do Netflix Marco Polo.
Já no papel de antagonista temos o fantástico ator dinamarquês Mads Mikkelsen. Mikkelsen já fez filmes como Rei Arthur, 007 – Cassino Royale, O Guerreiro Silencioso, Fúria de Titãs, Os Três Mosqueteiros, O Amante da Rainha, a série de TV Hannibal – interpretando o personagem Hannibal Lecter, que já lhe garantiu três Indicações de Melhor Ator de Série de TV no prêmio da Academia de Ficção Científica (Saturn Award) – e, futuramente, o veremos no filme Rogue One: Uma História Star Wars.
Todos esses atores foram regidos – posso usar essa palavra – pelo diretor Scott Derrickson. Derrickson é um diretor acostumado ao sobrenatural, pois dirigiu filmes como O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade e Livrai-nos do Mal, além da ficção científica O Dia Em Que a Terra Parou, uma mistura de sci-fi com sobrenatural.
O único problema, no meu ver, no filme foi exatamente as pontas soltas e o formato Marvel de se fazer filmes, ou seja, sem muito aprofundamento na trama, dando mais atenção a ação e aos efeitos visuais. Mas isso se torna pequeno perto de tudo que vemos, pois Doutor Estranho é puro entretenimento e cria uma nova visão para os filmes do Universo Cinemático Marvel, a visão por parte da magia. Para conseguir superar isso, a concorrência vai ter de rebolar e suar, pois novamente a Marvel dá um passo à frente.
Alguns falarão que sobrenatural não é novidade em filmes baseados em quadrinhos, pois temos os dois filmes de Hellboy – personagem de Mike Mignola, que teve direção de Benicio Del Toro – e Blade – com Wesley Snipes. Mas é uma visão diferente de magia e sobrenatural, ampliando essa ideia.

Perder Doutor Estranho nos cinemas, é deixar de ver algo único que nunca poderá ser visto na televisão, pois a dimensão do filme é absolutamente feito para a tela grande. Lógico que você poderá vê-lo muito bem em Blu-ray e DVD, mas no cinema é um espetáculo único e absoluto.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

RESENHA ANIMAÇÃO: Batman: O Retorno do Cruzado Encapuzado (Batman: The Return of the Caped Crusaders, 2016)

BATMAN: O RETORNO DO CRUZADO ENCAPUZADO (Batman: The Return of the Caped Crusaders, 2016).

Direção: Rick Morales
Roteiro: Michael Jelenic, James Tucker
Elenco: Adam West. Burt Ward, Julie Newmar, Jeff Bergman, William Salyers, Wally Wingert, Steven Weber, Jim Ward, Thomas Lennon, Lynne Marie Stewart

Gotham City. Mansão Wayne. Lar dos paladinos da justiça Batman (Adam West) e Robin (Burt Ward), em suas identidades de Bruce Wayne e Dick Grayson. Enquanto assistem a uma programa de TV, eles testemunham quatro de seus piores inimigos, a Mulher-Gato (Julie Newmar), o Coringa (Jeff Bergman), o Pinguim (William Salyers) e o Charada (Steven Weber), aparecerem e correm para enfrentá-los, sem saber os motivos desse aparecimento súbito. Depois do Charada deixar um enigma, eles descobrem que os vilões pretendem roubar um multiplicador, capaz de gerar múltiplos objetos, desde um buraco no chão até pessoas.
 Quando decidem ir atrás deles, a dupla dinâmica sofre uma emboscada e terminam presos e prestes a serem cozinhados. Será que a dupla dinâmica conseguirá escapar dessa armadilha e deter os vilões? O que acontecerá com Batman e Robin caso escapem? Não percam essa emocionante animação.
Bem, fui exagerado nesse final, mas eu queria – tentar – capturar a essência do que era a série dos anos de 1960.
Em 12 de janeiro de 1966 estreava a série Batman. O seriado foi idealizado e produzido por William Dozier (1908-1991) e Lorenzo Semple Jr. (1923-2014), que decidiu levar os personagens para dentro das casas das pessoas com pessoas reais (ou live action). O canal de TV onde a estreia aconteceu foi a American Broadcasting Company (ABC) e tinha os atores Adam West e Burt Ward interpretando Bruce Wayne/Batman e Dick Grayson/Robin, respectivamente. A série tinha um estilo camp, ou seja, era uma série que brincava com o ridículo e o absurdo. Ela teve três temporadas e criou o fenômeno conhecido como batmania, que consistia em vendas de produtos e memorabílias ligadas ao seriado. Além disso, o seriado teve o primeiro filme do Batman.
“Batman – O Homem-Morcego” estreou em 30 de julho de 1966 e trazia Batman e Robin enfrentando Coringa (Cesar Romero), Mulher-Gato (Lee Meriwether), Charada (Frank Gorshin) e Pinguim (Burgess Meredith), que decidem sequestrar membros das Nações Unidas. O filme incorporou o Batcóptero, um novo elemento que funcionou muito bem para a película.
Em setembro de 2013, o roteirista Jeff Parker iniciou um trabalho para a DC Comics levando o seriado de 1966 para as revistas em quadrinhos. Foram 30 edições e um especial que trazia a introdução do personagem Duas-Caras no seriado, algo que nunca aconteceu de verdade.
Esse ano a Warner Animation, em comemoração aos 50 anos do seriado e percebendo um sucesso razoável com a venda das edições em quadrinhos (seja em formato impresso ou digital), lançou o filme que narrei acima. A animação traz toda a ideia do seriado da década de 1966, além de ampliar ainda mais, pois existiam limitações para o seriado que não precisam ocorrer nem nos quadrinhos e nem na animação. O interessante é o retorno de Adam West, Burt Ward e Julie Newmar (ela atuou no seriado, fazendo a Mulher-Gato na primeira e segunda temporadas, dando lugar na terceira para a atriz Eartha Kitt (1927-2008)) na dublagem. Eles dublam, respectivamente, os personagens que os consagraram no seriado. Chega a ser uma pena não podermos contar com os outros atores para retornarem, também, ao seus antigos vilões ou colegas e parceiros do Batman, mas é uma casta antiga de atores que, em sua maioria, já veio a falecer.
Mas existem personagens que se sente falta no momento em que começamos a assistir, como a Barbara Gordon/Batgirl. Mesmo que a atriz Yvonne Craig tenha falecido há um pouco mais de um ano, seria interessante rever sua personagem – que foi criada para um seriado-solo, mas que terminou entrando para a terceira temporada de Batman – sendo retratada como parceira da dupla dinâmica.
Quanto ao enredo em si, ele chega a ser divertido, mas cansativo. A diversão fica por conta das lembranças que trazem para aqueles que assistiram ou assistem (o seriado passa no Canal Brasil, todos os dias, as 23h00), pois tem o mesmo clima camp. Mas é cansativo, pois são muitas idas e vindas, que parece sem motivo aparente, somente para tornar a animação em algo com 78 minutos de duração. Sinceramente, é uma história que poderia ser resolvida com bem menos tempo e sem muita lengalenga. Batman vai, desvenda um caso, é preso, se liberta, desvenda outro caso, e assim vai até o final, tornando algo que poderia ser dinâmico em moroso.
“Batman: O Retorno do Cruzado Encapuzado” vale pelo clima nostálgico que mantém do começo ao fim, mas não esperem uma história que te prenderá, pois você pode vir a se decepcionar.