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quinta-feira, 12 de julho de 2018

RESENHA HQ: Robin: Ano Um / Batgirl: Ano Um (DC Comics Coleção de Graphic Novels Volumes 45 e 48 da Eaglemoss)


ROBIN: ANO UM / BATGIRL: ANO UM (DC Comics Coleção de Graphic Novels 45 e 48)

Roteiros: Chuck Dixon, Scott Beatty, Bill Finger
Desenhos: Javier Pulido, Marcos Martins, Bob Kane, Jerry Robinson, Sheldon Moldoff
Arte Final: Robert  Campanella, Alvaro Lopez, Jerry Robinson, Sheldon Moldoff
Títulos originais: Robin: Year One - Batgirl: Year One

Após deter o Chefe Zucco, que fora responsável pelo assassinato de seus pais, Richard “Dick” Grayson embarca na ação ao lado do Cavaleiro das Trevas, o Batman. Intrépido, ágil, dedicado e, as vezes, inconsequente, o Menino Prodígio auxilia o Batman contra vários bandidos, encarando até mesmo vilões do nível do Crocodilo , Espantalho e Chapeleiro Maluco, mas quando o ex-promotor Harvey Dent, que após um incidente que desfigurou metade do seu rosto transformando-o no Duas Caras, foge do Asilo Arkham, Batman acredita que o melhor e manter Robin fora da ação, por temer por sua vida, mas devido sua necessidade de mostrar seu valor, Robin parte atrás de um dos piores inimigos do Batman e, por causa disso, sofre as consequências. Colocando em xeque sua carreira ao lado do Cruzado Encapuzado.
Passado um tempo, a jovem Barbara “Babs” Gordon, filha do capitão de polícia James Gordon, acredita que poderia iniciar sua carreira na polícia, mas não é o que seu pai espera dela. Então, sabendo que o pai não concorda com as ações da Dupla Dinâmica - o lance de “mal necessário” -, ainda mais após Batman colocar o jovem Robin como seu parceiro e pupilo, ela decide ir ao Baile de Máscara da Polícia de Gotham fantasiada como uma “Batman mulher” - parafraseando Joss Whedon -, mas, logo quando chega se depara com o ladrão Mariposa Assassina, o enfrenta e vence, para surpresa do Batman e Robin, e do capitão Gordon. Sentindo a emoção de ser uma vigilante do crime como a Dupla Dinâmica, Barbara – que terminou recebendo o título de Batgirl – busca se apromorar cada vez mais, mas o que ela não imagina é que o Mariposa Assassina está com sede de vingança e, para poder vingar-se dela, se juntará ao piromaníaco Vagalume para tentar acabar com ela e com Batman e Robin.
Por que fazer sobre essas duas edições de uma só vez? Bem, começa que ambas foram escritas por Chuck Dixon e Scott Beatty, que foram responsáveis por algumas das melhores histórias do Batman e seus parceiros no final da década de 1990 e começo do século XXI. Além disso, também temos a mão do artista Marcos Martins desenhando em ambos os trabalhos. Martins trabalha muito bem ambos os personagens, dando uma bela desenvoltura ao roteiro de Dixon e Beatty. Ele trabalha bem as cenas ágeis, com bastante ação.
Outro motivo vem do fato que estamos falando de dois personagens ligados ao Batman. Babs não foi a primeira ao usar o título de Batgirl nos quadrinhos – sendo que, após Crise nas Infinitas Terras, somente ela usou a acunha -, mas Dick não somente o primeiro a usar o nome de Robin – hoje existem mais três que já usaram, depois dele – como, também, foi o primeiro parceiro dos quadrinhos.
Quando a década de 1940 começa, Bill Finger, Jerry Robinson e Bob Kane perceberam que as revistas do Batman não chegavam a um público mais infantil, pois como a Detective Comics era uma revista policial – antes da chegada do Batman -, não interessava as crianças ler história do Homem-Morcego, dessa forma, eles decidem criar o parceiro mirim – ou sidekick – e lhe dão o nome de Robin. O parceiro é apresentado na edição 37 da Detective Comics, e toda a narrativa de quem ele é termina sendo contada. Robin inicia uma verdadeira febre de parceiros, como Bucky, Centelha, Speedy – aqui conhecido como Ricardito –, Mary Marvel, Capitão Marvel Jr., entre tantos outros. Eles surgem para ajudar o grande herói no combate ao crime. Superman, por seu o último filho de Krypton, não ganha um parceiro, mas Siegel e Shuster – seus criadores mal remunerados – contam a história de sua infância como Superboy.
Mais tarde, surgiria a primeira Bat-Girl – era assim que se escrevia na década de 1950. Sua criação foi por causa do livro “A Sedução dos Inocentes”, de Fredric Wertham, que insinuou um caso de homossexualidade e abuso infantil nos quadrinhos do Batman. Após isso, para o personagem não deixar de ser publicado, suas histórias foram suavizadas e surgiram a Bat-Woman e a Bat-Girl, que era a sobrinha da Bat-Woman e apaixonada pelo Robin. A segunda Batgirl – ou Bat-moça, como ficou conhecida no Brasil, graças a Ebal – surge após a personagem aparecer no seriado de TV Batman, sendo interpretada pela belíssima atriz Yvone Craig (1937-2015). Com isso a filha do Comissário Gordon chegava aos quadrinhos.
Com os adventos da Crise nas Infinitas Terras, muitos aspectos dos personagens foram mudados, então quando Babs se torna a Batgirl, seu pai ainda era capitão do DPGC – a caminho de se tornar comissário -, diferente de seu surgimento no final da década de 1960.
Essas mudanças, além de mostrar uma forma maior no aspecto da feminilidade da personagem, que é uma moça vestida de morcego e não um “Batman em forma de moça”, mostra o quão influenciável um adolescente pode ser, ainda mais quando sente o “gosto” da adrenalina, sendo alimentados com altas doses. Outro aspecto muito interessante de ambas histórias, é a forma de narração, como se fosse contado a partir de um “diário de guerra”. No caso de Robin: Ano Um, vemos o aspecto da narração através do mordomo fiel de Bruce Wayne, Alfred. Já no caso de Batgirl: Ano Um, vemos isso da visão da própria Barbara, sobre os aspectos de se tornar uma vigilante noturna. É uma característica típica de Dixon, como vemos em Terra de Ninguém em certos momentos, são histórias contadas do ponto de vista do personagem, seja ele o protagonista ou um secundário. Você percebe as preocupações, as angustias, os sofrimentos, os desesperos. São os mais profundos sentimentos naquele conteúdo da história.
Robin: Ano Um e Batgirl: Ano Um – ah, descobri que Dixon e Beatty escreveram Asa Noturna: Ano Um, também (será que a Eaglemoss vai lançar, em um futuro distante?) - não ficam a dever nada à ideia predecessora de contar o primeiro ano de ação de um personagem, feito por Frank Miller e David Mazzucchelli em Batman: Ano Um. São histórias que complementam o universo do Homem-Morcego e agregam mais conhecimento e conteúdo sobre os personagens que marcaram suas épocas e continuam até os dias de hoje.
As histórias adcionais, que a Eaglemoss sempre anexa ao conteúdo, falando sobre os personagens, já foram comentadas logo acima, pois eles colocam a primeira história do Robin, publicada em abril de 1940, na Detective Comics #38, escrita por Bill Finger e desenhada por Bob Kane e Jerry Robinson, onde Dick Grayson perde os pais em um acidente de trapézio após o chefão do crime Anthony Zucco cortar as cordas, pois o dono do circo não queria lhe pagar propinas, levando-o a se unir ao Batman para encarar os bandidos. E, na outra edição, eles colocam o surgimento da primeira Bat-Girl, a jovem Bette Kane, na revista Batman #139, de abril de 1961. Bette é sobrinha do milionária Kate Kane, a Bat-Woman, e decide visitar sua tia durante as férias. Ela descobre a identidade secreta da tia e deseja ajudá-la a enfrentar a organização Kobra, tornando-se a Bat-Girl, mas devido a sua imprudência mete os pés pelas mãos e termina em uma grande encrenca. A personagem desistiria da carreira de Bat-Girl – principalmente com o surgimento de Babs – e se tornaria a Labareda, integrando uma formação do Novos Titãs da Costa Oeste. Bette Kane foi criada por Bill Finger e Sheldon Moldoff.
A Coleção DC Comics Coleção de Graphic Novels pode ser adquirida em bancas e lojas especializadas, mas você também pode comprá-las no site Eaglemoss Brasil na internet ou fazer a assinatura, onde poderá adquirir vários brindes exclusivos.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

RESENHA HQ: V de Vingança (V for Vendetta)

V de Vingança (V for Vendetta)
Roteiro: Alan Moore
Arte: David Lloyd
Editora: Vertigo Comics (BR: Panini Comics)
Ano: 1983 (BR: 2006)
Pg: 304


HQ criada por Alan Moore entre 1982 e 1983, narra uma guerra de partidos políticos em Londres, o que gera um novo regime político totalitário e fascista, o qual promove extermínio de minorias, monitoramento em tempo real, campos de concentração, total censura, etc.

Nesse contexto, surge V, personagem que usa uma máscara inspirada no inglês Guy Fawkes, que décadas antes, tentou explodir o parlamento inglês. V atenta contra o governo, toma a transmissão de TV e Rádio e começa a anunciar vários planos para derrubar o poder do Estado.

O personagem passa a ser símbolo de rebelião e resistência, até mesmo o detetive Edward Finch, que trabalha a favor do governo, simpatiza com ele.

A HQ é simplesmente espetacular. Ela narra a situação a partir da perspectiva do governo e de V, é possível perceber que em vários momentos o governo limita por meio da censura dos meios de comunicação, até mesmo os livros são proibidos nesse regime.

A arte de David Lloyd é linda, nada que lembre HQS de super-heróis, trata-se de uma história séria, coerente e de proporções reflexivas imensuráveis.

Os personagens secundários como o detetive, o padre, a órfã são um aspecto a mais; mostram seus erros, problemas, tristezas; portanto o texto expõe sua profunda humanidade de modo cativante e realista.

V de Vingança é necessária, porque deixa às claras ameaças à liberdade de expressão, deveria estar em todas as bibliotecas, Universidades, escolas do país, sendo lida e discutida por todos.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

RESENHA HQ: Jeremias: Pele

JEREMIAS: PELE


Roteiro: Rafael Calça
Arte: Jefferson Costa
Editora: Panini Comics
Ano: 2018
Páginas: 96


Eu estava com certa dificuldade para escrever uma resenha para essa Graphic MSP, pois receava escrever coisas equivocadas sobre essa obra e cometer injustiças, mas decidi que era melhor escrever e ver o que acontece.
Sim, "Jeremias: Pele" é uma obra. É a mais recente Graphic MSP e, escrita por Rafael Calça e desenhada por Jefferson Costa, ela traz a história do personagem Jeremias, que foi criado por Maurício de Sousa para integrar o grupo de amigos do Franjinha, na década de 1960. De lá para cá, Jeremias sempre participou como coadjuvante nas histórias da Turma da Mônica - acho que somente protagonizou uma história, mas posso estar enganado -, sendo membro da "Turma do Bermudão", quer é formado por ele, Franjinha, Titi e Manezinho. Sem muita enfase ao personagem e sem muito destaque nas histórias, Jeremias permaneceu meio que "jogado de lado" - lembra que eu mencionei que possivelmente ele teve uma história como protagonista - até a MSP +50, segunda edição publicada em comemoração aos 50 anos de profissão do Maurício de Sousa. O artista André Diniz se responsabilizou, que usou seu estilo todo único para o contexto, deixando o Jeremias participar dessa maravilhosa homenagem ao seu criador. Mas eu vejo isso como algo para não deixar passar em branco, já que Jeremias é um dos primeiros personagens do universo criado por Maurício de Sousa.
Não estou dizendo que Maurício ou sua produtora de quadrinhos sempre deixou Jeremias para escanteio propositalmente, mas com a infinidade de personagens protagonistas para dar relevância, deve ter sido complicado pensar em uma história para dar destaque a ele. Mas graças a um conceito desenvolvido e criado por Maurício de Sousa e o produtor Sidney Gusman, surgiram as Graphic MSP, dando oportunidade para que outros personagens viessem a brilhar, e foi o que ocorreu com Jeremias nessa.
A história trata de um assunto bem complicado e que todos preferem não falar, pois acreditam que não falar faz com que não exista, mas - infelizmente - existe e ocorre mais constantemente do que imaginamos, o racismo.
Eu mesmo não gosto do termo, acho a palavra estranha por si só, pois se pensarmos em raça, somos todos humanos. A raça humana tem proximidades com outros primatas, mas seja negro, branco, amarelo, marrom, rosa, somos todos parte da raça humana, dessa forma, a palavra racismo foge do que convém. Aí alguns falam de discriminação étnica e, mesmo que eu discorde em um caso de localização, concordo que é o que melhor se aplicaria no caso.
Nunca sofri discriminação por causa da minha cor, então falar que entendo o que as pessoas que sofrem passam, seria demagogia barata e irrelevante. Mas quando você lê "Jeremias: Pele" se sensibiliza com essa situação tão degradante do nosso país.
Sou professor de História e sempre tento falar para os meus alunos que não temos motivos para discriminar ninguém, pois somos um país cuja miscigenação é factual e parte de nós. É difícil caracterizar uma etnia para o brasileiro. Somos várias misturas, um mix de espécies humanas. Somos negros, brancos, amarelos. Temos olhos claros e escuros, azuis, verdes, castanhos e negros. Temos os cabelos loiros, ruivos, castanhos e protos, lisos, ondulados, encaracolados e crespos, numa mistura sem fim. Então, como nos definir? Como dizer que determinada pessoa é de uma etnia, sendo que no seu passado pode ter sido tataraneto de outra etnia, sem se saber? Somos um país colonizado, miscigenado e deveríamos ser um exemplo ao mundo por isso. Mas não é o caso.
Na história escrita por Calça, vemos Jeremias ser submetido ao Dia da Profissão, onde na escola, os alunos - ou a professora, no caso da história - escolhem com qual profissão melhor se identificam e Jeremias termina tendo como profissão algo que não desejava, pois outros acham que o seu desejo não seja viável e, com isso, ele começa a questionar tudo e a se revoltar com o que acontece a sua volta e, como eu já havia dito, as pessoas preferem não falar sobre a discriminação, pois assim - creem que - deixará de existir, o que de fato não ocorre. Jeremias aprende muito com isso, principalmente que a cor de sua pele não define nada na sua vida, somente que as pessoas não sabem reconhecer o verdadeiro valor da pessoa, não importando que cor de pele ela tenha.
Ninguém é melhor do que ninguém . Não é a cor de uma pele que definirá seu futuro, mas sim seu caráter... bem, tá virando o que eu temia, discurso demagógico e desnecessário. O que importa mesmo é que "Jeremias: Pele" é a mais nova Graphic MSP da Maurício de Sousa Produções e dá uma alfinetada em uma realidade que poucos querem enxergar. Somente a leitura dessa obra poderá fazer com que entendam o motivo dessa resenha. Sem contar que a arte do Jefferson Costa é encantadora do começo ao fim, com várias referências cênicas e realistas.
"Jeremias: Pele" entra no meu hall de revistas relevantes e importantes e permanecerá nele para todo sempre.

terça-feira, 1 de maio de 2018

RESENHA CINEMA: Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War, 2018)


VINGADORES: GUERRA INFINITA (Avengers: Infinity War, 2018).

Direção: Anthony Russo, Joe Russo
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Josh Brolin, Robert Downey Jr, Chris Evans, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Tom Holland, Chadwick Boseman, Benedict Cumberbatch, Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Bradley Cooper, Vin Diesel, Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Karen Gillan, Don Cheadle, Anthony Mackie, Tom Hiddleston, Sebastian Stan, Idris Elba, Danai Gurira, Pom Klementieff, Benedict Wong, Gwyneth Paltrow, Benicio Del Toro, William Hurt, Letitia Wright, Terry Notary, Tom Vaughan-Lawlor, Carrie Coon, Michael James Shaw, Winston Duke, Stan Lee.

Durante 10 anos, praticamente, Thanos (Josh Brolin) vem assombrando a vida dos Vingadores e dos Guardiões da Galáxia. Sua busca constante pelas Pedras do Infinito o levou aos mais distantes confins do universo, pois ele deseja uni-las para transformar o universo da forma que deseja. Mas, ciente disso, Dr. Bruce Banner (Mark Ruffalo), busca unir todos os seus companheiros e amigos para enfrentar esse monstro, que virá à Terra tomar as pedras que se encontram sobre o controle do Dr. Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), o mago supremo, e o androide Visão (Paul Bettany). Além da Terra, os Guardiões da Galáxia se unem ao deus nórdico Thor (Chris Hemsworth), para buscar a arma que, possivelmente, poderá deter o deus louco. Mas Thanos não está sozinho e conta com sua Ordem Negra, formada pelos seus tenentes, asseclas dedicados e empenhados a ajuda-lo na busca pelas pedras. Estrategistas e malignos, os membros da Ordem Negra não poupam esforços.
17º filme do Universo Cinemático – ou Cinematográfico – Marvel, “Vingadores: Guerra Infinita” faz o que todos os fãs da Marvel – seja Comics ou Studios – desejavam há dez anos, a união – quase – total do UCM. E com um dos maiores vilões dos quadrinhos a frente, o filme consegue ser concreto e válido.
Por que considero assim? O filme cumpre o que promete, pois ele coloca o UCM todo contra Thanos. Temos ali o Homem-de-Ferro (Robert Downey Jr) e seu amigo o Máquina de Combate (Don Cheadle). Temos Thor. Temos Capitão América (Chris Evans), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Falcão (Anthony Mackie) e o Soldado Invernal (Sebastian Stan). Temos Visão e Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen). Temos os Guardiões da Galáxia. Temos Dr. Estranho e Wong (Benedict Wong). Temos o Homem-Aranha (Tom Holland). E temos Pantera Negra (Chadwick Boseman) e Wakanda. Todos esses personagens têm sua importância na trama, mesmo que seja pequena. Ela é significativa, pois acontece em um momento que se torna crucial. Além disso, tudo que foi construído e explicado no decorrer de – quase – todos os filmes do UCM fazem parte do roteiro desse filme.
Vingadores: Guerra Infinita une todos os fragmentos lançados nos filmes que mencionavam Thanos. Desde “Thor” (2011), quando testemunhamos pela primeira vez o Tesseract e aquela Manopla do Destino fake, sabíamos que Thanos viria assombrar o UCM. O Tesseract voltaria em “Capitão América: O Primeiro Vingador” (2011), como o artefato desejado e usado pelo Caveira Vermelha (Hugo Weaving). A primeira aparição de Thanos em “Os Vingadores” (2012), somente confirmava a expectativa. Depois o viríamos em “Os Guardiões da Galáxia” (2014), indo atrás da Joia do Poder. Nessa oportunidade descobriríamos que Gamora (Zoe Saldana) e Nebula (Karen Gillan) têm uma ligação bem próxima com Thanos, como “filhas” dele. Na sequência, Malekith (Christopher Eccleston) surgiria atrás do Éter, que se alojaria no corpo da Dra. Jane Foster (Natalie Portman), e descobriríamos que essa é a Joia da Realidade. Depois saberíamos que a Joia da Mente estava alojada no cajado de Loki (Tom Hiddleston) – que ele havia ganhado de Thanos para conseguir o Tesseract, onde fica alojada a Joia do Espaço – e ela terminou trazendo Visão a vida em “Vingadores: A Era de Ultron” (2015). Tudo e todos os movimentos dos filmes convergiam para esse momento, para “Vingadores: Guerra Infinita”.
Ao contrário do que ocorrera em “Capitão América: Guerra Civil”, que foi o segundo filme dirigido pelos irmãos Russo, Anthony e Joe Russo acertam na direção, pois os atores, como já mencionei, tem uma participação interessante e importante no decorrer do filme. Mesmo com um número grande de atores e coadjuvantes, os Russo conseguem colocar cada um com uma participação relevante no filme. A Ordem Negra, por sinal, um dos pontos chaves para que Thanos conquiste as Joias do Infinito, mesmo tendo cenas esparsas, são um grande toque para que conheçamos do que o deus louco é capaz para conquistar o que deseja.
Não sou um extenso fã dos filmes do Universo Cinemático Marvel. Vejo vários problemas na maioria deles, principalmente com os exageros de piadas fora do contexto e desnecessários. “Thor: Ragnarok” e “Os Guardiões da Galáxia Vol. 2” – para mim – são os maiores exemplos disso. Mas os filmes mais recentes como “Doutor Estranho”, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” – feito em conjunto com a Sony/Columbia Pictures –, “Pantera Negra” e – agora – “Vingadores: Guerra Infinita”, trouxeram uma dimensão diferente. Sim, na maioria deles temos as piadinhas fora do contexto, mas as histórias são ricas e bem realizadas, sem contar que temos vislumbres de outras partes que muitos desconhecem do Universo Marvel, como ocorreu com “Doutor Estranho”, que poucos conheciam o lado mágico da Marvel, criado por Steve Ditko na década de 1960 (tá, em consideração aos xiitas, vou considerar Stan Lee, também).
Todas as palavras tecidas aqui são, simplesmente, para dizer que “Vingadores: Guerra Infinita” não supera “Capitão América: Soldado Invernal” e – mais recentemente – “Pantera Negra”, mas é um dos filmes bons do UCM e merece ocupar seu espaço ao lado desses dois, com certeza.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

RESENHA CINEMA: Pantera Negra (Black Panther, 2018).


PANTERA NEGRA (Black Panther, 2018) – COM SPOILERS

Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Ryan Coogler, Joe Robert Cole
Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Martin Freeman, Letitia Wright, Daniel Kaluuya, Angela Bassett, Forest Whitaker, Winston Duke, Andy Serkis, Sterling K. Brown, John Kani, Florença Kasumba

OBS.: Em geral não gosto de escrever resenhas com spoilers, mas para falar de Pantera Negra, faz-se necessário falar sobre alguns acontecimentos para melhor entendimento. Então a leitura a seguir fica por sua conta e risco.

Wakanda, para muitos, é somente uma vila do terceiro mundo com problemas de desenvolvimento e com pequenas fazendas e plantações, mas não sabem o que se esconde atrás de um bem elaborado sistema de camuflagem. Wakanda é uma cidade cuja tecnologia se desenvolveu com o passar dos tempos, fazendo uso do metal mais resistente da Terra, o vibranium.
A cidade tem como seu eterno protetor o Pantera Negra. O herói é uma herança hereditária, passada de pai para filho, que este deve demonstrar seu digno do uso do poder da fera.
T’Challa (Chadwick Boseman), filho de T’Chaka (John Kani), se torna o novo rei de Wakanda após a morte de seu pai. Ele, com isso, precisa defender o legado que ganhou com o título, que é defender seu povo e não permitir que a sociedade fora da cidade tome conhecimento do que Wakanda possui, pois poderiam fazer uso equivocado de tal capacidade. Mas uma ameaça surge no horizonte quando Erik Killmonger (Michael B. Jordan) acredita que a tecnologia de Wakanda não deve ser usada somente para proteção da cidade, mas para defesa por uma igualdade social que os negros do mundo não possuem.
“Pantera Negra” é o décimo-oitavo filme do Universo Cinemático Marvel e já se torna – na minha humilde opinião – o segundo melhor filme do UCM. “Por que segundo?”, vocês podem vir a me perguntar, eu respondo que ainda considero as questões políticas discutidas em “Capitão América: O Soldado Invernal”, mais polêmicas e mais significativas.
Não que as questões levantadas em Pantera Negra não sejam, pois temos lá questões sobre a luta por igualdade, temos questões de políticas que são desenvolvidas para a defesa da cidade, deixando de lado parentescos, que termina levando a uma busca por vingança.
Quando T’Chaka mata seu irmão, N’Jobu (Sterling K. Brown), que pretendia usar o poderio militar de Wakanda na defesa pela igualdade social dos negros, deixa para trás seu sobrinho, que mais tarde surge desejando o mesmo que o pai, e mais, o trono de Wakanda.
Essa questão de luta pela igualdade social dos negros é uma questão que existe desde muito tempo. A sociedade, principalmente das Américas, ainda sofre para aceitar que existe uma igualdade. Mas como os negros foram escravizados, muitos têm uma ideia que eles são a minoria.
Lógico que essa luta não fica somente restrita para as Américas – mais estritamente os Estados Unidos –, pois a personagem Nakia, vivida pela atriz Lupita Nyong’o, também luta por aqueles que são discriminados socialmente na África. De forma diferentes, ela e Killmonger desejam a mesma coisa, ou seja, o uso do desenvolvimento tecnológico de Wakanda em benefício geral da população negra.
É complicado colocar Erik Killmonger como um vilão, pois quando ele foi abandonado ainda jovem nos Estados Unidos, ele era um órfão. Foi movido pelo desejo de vingar seu pai e continuar sua luta e, ciente de sua herança, tornar-se rei de Wakanda. O termo somente poderia ser usado se fossemos pensar que para ajudar ao seu povo, ele mataria os demais. É uma coisa comum que temos visto nos filmes, pois personagens semelhantes a Killmonger, que usam sua visão de justiça, tem surgido aos montes. Não sei se poderíamos chamar de visão deturpada, pois a exclusão e o abandono, podem tê-lo levado em caminhos tortuosos.
Mas não é somente isso que move o filme, pois vemos uma ação muito bem realizada, com um elenco muito bem entrosado. Desde o momento que o filme inicia sua ação, com uma cena onde T’Challa desce de forma vertiginosa de seu aeroplano (não lembro o nome da nave!), percebemos que teremos cenas cada vez melhores de ação. E sua conversa com sua general Okoye (Danai Gurira), percebemos uma naturalidade no entrosamento do elenco.
Os momentos que possuem um – bem pequeno – alívio cômico, ficam por conta do jeito descontraído de Shuri (Letitia Wright), irmão de T’Challa – que nos quadrinhos chegou a tornar-se a Pantera Negra, que desenvolve a tecnologia usada por seu irmão e pela cidade, e a forma lunática de Ulysses Klaue (Andy Serkis), o Garra Sônica – o nome nem chega a ser mencionado no filme. Mas é tudo bem realizado, que não fica exagerado e nem fora do tom do filme.
O diretor Ryan Coogler é simplesmente excelente na realização desse filme, pois ele traz todas essas questões que falei acima e ao mesmo tempo nos dá um filme de super-herói que poderia surgir a qualquer momento e ainda ser atual. Ele já realizou outros trabalhos com Michael B. Jordan, que faz Killmonger, e o ator mostra o quanto cresceu como ator ao fazer esse papel. O mesmo podemos dizer de cada um dos personagens, principalmente Chadwick Boseman como T’Challa.
Se eu não soubesse que ele nasceu na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, poderia dizer que Chadwick nasceu em algum país da África. Já havia adorado sua atuação em “Capitão América: Guerra Civil”, de 2016, e agora ele nos brinda com algo muito maior, pois T’Challa precisa ser rei, mesmo que não desejasse ser. Ele precisa ser filho, irmão e, ao mesmo tempo, ama Nakia. Ele precisa ser o apaziguador, ele precisa saber como tratar as tribos sobre sua proteção e enfrentar as adversidades de seu o detentor do trono de Wakanda. Ele está ótimo no papel e conta com um elenco de apoio dos mais notáveis. Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Letitia Wright, Angela Bassett – que faz sua mãe, Ramonda –, Forest Whitaker – que faz seu conselheiro, Zuri –, Daniel Kaluuya – que faz o papel de W’Kabi, chefe de uma das tribos e amor de Okoye – e Winston Duke – o chefe de outra tribo, M’Baku. Ainda entram para esse elenco maravilhoso o ator Martin Freeman, que também reprisa seu personagem de “Capitão América: Guerra Civil”, o agente do governo estadunidense, Everett K. Ross, e Andy Serkis, que – também – reprisa outro personagem que já aparecera em “Vingadores: A Era de Ultron”, Ulysses Klaue.
Com tantos aspectos positivos – não entrarei nos detalhes dos críticos enfadonhos que ficam exigindo coisas desnecessárias –, “Pantera Negra” entra para qualquer lista de melhores filmes, facilmente.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

RESENHA CINEMA: Liga da Justiça (Justice League, 2017).

LIGA DA JUSTIÇA (Justice League, 2017).

Direção: Zack Snyder, Joss Whedon
Roteiro: Chris Terrio, Zack Snnyder, Joss Whedon
Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Jason Momoa, Ezra Miller, Ray Fisher, Henry Cavill, Ciarán Hinds, Jeremy Irons, Amy Adams, Diane Lane, J.K. Simmons, Connie Nielsen, Amber Heard, Joe Morton.

Superman (Henry Cavill) está morto, mas os perigos que surgem com isso, fazem Batman (Ben Affleck) e Mulher-Maravilha (Gal Gadot) selecionarem outros que podem ajuda-los a combater a ameaça do Lobo da Estepe (Ciarán Hinds), um novo deus que deseja tomar as Caixas Maternas para ele e, com isso, transformar a Terra, como desejara fazer no passado, mas fora detido por um grupo de heróis.
Liga da Justiça é o quarto filme do Universo Expandido DC nos cinemas e une Batman e Mulher- Maravilha a Aquaman (Jason Momoa) – um híbrido de homem com atlante que herdou o trono da cidade aquática –, Flash (Ezra Miller) – um rapaz que, após um acidente, tornou-se o homem mais rápido do mundo – e Ciborgue (Ray Fisher) – um jovem atleta que teve o corpo deformado após um acidente e terminou tornando-se metade homem, metade máquina. A ameaça que eles enfrentam se equipara a ameaça de Ares em “Mulher-Maravilha”, mas tem uma superação, pois o novo deus Lobo da Estepe está na busca das maiores armas dos novos deuses, as Caixas Maternas. Passar disso seria entregar spoilers desnecessários.
Liga da Justiça tem uma história bem interessante que nos leva ao patamar máximo dos filmes do UEDC, mas tem suas falhas no desenrolar da história. Não sei se é a busca pelo humor em momentos bem pontuados – e que nem sempre cabem na história –, mas tem momentos de perda de ritmo e de vazios.
Mesmo que busquem amarrar bem o enredo, o filme tem quebras que atrapalham a história. Sem contar que teve mudanças que ocorreram depois da divulgação do trailer final, o que nos deixa com uma sensação de enganação. Talvez isso tenha ocorrido por causa das mudanças de diretor, pois cada um tem sua visão do enredo, ainda mais quando esse também é modificado, em partes, pelo novo diretor.
Não temos desenvolvimento dos personagens, pois Aquaman, Ciborgue, Flash e Batman, terão seus filmes individuais. Já Mulher-Maravilha e Superman – não chega a ser spoiler, pois sabíamos que ele retornaria – já tiveram suas histórias contadas em filmes anteriores do UEDC. Não creio que veremos uma nova história de criação do Batman – sério, é desnecessário, pois vemos em Batman Begins (2005) e, em parte, em Batman vs. Superman: A Origem da Justiça (2016) –, mas eu espero um filme muito interessante, pois teremos o Exterminador (Joe Manganiello). As mudanças de clima no filme são perceptíveis no decorrer dele. Há uma tensão reconhecível no começo do filme e vai mudando isso no decorrer da história, principalmente após o retorno do Superman. O vilão Lobo da Estepe é uma introdução interessante. Li muitas críticas de que acharam o uso do CGI para a criação do personagem desnecessária, mas se pensarmos que ele é um novo deus, um ser divino e assecla de Darkseid, ele é inumano – sem referências – e, dessa forma, sua criação não poderia ser somente maquiagem e efeito de câmera. Mas vale lembrar que tem um ator por trás desse novo deus e Ciáran Hinds se sai muito bem.

Liga da Justiça é um filme de integração do maior grupo de super-heróis da DC Comics, que faz seu fanservice muito bem, com bastante ação, enredo bem desenvolvido, diversão moderada e nos dá mais um novo degrau ao Universo Expandido DC. Agora é só esperarmos pelo que vem pela frente, pois em 2018 teremos Aquaman e, em 2019 – possivelmente –, um novo filme da Liga da Justiça. Ficamos na expectativa.

domingo, 29 de outubro de 2017

RESENHA HQ: Surfista Prateado: Réquiem (The Silver Surfer: Requiem)

SURFISTA PRATEADO: RÉQUIEM (The Silver Surfer: Requiem).

Roteiro: J. Michael Stravzynski
Arte: Esad Ribic
Editora: Marvel Comics (BR: Panini Comics)
Ano: 2007 (BR: 2008)
Pág.: 96

RÉQUIEM
1     Rubrica: liturgia.
prece que a Igreja faz para os mortos
2     Rubrica: música.
         composição sobre o texto litúrgico da missa dos mortos cujo introito começa com as palavras latinas requiem aeternam ('repouso eterno')

Norrin Radd, o Surfista Prateado, desde que conseguiu ser liberado de sua prisão na Terra, vem explorando o espaço sobre sua prancha. Suas explorações, sem a necessidade de ser o arauto de Galactus, o Devorados de Mundos, vem lhe trazendo sabedoria e esclarecimento. Mas nem tudo é eterno e ele precisa descobrir o que mais pode fazer pelos mortais que conhece e que conhecera ao singrar o espaço sideral.
“Surfista Prateado: Réquiem” é uma obra prima de J. Michael Straczynski e Esad Ribic, onde a essência do personagem é extremamente necessária para o desenvolvimento do enredo.
O Surfista Prateado retorna à Terra, pois descobriu que algo está acontecendo e precisa da ajuda dos velhos amigos do Quarteto Fantástico. Nesse meio tempo, ele encontra o Homem-Aranha para conversarem sobre a necessidade de um mundo melhor e a dificuldade de isso ocorrer. Norrin também encontra seu velho companheiro do grupo Os Defensores, Doutor Estranho, que lhe dá um presente único, antes de sua partida.
No espaço, Surfista Prateado faz novas descobertas sobre devoção e fanatismo, sobre cooperação e exploração, até chegar a Zenn-La, seu antigo lar ao lado da bela Shalla-Bal. Em seu antigo planeta, ele descobre que todo seu sacríficio foi gratificado com o povo reconhecendo o que ele fizera. Isso tudo sobre a arte do pincel de Esad Ribic.
Ribic tem um capricho significativo nesse trabalho com o Surfista Prateado. A forma que ele trabalha a luminosidade e os efeitos na pele prateada de Norrin Radd é linda. Ele dá, ao trabalho, sua própria perspectiva dos personagens, não muito diferente do que fez em Loki ou em outros trabalhos desenvolvidos com a Marvel. Sua forma de interpretar o Quarteto Fantástico, o Homem-Aranha, Mary Jane, Doutor Estranho, Shalla-Bal e Galactus, são de um tom artístico fantástico.

“Surfista Prateado: Réquiem” é uma excelente obra de um personagem que se tornou um filósofo da vida humana, mesmo não sendo humano. A interpretação de Straczynski – que já realizou trabalhos com o Homem-Aranha, entre outros personagens – cria um novo aspecto  que não havia – ainda – sido pensado para o personagem. Pena que a Panini ainda não lançou um encadernado desse trabalho, pois com certeza merecia, mesmo com capa brochura, como a Marvel Comics fez em 2008. Vamos torcer que não demore.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

RESENHA HQ: Como falar com garotas em festas (How to talk to girls at parties)

COMO FALAR COM GAROTAS EM FESTAS (How to talk to girls at parties).

Autor: Neil Gaiman
Arte: Fábio Moon e Gabriel Bá
Editora: Headline Publishing Group (BR: Quadrinhos na Cia.)
Ano: 2016 (BR: 2017)
Pág.: 80
Enn e seu amigo Vic chegam a uma festa que, supostamente, eles haviam sido convidados. Nela, várias moças estão festejando e dançando ao som de uma música diferente. Ambos têm quinze anos e estão em plena juventude dos anos de 1970, contagiados pela onde punk que invadia o Reino Unido na época. Mas tem algo estranho e diferente com as moças que, aparentemente, eram de “intercâmbio”. Enn busca, pela primeira vez, conseguir conversar com uma garota, mas esse algo diferente o leva a encontrar novidades na forma de se conversar com uma garota em uma festa sem igual.
Logo quando entrei para o grupo do Facebook “Revista Mundo dos Super-Heróis”, conheci uma pessoa que me apresentou esse conto do Neil Gaiman, “Como falar com garotas em festas”. Quando eu li, estava começando a conhecer o trabalho de Neil Gaiman, nem havia lido Sandman ainda, somente 1602, uma minissérie que ele havia escrito para a Marvel. Eu achei fora do comum o conto desse inglês. Mistura o movimento punk com uma ficção científica envolvida em uma comédia, com tons de terror. Como eu escrevi, é fora do comum.
Enn é um rapaz, como muitos de nós fomos – ou somos –, em busca de ter a primeira relação com uma moça. Tímido, não muito atraente, ele não sabe como chegar em meninas e, por muitas vezes, está sozinho e fica para escanteio. Totalmente ao contrário de seu amigo Vic, que é bonitão, todo entrosado, conversador, sabe como chegar nas meninas sem ficar constrangido e, dificilmente, fica para escanteio em qualquer festa que eles entrem, mesmo que sejam penetras.
Se eu me identifiquei com o Enn? Na hora! As formas como ele chega nas meninas, a forma de se entrosar, chega a ser engraçado, pois eu me identifiquei no momento exato que eu li. Nunca sabendo o que falar para as garotas, ele terminava em um assunto que não entendia, o interessante desse conto do Gaiman – que ganhou os prêmios Hugo Award e Locus Award, em 2007, de Melhor História Curta e, em 09 de outubro de 2017 o filme estreou no Festival do Rio 2017, com quatro apresentações – uma no Reserva Cultural Niterói 2 e três no Estação NET Botafogo 1 –, estrelado por Alex Sharp, Elle Fanning e Nicole Kidman – é que ele retrata uma realidade que muitos vivem até os dias de hoje.
Desde a década de 1970, em pleno movimento punk, até o atual século XXI, sempre tem um Enn em um canto de uma festa que mal consegue falar com garotas, acuado, temeroso em não saber o que falar com uma menina.
Já a arte de Fábio Moon e Gabriel Bá torna o conto ainda mais interessante. Eu não conheço Londres, mas achei fantástica a ambientação que eles deram à história, sem contar os personagens, pois o Enn me fez lembrar, no exato momento que o vi, do autor Neil Gaiman. As meninas têm uma aparência ímpar, diferente do normal, mas que são extremamente interessantes.

“Com Falar Com Garotas em Festas” é uma deliciosa história com uma arte muito bem trabalhada que deve fazer parte de qualquer coleção de quadrinhos. Vale mesmo a pena, principalmente por representar uma época importante na vida de muitos, que é a adolescência, onde começamos a aprender como conviver com outras pessoas, mesmo que sejam bem, bem diferentes.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

RESENHA HQ: Blacksad. Algum lugar em meio às sombras – Volume 1 (Blacksad. Un lugar entre las sombras)

BLACKSAD. ALGUM LUGAR EM MEIO ÀS SOMBRAS – VOLUME 1 (Blacksad. Un lugar entre las sombras).

Roteiro: Juan Diaz Canales
Arte: Juanjo Guarnido
Editora: Dargaud (BR: SESC-SP)
Ano: 2000 (BR: 2017)
Pág.: 56

John Blacksad é um detetive particular que é acusado injustamente do assassinato uma antiga namorada e, por isso, busca a todo custo descobrir quem é o verdadeiro assassino e fazer a devida justiça.
Blacksad é uma série de quadrinhos policial, lançada na Espanha em 2000. O clima das histórias tem um ambiente dos filmes policiais da década de 1940 e 1950, seguindo um estilo noir com cores e tons misturando do sombrio para tons pastéis. O mais interessante das histórias? Todos os personagens são zoomórficos. John Blacksad é um gato, os policiais são caninos, os bandidos são répteis e roedores, isso tudo em uma história em quadrinhos europeia e adulta.
Não estamos falando de algo como “Maus”, mas segue uma ideia que se assemelha, onde personagens zoomórficos representam os aspectos humanos ou, pelo menos, a ideia do autor sobre esses aspectos humanos.
Experimentei em Blacksad um tipo de enredo que não esperava ler em uma história em quadrinhos escrita e desenhada por espanhóis. Sabemos que, por anos, os italianos vêm desenvolvendo as melhores histórias em quadrinhos de faroeste com Tex Willer, mas uma história policial, com um excelente clima noir, foi uma grande surpresa.

Juan Diaz Canales, escritor da história, nos fornece uma ótima experiência com essa história policial. Ele consegue captar o clima de uma época que encanta, até os dias de hoje, as pessoas fascinadas por boas histórias de detetive. Lembrou-me de “Casablanca”, por exemplo. Sei que não é o mesmo enredo, mas senti como um clima semelhante. Canales consegue fazer com que embarquemos e admiremos a história de Blacksad.
A arte de Juanjo Guarnido é linda. Ele trabalha os personagens e o ambiente de uma forma que você reconheça o ambiente onde eles estão. Você reconhece cada ser zoomórfico e como combinam com suas personalidades, graças aos traços de Guarnido.

“Blacksad. Algum lugar em meio às sombras” é uma obra dos quadrinhos europeus que deve ser lida e apreciada, pois contém uma ótima história, uma arte deslumbrante que compõem como um todo.